Carlos Loures
Este episódio da nossa história recente já aqui foi contado pelo José Brandão e pelo Hélder Costa, na sua peça «O Mistério da Camioneta Fantasma».. Por fazer hoje 89 anos, voltamos a recordá-la. Imaginam o que seria se acontecesse hoje uma tragédia semelhante – no mesmo dia, foram barbaramente assassinados o chefe do governo e outras personalidades de relevo na vida política do País.
.Onze anos após a proclamação da República os republicanos davam largas ao sectarismo. Monárquicos e elementos ligados á Igreja Católica, com o apoio de terra-tenentes e grandes industriais, conspiravam. As sementes do pronunciamento militar de 28 de Maio de 1926 estavam lançadas.
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -22 (última parte)
ANEXO 1
O MISTERIO DA CAMIONETA FANTASMA
A BARRACA volta a debruçar-se sobre um tema da História de Portugal. Desta vez, da nossa História recente: os crimes da “Noite Sangrenta”.
O ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
1. No dia 19 de Outubro de 1921,desabou sobre Portugal uma horrível tragédia desmistificadora dos nossos tão celebrados brandos costumes.
Sendo presidente António José de Almeida, o governo presidido por António Granjo, heróico Republicano reconhecido “ Homem Bom “ respeitado por correligionários e adversários políticos.
A insatisfação provocada por algumas medidas necessárias e não demagógicas, era sistematicamente acirrada pela oposição monárquica e integrista através de vários órgãos de imprensa de que é essencial destacar “A Voz”, e a “Imprensa da Manhã”, propriedade de Alfredo da Silva, antigo deputado da ditadura de João Franco, industrial do Barreiro, e que se referia ao jornal como sendo “a sua amante mais cara”.
O MISTERIO DA CAMIONETA FANTASMA
A BARRACA volta a debruçar-se sobre um tema da História de Portugal. Desta vez, da nossa História recente: os crimes da “Noite Sangrenta”.
O ENQUADRAMENTO HISTÓRICO
1. No dia 19 de Outubro de 1921,desabou sobre Portugal uma horrível tragédia desmistificadora dos nossos tão celebrados brandos costumes.
Sendo presidente António José de Almeida, o governo presidido por António Granjo, heróico Republicano reconhecido “ Homem Bom “ respeitado por correligionários e adversários políticos.
A insatisfação provocada por algumas medidas necessárias e não demagógicas, era sistematicamente acirrada pela oposição monárquica e integrista através de vários órgãos de imprensa de que é essencial destacar “A Voz”, e a “Imprensa da Manhã”, propriedade de Alfredo da Silva, antigo deputado da ditadura de João Franco, industrial do Barreiro, e que se referia ao jornal como sendo “a sua amante mais cara”.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
O Mistério da camioneta fantasma-1, de Hélder Costa
Na manhã do dia 19 de Outubro de 1921 deu-se mais um golpe militar contra um governo republicano. Demissão do Ministério e nem soou um tiro.
O golpe nascera na Armada e tinha a chefiá-lo um dos heróis do 31 de Janeiro, o Tenente – Coronel Manuel Maria Coelho. Tratava-se, portanto, de um golpe de esquerda contra o governo de António Granjo, prestigiado combatente transmontano nas forças republicanas que se opusera a Paiva Couceiro. Este governo imprimia medidas impopulares para tentar equilibrar a bancarrota e combater o desemprego e a miséria do após-guerra.
O golpe nascera na Armada e tinha a chefiá-lo um dos heróis do 31 de Janeiro, o Tenente – Coronel Manuel Maria Coelho. Tratava-se, portanto, de um golpe de esquerda contra o governo de António Granjo, prestigiado combatente transmontano nas forças republicanas que se opusera a Paiva Couceiro. Este governo imprimia medidas impopulares para tentar equilibrar a bancarrota e combater o desemprego e a miséria do após-guerra.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
República nos livros de ontem nos livros de hoje - 119 e 120 (José Brandão)
Na Primeira Presidência da República Portuguesa
Manuel D’Arriaga
Clássica Editora, 1916
Começaremos por confessar que nunca fomos políticos de profissão. A política como ela se pratica em Portugal deturpando a pureza do sufrágio, foi sempre aos nossos olhos uma das causas primaciais da degradação dos costumes e da decadência do País.
Se a política (ciência e arte de bem governar) fosse a prolongação e o complemento da medicina e da higiene e como tal introduzisse e mantivesse nos Órgãos da vida colectiva, o concurso, a mutualidade e a solidariedade que a natureza impõe aos órgãos da vida individual, por cujas virtudes triunfam as maravilhas da criação: a política alcançaria em toda a redondeza da Terra a estabilidade das instituições humanas, a independência e a felicidade dos indivíduos e dos povos. frestas circunstâncias nós seriamos políticos de profissão.
