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terça-feira, 6 de julho de 2010

José Saramago e Correia da Fonseca ou As pessoas de valor terão dificuldade em viver em Portugal?


João Machado
Faleceu há poucas semanas José Saramago. A sua morte foi acompanhada por homenagens muito merecidas, e sem dúvida sinceras, na sua maioria. Mas apareceram também comentários depreciativos. Nesta fase, em que os méritos de Saramago como escritor já não são postos em causa (antes de lhe ser atribuído o Nobel e ter fama mundial certas pessoas chegavam a vir para os jornais dizer que ele não sabia escrever) os comentários depreciativos incidem com certa insistência sobre a sua passagem pelo Diário Notícias, com especial relevo para o despedimento, no Verão de 1975, de um grupo de jornalistas daquele jornal, autores de uma carta aberta em que contestavam as orientações que o jornal então seguia.

Sobre este caso, no semanário Vida Ribatejana, Correia da Fonseca, na sua coluna “Crónica TV”, saída à estampa em 30 de Junho, e que intitulou A calúnia, refere que o que o afastamento daqueles jornalistas aconteceu no seguimento de uma reunião geral de trabalhadores, que exigiu à Administração que fossem demitidos. E Correia da Fonseca, após recordar que quem demite ou admite o pessoal de qualquer jornal não é a Direcção, mas sim a Administração, termina a crónica dizendo: