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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

VerbArte - A Crise do Livro












A Crise do Livro




Carlos Loures





A crise do livro é uma doença endémica. Quando, há muitos anos, cheguei ao meio editorial a crise do sector era já um dado adquirido. As causas apontadas para essa crise são numerosas. Umas crónicas, outras que vão surgindo. Há umas décadas, a persistência de uma larga percentagem de analfabetismo entre a população, o baixo poder de compra e a censura, eram três argumentos recorrentes (todos eles reais). A televisão não se usava ainda como desculpa, pois a oferta desse meio era escassa. As novas tecnologias ainda andavam às voltas com os electrodomésticos; computadores, só nas empresas – grandes como armários. A ameaça do livro electrónico, pura e simplesmente, não existia. Mas, não havia dúvida, o livro estava em crise.


Actualmente, o analfabetismo é residual, o poder de compra não é famoso, mas, sendo verdade que há uma grave crise económica, os concertos de música rock esgotam a lotação de recintos gigantescos e os bilhetes vendem-se com meses de antecedência e com gente a dormir junto das bilheteiras para os conseguir adquirir. Isto para falar só num dos concorrentes da leitura, pois há outros. Um livro, mesmo que não seja dos mais baratos, custa muito menos do que a ida a um desses concertos. Portanto, apesar da crise, trata-se mais de uma questão de opções e de prioridades culturais do que de um constrangimento económico. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ainda a carta enviada aos líderes parlamentares pelo Professor Júlio Marques Mota

Na sequência da edição da Carta Aberta aos Líderes Parlamentares, o Professor Júlio Marques Mota partilha connosco a emoção sentida ao ler um folheto que corrobora totalmente o que dizia na referida carta (cuja leitura pode ser feita, clicando sobre a barra da direita).



Mão amiga mandou-me este email, com um documento que aqui segue em anexo . Abri o documento, olhei, li, e com ele com ele me comovi , da mesma forma que o farão todas as crianças sem recursos do nossos país, se todos nós seguirmos a sugestão no referido texto inserida. Disso, eu sou a prova declarada e provada, ontem, hoje e, bem espero, ainda por muitas outras manhãs . Prova aos nossos deputados gritada e formalizada, mas pela maioria deles ignorada, o que é bem uma outra lição a aprender e também a não esquecer.

De livros se fala no protesto enviado por mim aos deputados, de livros se fala no documento em anexo e nele se propõe: “dê um final feliz à história de muitas crianças”. Uma sugestão que outros seguiram noutros tempos e de eu sou um pouco um exemplo, uma sugestão que agora a crise leva cada vez mais a declarar como urgente. Com livros dados e não emprestados, com livros não reclamados, com livros pela leitura por cada criança conquistados, ajudemos as crianças do nosso país a aprender a pensar que um outro mundo feito por eles e talvez ainda com a nossa ajuda, se não nos deixarmos imobilizar, é pois ainda possível.

De uma história, a minha, ou de um protesto não calado, o meu, até outras histórias que por eles, crianças, hão-de ser faladas e recontadas, é de livros que aqui se fala, de livros que se deram, de livros que hão-de continuar a dar.

sábado, 25 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 181 e 182 (José Brandão)

O Sindicalismo em Portugal

Manuel Joaquim de Sousa

Afrontamento, 1976

História do movimento sindical em Portugal desde os primórdios das velhas associações de classe até ao ano de 1926, escrita por esse notável militante anarco-sindicalista que foi Manuel Joaquim de Sousa secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho e redactor principal d'A Batalha, então o terceiro jornal diário mais vendido no país! Esta edição conta com prefácio e notas de Emídio Santana.



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Os Sindicatos Operários e a República Burguesa (1910-1926)

David de Carvalho

Seara Nova, 1977

Este livro é a crónica dum tempo que de longe e do perto vivi, senti e observei, na infância e não menos na adolescência, desde uma idade em que os meninos só convivem com brinquedos, brinquedos que não tive e tive de improvisar, num tempo longo em que tudo me foi adverso e todas as coisas me atiraram para melancólicas reflexões sobre essas mesmas coisas do mundo que eu apenas pressentia e ninguém me sabia explicar; assim não pude compreender a razão da injustiça que feria tantos e tantos mocinhos como eu era então. E aqui está por que gostaria de dedicar o meu livro a tantos outros mocinhos, que o são hoje como o fui há mais do meio século, que me deixam ver que sofrem amarguras, decepções e frustrações como aquelas que sofri, mau grado tanto tempo andado e tanta coisa acontecida.

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Noctívagos, insones & afins: A questão do livro (ou o livro em questão)

Carlos Loures

Não conheço anúncio mais antigo do que este. Diz assim:

Tu, que desejas levar contigo os meus livros para qualquer parte
e procuras tê-los como companhia de longa jornada,
compra aqueles em que o pergaminho fica apertado em pequenas tábuas.
Deixa as prateleiras para os grandes (livros), em mim segura com uma só mão.
Não deixes, porém, de saber onde estou à venda e não andes errante,
perdido pelo cidade toda; com a minha indicação estarás certo:
a seguir às portas da Paz e ao foro de Minerva.

