Luís Moreira
Um actor que arrasta gente, umas povoações de sonho na itália, uma música adequada e umas belas mulheres, e temos um filme.
O dinheiro vem do próprio Clooney que é também o produtor do filme, a história é tipo "chico esperto" vai-nos mostrando o suficiente para nos empurrar para uma certa lógica e, a seguir, dá a volta, muito mal dada, benza-os deus.
Um padre pecador, um assassino profissional que do principio ao fim não muda de expressão, umas mulheres lindas perdidas pelo "durão", "estranho" que paga a prostitutas, mais nada se sabe dele, mata sem pestanejar...
No meio (de Itália e do filme) aparecem uns Suecos que querem matar o nosso herói ninguem percebe porquê, há um senhor grisalho que recebe uns telefonemas e dá ordens e todos obedecem, também não se sabe porquê, morrem todos no fim, quando o amor começava a florir...
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domingo, 28 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Estorinhas do Porto
Adão Cruz
Eu seguia rua abaixo, pelo lado esquerdo de Sá da Bandeira. À minha frente ia um casal, ela de meia idade, gordinha, ele mais velho, hemiplégico, de bengala na mão direita, arrastando a perna esquerda, pendendo sempre para a direita, trajectória que a mulher ia corrigindo com um pequeno toque na mão dele. Se assim não fosse, as sequelas do seu AVC, à semelhança de um GPS, obrigavam-no a tombar para fora do passeio.
Lá mais ao fundo, frente ao Pingo Doce, o homem, como se uma mola o puxasse sempre para aquele lado, faz, com toda a facilidade um rodopio de noventa graus para a direita, ficando em linha recta com a porta do supermercado. A mulher olha para a direita e para a esquerda (look right and look left, à londrina) e atravessa a rua, tendo o cuidado de pegar na mão do marido, pois de outra forma, com a sua pendência para a direita, ele iria desembocar dez ou vinte metros acima.
Já dentro do Pingo Doce, resolvi seguir os passos daquele par amoroso, ao mesmo tempo que ia dando uma olhadela às prateleiras que me interessavam. A dada altura verifiquei que o homem parou, olhando insistentemente para o sítio onde estavam as carnes de porco. A mulher puxou-o mas ele resistiu. Apoiou-se na prateleira, encostou a bengala, e com a mão direita pegou numa embalagem contendo uma orelha de porco. Imediatamente a mulher gordinha o dissuadiu dizendo-lhe:
- nem penses, vou-te comprar uns grelinhos que via ali e que têm um aspecto do carago!
- Que se fodam os grelos, respondeu ele de forma bem entendível, apesar da fala meia entaramelada.
Só tive tempo de dar meia volta e tapar a boca com a mão, a fim de abafar uma explosiva gargalhada, que eu não saberia explicar aos circundantes.
(ilust.pormenor de quadro de Adão Cruz)
Eu seguia rua abaixo, pelo lado esquerdo de Sá da Bandeira. À minha frente ia um casal, ela de meia idade, gordinha, ele mais velho, hemiplégico, de bengala na mão direita, arrastando a perna esquerda, pendendo sempre para a direita, trajectória que a mulher ia corrigindo com um pequeno toque na mão dele. Se assim não fosse, as sequelas do seu AVC, à semelhança de um GPS, obrigavam-no a tombar para fora do passeio.
Lá mais ao fundo, frente ao Pingo Doce, o homem, como se uma mola o puxasse sempre para aquele lado, faz, com toda a facilidade um rodopio de noventa graus para a direita, ficando em linha recta com a porta do supermercado. A mulher olha para a direita e para a esquerda (look right and look left, à londrina) e atravessa a rua, tendo o cuidado de pegar na mão do marido, pois de outra forma, com a sua pendência para a direita, ele iria desembocar dez ou vinte metros acima.
Já dentro do Pingo Doce, resolvi seguir os passos daquele par amoroso, ao mesmo tempo que ia dando uma olhadela às prateleiras que me interessavam. A dada altura verifiquei que o homem parou, olhando insistentemente para o sítio onde estavam as carnes de porco. A mulher puxou-o mas ele resistiu. Apoiou-se na prateleira, encostou a bengala, e com a mão direita pegou numa embalagem contendo uma orelha de porco. Imediatamente a mulher gordinha o dissuadiu dizendo-lhe:
- nem penses, vou-te comprar uns grelinhos que via ali e que têm um aspecto do carago!
