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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República - 50

Carlos Leça da Veiga

À espera duma Terceira República (Continuação) 



A economia de mercado, baseada no sistema da troca não regulamentada e com o afastamento deliberado do poder competitivo do capital estatal, está condenada a ter de continuar a sua caminhada para um ocaso inexorável pelo que, para tentar começar-se uma transição pacífica para uma economia de redistribuição equitativa é imperioso o pressuposto da construção duma Democracia em que a participação activa e decisiva dos Cidadãos seja uma realidade irrecusável e insubstituível e, em definitivo, uma responsabilidade partilhada de tal maneira ninguém possa afirmar-se como Pilatos.

Em Portugal, num ineditismo mundial e por intermédio dum processo arrastado entre os anos trinta e sessenta do século XIX – de 4 de Abril de 1835 a 19 de Maio de 1863 – gerou-se, em definitivo, o fim do regime do morgadio e em sua consequência, poucos anos após, ficava liquidada a única forma nacional (a propriedade imobiliária rural e urbana) que realizava, com significado económico, a acumulação primitiva do capital e, desta maneira, pela primeira vez na Europa, foi provocada a morte histórica dum autentico capitalismo que, tempos após, os sucessivos “patos bravos”, de procedências as mais variadas – tantos tem havido e deles nem rasto ficou – nunca conseguiram compensar pela razão simples de não terem acumulado o imprescindível saber, fruto consequente da falta do mais necessário pedigree sócio-cultural que, este, não pode improvisar-se e, muito menos, comprar-se.