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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma nova ditadura ou “A Visita da Velha Senhora”

Carlos Loures



Continuo a inspirar-me em peças teatrais para as minhas crónicas. Depois de O Rinoceronte, de Eugène Ionesco, de Um Eléctrico Chamado Desejo, de Tenessee Williams, de Tanto Barulho por Nada, de Shakespeare, chegou hoje a vez de A Visita da Velha Senhora, do escritor suíço Friederich Dürrenmatt (1921-1990), é um clássico do teatro mundial. No cinema, em 1964, a actriz Ingrid Bergman actuou no filme The Visit, inspirado na peça , realizado pelo austríaco Bernhard Wicki. Vi esta tragicomédia em 1960 no D. Maria II, numa encenação de Luca de Tena, com Palmira Bastos no principal papel.


A ideia central da peça, editada em 1956, é semelhante à de O Rinoceronte, embora com uma história  menos absurda. Neste caso, é útil contar em traços muito largos a história – Gullen, pequena cidade da Europa Central, vive mergulhada na miséria, afectada por uma terrível crise económica.

A estação de caminho de ferro está em ruínas e quase desactivada – os comboios deixaram de ter paragem em Gullen. Até que um dia as coisas mudam – Clara Zahanasian, uma das mulheres mais ricas do mundo, nascida na cidade, regressa às origens. Prepara-se-lhe uma recepção triunfal – forças vivas, criancinhas das escolas, banda de música... - o habitual.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um vazio intelectual chamado PSD ou Muito barulho por nada

Carlos Loures


Much ado about nothing, é, como se sabe, o título de uma peça do divino Shakespeare. Vi-a há uns bons vinte anos muito bem encenada e representada no Teatro da Cornucópia, dirigido pelo excelente Luís Miguel Cintra. Para o que quero dizer hoje, a história que a peça conta não interessa; aliás nestes últimos dias, talvez influenciado pela realização do Congresso realizado em Viana do Castelo, tenho procurado no teatro a inspiração para as minhas crónicas. Hoje fui buscá-la ao mestre William.

Penso que a cada facto da actualidade deve ser dada a importância que ele realmente tem e para mim (e se fosse só para mim, não valeria a pena escrever este post). Pois o tema que vou abordar é completamente irrelevante. É o tema dos políticos descartáveis, como são agora as fraldas a que o Eça aludia e cuja substituição aconselhava a bem da higiene.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Para onde nos leva “Um eléctrico chamado socialismo”?

Carlos Loures

Numa revista que aqui tem sido falada, pois alguns dos colaboradores deste blogue foram seus redactores, a “Questões e Alternativas”, publiquei há muitos anos um texto com este título, nele fazendo uma análise à cavalgada vitoriosa dos partidos socialistas na Europa - François Miterrand vencia as eleições em França; Em Andreas Papandreu, Felipe González e Mário Soares ganhavam também as eleições nos seus países. Em Itália, o Partido Socialista Italiano ganhava posições. No que se refere a França, enquanto a União Soviética manifestava preocupação pela derrota de Giscard d’Estaing, Reagan endereçava calorosas felicitações a Miterrand…Não há muito para transcrever desse texto, pois a situação alterou-se substancialmente e, ou os socialistas foram desalojados dos governos, ou o socialismo foi desalojado dos partidos socialistas, como aconteceu em Portugal. Até o punho cerrado já incomoda as sensibilidades e houve mesmo a tentativa de o substituir por uma rosa – L’important c’est la rose, garantia o Gilbert Bécaud. Pelos vistos tinha razão. Talvez antes de partirmos neste tranvia de palavras construído, pudéssemos fazer uma breve análise pelo termo “socialismo”

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

PS e PSD

Adão Cruz

Digo apenas que esta nossa democracia dá uma amarga vontade de rir. Ela só serve para fazer tudo o que é anti-democrático.

Ironia das ironias!

O povo em geral, ou uma boa parte do povo, e não só o nosso, não faz ideia do que é cidadania, não tem estrutura mental nem cultura político-social suficientemente sólida e transparente para saber o que quer ou o que lhe serve, do ponto de vista da organização social e política.

Este o grande aproveitamento e o grande trunfo dos que ganham. Desta forma, essa coisa de se dizer que “o povo é quem mais ordena”, há muito que desabitou a minha esperança, e não passa, a meu ver, de uma gasta falácia mais ou menos demagógica. O povo não manda em nada e nunca mais lá vai. Por este caminho nunca será senhor de si.

É notório que a sociedade está dividida, do ponto de vista da formação cultural e sócio-política em duas fatias principais: aqueles que sabem o que querem, que gostariam de uma democracia autêntica, aqueles que por ela lutam de forma consciente e conhecem as formas de lá chegar, e aqueles que não sabem nada, nem sequer sabem o que não sabem, mas pensam que sabem tudo. Infelizmente, estes últimos são maioria.

Uma maioria tão distraída que nem se dá conta de que os dois partidos acima mencionados são um e o mesmo. O “bi” de bi-polarização está a mais. Há três décadas no poder sempre fizeram o mesmo, isto é, pouco ou nada fizeram em favor do povo e muito fizeram para se governar, para encher os seus bolsos e os dos amigos.

De cima abaixo, o poder está infiltrado de broncos, medíocres e corruptos. Postos lá pelo povo, dizem. E o tal povo não vê, ouve dizer mas nem cheira. De quatro em quatro anos continua a pôr a sua cruzinha no mesmo local onde vai ajudar à eterna missa, ou seja, à prossecução da sua própria desgraça. E fá-lo com o mesmo desplante, a mesma irresponsabilidade e o mesmo critério de fé e de acaso que põe no boletim do totoloto. E vem de lá com o peito cheio de ar, ciente da sua crença e da “força” da sua alavanca para mudar o mundo!

