Mostrar mensagens com a etiqueta crianças. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crianças. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Histórias escritas ou ditadas por crianças na época do Natal

O Pai Natal e a bruxa malvada

Ana Sofia (10 ano)

Era uma vez um Pai Natal que trazia um saco cheio de prendas para os meninos. Mas, de repente, houve uma prenda que caiu do saco, sem ele dar por isso.


Uma bruxa ia a passar e encontrou a prenda no chão. Em vez de ir entregá-la ao Pai Natal, ficou com ela para a pôr na sua árvore de Natal.


No dia de Natal houve um menino que ficou sem prenda e começou a chorar. O Pai Natal disse-lhe:


- Não chores, meu menino, que eu arranjo-te outra prenda igual à que era para ti !


Então o Pai Natal foi a casa da bruxa e perguntou-lhe: - Oh bruxa, tu viste alguma prenda perdida ?


A bruxa disse que não. O Pai Natal, que não sabia que ela estava a mentir, mandou os seus amigos anões fazerem uma prenda igual e levou-a ao menino que ficou todo contente.


Mas o Pai Natal voltou à casa da bruxa e viu a prenda que ela tinha roubado. E disse-lhe:


-Oh sua grandessíssima malvada, além de ladra és mentirosa !


E castigou-a ! Bateu-lhe com um pau no rabo e nunca mais lhe deu prendas .


Aldeia feliz

Fernando
(11 anos)


Era uma vez numa aldeia muito longe de Lisboa, lá para o Norte.


Era uma aldeia muito feliz. As pessoas eram amigas.
Chegou o Natal e todos fizeram uma grande festa. O Pai Natal deu presentes a todos.


Mas havia uma casa onde viviam dois meninos que eram irmãos e o Pai Natal não viu a casa deles. Eram muito pobres !...

Mas apareceu uma velhinha que teve pena deles e deu-lhes as prendas que o Pai Natal lhe tinha dado...

E a velhinha ficou a tomar conta deles como se fosse a “mãe”. Depois apareceu um anjo e disse:

- Fizeste bem, velhinha !

E aqueles meninos ficaram contentes porque tinham uma mãe.


POEMA RAP DE NATAL

O Natal está a chegar
E nós estamos a pensar
Como vamos começar...
Vamos pensar !...(R.)
Nos presentes que gostávamos de receber:
Carros, (R.B.)
Umas botas, (S.)
Pistolas de brincar, (D.)
Um perfume. (I.)
E o que vamos desejar: (T.)
Que as pessoas sejam felizes; (D.)
Que os pobres tenham um bom Natal e uma casa para viver;
Que as crianças que não têm mãe nem pai encontrem os seus pais;
Ou alguém para as ajudar a ter Natal; (P.)
Festa de anos
Amigos
Escola
Casa
Companhia... (R.)
Porque é que há guerras ? (D.)
Porque as pessoas são más e querem destruir.
Se calhar quando eram pequenas fizeram-lhes mal e agora, querem-se
Vingar !... (N.)
As guerras têm que acabar senão o mundo vai pelo ar !
Nós podemos brincar às guerras, mas é a fingir e sem aleijar ! (T.)
Acabem com a violência !
Deixem os animais em paz !
Queremos o mundo limpo,
Um mundo com saúde (S.)
Um mundo divertido,
Um mundo com amigos,
Com pessoas boas (I.)
Queremos um mundo com amor ! (Todos)

sábado, 4 de dezembro de 2010

A ilusão de sermos pais



Acrescentado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais, texto completo em:

http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia2.shtml#xoreal


http://www.youtube.com/results?search_query=Tchaikovsky%20Rococo%20Variations&search=Search&sa=X&oi=spell&resnum=0&spell=1

Soo Bae - Tchaikovsky Rococo Variations Part 1/2

1. Sermos pais.
Devo reconhecer que não sei se este deve ser o primeiro ponto da matéria a tratar, esta de se ser autor da vida biológica, emotiva e intelectual de uma nova geração. Preciso reconhecer que o conceito de paternidade, me tem sido impingido pela cultura na qual vivo, a romana ocidental. Bem como, gosto dizer que paternidade, a meu ver, inclui os dois géneros, como hoje em dia se define. Definição criada na luta dos finais do Século XX e estes anos do Século XXI, começada com a luta denominada Sufragista de finais do Século XIX. Épocas, todas elas, para definir uma igualdade entre seres humanos de genitais diferentes: falo e vagina, mamas que oferecem leite e amamentam, bem como mamas estéreis para criar. Talvez, ambas, para exibir de forma erótica e seduzir uma ou outra pessoa - do mesmo sexo ou de sexo diferente.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A ilusão de sermos pais -!, por Raúl Iturra

PRELECÇÃO E AGRADECIMENTOS

Introdução do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais. Livro completo em

http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia.shtml



http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner+Die+Walquirien&aq=f

Wagner - Die Walküre: "The Ride of the Valkyries" (Boulez)


