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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Um tandem alucinante no Terreiro da Lusofonia - Luís de Camões, José Afonso e Uxia Senlle
Já aqui apresentámos antes esta canção interpretada pela grande cantora galega Uxía Senlle. Mais uma vez, Camões, Zeca e Uxia unidos para nos oferecer "Verdes são os campos".
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
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sábado, 12 de junho de 2010
A vida desconhecida de Camões ll
Luís Moreira
O Mosteiro do Beato onde se encontra a cripta e que foi recuperado, apresentando uma soberba escadaria, uma biblioteca monumental com capacidade para milhares de livros.Esta recuperação deve-se à Fundação Calouste Gulbenkian.Foi pasto de um grande incêndio mas é dos poucos edificios que nos restam do terramoto de 1755.
Nessa obra de que falei ontem, de José Hermano Saraiva, que é muito criticada pelos seus pares, por ser, segundo eles, isenta de rigor histórico e cientifico, mas onde sobra a beleza e a criatividade, o Prof. demonstra através da transcrição dos poemas, que Camões está, de uma forma dissimulada, a contar a sua própria vida.
Tudo gira à volta dos amores ílicitos que terá tido com D. Violante, mulher de rara beleza e muito mais nova que o velho Marquez e de quem Camões terá sido um dos amantes. Do lado de Camões há amor, do lado de D. Violante, há uma paixão passageira das muitas que teve ao longo da vida.Camões não se dá por vencido e a insistência, perde-o.
Sempre baseado nos poemas de Camões, José Hermano Saraiva, mostra como Camões se queixa e sofre e como em dado poema, compara o "Sol" à "lua", na sua beleza e no seu mistério, atribuindo a Joana, a mais nova das filhas, a beleza da mãe e para quem começa a dirigir o seu afecto.
Joana, a única filha que falta na cripta da família, terá sido encerrada num convento e repudiada, daí não estar junto da família na morte, como não esteve na vida. O poema, que assinala mais concretamente estes amores, lido de cima para baixo, nas suas iniciais, contem o nome "Joana" o que não deixa de ser extraordinário.
Como sempre acontece com os livros da nossa vida não sei dele, devo tê-lo emprestado e adeus, fiquei sem livro e sem amigo, eu devia seguir aquele ditado "mulher e carro não se emprestam" substituindo carro por livros,e assim, não andaria como uma cão perdigueiro pelas velhas livrarias à procura.
Se alguem souber do seu paradeiro aqui o "caçador de estrelas" agradece!
O Mosteiro do Beato onde se encontra a cripta e que foi recuperado, apresentando uma soberba escadaria, uma biblioteca monumental com capacidade para milhares de livros.Esta recuperação deve-se à Fundação Calouste Gulbenkian.Foi pasto de um grande incêndio mas é dos poucos edificios que nos restam do terramoto de 1755.
Nessa obra de que falei ontem, de José Hermano Saraiva, que é muito criticada pelos seus pares, por ser, segundo eles, isenta de rigor histórico e cientifico, mas onde sobra a beleza e a criatividade, o Prof. demonstra através da transcrição dos poemas, que Camões está, de uma forma dissimulada, a contar a sua própria vida.
Tudo gira à volta dos amores ílicitos que terá tido com D. Violante, mulher de rara beleza e muito mais nova que o velho Marquez e de quem Camões terá sido um dos amantes. Do lado de Camões há amor, do lado de D. Violante, há uma paixão passageira das muitas que teve ao longo da vida.Camões não se dá por vencido e a insistência, perde-o.
Sempre baseado nos poemas de Camões, José Hermano Saraiva, mostra como Camões se queixa e sofre e como em dado poema, compara o "Sol" à "lua", na sua beleza e no seu mistério, atribuindo a Joana, a mais nova das filhas, a beleza da mãe e para quem começa a dirigir o seu afecto.
Joana, a única filha que falta na cripta da família, terá sido encerrada num convento e repudiada, daí não estar junto da família na morte, como não esteve na vida. O poema, que assinala mais concretamente estes amores, lido de cima para baixo, nas suas iniciais, contem o nome "Joana" o que não deixa de ser extraordinário.
Como sempre acontece com os livros da nossa vida não sei dele, devo tê-lo emprestado e adeus, fiquei sem livro e sem amigo, eu devia seguir aquele ditado "mulher e carro não se emprestam" substituindo carro por livros,e assim, não andaria como uma cão perdigueiro pelas velhas livrarias à procura.
Se alguem souber do seu paradeiro aqui o "caçador de estrelas" agradece!
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
D. Aleixo de Meneses
João Machado
Inspirado pelo post do Luís Moreira, transcrevo do Camões de Almeida Garrett, a estrofe V, do canto VI, apresentando D. Aleixo de Meneses, aio de D. Sebastião. Seria interessante verificar se este personagem tinha laços familiares com D. Francisco de Meneses, em cuja casa o poeta serviu como pajem. D. Aleixo terá sido, segundo Garrett, que apresentou Camões ao rei.
V
Um só de honrada fama, inda virtuoso
E português ainda, conservava
No ânimo real leve influencia
Aio dera o avô ao jovem príncipe
Dom Aleixo, estremado entre os mais nobres,
E em virtudes e letras ilustrados
Cavalheiros da corte. Não se atreve,
Conquanto o desejara, o rei mancebo
A afastar de seu lado este severo
Amigo, que as verdades não lhe doira,
Nem de lisonja vil empana o lustre
Que em suas rectas palavras pôs justiça.
