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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crescimento - tarde piaste.

Luis Moreira

O Governo avança com agenda do crescimento, lançando o Congresso das Exportações no inicio do próximo ano, e aposta na requalificação urbana.

Os principais pontos da agenda são as exportações, a redução dos custos de contexto (alterações administrativas que facilitem a actividade económica) a requalificação urbana e as mexidas no mercado laboral.

Com as obras públicas travadas a fundo, todo o esforço do sector vai ser dirigido para a requalificação urbana, de mãos dadas com as empresas de construção civil que têm sido as principais beneficiadas com os ciclos de obras públicas que o país tem conhecido. Com um peso excessivo na economia nacional!

Esta agenda aparece assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo, quando todos sabemos que o governo anda há pelo menos dois anos a tentar levar em frente os mega investimentos que muitos o aconselharam a não concretizar. Não arrancou com os mega investimentos e perdeu a oportunidade de estar neste momento com um programa avançado de criação de riqueza e de postos de trabalho que, conceda-se, conseguiu numa pequena parte com a requalificação das escolas públicas.

A teimosia é uma virtude se estivermos certos ou tivermos razão mas a margem que a separa da burrice é muito ténue. Muita gente com responsabilidades, especialmente os economistas que em oposição a uma lista pública também de economistas, apoiou as bravatas do governo, mostra que há muita gente disposta a vender a alma por "um prato de lentilhas".

Em relação com a requalificação urbana esperemos que o governo e os parceiros acertem de vez políticas urgentes na área do arrendamento urbano puxando para dentro das cidades gente jovem, o que iria facilitar os transportes de acesso às cidades com todas as vantagens inerentes ambientais, qualidade de vida e as milhares de horas perdidas nos acessos de entrada e saída.

Quanto à flexibilidade laboral resulta da intromissão dos orgãos europeus, politicamente errada, pois em ambiente recessivo não é prioridade nenhuma e contribui para encher a taça de veneno que o liberalismo nos tem obrigado a engolir até à última gota. É, mais ou menos, como os partidos comunistas que dizem que a URSS soçobrou por não ter adoptado suficientemente o socialismo. O PPE, liberal e de direita que domina o parlamento europeu encarrega-se de abrir a cova à pazada, por onde se enfiará a UE e o Euro, um e outro tão laboriosamente construídos.

Face às boas notícias do crescimento das exportações percebe-se bem que o governo se agarre à tábua de salvação do naufrago, tentando surfar a onda vitoriosa para a qual não contribuiu. Mas mais vale tarde que nunca!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Orçamento - muitos milhões para gastar mal

Luis Moreira

Enquanto os nossos políticos se afadigam em nos mostrar que o sacrifício vale a pena, pouco se sabe dos grandes índices macro económicos em que assenta o Orçamento. O crescimento do PIB apresentado pelo Governo já veio ser revisto pelo Banco de Portugal em baixa, indicio seguro que a recessão vem aí e que as receitas não vão chegar ao que o governo inscreveu no orçamento.

Agora já se fala, não no congelamento dos salários, mas no seu corte, e querem-no estendido aos privados ou, em contra partida, diminuir os encargos patronais inerentes e assim, baixar o custo factor mão de obra e aumentar a produtividade. A falta de moeda própria para desvalorizar incita à imaginação e o objectivo são sempre quem trabalha, isto é, os que durante as fazes boas menos são favorecidos. Pagam sempre.

O consumo interno cai, o investimento também, ficam as exportações que portando-se bem serão a salvação. Não consta é que as EDP, Galp, TMN, Banca exportem o quer que seja.

Entretanto, com o melhor conhecimento que se vai tendo do orçamento, há certas despesas que aumentam e muito, na Presidência do Conselho de Ministros é um ver se te avias, em publicidade e propaganda há um crescimento de muitos milhões e na representação dos gabinetes também . Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte...lá diz o ditado.

Os Juízes e magistrados estão em pé de guerra, descobriram que levam um corte maior que os políticos (18% estes, 20% os próprios) usam expressões como "roubo" quando se referem à retirada do subsídio da "casa de função" e acusam o governo de estarem a preparar a vingança por casos como a "Face Oculta" que mexeu nos boys e girls e, a preparar lugares bem pagos para os socialistas no Conselho Superior de Magistratura.

A guerra entre corporações faz bem à vista, zangam-se as comadres vamos sabendo do que se trata, é o dinheirinho, o resto são cantigas. A corporação dos professores pela mão do Mário "alucinado" já meteu outra acção nos tribunais, agora por "expectativas goradas", e de acção em acção vai fazendo de conta que pode impedir o quer que seja, o pobre do homem ainda não percebeu que a farra acabou.