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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Porque é que as pessoas gostam (ou não) da história do Menino Jesus.


João dos Santos (1913-1987) **
 (texto enviado por Clara Castilho)
Há dias e há noites em que a solidão custa mais. A noite do Natal é uma daquelas em que as pessoas suportam mal o isolamento. De muitos ouvi contar ou li contadas, histórias tristes do Natal passado longe da família, na emigração, em viagem, na guerra ou no hospital. Também eu tenho uma história dessas para contar, mas a minha é só meia triste, porque o Menino Jesus me fez uma partida engraçada. Foi em 1946. No fim de 1945 tinha eu participado na famosa reunião de (Os 300 do Benformoso» para pedir «eleições livres). Já não era sem tempo! Por essa e por outras chamaram-me, e ao meu chefe Barahona Fernandes, ao gabinete de Sua Excelência, para nos comunicarem que o Senhor Fulano de Tal (que era eu), não só era demitido das suas funções oficiais, como ficava proibido de entrar naquele ou em qualquer outro hospital. Mestre Barahona indignou-se, teceu-me um exagerado elogio (sobre o que eu teria feito pelo Hospital) e declarou que não tomava conhecimento daquela proibição: «Enquanto eu for director, o Dr. João dos Santos entrará no meu serviço quando quiser!» ... «Toma», disse eu cá para mim, «escusavas de ouvir esta)) mas declarei logo ali, para evitar dissabores ao meu mestre e amigo que não entraria mais naquela casa.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fotopoemas - O nevoeiro desceu

Texto de Luís Moreira e

Fotografia de José Magalhães


O nevoeiro desceu, escondeu-se entre os fantasmas que ainda agora estavam ali.

Ganhamos os olhos de uma criança,tudo pode ser tudo, ainda agora estava ao colo de minha mãe e não tinha medo do que ali se escondia. Ouço o vento, e o silêncio, as vozes dos que não têm voz, as penas dos que se lamentam, as almas dos que não têm sossego. Tudo se revela afinal no nevoeiro que se abateu sobre os meus medos, não esconde, mostra, assim os meus sejam os olhos de uma criança.

Envolve tudo num abraço suave mas implacável, não se sabe se é um abraço de protecção se de momentânea fúria, escorre mais do que se abate,sem perder a compostura ali fica, até que pelas mesmas razões ignoradas nos deixa, sem uma explicação, sem um queixume, é como chegar e ir embora seja a sua única natureza.

E tudo e todos voltam à vida, é como um interregno que voltará quando, sem razão, nos vier abraçar.