- Que se fodam os grelos, respondeu ele de forma bem entendível, apesar da fala meia entaramelada.
Só tive tempo de dar meia volta e tapar a boca com a mão, a fim de abafar uma explosiva gargalhada, que eu não saberia explicar aos circundantes.
(ilust.pormenor de quadro de Adão Cruz)
terça-feira, 5 de outubro de 2010
O Zeca fadista e a Amélia cantadeira.
Luis Moreira
O Zeca fadista, canta e toca viola na Baixa de Lisboa e emite uns sons tipo assobio, uma espécie de solista, de gaita de beiços. É um artista que nunca frequentou escola nenhuma de música, nasceu com aquele talento musical, com um ouvido que, se não é "absoluto" é muito próximo, pois ele não faz fífias no meio daquela algazarra. Mas o Zeca, tem outras interessantes caracteristicas. Uma delas é que o Zeca já não tem a idade do tempo em que arrasava as garotas da noite, era só elevar a voz num fado trinado e o mulherio era aos magotes. Agora engordou e empobreceu, mas o Zeca é dos que engorda na barriga e na cara, como não tem dinheiro, usa os óculos escuros comprados quando arrasava o "mulherame" o que faz que os óculos lhe fiquem pendurados na ponta do nariz , mas as astes não lhe chegam às orelhas, o que lhe dá um ar de quem se está rir, mesmo quando canta.
A Amélia cantadeira, é daquelas mulheres pequeninas e magrinhas, de idade indefinida, espreme-se toda para arrancar um som à sua voz já cansada, não engorda por mais que coma, é toda nervos, ajeita o chaile sobre os ombros num tique que lhe ficou da juventude nas casas de fado, fecha os olhos, levanta-se sobre os pés, ah, fadista.
Fui-lhe dizer que ela tinha nascido fadista, bastava olhar para ela, o ar gingão, a voz a trinar, a emoção a tomar conta dela, enquanto o Zeca fazia um dos seus intervalos, tocava viola num compasso repetido mas sem falhas, desconfio que passa pelas brasas e está explicado o uso dos óculos escuros, e ela, no meu tempo os homens morriam por mim, mas só amei o meu, que já lá está, ele "era assim grande como você" e esta frase é um livro aberto, "era", porque já se foi e ela ficou e "grande",porque mesmo magrinha podia bem com ele, coitadinho que não saía da taberna, e depois dormia à porta que quando eu chegava às tantas queria era dormir, não estava para aturar bebedeiras e ataques de ciúmes...
O Zeca fadista, canta e toca viola na Baixa de Lisboa e emite uns sons tipo assobio, uma espécie de solista, de gaita de beiços. É um artista que nunca frequentou escola nenhuma de música, nasceu com aquele talento musical, com um ouvido que, se não é "absoluto" é muito próximo, pois ele não faz fífias no meio daquela algazarra. Mas o Zeca, tem outras interessantes caracteristicas. Uma delas é que o Zeca já não tem a idade do tempo em que arrasava as garotas da noite, era só elevar a voz num fado trinado e o mulherio era aos magotes. Agora engordou e empobreceu, mas o Zeca é dos que engorda na barriga e na cara, como não tem dinheiro, usa os óculos escuros comprados quando arrasava o "mulherame" o que faz que os óculos lhe fiquem pendurados na ponta do nariz , mas as astes não lhe chegam às orelhas, o que lhe dá um ar de quem se está rir, mesmo quando canta.
A Amélia cantadeira, é daquelas mulheres pequeninas e magrinhas, de idade indefinida, espreme-se toda para arrancar um som à sua voz já cansada, não engorda por mais que coma, é toda nervos, ajeita o chaile sobre os ombros num tique que lhe ficou da juventude nas casas de fado, fecha os olhos, levanta-se sobre os pés, ah, fadista.
Fui-lhe dizer que ela tinha nascido fadista, bastava olhar para ela, o ar gingão, a voz a trinar, a emoção a tomar conta dela, enquanto o Zeca fazia um dos seus intervalos, tocava viola num compasso repetido mas sem falhas, desconfio que passa pelas brasas e está explicado o uso dos óculos escuros, e ela, no meu tempo os homens morriam por mim, mas só amei o meu, que já lá está, ele "era assim grande como você" e esta frase é um livro aberto, "era", porque já se foi e ela ficou e "grande",porque mesmo magrinha podia bem com ele, coitadinho que não saía da taberna, e depois dormia à porta que quando eu chegava às tantas queria era dormir, não estava para aturar bebedeiras e ataques de ciúmes...
domingo, 26 de setembro de 2010
As meninas a correr...