A cabeça só serve para manter a dormir o que nasceu dentro dela. Pensar não faz parte dos nossos hábitos, nem da vontade desses senhores, para quem a estupidez é o seu sólido alicerce. Por isso, mesmo que ainda cheirem a merda, as políticas anteriores desses partidos (ou partido) não têm vergonha de encher a cidade de canforados cartazes dizendo, desde há trinta anos: “agora sim, agora é que vocês vão ver o que a gente vale”.

E do alto da sua cultura, comandada pela igreja e pelo futebol, o povo aguarda sorridente o fim da festa. Após a contagem dos votos, vai para a cama dormir tranquilamente mais um sono de quatro anos, embalado no cândido sonífero: ITE, MISSA EST.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Centrão - o partido dos negócios.

Luís Moreira

O que os divide? O que os une?

O PS, nasceu pelas mãos de republicanos que acreditavam profundamente na Liberdade política e só mais tarde descobriram a economia de mercado. O PSD, nasceu na primavera marcelista, convencido que seria possível mudar as coisas por dentro. Acreditava que a melhoria do nível de vida, conseguido por uma economia mais aberta levaria o país para a democracia.

Mas, ambos, mesmo não estando na governação, estão no poder, ficaram ligados, qual gémeos siameses, numa teia de interesses que os leva a estarem de acordo no essencial e, na verdade, pouco os separa.

Após, os primeiros dirigentes, gente batida na vida e com carreira profissional, chegaram aqueles que se fizeram nas Jotas, sem curriculum académico e/ou profissional, juntam-se nos gabinetes ou nas administrações das empresas, presas fáceis para quem verdadeiramente manda!

Após a saída de cena de Ferro Rodrigues e Leonor Beleza, talvez os últimos com peso próprio, a classe política está marcada quando é sujeita às exigências da governação, como o caso bem recente do deputado Branquinho, aceitando um emprego numa empresa parceira até agora dos socialistas, mas que os ventos soprando em direcção diversa, a levaram a mudar ,interessada que está na privatização da RTP que um futuro governo PSD ameaça levar a efeito.

O centrão está aí e nada de verdadeiramente muda, seja qual for o partido que esteja no governo, temos um Estado paralelo criado pelos dois partidos que dá emprego a boys e que assegura as correias de transmissão necessárias, afastando a administração pública do que é fundamental.

O que fazer? Enquanto cheirar a poder as várias facções dentro dos dois principais partidos não se reordenam em novos partidos, misturando e dando de novo, por forma a afastar do poder os grupos económicos de sempre e as corporações que se sentam à mesa do orçamento.

O futuro não é fácil, enquanto os boys (do PS e do PSD) enriquecem o povo empobrece.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não percebo.

Fernando Moreira de Sá


Ele foi o Presidente da República. Ele foi o Primeiro-ministro. Logo, logo o Presidente da Comissão Europeia. A Banca. Os principais “fazedores de opinião”. Todo o cão e gato a quem colocaram um microfone na frente. Directores de jornais. Responsáveis de televisões. Blogues e bloggers. Confesso que foram tantos e tantas que já nem sei se o meu Presidente (estou a falar do FCP) não terá, igualmente, dito o mesmo que a multidão ululante:

“Se o orçamento não é aprovado, estamos tramados, os mercados não nos perdoariam tamanha desfaçatez. Os juros da dívida seriam um “upa, upa”. O caos”.

O PSD fez a vontade, a contragosto, aos seus mais ilustres, aos corporativos, às corporações, à Banca, ao cão e ao gato. Finalmente, o OE2011 foi aprovado. Resultado:

1. Os juros da dívida não param de subir
2. O risco da dívida volta a superar os 400 pontos


Em suma, uns enganadores, é o que é…

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os Políticos que Temos

António Gomes Marques


Vamos lendo a imprensa e, muitas vezes, são as notícias que menos espaços ocupam que mais importantes são para a vida dos cidadãos que pagam impostos e para aqueles que, pelos baixos rendimentos que auferem, destes estão isentos.

Vejam a notícia seguinte:

Lisboa, 14 Out. (Lusa) - O líder da bancada social democrata na Assembleia Municipal de Lisboa manifestou hoje alguma "desconfiança" quanto ao novo mapa das freguesias proposto no estudo encomendo pela câmara, alegando que o PSD sai "largamente prejudicado".


"O estudo encomendado pela autarquia tem alguns problemas que têm de ser corrigidos. Mas o mais grave é que esta divisão que é sugerida nos deixou de pé atrás relativamente à boa fé deste projecto", afirmou António Prôa.


"Feitas as contas, transpondo os resultados eleitorais de 2009 para a nova divisão, tanto quanto é possível fazer, já que há casos difíceis de medir, o PS sai largamente beneficiado e o PSD largamente prejudicado", acrescentou.


Perguntarão os nossos leitores: A que propósito vem isto?

De facto, sabendo-se que sou militante do PS, poderá alguém entender que estou a atacar um outro partido, quando o que pretendo é chamar a atenção para os políticos que temos. A preocupação não é fazer uma boa divisão administrativa de Lisboa, que dela está bem carenciada; a preocupação dos representantes do PSD, neste caso, foi verificar que a proposta os viria a prejudicar, ou seja, se aprovada a divisão proposta o PSD pensa que as próximas eleições autárquicas lhe retirariam a hipótese de ganhar uma grande parte das freguesias da capital. Não importa fazer uma boa divisão, para o PSD uma boa divisão administrativa de Lisboa será aquela que lhe proporcione o maior número de freguesias sob o seu domínio.