Erros fatais, iníquos procederes,
Feios labéus de púrpura – oh! e quantos
Tem prevenido o velho! Quantas vezes
Diante dessa honrada singeleza
Tem recuado a intriga, - e despeitosa
Curvado a prepotência a cerviz dura!
Os validos, que o temem, que o detestam,
Arteiramente vão minando surdos
O favor do monarca mal experto:
Mas não puderam inda. Pura, ingénua,
Como a do homem de bem, era de Aleixo
A religião sincera; detestava
A hipocrisia, o orgulho dos ministros
De um Deus todo amor, todo humildade,
Que, sem comentadores, lhe mostravam
O Evangelho e a razão. Poucos amigos,
Como é de ver, contava o honrado velho,
Mas dignos dele todos. Desse número
Era – e não muitos mais de seu estado,
O castelhano ancião a quem o acaso
Hóspede e confidente ao vate dera.
D. Aleixo acabará por ser afastado do rei por influência do Cardeal D. Henrique e da Companhia de Jesus. Daí advirá não pequeno prejuízo para D. Sebastião, que deixou de ter junto de si uma personalidade forte, que lhe temperava os seus arroubos místicos e a megalomania. Mas, segundo Garrett, ainda lhe terá conseguido apresentar Luís Vaz de Camões. Se o que vem no poema é conforme o rigor histórico, seria interessante apurar.
Inspirado pelo post do Luís Moreira, transcrevo do Camões de Almeida Garrett, a estrofe V, do canto VI, apresentando D. Aleixo de Meneses, aio de D. Sebastião. Seria interessante verificar se este personagem tinha laços familiares com D. Francisco de Meneses, em cuja casa o poeta serviu como pajem. D. Aleixo terá sido, segundo Garrett, que apresentou Camões ao rei.
V
Um só de honrada fama, inda virtuoso
E português ainda, conservava
No ânimo real leve influencia
Aio dera o avô ao jovem príncipe
Dom Aleixo, estremado entre os mais nobres,
E em virtudes e letras ilustrados
Cavalheiros da corte. Não se atreve,
Conquanto o desejara, o rei mancebo
A afastar de seu lado este severo
Amigo, que as verdades não lhe doira,
Nem de lisonja vil empana o lustre
Que em suas rectas palavras pôs justiça.
Erros fatais, iníquos procederes,
Feios labéus de púrpura – oh! e quantos
Tem prevenido o velho! Quantas vezes
Diante dessa honrada singeleza
Tem recuado a intriga, - e despeitosa
Curvado a prepotência a cerviz dura!
Os validos, que o temem, que o detestam,
Arteiramente vão minando surdos
O favor do monarca mal experto:
Mas não puderam inda. Pura, ingénua,
Como a do homem de bem, era de Aleixo
A religião sincera; detestava
A hipocrisia, o orgulho dos ministros
De um Deus todo amor, todo humildade,
Que, sem comentadores, lhe mostravam
O Evangelho e a razão. Poucos amigos,
Como é de ver, contava o honrado velho,
Mas dignos dele todos. Desse número
Era – e não muitos mais de seu estado,
O castelhano ancião a quem o acaso
Hóspede e confidente ao vate dera.
D. Aleixo acabará por ser afastado do rei por influência do Cardeal D. Henrique e da Companhia de Jesus. Daí advirá não pequeno prejuízo para D. Sebastião, que deixou de ter junto de si uma personalidade forte, que lhe temperava os seus arroubos místicos e a megalomania. Mas, segundo Garrett, ainda lhe terá conseguido apresentar Luís Vaz de Camões. Se o que vem no poema é conforme o rigor histórico, seria interessante apurar.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Luiz Vaz de Camões. De mistério em mistério.
Raúl Iturra
Referir a vida da Luiz Vaz de Camões, é reiterar o que em Portugal e vários outros sítios do mundo, é já conhecido. Quer na Europa, nas antigas possessões portuguesas na África, na hoje América Latina, na Índia, especialmente Goa, sítio importante da Índia, passando por Macau e por Ceuta. Não era apenas um poeta, que descobrira outras terras que inspiraram os seus textos e exaltaram a sua imaginação; não era apenas um soldado que entendeu ao ser humano após ter conhecido tantos e de tão diversas espécies, era, antes de nada, quem inventara, como descoberta, aos portugueses, denominados lusitanos na sua época. Época final do romantismo europeu.
Referir a vida da Luiz Vaz de Camões, é reiterar o que em Portugal e vários outros sítios do mundo, é já conhecido. Quer na Europa, nas antigas possessões portuguesas na África, na hoje América Latina, na Índia, especialmente Goa, sítio importante da Índia, passando por Macau e por Ceuta. Não era apenas um poeta, que descobrira outras terras que inspiraram os seus textos e exaltaram a sua imaginação; não era apenas um soldado que entendeu ao ser humano após ter conhecido tantos e de tão diversas espécies, era, antes de nada, quem inventara, como descoberta, aos portugueses, denominados lusitanos na sua época. Época final do romantismo europeu.
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