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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Há 35 anos: Lisboa já está a arder?

Carlos Loures

Está a fazer 35 anos era o «Verão Quente». A esquerda tomava o freio nos dentes. Parecia que nada a iria deter. Quando falo de esquerda, não incluo o Partido Comunista, falo dos pequenos partidos – MES, PRP, UDP… que chegaram a ter uma capacidade de mobilização superior à do PCP. Era o “Verão Quente”, o despertar dos mágicos.

Num jornal diário que há muito desapareceu, o Portugal Hoje, publiquei uma série de textos a que dei o título «Repensar a esquerda». O jornal estava ligado ao PS, partido com o qual nunca tive nada a ver, a não ser o facto de ter alguns bons amigos que eram (e muitos ainda são) militantes socialistas. Estava-se em 1980, o PS era tão diferente do que é hoje que até convidava esquerdalhos como eu a colaborar num jornal oficiosamente seu. E não me foi imposta qualquer condição - podia escrever o que quisesse. E assim fiz. Iniciei um balanço às causas da falência da Revolução de Abril, enquanto movimento popular. A um dos textos chamei «O tumultuoso despertar dos mágicos». Referia-se o título a um livro que na época estava muito na moda «O Despertar dos Mágicos» (Le matin des magiciens), de Louis Pauwels e Jacques Bergier. Era coisa ligada aos chamados factos insólitos, às religiões, às ciências ocultas e ao esoterismo. Um manifesto do fantástico, como lhe chamaram. Em suma, o meu texto nada tinha a ver com o tema. Mas achei o título giro e não resisti à tentação de o utilizar. E venho recordar alguns passos desse texto.