Claro que a posição que para o PSD é válida para Lisboa também será válida para o resto do país.

Perguntarão agora os nossos leitores: E se fosse o PS a estar na posição do PSD, não assumiria a mesma posição?

Como calcularão, gostaria muito de poder afirmar que o partido de que sou militante tomaria a posição que melhor servisse Lisboa, mas, infelizmente, não me atrevo a tanto. Em todo o caso, acrescento que António Costa me merece confiança, direi mesmo que, de entre os políticos no activo, me parece ser aquele que melhor serviria Portugal como Primeiro-Ministro, e não é apenas por amizade que o digo.

Outros pensarão diferente de mim e se encontrarem alguém que melhor desempenho possa ter naquele lugar, ficarei muito grato a bem de Portugal e dos Portugueses (mas não «A Bem da Nação»). Substituir Sócrates é uma prioridade que não é de agora, mas colocar no seu lugar um qualquer Passos Coelho seria uma decisão que muito cara sairia a todos os portugueses.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Opinião. Medidas e contra medidas.

Carlos Mesquita


Mesmo os mais desatentos ouviram falar que após as medidas de austeridade anunciadas pelo governo na quarta-feira, se verificou um alívio nos juros dos empréstimos que o nosso país contraiu nas sessões seguintes. Notícias de hoje dizem que voltaram a agravar-se. O que se passou entretanto? Em declarações ao DE o conselheiro financeiro e director do departamento Monetário e de Mercados do FMI, afirmou que “as medidas enunciadas são muito importantes e o que agora é preciso é que o governo cumpra com as medidas”. O FMI também hoje se congratulou com as medidas tomadas pelo governo Zapatero em Espanha.

Todos tínhamos percebido que o pacote de austeridade que é proposto pelo nosso governo corresponde, grosso modo, ao que o FMI faria se fosse levado a intervir em Portugal.

Quando o FMI diz que o governo português precisa de aplicar o que propõe, sabe que ao contrário de Espanha e outros países onde já estão aprovadas, aqui precisam do acordo duma oposição renitente.

A oposição que conta nesta situação é a direita, que espreita a melhor oportunidade para tentar chegar ao governo, e que tudo fará para não se comprometer com a impopularidade da austeridade. No entanto está entalada entre viabilizar o orçamento (votar a favor ou abster-se é a mesma coisa) ou votar contra. Qualquer das opções tem custos políticos para os partidos da direita. Tentar chegar mais depressa ao poder, com as sondagens indicando um possível governo minoritário e tangencial da direita, com maioria de esquerda no parlamento e agitação social nas ruas, seria um desastre para Passos Coelho. A não ser que seja estratégia do PSD derrubar o governo de Sócrates, e em seguida perante a mesma, ou pior situação de ingovernabilidade que a que existe hoje, venha a formar um governo “coligado” com o FMI. Chamar o FMI “por causa do estado em que o PS deixou o país” é uma ideia que pode passar pelas cabeças da direita, que governarem em minoria e democraticamente, no estado em que está o país, será muito difícil.

Se o que Passos Coelho tem feito de dramatização é apenas teatro e vai abster-se para viabilizar o orçamento, será responsabilizado politicamente pelos prejuízos causados. Para ser coerente só lhe resta votar contra o Orçamento de Estado. Os avanços e recuos do PSD, as ameaças de crise política, as certezas dadas a órgãos de informação estrangeiros de que não tem condições para dar o seu acordo às propostas do governo classificadas como “medidas certas” pelo FMI, levantam uma questão. Será que estamos todos a pagar mais pelo crédito que o país precisa, por causa de fanfarronices e bluffs inúteis de Passos Coelho?

Deixando as medidas concretas de austeridade para outra altura, convém lembrar que o PSD recusa agora o aumento de impostos, é sempre popular ser contra os impostos; no entanto aprovaram o PEC II que os tinha, impuseram as portagens nas SCUT do Interior, criticaram as verbas gastas com os professores e a cedência perante as reivindicações dos polícias; e não se sabe quais as reformas estruturais do lado da despesa que vão propor, que organismos querem encerrar, quais as empresas municipais (a maioria criada pelos autarcas laranjas) que não querem, e o mais que se verá. Ainda vão fazer muitas escolhas impopulares para a sua base de apoio eleitoral, antes de tomarem mais se vierem um dia a governar.

sábado, 2 de outubro de 2010

O Orçamento é uma espécie de confessionário.

Luis Moreira

O Orçamento tem como parceiro natural o PSD diz o PS sem se rir, da mesma forma que os parceiros naturais do PS nas eleições são o BE e o PCP .O PS precisa de um parceiro para, naturalmente, arcar com as medidas neoliberais e anti-populares que aí vêm e quem melhor do que quem lhe pode tirar o poder?

O relatório da OCDE não é bem o que por aí anda nos jornais e na boca dos PS, é bem pior, como a despesa é muito inflexível, vai-se pela receita, mais impostos, o que vai arrefecer a economia ainda mais, quando a economia da Alemanha cavalga a 4% nós nem aos 1% chegamos. Se tivéssemos o trabalho de casa feito, podíamos agora beneficiar com as exportações para a Alemanha, mas como não fizemos, andamos a sonhar com o TGV e o aeroporto, outros beneficiarão.

