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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Terramoto de Lisboa - 5 - O sismo e a cultura em Portugal

(Conclusão)

Carlos Loures



Em Portugal, com a Inquisição a ser usada pelo marquês como polícia política, fiava mais fino. Em todo o caso, publicaram-se numerosas obras sobre a catástrofe. A maioria delas, descritivas, sem grandes incursões no território perigoso das razões filosóficas ou religiosas, tanto mais que o marquês depressa fez saber a sua opinião através de um panfleto que foi profusamente distribuído – o sismo fora motivado por causas naturais, não haviam intervindo forças sobrenaturais. Ponto final.

domingo, 31 de outubro de 2010

O Terramoto de Lisboa - 4 - O sismo e a cultura europeia da época

(Continuação)

Carlos Loures



Em textos anteriores, vimos já que se perdeu muita coisa importante no Terramoto de 1755 – os seis hospitais da cidade, incluindo o de Todos-os-Santos, 33 palácios da grande nobreza, o Palácio Real, a Patriarcal, o Arquivo Real, a Casa da Índia, o Cais da Pedra, a Alfândega palácios, igrejas, bibliotecas, a faustosa Ópera do Tejo, inaugurada sete meses antes… Na «Gazeta de Lisboa» do dia 6 de Novembro, afirmava-se que «O dia primeiro do corrente mês ficará memorável pelos terremotos e incêndios que arruinaram uma grande parte desta cidade». Diga-se, de passagem, que a «Gazeta» nunca interrompeu a sua publicação devido ao sismo, constituindo uma importante fonte de informação sobre o que aconteceu.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 35

Carlos Leça da Veiga

(continuação)

Fosse o atraso material do país duma dimensão despropositada e houvesse legítimas acusações de ordem vária impossíveis de calarem-se, a verdade é que, mau grado tanto de desfavorável, não parece correcto, muito menos justo, ser-se tão verrinoso, como aconteceu, na avaliação do estado do país.

A decadência e o desencanto com a parca evolução material do país, passaram a ser e mantiveram-se como a tónica maioritária e mais fundamental do pensamento político e cultural português o que, em grande medida, haveria de ajudar a consubstanciar a formação da resposta nacional mais comum, por desígnio, a de querer copiar, à viva força, sem as bases mais fundamentais, quanto progresso material a Europa Central já tinha conseguido.

domingo, 20 de junho de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 34

Carlos Leça da Veiga

(Continuação)

As culpas da não modernização do país, sem que, por regra, até hoje, para contrariá-las, tenha conseguido vingar uma proposta válida e verdadeiramente nacional – como nem o Regalismo nem a Regeneração conseguiram – foram e são lamentadas com constância e, também, atribuídas, com maior ou menor justiça, ao secular obscurantismo imposto pela vontade despótica da hierarquia religiosa romana, às exigências e às soluções menos correctas das várias governações monárquicas, aos vestígios mantidos do empedernido conservantismo dos possidentes, às peripécias políticas que o jacobinismo maçónico impôs à Primeira República, à inconsequente aventura belicista nas tormentas da Flandres, às aberrações ditatoriais dos cinquenta anos do salazarismo, ao absurdo e às inconsequências políticas das guerras coloniais e, já no fim desta longa lista, ao “revanchismo” das facções políticas da reacção nacional, sempre em oposição às transformações sociais conseguidas no tempo posterior à vitória inesquecível do 25 de Abril.

Todos estes acontecimentos, ou cada um, na conformidade das maiores conveniências da época – oportunistas nunca nos faltaram – não escaparam à acusação de terem sido os autores do atraso material do País, ou seja, por seu intermédio, terem conseguido impedir o país da guindar-se para a galeria cimeira dos Estados do centro europeu.