Publicado hoje em Café Portugal. Enviado por Além Guadiana.
Manuel, Martina, Francisco, Raquel. São histórias de vidas na raia espanhola. Oliventinos que representam diferentes gerações de falantes de um idioma à beira de um precipício, o da extinção. O oliventino, subdialecto português, falado há séculos em Olivença, é actualmente uma quase memória, agarrado às palavras dos mais velhos. Recordam tempos em que o dialecto era sinónimo de conversas soltas, em casa, nas ruas. Palavras que, entretanto, por meados do século XX, se esconderam entre paredes. Há décadas que o oliventino mingua, com redutos sobreviventes nas aldeias e com esperança nos bancos das escolas onde é reabilitado como língua estrangeira.
O calor oprime a meia tarde da aldeia histórica de São Bento da Contenda. Um estio na Estremadura espanhola, encostada à fronteira com Portugal, que parece impor-se como muro a qualquer ideia de frescor. Um calor que ondula os campos, pesa sobre as copas dos sobreiros espaçados, esbate os contornos da Serra de Alor. A sete quilómetros, escondido, corre um sopro de água. O rio Guadiana avolumou-se nos últimos anos com a barragem de Alqueva. «Embalse de Alqueva» na banda de cá, como é dito, aqui, no município de Olivença. Desafiar o calor estremenho de Julho não é fácil, para mais quando implica destruir o deleite cénico montado nos últimos minutos: uma esplanada corrida pela sombra, um horizonte largo, uma bebida fresca em primeiro plano e o voo dos andorinhões, único empecilho a um céu fixo em azul.
Mostrar mensagens com a etiqueta são bento da contenda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta são bento da contenda. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)