O trabalho de casa era ter dado prioridade às PMEs, como toda a gente aconselhou o governo, que são quem exporta, quem cria postos de trabalho e as que mais rapidamente se acomodam às novas condições. Infelizmente, as políticas económicas foram dirigidas para os bancos, para as empresas publicas e para os megainvestimentos, deixando para segundas núpcias os investimentos de proximidade.

O Orçamento é a confissão dos pecadores, já não podem esconder mais os pecados capitais, trava-se o TGV, o aeroporto, os contentores de Alcântara pagam milionárias indemnizações , as locomotivas já não vêm, e os submarinos andam debaixo de água a ver se a gente se esquece das comissões...

Por mim,para além das avés marias da praxe, levavam com o FMI...

PS: já depois do texto escrito o governo anunciou as medidas que jurava que nunca faria. Não há almoços grátis!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Coisas Breves. Orçamento familiar.

Carlos Mesquita

O Luís chegou a casa agitado. Marta, a sua mulher, recebeu-o notando o desassossego. Ela nada disse, ficou a vê-lo enquanto ele poisava as chaves do carro, esvaziava as algibeiras e deitava um olhar ao interior do maço de tabaco. Já só tenho dois cigarros, e é o segundo maço hoje…não dizes nada Marta? Estranhou o Luís levantando os olhos para ela sem mexer a cabeça. Não! Ou melhor, percebi logo na entrada que te exaltaste no serviço, e queres que puxe conversa para desabafares. Fez-se silêncio, Marta saboreou o efeito, e depois fechou, – e sabes que detesto esse vício do fumo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Governo de Salvação Nacional

Luis Moreira


Nenhum governo assente num partido ou mesmo em vários partidos estará disposto a fazer o que o interesse nacional exige. Tomar as duríssimas medidas de contenção da despesa sem as quais não vai ser possível equilibrar as contas, como todos já percebemos, pois marcará o partido para muitos anos, e nenhum quer passar por essa prova.

O PS governou em maioria absoluta e fez gala disso, não partilhou a governação, foi o quero,posso e mando, e agora tenta a todo o transe puxar para a área da tomada de decisão, o PSD, querendo partilhar os escombros. Há três meses atrás, o PSD, foi chamado a colaborar para que o PEC fosse aprovado em Bruxelas. Como já hoje é evidente, apesar de um aumento da receita por via do aumento brutal dos impostos, o déficit cresceu em vez de diminuir, ao invés do que está a acontecer em Espanha e Grécia. E a razão é só uma, o PS não consegue nem quer fazer os cortes na despesa primária que a situação exige. Quem tem dúvidas olhe para os avanços e recuos nos grandes investimentos que não têm impacto, a curto prazo, no bolso dos contribuintes e que só não vão em frente porque a realidade (leia-se a falta de quem nos empreste dinheiro em condições aceitáveis) se impôs. A não ser assim a vocação socialista de despesismo do PS cavalgaria esses investimentos, não prioritários, alegremente.

Há, pois, que avançar para um governo de salvação nacional, capaz de olhar para o interesse nacional e não para os votos. O tempo urge, a credibilidade do governo cá dentro e lá fora não é nenhuma, o FMI ronda e a taxa de juro atinge máximos insuportáveis. Este teatro entre PS e PSD quer dizer que chegou o momento de a realidade vir à luz do dia, já se fala no corte do 13º mês e no aumento de impostos.

A bem da Nação, o PSD não deve embarcar no canto da sereia, não há crise nenhuma se o governo de Sócrates cair, a democracia tem soluções. Desde logo pode governar em 2011 com o orçamento de 2010 o que traz várias vantagens, tem os limites da despesa e da receita do ano anterior, o que só por si é uma contenção de gastos. O grande problema, como todos andam a dizer há pelo menos dois anos, é que a economia desfalece sem o dinheiro que foi retirado às empresas e às famílias, ou se reduz a despesa ou é necessário aumentar o PIB em 15 000 milhões/ano o que é impossível sem investimento e com uma procura débil, por isso, todos os anos a nossa dívida aumenta naquele número.

Ao fim de sete anos de governação de José Sócrates estamos num beco sem saída, temos pela frente o empobrecimento do país e das pessoas, continuaremos a divergir dos outros países da UE, já somos os últimos e vamos continuar a ser os últimos.

Este governo está esgotado não tem soluções, anda à deriva ( 2 semanas depois de anular os concursos do TGV. TTT, aeroporto, já começou a dizer que os vai reabrir dentro de 6 meses), nem as milionárias indemnizações às empresas concorrentes o protegem do desvario de que está possuído.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Noctívagos, insones & afins: A síndrome de Estocolmo



Carlos Loures

Todos já ouviram falar desta patologia que, basicamente, consiste na disfunção psicológica que leva um sequestrado a identificar-se com o sequestrador. A designação deriva de um facto ocorrido em Estocolmo no ano de 1973 – durante um assalto a um banco, os reféns, sequestrados durante seis dias, mostraram-se, depois de libertos, solidários com os assaltantes mesmo durante o processo judicial. A solidariedade da vítima para com o seu captor nasce com pequenos gestos de urbanidade do sequestrador para com o sequestrado e cimenta-se durante o processo de libertação por parte das autoridades policiais, em que o sequestrado se identifica com o assaltante no receio de ser vitimado durante a luta.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Direita e esquerda, continuam a existir?

Carlos Loures

Vem este texto na sequência de outro que aqui publiquei há dias - “Esquerda, precisa-se”. 