Carlos Godinho
Atletismo
Selecção feminina de futebol
Depois de um difícil começo, a Selecção Nacional Sub/19 Feminina, qualificou-se para o segundo Torneio de Apuramento do Europeu da categoria, após vencer a Letónia por 5/0. Pelas informações, foi um jogo em que as jovens da Letónia tentaram evitar as pesadas derrotas dos seus dois primeiros jogos e conseguiram que ao intervalo se mantivesse o nulo. Na segunda parte, felizmente, acabaram por ceder. Agora será necessário um pouco de sorte no sorteio para o próximo torneio de forma a conseguir-se a qualificação, inédita, para a fase final. Parabéns às jogadoras, equipa técnica e restante delegação.
(Publicado no blogue Todos Somos Portugal)
Atletismo
Mesmo com um pouco de desilusão com a prova de Naide Gomes, a medalha esteve ali a uns centímetros, a participação dos portugueses nestes últimos dias dos mundiais, sem ser brilhante, foi razoável. Realce para Marisa Barros, 6ª na maratona, feminina, Sara Moreira, 10ª nos 5.000 metros e José Moreira 9º, Luís Feiteira 10º e Fernando Silva 13º na maratona. Faltam no entanto sinais de renovação que apontem para eventuais futuros medalhados. Porventura não é possível fazer melhor, mas seria bom para o país e para o desporto que despontassem novos valores. Vontade não faltará para mudar, mas as condições existentes e que serão oferecidas aos nossos técnicos e atletas, presumo que não sejam as melhores. Entretanto, o que me chamou a atenção, na prova feminina da maratona, foi a festa que as atletas francesas fizeram ao chegar à meta, mesmo que os resultados não tenham sido brilhantes, 49ª, 50ª e 54ª classificadas. Chegar, para elas, foi um triunfo, e foi bonito de ver a sua alegria por terem conseguido esse objectivo. Desporto, no verdadeiro sentido da palavra.
Selecção feminina de futebol
Depois de um difícil começo, a Selecção Nacional Sub/19 Feminina, qualificou-se para o segundo Torneio de Apuramento do Europeu da categoria, após vencer a Letónia por 5/0. Pelas informações, foi um jogo em que as jovens da Letónia tentaram evitar as pesadas derrotas dos seus dois primeiros jogos e conseguiram que ao intervalo se mantivesse o nulo. Na segunda parte, felizmente, acabaram por ceder. Agora será necessário um pouco de sorte no sorteio para o próximo torneio de forma a conseguir-se a qualificação, inédita, para a fase final. Parabéns às jogadoras, equipa técnica e restante delegação.
(Publicado no blogue Todos Somos Portugal)
terça-feira, 24 de agosto de 2010
As citações de Saramago
Depois dos livros que aqui deixamos com uma breve resenha de cada um deles, vamos ter as citações que melhor ajudam a compreender o pensamento de Saramago. Durante vários dias não faltaremos.
Amor
"Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira e, se acontece, há que recebê-lo".
Pilar del Rio
"Estamos sempre juntos, aqui ou quando viajamos. Então como hei-de dizer? encontrei a pessoa de que precisava. Com 63 anos, quando já não se espera nada, encontrei o que faltava para passar a ter tudo. Portanto, há de facto esse sentido de família, da solidão, mas no fundo aqui a família nuclear não são dois mais X, é o casal. E podemos estar sozinhos, sem ninguem, que não nos faz diferença nenhuma".
Mulheres
"As mulheres são os motores dos homens.Na minha infância, quando vivia com os meus avós maternos, via-se perfeitamente que naquela casa a grande força era a minha avó. E durante toda a vida pude sempre comprovar que num casal a figura forte é a da mulher.O homem alimenta-se da força delas."
Blogoesfera
"Inventei uma expressão que acho bonita: escrever na infinita página. E é essa a sensação: ao mesmo tempo que se estão inscrevendo nessa página as palavras que escrevo, outras,muitas,por toda a parte, estão a ser escritas."
Felicidade
"Eu podia ser felícissimo como homem e ter uma pouca sorte danada como escritor. No meu caso, sinto-me em paz com o meu trabalho, sei o que quero fazer e julgo que faço aquilo que quero. Como homem posso dizer de mim mesmo que sou um homem feliz"
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