Este spot publicitário foi escrito em finais do primeiro século da nossa era. Escreveu-o Marcial, um poeta latino, nascido na Península Ibérica, em Bilbilis, perto da actual Calatayud, Saragoça, (c. de 40-104). A sua obra principal são os «Epigramas», poesias curtas e satíricas, tais como esta, muitas vezes citada: «Se a Glória vem depois da morte, não tenho pressa de a alcançar».

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Maria de Lurdes Rodrigues em livro.




Luís Moreira
Quatro anos e sete meses, o mais extenso mandato nos últimos anos como ministra da Educação.Escolheu 24 medidas e o programa "Novas oportunidades" como as mais representativas. Destaca a introdução do Inglês no 1º ciclo; os cursos profissionais no ensino secundário para os alunos que abandonavam o ensino;e o programa "novas oportunidades" para os adultos com déficite de escolarização.

Reconhece que grande parte das medidas inovadoras foram lançadas na escola pública depois de terem sido implementadas na escola privada, como a escola a tempo inteiro no pré-escolar e no 1º ciclo e as aulas de substituição.

"A Escola Pública pode fazer a diferença " é um livro para o futuro, para mostrar que é possível fazer política obtendo resultados, não é um livro de memórias , mas de descrição de políticas".

terça-feira, 1 de junho de 2010

O livro na era digital

Carlos Loures


É com uma sensação de volúpia que pessoas pertencentes às gerações mais antigas, como a minha, folheiam o livro, aspiram o seu odor, apreciam a textura e a gramagem do papel. Mas, esta relação afectiva, é uma questão geracional. Daqui por uns anos estes dinossáurios terão desaparecido. E com eles morrerá também a nostalgia do livro impresso. As novas gerações estarão preparadas para acolher novos suportes de leitura. Só é preciso que eles existam. E nada do que existe substitui satisfatoriamente o livro impresso.

Neste conjunto de notas soltas, continuo a reflectir sobre as múltiplas questões que configuram a crise do livro. A ameaça do livro electrónico substituir o livro impresso é apenas uma dessas questões e, por certo, nem será a mais importante. Mas é dela que me estou a ocupar por estes dias.

Muitos anunciam a morte do livro como hoje o conhecemos e a inevitabilidade do triunfo do livro digital. Pudemos ler a opinião de Umberto Eco, segundo a qual o livro é uma daquelas invenções que, como a roda, como a colher, como o machado, nunca serão substituídas – são invenções consolidadas. Acho que tem razão. Em 1489, portanto há quase 521 anos, foi impresso em Chaves o Tratado de Confissom, o primeiro, ou um dos primeiros, incunábulos em português. Trata-se de um manual destinado aos membros do clero, aconselhando-os na missão de ministrar aos fiéis o sacramento da confissão e da penitência. Aborda questões ainda hoje, mais de cinco séculos decorridos, delicadas e polémicas – o adultério, a violação ou estupro, a pedofilia, o incesto, o aborto, a homossexualidade. Descoberto em 1965 pelo Professor José Vitorino de Pina Martins (1920), foi publicado em 1973 em edição diplomática, com um estudo introdutório do investigador.

domingo, 30 de maio de 2010

A questão do livro (ou o livro em questão)

Carlos Loures

Não conheço anúncio mais antigo do que este. Diz assim:

Tu, que desejas levar contigo os meus livros para qualquer parte
e procuras tê-los como companhia de longa jornada,
compra aqueles em que o pergaminho fica apertado em pequenas tábuas.
Deixa as prateleiras para os grandes (livros), em mim segura com uma só mão.
Não deixes, porém, de saber onde estou à venda e não andes errante,
perdido pelo cidade toda; com a minha indicação estarás certo:
a seguir às portas da Paz e ao foro de Minerva.

Este spot publicitário foi escrito em finais do primeiro século da nossa era. Escreveu-o Marcial, um poeta latino, nascido na Península Ibérica, em Bilbilis, perto da actual Calatayud, Saragoça, (c. de 40-104). A sua obra principal são os «Epigramas», poesias curtas e satíricas, tais como esta, muitas vezes citada: «Se a Glória vem depois da morte, não tenho pressa de a alcançar».

No anúncio, além de uma útil informação sobre a localização da livraria, note-se a alusão à portabilidade do livro por oposição aos pesados rolos, e à acessibilidade do texto, bem como à maior resistência do pergaminho relativamente ao tradicional papiro. Para termos uma ideia, uma versão completa da Eneida enchia doze rolos (arrumados numa caixa pesada e de grandes dimensões). O códice de que Marcial faz a propaganda permitia meter todo o texto num volume. Vantagens semelhantes às que hoje o kindle nos oferece relativamente ao livro impresso. Tal com hoje, perante a ameaça que o livro digital representa para a sobrevivência do livro impresso, as resistências eram muitas. Os bibliófilos da época troçavam daquelas folhas de pergaminho apertadas entre duas tábuas – pois era lá possível que aquela geringonça ridícula substituísse os rolos, herdados da Grécia, que, durante séculos, foram o suporte da palavra escrita?