Num dos comentários, a querida amiga Carla Romualdo perguntava: «crês que ainda faz sentido falar em "esquerda" e "direita", quando estes conceitos se esvaziaram de tal modo nos últimos anos? Não lanço a pergunta como uma picadela irónica, mas sim como uma honesta interrogação. Será que ainda faz sentido esta divisão?». Escolhi este comentário por me parecer aquele que coloca a questão mais importante e ao responder à Carla tentarei dissipar outras dúvidas, eventualmente suscitadas por não ter sido suficientemente claro.

Direita e esquerda – faz ainda sentido esta divisão?

Sempre ouvi dizer que as designações de "esquerda" e "direita", tiveram origem no facto de nas assembleias políticas anteriores e posteriores à Revolução de 1789, os políticos mais conservadores se sentarem à direita da mesa da presidência e os mais radicais à esquerda.

Na Assembleia Nacional (1789), a expressões «gauche» e «droite» eram aplicadas respectivamente a republicanos e a monárquicos; na Convenção Nacional (1792), o termo usou-se para distinguir jacobinos de girondinos. Os primeiros eram defensores dos chamados sans-cullotes, os deserdados da fortuna; os segundos eram deputados que representavam a burguesia ilustrada, hesitante entre a monarquia constitucional e a república. 
 

sábado, 7 de agosto de 2010

Partidocracia

Carlos Loures

Sabemos o que significa partidocracia - poder, domínio, autoridade dos partidos. Num sentido mais lato, governo dos partidos. Num sentido ainda mais lato, ditadura de partidos. Se pretendermos aprofundar a vertente prática do conceito, veremos que geralmente são dois os partidos que se alternam no poder. O filósofo espanhol Gustavo Bueno, criador do «materialismo filosófico» (e do qual aqui tenho falado a propósito do telelixo), diz que «a partidocracia constitui uma deformação sistemática da democracia», pois, cada um dos partidos do poder «tem sistematicamente que atacar o outro». Esta situação de guerra permanente entre os dois partidos alternantes, esconde uma realidade cruel – a de que são faces da mesma moeda. Não se trata aqui da guerra entre esquerda e direita ou entre conservadores e progressistas. Luta-se não por princípios ou por ideais (esses, no fundo, são os mesmos), mas por lugares privilegiados. As oligarquias partidárias digladiam-se pela conservação ou pela tomada do poder, mas no fundo, graças à tal «engenharia endogâmica» de que já falei - criadora de uma verdadeira oligarquia - o poder está sempre nas mesmas mãos. Este sistema duocrático vigora em Portugal e em quase todos os países onde existe a democracia formal e parlamentar. Os eleitores podem, no entanto, conservar a ilusão de que vivem numa verdadeira democracia.

Em 1991, o Partido Socialista (que por essa altura ainda se preocupava com este tipo de questões), organizou um colóquio sobre o tema «Democracia ou Partidocracia», orientado pelo Professor Eduardo Lourenço, em que participaram, entre outros, os Professores Alfredo Margarido, Fernando Pereira Marques(colaborador do Estrolabio), António Reis, Manuel Vilaverde Cabral, Guilherme de Oliveira Martins, João de Almeida Santos. Uma revista «de reflexão e crítica» que, pela mesma época, a Fundação José Fontana editava, a Finisterra, publicava algumas dessas comunicações. Eram, na sua maior parte, intervenções de valioso conteúdo, reflectindo a profunda capacidade de autocrítica que o Partido Socialista apresentava há menos de vinte anos. Embora já se começasse a esboçar a criação do «bloco central», como era diferente a parte do PS que reflectia, o hemisfério activo do seu cérebro, diferente de um PPD-PSD preso à herança de Francisco Sá Carneiro, homem que não produziu uma ideia que valha a pena recordar, mas que apesar disso, conseguiu ser a cabeça mais brilhante do partido que co-fundou. O que prova não ser a ausência de ideologia que fragiliza uma organização partidária que lute pelo poder. O PSD nunca a teve e nunca lhe sentiu a falta; o PS tinha-a, mas tem estado a desembaraçar-se de algo que só servia para atrapalhar. Como se faz aos trastes velhos, a ideologia socialista foi parar ao sótão.

Com efeito, como estamos distantes, dezoito anos depois, desse tempo em que, ape
sar de já haver um ala inclinada a uma «visão prática» da política partidária, receptiva a cedências ideológicas, havia ainda uma pujança intelectual que se perdeu, se dissolveu na voragem de compromissos, comunitários e não só – embora a maioria das pessoas que constituíam essa elite ainda sejam, felizmente, vivas. Hoje, apesar da guerra das palavras e das denúncias mútuas de corrupção, de criação de clientelas, de caciquismo, de corrupção – acusações que, na maior parte, não serão injustas – os dois partidos são praticamente iguais. E quando digo praticamente, é isso mesmo que quero dizer. Na prática, para o que é importante, na perspectiva dos governados, não se nota diferença sensível entre um e outro partido. Diferenças, se as há, só em meras questões de estilo.