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A Noite Sangrenta
José Brandão
Publicações Alfa, 1991
O Pais estava no rescaldo do Sidonismo e da Monarquia do Norte, conspirava-se à barba longa, com a própria Polícia de Segurança do Estado a tomar parte activa nos diversos conluios revolucionários.
Entretanto, na chefia do Governo, António Granjo era uma espécie de condenado a caminho da Rocha Tarpeia, convencido de que caminhava para o Capitólio e, por consequência, para o triunfo.
A República era mais que nunca «uma marcha heróica para um cano de esgoto», conforme dizia o escritor Raul Brandão.
O sangue da Noite Sangrenta era do tom do vermelho da bandeira republicana de 5 de Outubro de 1910. Era sangue de fundadores do regime e de homens com nome gravado na glória verde-rubra, era sangue da República, era sangue de Portugal.
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Manuel D’Arriaga
Clássica Editora, 1916
Começaremos por confessar que nunca fomos políticos de profissão. A política como ela se pratica em Portugal deturpando a pureza do sufrágio, foi sempre aos nossos olhos uma das causas primaciais da degradação dos costumes e da decadência do País.
Se a política (ciência e arte de bem governar) fosse a prolongação e o complemento da medicina e da higiene e como tal introduzisse e mantivesse nos Órgãos da vida colectiva, o concurso, a mutualidade e a solidariedade que a natureza impõe aos órgãos da vida individual, por cujas virtudes triunfam as maravilhas da criação: a política alcançaria em toda a redondeza da Terra a estabilidade das instituições humanas, a independência e a felicidade dos indivíduos e dos povos. frestas circunstâncias nós seriamos políticos de profissão.
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A Noite Sangrenta
José Brandão
Publicações Alfa, 1991
O Pais estava no rescaldo do Sidonismo e da Monarquia do Norte, conspirava-se à barba longa, com a própria Polícia de Segurança do Estado a tomar parte activa nos diversos conluios revolucionários.
Entretanto, na chefia do Governo, António Granjo era uma espécie de condenado a caminho da Rocha Tarpeia, convencido de que caminhava para o Capitólio e, por consequência, para o triunfo.
A República era mais que nunca «uma marcha heróica para um cano de esgoto», conforme dizia o escritor Raul Brandão.
O sangue da Noite Sangrenta era do tom do vermelho da bandeira republicana de 5 de Outubro de 1910. Era sangue de fundadores do regime e de homens com nome gravado na glória verde-rubra, era sangue da República, era sangue de Portugal.
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Repúblca nos livros de ontem nos livros de hoje - 115 e 116 (José Brandão)
As Minhas Memórias
3 Volumes
Gonçalo Pereira Pimenta Castro
Lisboa, 1950
Onde passava a noite ninguém o sabia. Quando ia a uma esquadra de polícia deixava o carro à porta e saía, depois, por outra porta, com destino a uma outra esquadra, mas sem dizer para onde ia. Outras vezes o seu carro passava no Rossio levando dentro o seu impedido com umas barbas postiças iguais às dele e um boné e uma capa que lhe pertenciam, fingindo que era ele próprio. O carro parava à porta da esquadra do teatro de D. Maria e aí ficava até de madrugada para depois o levar a casa. Em caso de revolução ninguém sabia onde ele estava e donde dava as ordens. No Governo Civil, até ordem em contrário, concentrava-se apenas a esquadra que ali estacionava. Quando foi atacado não se pôde defender porque lhe alvejaram as mãos e não pôde fazer fogo com as duas pistolas que levava. Não perdendo o sangue frio, resolveu então lançar-se no chão, fingindo-se morto.
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O Mistério da Camioneta Fantasma
Hélder Costa
Edições Colibri, 2001
No dia 19 de Outubro de 1921 deu-se mais um golpe militar contra um governo republicano. Demissão do Ministério e nem soou um tiro.
O golpe nascera na Armada e tinha a chefiá-lo um dos heróis do «31 de Janeiro», o tenente-coronel Manuel Maria Coelho. Tratava-se, portanto, de um golpe de esquerda contra o governo de António Granjo, prestigiado combatente transmontano nas forças republicanas que se opuseram a Paiva Couceiro. Este governo imprimia medidas impopulares para tentar equilibrar a bancarrota e combater o desemprego e a miséria do após-guerra.
Entretanto, durante o dia e na noite seguinte, uma camioneta começou a percorrer a cidade, raptando e assassinando figuras importantes da República: o primeiro-ministro António Granjo, Machado Santos, o herói da Rotunda, Carlos da Maia e Botelho de Vasconcelos.
