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terça-feira, 31 de agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra



B-Pilar



Também entre os galegos, as crianças som acarinhadas. Ainda bebés, com mimos. Ao crescerem, com disciplina. Uma disciplina ligada às horas de trabalho do adulto. Uma disciplina que não pune, mas ensina como optar. A opção, essa lógica de procurar o que é melhor para quem obedece e para quem diz mandar. A opção que Pilar aprendeu e que a levou a Compostela. Em uma Galiza dos anos sessenta, ainda sob a mão firme do Governo Central espanhol, essa ditadura de cinquenta anos de um general que não permitia outra língua que a oficial castelhana. Mas Pilar, como a sua mãe e o seu pai e irmãos, ião falando a língua herdada do lusitano. Aprendiam o que era oficial e de interacção, em Galego também, esse lusitano antes definido neste texto.

Um lusitano misturado de castelhano, lusitano castellanisado. A conversa do lar era dividida entre o galego persistente da mãe, e o castelhano bem falado pelo pai. E o galego castelhano que os filhos, os irmãos de Pilar, ião combinando entre essa obrigação, ditada por lei, de aprender a vida social, na escola, em língua oficial; e o galego da vida denominada rural pelos professores que eles tinham. Professores ou maestros, como aí são denominados, de origem também rural, mas forçados a saber o saber na língua oficial, que não era o galego. O mundo estava dividido não apenas em hierarquias, bem como cada hierarquia tinha uma língua diferente. A classe mais pobre, era galego, a classe com mais recursos, era castelhano. A classe intelectual, um galego antigo feito para bater o castelhano. Esse castelhano que Pilar me falava todos os dias, para evitar o português que eu usava em casa e que ela não entendia. Era a diferença das línguas lusas, especialmente esse português de mil anos e o galego banido por dezenas de anos… Uma Pilar que, em pequena, olhava para o chão quando eu falava para ela, faz 26 anos, e que hoje olhava de olhos nos olhos, mediadas as conversas, com música de Haydn (1797) que ouvia-mos na rádio do carro, ou as sonatas de flauta do Teleman (1772-1773) enquanto corríamos de casa em casa e de Bispado em Bispado.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra

B - Pilar




      Hermínio, Julho de 2010

Hermínio corria a cavalo. Como já o tinha dito. Corria. Corria rápido. Corria rápido para fazer barulho. Barulho nas pedras da rua. Da rua do lugar de Vilatuxe, em Vilatuxe. De Vilatuxe a Gondoriz Pequeno, a casa do lar familiar. Corria no seu cavalo por cima dos seus vinte anos. Para Esperanza poder ouvir. Poder palpitar. Poder pisar a raiva do seu peito. Peito do Hermínio, que desde os três anos de idade, corria a cavalo. Corria o seu pai. O José António, o senhor da metade de Vilatuxe, porque a outra metade era do seu irmão José (Genealogia 6). De Vilatuxe Paroquia, de Vilatuxe lugar, de Gondoriz Pequeno, de Gondoriz Grande. Dos Carvalhinhos. De outros sítios. José António era um monárquico, no tempo dos debates entre república e Monarquia, a seguir a primeira República do Estado Espanhol, em 1870. Hermínio gostava de ouvir esse pai. Pai que gostava dos cavalos e que pouco ou nada fazia que não fosse tomar conta deles. Cavalo entre os quais Hermínio cresceu e foi criado. Os cavalos que o seu pai usou até a idade da morte. E que o meu amigo, usa na juventude dos seus 70 anos, enquanto ensina um neto, Isaías, a ser senhor dos cavalos. A forte ideia de Hermínio foi sempre a de dominar a natureza, de semear, de reproduzir cabras e ovelhas e cavalos. Em pequeno, foi levado a casa da avó materna, Manuela Canda. Uma outra proprietária de Gondoriz, mas de Gondoriz Grande, com terras ao sul da Paroquia, quanto que as dos Medela ficavam ao norte, disseminadas por vários sítios.