Seria excelente que um Deus ex machina, como acontecia nas comédias e tragédias do teatro renascentista, descesse sobre esta cena de tragicomédia que estamos a viver, e entre outros actos de justiça, reorganizasse o leque político português, simplificando-o e clarificando-o. Assim, por exemplo:

a) - num partido neo-liberal organizar-se ia a grande massa de militantes e apoiantes do PS e do PSD (talvez mesmo franjas direitistas do PC e «esquerdistas» do CDS);
b) - num partido social-democrata, os actuais militantes do PS, do PSD, do PCP e do BE, que querem transformar a sociedade, mas sem uma ruptura violenta;
c) - num partido socialista, os que querem que os meios de produção e a riqueza por eles criada estejam inteiramente ao serviço da comunidade, mesmo que para tal haja que fazer uma Revolução;
d) - talvez se tivesse de arrumar alguns democratas-cristãos separadamente - os mais ligados à sacristia e ao Vaticano do que à eclesia, porque estes últimos, os verdadeiros cristãos, estariam dispersos pelos outros partidos;
e) – haveria, além destes e obviamente, todos os partidos e movimentos que os cidadãos livremente quisessem criar.

O Deus ex machina, que surgia nos palcos ou nas arenas movido por engenhosos maquinismos (Leonardo da Vinci concebeu alguns) descido por cordas, à força de braços, de roldanas e manivelas, solucionava intrincados problemas que os autores tinham criado ao longo dos enredos, intrigando os espectadores que se acumulavam nos teatros ou nos pátios de comédias - «como é que eles se vão sair desta?», interrogavam-se. Pois o deus descido à corda resolvia tudo – afinal a pastora era a uma princesa, o conde despótico, era apenas uma alma amargurada e um ser bondoso, a duquesa bondosa era a megera que tinha tecido toda a venenosa intriga. O príncipe desposava a pastora-princesa e tudo se resolvia. Aquele deus que saía rangendo da urdidura, pendurado em cordas, punha as coisas na devida ordem. Nós não temos disso e assim, vemos estes dois clones irem tomando conta de tudo, sempre zangados, denunciando as trapaças um do outro (essas, sim, quase sempre reais) parecendo «inimigos para sempre», tão diferentes, tão iguais.
Eduardo Lourenço, em texto da Finisterra (nº.8, Primavera de 1991), compara a construção da Democracia ao trabalho, incessantemente recomeçado, de Penélope, tecendo a mortalha de Laerte, pai de Ulisses. Podíamos também associar a essa construção a punição eterna de Sísifo, talvez ainda mais adequado à situação que vivemos – rolar até ao topo de uma montanha um pedra que, chegada aí cai pela encosta, sendo necessário recomeçar a tarefa. Com uma diferença, a nossa pedra nunca chegou ao topo, embora depois da Revolução de Abril tivéssemos a ilusão de que a tínhamos conseguido levar até lá. Aqui entram em jogo as perspectivas de cada grupo político. Para os «socialistas» e «social-democratas» a pedra está no cimo quando ganham eleições. Para mim e para os que pensam de forma similar, a pedra só esteve mais abaixo quando vivíamos em ditadura. Com uma diferença: nessa situação ninguém alimentava a ilusão de ter rolado a pedra até ao topo da montanha. Não tenho saudades da autocracia. Mas as coisas eram mais claras.

Eduardo Lourenço, com a limpidez que caracteriza o seu discurso, diz na revista já citada: «Enquanto o tecido democrático assentar quase exclusivamente nos mecanismos de representação partidária, enquanto esse sistema não for contrabalançado por outras formas de representação social, a de associações, grupos, clubes de reflexão, ou outras formas de expressão activa da sociedade civil, o reino da «partidocracia», mais ou menos nocivo, é inevitável:» (…) «O único remédio contra uma certa e inevitável «partidocracia» é a democratização em profundidade da sociedade civil, a subida do nível de autonomia individual, a delegação cada vez mais consciente da nossa parcela de poder e do seu controlo. A Democracia é um círculo vicioso quando o cidadão abdica por simples rito a sua responsabilidade nas mãos alheias para que elas exprimam, reforcem vida à mesma Democracia. No fundo o que é a «partidocracia» senão a quintessência dessa abdicação?» Gostava muito de ouvir a opinião sobre o mesmo tema de Eduardo Lourenço, agora, dezoito anos depois de estas palavras terem sido escritas.

A «partidocracia» instalou-se de armas e bagagens e domina completamente a vida política, económica e social do País. Tito de Morais, num discurso parlamentar do 10º aniversário do 25 de Abril, dizia que se a engenharia é «matéria de engenheiros, a saúde da competência dos médicos e a Igreja da responsabilidade dos sacerdotes, a política, por sua parte, é assunto de que só os políticos se devem ocupar.» Na altura a frase caiu mal, pois afinal só tinham passado dez anos sobre o tempo em que as assembleias de trabalhadores, de bairro ou de escola, tinham poder. Numa perspectiva democrática, isto continua a ser um disparate; mas lá que reflecte a práxis em vigor, disso não há dúvidas.

E quem é que, tendo chegado às cadeiras do poder, quer saber de perspectivas democráticas?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Esquerda precisa-se!

Carlos Loures

E Em todas as esquinas da cidade
Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes…
dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros

Lembram-se? É assim que começa «A Invenção do Amor», o belo poema de Daniel Filipe. E bem necessário seria que um anúncio solicitando uma verdadeira Esquerda fosse publicá-lo “com carácter de urgência” em todos os jornais, gritá-lo pela rádio, mostrá-lo na televisão, pois existem muitos milhares de cidadãos de esquerda que não se revêem em qualquer das organizações, ditas de esquerda, existentes e que sentem bloqueados, cercados pela direita, pela falsa esquerda e pelo seu ideal de uma esquerda autêntica. Mas, perguntarão, então não existem já numerosos partidos e movimentos de esquerda, dentro e fora do Parlamento?