Longe de mim imaginar que as crianças procuravam ou viviam uma intensa libido erótica entre os quatro meses de concepção e quatro anos, quatro anos e meio de idade, como define Wilfred Bion no seu texto de 1966, citado mais á frente. Ainda mais longe das minhas ideias e sentimentos, que esse ser fosse criança até essa idade, em que adquire a capacidade de desenvolver o entendimento do real: e começa a desenvolver esse entendimento. Orientado pelas ideias da cultura social, pensava que o bebé no ventre da mãe mexia por ser parte da sua fisiologia.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ainda a carta enviada aos líderes parlamentares pelo Professor Júlio Marques Mota

Na sequência da edição da Carta Aberta aos Líderes Parlamentares, o Professor Júlio Marques Mota partilha connosco a emoção sentida ao ler um folheto que corrobora totalmente o que dizia na referida carta (cuja leitura pode ser feita, clicando sobre a barra da direita).



Mão amiga mandou-me este email, com um documento que aqui segue em anexo . Abri o documento, olhei, li, e com ele com ele me comovi , da mesma forma que o farão todas as crianças sem recursos do nossos país, se todos nós seguirmos a sugestão no referido texto inserida. Disso, eu sou a prova declarada e provada, ontem, hoje e, bem espero, ainda por muitas outras manhãs . Prova aos nossos deputados gritada e formalizada, mas pela maioria deles ignorada, o que é bem uma outra lição a aprender e também a não esquecer.

De livros se fala no protesto enviado por mim aos deputados, de livros se fala no documento em anexo e nele se propõe: “dê um final feliz à história de muitas crianças”. Uma sugestão que outros seguiram noutros tempos e de eu sou um pouco um exemplo, uma sugestão que agora a crise leva cada vez mais a declarar como urgente. Com livros dados e não emprestados, com livros não reclamados, com livros pela leitura por cada criança conquistados, ajudemos as crianças do nosso país a aprender a pensar que um outro mundo feito por eles e talvez ainda com a nossa ajuda, se não nos deixarmos imobilizar, é pois ainda possível.

De uma história, a minha, ou de um protesto não calado, o meu, até outras histórias que por eles, crianças, hão-de ser faladas e recontadas, é de livros que aqui se fala, de livros que se deram, de livros que hão-de continuar a dar.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –24 por Raúl Iturra.



(Continuação)

Hoje em dia faço o possível e o impossível para defender que o complexo de Édipo devia ser virado do avesso: são os pais que precisam dos descendentes, especialmente quando a vida começa a ficar à beira do fim, na mais espantosa das solidões. Ou estamos no cume sem borrascas, como diria Emily Brontë, ou com borrascas por ficarmos sós e pensarmos ter feito tudo correcto na vida. Mas, Margaret Mitchell afirma, desde 1936, que o que não fica por escrito o vento leva. Eu não queria que o vento da vida levasse as minhas memórias, especialmente as mais queridas para mim, as da minha descendência.

domingo, 31 de outubro de 2010

Encher a barriga à sexta-feira

Augusta Clara de Matos

Há coisas que, mau grado as boas intenções que pressupõem, me arrepiam.

Estava a assistir ao programa “Plano Inclinado” da SIC Notícias sem dar grande atenção ao discurso, praticamente só com um ouvido, quando, de súbito, o que se dizia me feriu o tímpano que estava virado para aquele lado.

O Provedor da Santa Casa da Misericórdia dizia que, às sextas e às segundas feiras, as crianças abrangidas pelos serviços desta instituição tinham uma alimentação reforçada devido ao intervalo de tempo que medeia a sua permanência ali. Percebe-se o que isto quer dizer: mais e mais famílias estão a cair na pobreza e, consequentemente, as deficiências alimentares aumentam gravemente e atingem o desenvolvimento físico e intelectual das crianças.

Mas, perdoem-me a crueza da imagem, esta coisa de encher a barriga dos meninos à segunda e à sexta feiras, de modo a suprir as faltas dos outros dias da semana, só me lembrou perus a serem engordados à força para a o jantar da consoada.

As boas intenções não me conseguiram libertar duma sensação de violência extrema. Então, alimentar uma criança de forma adequada, fornecendo-lhe os nutrientes de que necessita diariamente, passa por lhe encher a barriga o mais possível para ir digerindo aos poucos o que comeu, durante o fim-de-semana inteiro? Se é assim à sexta-feira, o que será à segunda, cuja ração se destina a durar setenta e duas horas?

É que o tal senhor provedor, quando interrogado sobre o processo utilizado, sorriu e afirmou que não sabia bem, mas calculava que lhes enchessem mais o prato.

Será possível que as pessoas não pensem no que estão a dizer? Eu ouvi bem: não se tratava de fornecer alimentos à família para as refeições do fim-de-semana, tratava-se de encher mais o prato num dia só.

Ia caindo das nuvens. Irá a crise não só aumentar o número de pessoas a passar fome como transformar as crianças portuguesas em ruminantes?

sábado, 25 de setembro de 2010

To my grand children: a letter form opa daddy or grand-pa

Raúl Iturra


My Dearest Tomas, Maira Rose, Ben and May Malen.

