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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Orçamento - muitos milhões para gastar mal

Luis Moreira

Enquanto os nossos políticos se afadigam em nos mostrar que o sacrifício vale a pena, pouco se sabe dos grandes índices macro económicos em que assenta o Orçamento. O crescimento do PIB apresentado pelo Governo já veio ser revisto pelo Banco de Portugal em baixa, indicio seguro que a recessão vem aí e que as receitas não vão chegar ao que o governo inscreveu no orçamento.

Agora já se fala, não no congelamento dos salários, mas no seu corte, e querem-no estendido aos privados ou, em contra partida, diminuir os encargos patronais inerentes e assim, baixar o custo factor mão de obra e aumentar a produtividade. A falta de moeda própria para desvalorizar incita à imaginação e o objectivo são sempre quem trabalha, isto é, os que durante as fazes boas menos são favorecidos. Pagam sempre.

O consumo interno cai, o investimento também, ficam as exportações que portando-se bem serão a salvação. Não consta é que as EDP, Galp, TMN, Banca exportem o quer que seja.

Entretanto, com o melhor conhecimento que se vai tendo do orçamento, há certas despesas que aumentam e muito, na Presidência do Conselho de Ministros é um ver se te avias, em publicidade e propaganda há um crescimento de muitos milhões e na representação dos gabinetes também . Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte...lá diz o ditado.

Os Juízes e magistrados estão em pé de guerra, descobriram que levam um corte maior que os políticos (18% estes, 20% os próprios) usam expressões como "roubo" quando se referem à retirada do subsídio da "casa de função" e acusam o governo de estarem a preparar a vingança por casos como a "Face Oculta" que mexeu nos boys e girls e, a preparar lugares bem pagos para os socialistas no Conselho Superior de Magistratura.

A guerra entre corporações faz bem à vista, zangam-se as comadres vamos sabendo do que se trata, é o dinheirinho, o resto são cantigas. A corporação dos professores pela mão do Mário "alucinado" já meteu outra acção nos tribunais, agora por "expectativas goradas", e de acção em acção vai fazendo de conta que pode impedir o quer que seja, o pobre do homem ainda não percebeu que a farra acabou.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O monstro das finanças públicas

Luis Moreira

Como tenho escrito várias vezes há um monstro insaciável ..." que será indomável enquanto não matarmos o que o gerou, uma sociedade de dependentes que destruiu a rede social" como escreve a Helena Garrido no Jornal de Negócios.

"Não há ataque nenhum ao déficite.Era preciso fechar institutos, organismos e direcções-Gerais" diz Mira Amaral, tambem no Jornal de negócios.

"Os gastos do Estado são um problema crónico de Portugal" escreve Eduardo Catroga no mesmo jornal.

A redução da despesa corrente do Estado só será possível com cortes nos salários da Administração Pública. Isto é, com mão-de-ferro nas Finanças", repete camilo Lourenço.

Como publicamos no Estrolabio, a despesa em vez de descer ou manter-se, subiu 5.6 enquanto a receita cresceu 5.3, isto é, o déficite agravou-se em 473 milhões de euros. Correm notícias que foram propostas admissões de mais 5 000 pessoas na administração pública que o ministro das finanças terá impedido, mas sendo ou não verdade que não foram admitidas, serve para mostrar qual é o espírito que prevalece .

Ainda ontem falei aqui na Educação responsável por 31% do aumento da despesa, mas se lermos os blogues dos professores podemos ver que a lamúria é que não são aumentados há 2,5 anos. Não ponho isso em dúvida, mas só aqui trouxe a questão para se perceber que mesmo sem aumentos, a despesa cresce sempre por via das progressões automáticas na carreira. Ao contrário do que nos querem fazer crer, o aumento dos salários na administração pública nunca são os 2% que cobrem a inflacção, ronda sempre os 5/6% pela tal via das progressões automáticas na carreira .

Estamo-nos a tornar num país inviável, com empobrecimento certo, profundamente injusto, ingovernável pelas muitas e variadas corporações que imobilizam os sucessivos governos.Neste país só há quem tenha vencimento certo e vínculo para toda a vida ou os que nunca terão oportunidade nenhuma, a não ser longe desta terra madrasta.

E não se pode calar esta realidade por muito que custe a quem o escreve e a quem o lê!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Professores - 31% do aumento da despesa!

Luis Moreira

Contas Públicas em exame
Educação representa 31% da subida dos gastos do Estado

O JN, e o Jornal de Negócios em primeira página , apresentam títulos que deixam grande parte da classe em desespero. O montante dos vencimentos subiu uns milhões e há esturro com as horas extras! No aumento da despesa pública 31% refere-se à educação.

Que nunca mais compram o JN, tal como nunca mais compraram o Expresso, depois de uma notícia que, pelos vistos, só eles não esqueceram. Não devem os jornais noticiar o que não agrada à classe de professores? Nenhum professor nega a notícia mas todos a justificam, ora com "mais assessores lá na minha escola", Direcção cheia de "gente que não faz nada" ( esta já sabíamos, meu caro)...

O que impressiona na classe é que parece que não conhecem o país onde vivem e trabalham. Reivindicação atrás de reinvindicação como se no país não haja gente sem trabalho, ou pior, gente que trabalha e não sai da miséria. Os professores ganham bem mais que a maioria dos portugueses ( a maioria dos trabalhadores não ganha mais que 600,00 euros) têm condições muito melhores de trabalho, de carreira, de garantias para o futuro do que a maioria que não tem vínculo para toda a vida a uma entidade patronal.

Colocar as suas questões como se fossem as prioritárias num país pobre e injusto, só lhes retira credibilidade, tanta como não quererem perceber que enquanto não tivermos uma escola de excelência, andarão a queixarem-se uns aos outros e a maioria da população a não compreender. Esta noção que a população não lhes reconhece credibilidade é muito frequente no discurso dos professores.

Agora são os jornais que estão contra os professores, ontem a classe política, depois os desempregados, os jovens que, licenciados como eles, nunca tiveram nem vão ter emprego, se o quiserem têm que emigrar para o estrangeiro. E nós a ouvirmos como reinvindicação a colocação numa escola lá do bairro...

Eu sei que num país onde há pensões de muitos milhares de euros e vencimentos de milhões a vontade é ir ao "pote de mel", todos pensamos assim, todas as corporações pensam assim, mas a pensar assim, este país é governável?

O título dá a resposta!Não há contas nacionais que resistam!