Depende de como definimos o conceito de esquerda. O poeta francês Jean-Arthur Rimbaud disse que era preciso «mudar a vida». Karl Marx, embora, como Engels, nunca tenha dito ser «de esquerda», afirmou que era indispensável «transformar o mundo». A mudança da vida, isto é, dos valores mercantilistas e da lógica consumista, que regem a sociedade em que vivemos, e a transformação do mundo, ou seja a Revolução que varra as desigualdades, as injustiças sociais, para mim constituem duas excelentes definições do que deve enformar um pensamento de esquerda.

terça-feira, 27 de julho de 2010

De cada um, segundo as suas capacidades, a cada um, segundo as suas necessidades!

Carlos Mesquita

Lembro-me de um filme publicitário inglês em que um casal idoso, viajando no seu automóvel, ouve uma canção Punk (em alemão parece-me) e segue o ritmo da música alegremente, abanando o capacete e rindo cúmplices um para o outro; em rodapé passa a legenda, a letra é toda obscenidades. O slogan era qualquer coisa do género, “ não faça figuras tristes, matricule-se na escola de línguas XPTO”. São muitos os exemplos de gafes monumentais do nosso mundo político quando fazem citações para armar em cultos, usando frases de notáveis, a maior parte das vezes fora do contexto, para evidenciar que leram um ou outro teórico, ou simplesmente repetindo expressões que andam por aí, e que nunca usariam se soubessem a sua origem. Recentemente, Aguiar Branco discursando pelo PSD, resolveu transformar a sessão solene das comemorações do 36º aniversário do 25 de Abril, num cómico stand up, citando uma frase de Lenine que podia ter sido escrita por um carteiro dos CTT ou um dirigente de clube de futebol da segunda circular. Satisfeito pelo efeito – gargalhadas da plateia – continuou o número, expelindo uma versão livre de um parecer da revolucionária polaca e fundadora do partido comunista alemão, Rosa Luxemburgo, sobre a liberdade; aqui, ele ou quem lhe escreveu a conversa, teve o cuidado de truncar a frase, pois a expressão completa dita por políticos tão pouco respeitadores da liberdade dos outros, pediria uma barra de sabão azul e branco para lavar a boca. Mas a situação mais bizantina a que assisti ultimamente, foi o novel ideólogo laranja Calvão da Silva, em declarações sobre a proposta de revisão constitucional do PSD, que pretende higienizar a lei fundamental retirando-lhe os marxismos das letras e da pontuação. Disse Calvão da Silva: “É preciso que o Estado seja mais justo e equitativo na distribuição da riqueza, não tratando todos por igual (…) e que se aplique o princípio, a cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas possibilidades”. Calvão da Silva, professor universitário e presidente do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, devia saber que estava a citar Karl Marx, e logo a rematar um paleio argumentativo anti-marxista. E não é um Marx qualquer, uma frase encontrada nos perdidos e achados como a citação de Lenine feita por Aguiar Branco, mas um texto fundamental para os marxistas que é a “Crítica ao programa de Gotha”. Calvão da Silva podia ter recuperado o princípio de distribuição para uma sociedade de transição, mas resolveu defender o critério para uma sociedade socialista, aquele que Marx entendia que na “fase superior do comunismo” a “sociedade poderá inscrever nas suas bandeiras: De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades.”

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sondagens para que vos quero...

Luís Moreira

Cavaco Silva aproxima-se dos 60% no que diz respeito a quem vai votar e a 80% nos que acreditam que vai ganhar!

Nas presidenciais parece que o assunto está resolvido, com Manuel Alegre a andar perto dos vinte e tal por cento e Fernando Nobre nos doze por cento.

Nas legislativas o PSD aproxima-se doa 40% e o PS dos 34%.PCP com 9% é a terceira força, BE com 8% e o CDS com 5%. Isto quer dizer que a esquerda ainda se mantem maioritária. Apesar da crise enorme e da má situação o PS ainda vai aos 34%, perdendo cerca de 10% para o PSD, bem como o CDS que perde cerca de 5% para o mesmo PSD.

Claro que perante estes números Passos Coelho capitaliza o que pode, como é o caso da revisão constitucional, que agora toca na regionalização (abandonando a obrigação de uma referendo)deixa cair grande parte das mudanças nos poderes presidenciais, insiste no SNS e na Educação,tornando-as pagas para quem pode e, muda, muito, a economia.

Tirar o Estado da economia é uma obrigação sem o que nunca teremos pequenas e médias empresas com prioridade, serão sempre as empresas públicas e do regime a comer a maior fatia.

Não são mais do que tendências, valem o que valem, mas o ínicio de um novo ciclo, agora com sociais democratas e democratas cristãos,um Estado menos gigantesco e uma sociedade civil mais forte, é o que se formula no horizonte.Por mim, não acredito que num país tão desigual e com tantos pobres o Estado Social seja afectado.Outros caminhos, sim !

PS:

O PSD sob a liderança de Pedro Passos Coelho subiu 13 pontos percentuais em apenas dois meses nas sondagens Bareme para TSF e Diário Económico. A mais recente, divulgada ontem, coloca os sociais-democratas à beira da maioria absoluta e muito longe do PS.

domingo, 25 de julho de 2010

Passos Coelho em Vila Real

Carlos Mesquita


Há festa no distrito para as bandas do PSD, banda mais retrógrada do espectro político português, desde que a actual direcção do partido trocou a matriz social-democrata pelo ultra-liberalismo.