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3 Volumes
Gonçalo Pereira Pimenta Castro
Lisboa, 1950
Onde passava a noite ninguém o sabia. Quando ia a uma esquadra de polícia deixava o carro à porta e saía, depois, por outra porta, com destino a uma outra esquadra, mas sem dizer para onde ia. Outras vezes o seu carro passava no Rossio levando dentro o seu impedido com umas barbas postiças iguais às dele e um boné e uma capa que lhe pertenciam, fingindo que era ele próprio. O carro parava à porta da esquadra do teatro de D. Maria e aí ficava até de madrugada para depois o levar a casa. Em caso de revolução ninguém sabia onde ele estava e donde dava as ordens. No Governo Civil, até ordem em contrário, concentrava-se apenas a esquadra que ali estacionava. Quando foi atacado não se pôde defender porque lhe alvejaram as mãos e não pôde fazer fogo com as duas pistolas que levava. Não perdendo o sangue frio, resolveu então lançar-se no chão, fingindo-se morto.
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O Mistério da Camioneta Fantasma
Hélder Costa
Edições Colibri, 2001
No dia 19 de Outubro de 1921 deu-se mais um golpe militar contra um governo republicano. Demissão do Ministério e nem soou um tiro.
O golpe nascera na Armada e tinha a chefiá-lo um dos heróis do «31 de Janeiro», o tenente-coronel Manuel Maria Coelho. Tratava-se, portanto, de um golpe de esquerda contra o governo de António Granjo, prestigiado combatente transmontano nas forças republicanas que se opuseram a Paiva Couceiro. Este governo imprimia medidas impopulares para tentar equilibrar a bancarrota e combater o desemprego e a miséria do após-guerra.
Entretanto, durante o dia e na noite seguinte, uma camioneta começou a percorrer a cidade, raptando e assassinando figuras importantes da República: o primeiro-ministro António Granjo, Machado Santos, o herói da Rotunda, Carlos da Maia e Botelho de Vasconcelos.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
República nos livros de ontem nos livros de hoje - 54 e 55 (José Brandão)
Os Fuzilados de Outubro de 1921
Fernando Honrado
Lisboa, 1995
É possível que entre os assassinos – descobertos ou não – houvesse Monárquicos. Não me repugna, a mim – Monárquico – admiti-lo. Os canalhas estão em toda a parte, sempre estiveram, e sem exclusão de qualquer época. E muitas vezes é simples passar-se por aquilo que não se é…
Mas, afinal em que consistem as diferenças referidas? Consistem em: a) no número de pessoas executadas, seis contra duas e uma; b) no método, raptos das residências respectivas e condução para um ponto concentracionário; e) o empenho pessoal dos assassinos no morticínio, para além da organização subjacente, que existiu decerto; d) ausência total de espontaneidade dos executores, correndo riscos reduzidos de retaliação, dada a impossibilidade de defesa eficaz dos executandos, e uma força não visível, mas perfeitamente sentida, do lado dos executores; e) o morticínio teve uma carga política, mas também económica e social.
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Os Grandes Enigmas do Nosso Tempo
(A Implantação da República Portuguesa)
Mário Lima
Amigos do Livro Editores, s. d.
Um dos grandes enigmas da história portuguesa contemporânea é, sem dúvida, o da implantação da República que em 1910 substituiu o regime tradicional desde a fundação da nacionalidade em meados do século XII.
Para bem se compreender esta afirmação, há que encará-la sob o ponto de vista «histórico» e não em referência a qualquer posição interessada relativamente à luta travada nos últimos tempos da Monarquia, luta que viria a dar como resultado a implantação da República. Não se trata, pois, de tomar posição em defesa das excelências ou em ataque aos defeitos de qualquer dos regimes, mas sim de analisar e concluir sobre as vantagens ou desvantagens da mudança do regime político então vigente em Portugal e, muito especialmente, de opinar quanto às suas consequências.
sábado, 12 de junho de 2010
República nos livros de ontem nos livros de hoje - 17
Cinzas Imortais
Na Morte de António Granjo
Rodrigo de Castro
Porto, 1922
Na piedosa romagem segui o desditoso amigo e desventurado Granjo ao restitui-lo á terra mater que ele tanto amou.
Quis dizer-lhe o último adeus; quis espalhar algumas flores da minha saudade sobre o seu ataúde; mas queria também acusar, pois que não é lícito a coração amigo deixar de revoltar-se perante a hediondez do crime, reclamado a severa punição de mandantes, mandatários e executores. Queria, ainda, num acto bem público, fazer sentir aos políticos de todos os partidos que era aquela a sua obra; e, como com ela nunca me solidarizei, mas como político militante uma quota-parte me podia caber, junto do corpo martirizado do querido amigo eu daria por terminada a minha vida pública, no que da acção política dependesse, na consciência de que já não era aos partidos nem à força pública que cumpria a salvação da Pátria, mas sim, à própria Pátria, pela acção de lodos os seus filhos.
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