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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ora então vamos lá

dizer o que temos para a próxima madrugada - à uma, vamos até Havana, visitar o Buena Vista Social Club e, em particular, Ibrahim Ferrer que nos cantará um dos mais famosos boleros de sempre. Às duas, temos uma elegia a Almofala - era assim que os Árabes chamavam ao Bairro da Graça, em Lisboa; às três o habitual conto.


Hoje deixamo-vos com um elogio fúnebre - L'elogio funebre - um dos sketches do filme I nuovi mostri ("Os Novos Monstros") um filme realizado em 1977 por Dino Risi. O grande Alberto Sordi faz um comovente (e hilariante) elogio fúnebre de um actor que faleceu:



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sábado, 3 de julho de 2010

Graça, Almofala, Samarcanda...

Carlos Loures

Tenho gratas recordações dos dias da guerra.

Soube depois ter sido um tempo terrível, de grandes privações, de racionamento dos bens essenciais, mesmo de penúria; e de falta de liberdade, circunstâncias que vinham já de trás e se mantiveram por mais três décadas. Em suma, um período considerado triste e cinzento. Porém, para mim, foi um tempo muito feliz e colorido. Para quem tem quatro ou cinco anos, as contingências políticas e as dificuldades económicas são conceitos mais do que abstractos. São inexistentes. Tendo nascido durante a guerra e em plena ditadura, nunca conhecera tempos melhores nem mais prósperos. À falta de referências, de elementos que me permitissem comparar o antes com o agora, o que para os mais velhos era anormal e penoso, para mim era normal e muitas vezes agradável. Claro que, com as vagas recordações da infância, misturamos frequentemente informações que nos chegam posteriormente ao conhecimento e que vão consolidar e dar forma a ténues, a evanescentes imagens, a difusas lembranças, a fugazes sensações infantis, transformando-as, por vezes, em sólidas convicções. Numa palavra, transformando essas nebulosas recordações naquilo a que passamos a chamar memória.