Vai ouvir-se a banda desafinada, com Passos Coelho cantando as justificações para a imposição, pelo PSD, de portagens nas SCUTs do Interior Norte. O líder do PSD vai fazer contas para explicar como os 6.046 veículos diários que agora circulam na A24 vão pagar a auto-estrada, quando há quem diga que a receita nem cobre os custos de investimento e operação de portagens, já afirmava Ferreira Leite na ultima campanha eleitoral que nem valia a pena neste caso cobrar portagens. Vai dizer que haverá descriminação positiva para alguns, escondendo que esses, como todos os outros, vão pagar as portagens quando forem às compras de produtos que viajaram pela auto-estrada. Tudo o que chegar à região sobre rodas vai aumentar de preço, tudo o que sair da região sai mais caro, tornando os produtos transmontanos menos competitivos. Os turistas que visitariam Trás-os-Montes farão contas para escolher entre este e outros destinos. As vias rápidas abertas pelos montes trasmontanos que são o caminho principal para sair do subdesenvolvimento, vão voltar (por iniciativa de Passos Coelho) a ficar tapadas pelo entulho das portagens.

Volta de certa forma o isolamento, económico, irrecuperável. Em vez de Trás-os-Montes ir no encalço das zonas mais evoluídas do país, vai ficando mais atrasada, não alcançando o pelotão, pedalando penosamente junto do carro-vassoura.

Mas não vai faltar festa por causa da realidade, a festa é para esquecer e esconder a realidade.

Passos Coelho precisa de festas, de banhos de convertidos que o façam esquecer a patente falta de ideias para tentar contribuir para a solução dos problemas reais do país, e para esquecer as asneiras políticas com que o PSD tem brindado os portugueses; como as propostas destrambelhadas de revisão constitucional que sabe não poder fazer sem dois terços da assembleia, e sem o acordo do presidente. Aliás, com o desatino das propostas absurdas que tem feito, já tramou a campanha a Cavaco que esperava ir para um segundo mandato em jeito de passeio. O candidato Cavaco, agora vai ter de se pronunciar sobre as alterações propostas por Passos Coelho à lei fundamental que jurou cumprir e fazer cumprir. Antes de Passos Coelho vir, eventualmente, a ser primeiro-ministro, os candidatos a presidentes da República que terão de promulgar as hipotéticas alterações, quando exercerem o cargo, vão dizer se concordam com as alterações sugeridas; Portugueses de primeira e de segunda no acesso à saúde e à educação, desequilíbrio do sistema político, arrasar os direitos sociais e laborais e o resto de disparates com os quais não vale a pena nesta altura gastar tempo. Tudo isso é para encobrir a falta de ideias e soluções e o receio de enfrentar a governação. Passos Coelho tem-se limitado a deixar sugestões de políticas avulsas no ar, lançando barro á parede, que não pegando, se apressa a desdizer. Ninguém sabe o que Passos Coelho quer, nem para quando quer.

Não é tipo com quem se vá à caça, vê uma boa sondagem, acelera; de repente trava, recua, saltita, dá mais uma fugida, volta atrás, pisga-se outra vez, sobe, desce, esconde-se, espreita, desaparece. É uma canseira, e com ele a fazer de coelho é um dia perdido.

Transcrito de Semanário Transmontano

quinta-feira, 22 de julho de 2010

PSD - é bom poder optar...



 Luís Moreira


Há quem diga que o PSD apresenta estas propostas encostadas muito à direita, para ter margem de negociação. Na altura de negociar o Orçamento, vai às trocas com o PS, dá cá esta alteração na Constituição que eu dou-te folga no Orçamento. Pode ser, até pode ser que esteja a tirar força ao povo, porque agora quem quer mudar de governo tem que ir para eleições, e se for com o Presidente, a ter essa possibilidade,abre a porta aos arranjinhos de gabinete.

Mas no que diz respeito à Saúde, a coisa é mais séria,há muito quem não entenda que o que está em cima da mesa é a sustentabilidade do Serviço Nacional de saúde.E com um SNS a funcionar como até aqui, não tem futuro, há que salvá-lo. Como? Complementando-o com os privados. Dizem-me que isso seria aceitar uma saúde para os pobres e outra para os ricos. Já há! E sabem porquê? Porque o SNS não se aguenta sendo" universal e tendencialmente gratuíto".

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Opinião. Em Chaves não conseguem fazer nada juntos?*

Carlos Mesquita

No último artigo dizia que os partidos PS e PSD só têm servido para dividir os transmontanos. Na mesma edição do Semanário Transmontano lá vem uma trica, entre as “jotas” desses partidos, a justificar a observação. Os jovens estão a deixar-se arrastar para desavenças em que são os principais prejudicados. Não é possível qualquer associação de juventude ser representativa dos jovens dum lugar, se for constituída apenas por membros de um partido, ou controlada por um partido; uma extensão ou sucursal de um partido não é levada a sério pelo resto da população, jovem ou não. Pode servir o ego dos aprendizes de líder e agradar aos adultos mal formados, que promovem o sectarismo, mas não é maneira de crescer de forma equilibrada e serem úteis à comunidade. Em adultos, na vida profissional, todos vão ter de conviver uns com os outros e com as suas diferenças, sejam políticas, religiosas ou outras. Há um espaço que é o das convicções, onde faz sentido organizarem-se conforme os seus ideais, concepções e ideologias, são os partidos, as igrejas, e agremiações semelhantes. Mas há outro campo onde os partidos não fazem falta enquanto partidos, é nas associações que se querem representativas de sectores mais vastos da sociedade como as organizações de Juventude. A juventude é composta de pessoas com e sem partido, de vários partidos e de partido nenhum; as suas causas ultrapassam as conveniências partidárias, existem para além desses interesses.