Andreia Dias
Todos tivemos uma joaninha a passear-se pelas mãos quando cantarolávamos “Joaninha, voa, voa que o teu pai foi “pra” Lisboa”… eu achava que Lisboa era muito longe… e até tinha pena da Joaninha … mas perguntava-me “ E as joaninhas de Lisboa, para onde vão? Ou não haverá joaninhas em Lisboa?”.
A inocência da infância fazia-me sonhar junto das joaninhas… porque voam, e tudo o que voa é livre…além disso são giras!
“Joaninha” é o nome popular dos insectos coleópteros da família Coccinellidae (apresentam o par de asas anterior endurecido, os élitros, como os escaravelhos). Possuem um corpo semi-esférico, cabeça pequena, 6 patas muito curtas e asas membranosas muito desenvolvidas, protegidas por uma carapaça quitinosa que habitualmente apresenta cores vistosas. Estas cores são utilizadas para dissuadir os predadores. Na realidade querem dizer: “Não me comas que tenho um péssimo sabor!”. Além disso, para se defenderem, podem ainda deitar-se com o abdómen para cima e libertar um líquido com um odor desagradável, fingindo-se mortas e desviando a atenção do predador.
Mas o espelho desta criatura amorosa é o de um voraz predador…e ainda bem! As joaninhas são extremamente importantes para controlarem pragas, já que se alimentam de afídeos, moscas da fruta, pulgões (podem comer até 50 por dia), ácaros, piolhos das folhas e outros insectos, a maioria deles nocivos para as plantas, e ainda pólen e néctar. São muitas vezes produzidas e introduzidas em plantações, para fazerem o controlo biológico das pragas, sem ser necessário o recurso a controladores químicos nocivos que são uma ameaça à sua sobrevivência.
É muito importante ter atenção para não se introduzirem espécies exóticas uma vez que estas podem tornar-se elas mesmas uma praga, provocando o desaparecimento das espécies nativas e levando a um desequilíbrio na cadeia alimentar do ecossistema.
Curiosidades: no início do século XIX, joaninhas salvaram a produção de laranjas da Califórnia ao comerem os insectos que destruíam a fruta. É conhecida por “boas-novas” ou no Brasil como “vaquinha”. Em inglês, o equivalente à nossa lengalenga conhecida, será “Joaninha vai-te embora / Tens a casa a arder/ E os teus filhos a morrer” e refere-se à antiga prática de queimar as hastes do lúpulo após as colheitas, hastes essas que serviam de casa a milhões de joaninhas. Em muitas culturas são símbolo de sorte e fartura.
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Esta nossa encantadora natureza 9 - Andreia Dias
Pútegas (Cytinus hypocistis)
Não menos interessante do que os animais, as plantas fazem parte de um mundo fascinante… mas mais…, como dizer… sossegado. Sendo menos “entendida” na área da botânica, quando vejo um espécime vegetal que desconheço, tento fotografá-lo e enviá-lo às minhas “amigas das couves”, como chamo carinhosamente aos botânicos.
Aprendi com uma grande amiga, que estas são as pútegas. Esta planta de nome castiço, pronto a ser “atirado” a alguém, é parasita das raízes das estevas. Esta é das plantas parasitas mais fáceis de identificar e encontrar em Portugal. Não tem clorofila e surge na Primavera.
Nas zonas rurais, as pessoas dizem que as pútegas têm um líquido mucilaginoso que é comestível. Também já ouvi dizer que as crianças as procuram para as chuparem, por serem doces como o mel.
Curiosidades: Foi utilizada na medicina popular como antidiarreico.
Não menos interessante do que os animais, as plantas fazem parte de um mundo fascinante… mas mais…, como dizer… sossegado. Sendo menos “entendida” na área da botânica, quando vejo um espécime vegetal que desconheço, tento fotografá-lo e enviá-lo às minhas “amigas das couves”, como chamo carinhosamente aos botânicos.
Aprendi com uma grande amiga, que estas são as pútegas. Esta planta de nome castiço, pronto a ser “atirado” a alguém, é parasita das raízes das estevas. Esta é das plantas parasitas mais fáceis de identificar e encontrar em Portugal. Não tem clorofila e surge na Primavera.
Nas zonas rurais, as pessoas dizem que as pútegas têm um líquido mucilaginoso que é comestível. Também já ouvi dizer que as crianças as procuram para as chuparem, por serem doces como o mel.
Curiosidades: Foi utilizada na medicina popular como antidiarreico.
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