You are so many, and every year another one turns up. Your parents are like rabbits! I don’t know if you understand what I mean by rabbits. Your parents will tell you more. But, this I can say: when I was a boy like Tomas, our parents bought a male and females rabbit, for us. We were so happy! We even baptized them naming the female rabbit Panchita and the male, Lautaro. The ceremony was performed in a family reunion. Ours parents wanted to laugh; however, when they realized that it was a very formal ritual, they respected us and behaved properly, being serious and proper. As I was the eldest son, I performed the role of being a priest, with a disguise made with carpets and veils taken away from my sisters. Two months later, they disappeared and, as we were very little children, looked around in all the yards that we had in our house of Santiago and even in the kitchen-garden that our Nanny used to cultivate for us to eat and, as she used to say: we have to save cash for Don Raúl, -our Father´s name an engineer- does not have to work that much. In fact, our father was always away, we were so many people in the house; our Mother did not work, despite having a degree in Mathematics and another one in Literature, that she had acquired at the Vatican Catholic University of Valparaíso, where she met our father, they fell for each other and, after graduation, they married, and had children: all of us…At the time, Ladies did not work; despite your great grandmother wanted to work to contribute with the expenses of our household. Our Father used to say: I am the master of the house; I do not want people to believe that we are poor, as we are not, because you work. Sometimes the money was scarce, but your great grandfather knew very well what to do. We used to have a farm of 80 acres in the South of the Country, which was run by her mother, the source of all problems that have to be committed.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A miséria moral dos paizinhos...


Na noite de terça para quarta assisti a algo de indescritível num dos canais da Sportv. Uma reportagem de um combate de kickboxing entre crianças, com idades bastante baixas, de certeza entre quatro e seis anos. O "combate" disputou-se no Casino Solverde, penso que em Espinho, e o que vi foi verdadeiramente lamentável. As duas crianças davam murros e pontapés e uma delas, a mais pequena, olhava permanentemente para fora das cordas tentando encontrar, concerteza, o pai. Bem triste. As imagens não dignificaram nem o desporto nem todos os que colaboraram naquele triste espectáculo.

Essa tristeza, aí em cima , que fui buscar ao" Todos Somos Portugal" do Carlos Godinho, é o resultado de os paizinhos quererem à força que os filhos lhes preencham as frustações que lhes ficaram de, eles próprios, não terem tido a coragem de andar ao murro e ao pontapé .É ver os miúdos a correr para os treinos de captação de talentos dos grandes clubes; ver os miúdos e miúdas em filas de espera à porta dos "castings" para novelas e filmes; para modelos, enfim, para tudo que dê dinheiro sem trabalho,sem estudar, para preencher o ego e a vaidade aos paizinhos.

Em muitas reuniões de pais eu ficava chocado com o que os pais diziam sobre o que queriam para os filhos, nenhum falava em alegria de viver, ser feliz, deixar os miúdos serem miúdos, todos queriam que o filho fosse o próximo Einstein...

Nestas condições, sonhos perdidos, amargura quanto baste, acabam na violência, no abandono escolar e na droga.

Há bem pouco tempo lemos na imprensa o desejo de uma jovem de catorze anos, com o apoio incondicional dos pais, querer dar a volta ao mundo num veleiro, sozinha, meteu tribunais e tudo o que é comunicação social, tudo o que contribua para que, no fim da aventura, se tudo correr bem, o livro que se vai escrever venda muito e bem, que os convites para os shows televisos sejam pagos milionariamente e que ,os paizinhos fiquem muito orgulhosos de terem posto a vida da filha em perigo com a sua estupidez e a bolsa cheia ...


terça-feira, 21 de setembro de 2010

A criança, a sua mente cultural e os seus sentimentos


Raúl Iturra


Tenho investigado, escrito e falado, sobre educação. Falemos então de educação, falemos das crenças da mente que deve ser educada. Conhecido é que o autor do presente texto não tem sentimentos de fé. Conhecido é, também, que foi educado dentro das ideias ocidentais que, por acaso histórico, são cristãs. Ideias que são partilhadas, não apenas pelos cristãos romanos, arménios, ortodoxos gregos ou russos, libaneses, maronitas islâmicos ou de outros países orientais, em paz e convívio com os muçulmanos, essa grande maioria com quem o Ocidente comunga a mesma Bíblia. Bíblia designada pelos Muçulmanos El – al – Corão, texto ditado, por desconhecimento da escrita, pelo Patriarca Maomé a sua filha Fátima. Entre os cristãos romanos, anglicanos e presbiterianos, a Bíblia usada foi sendo escrita pelos reis da Palestiniana, por mulheres corajosas que lutaram pela sua liberdade, como Judite, e por sacerdotes ou reis que sabiam da História Palestiniana e ditaram as suas leis.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Crianças Gordas? - Etiópia, já!




Luis Moreira


Querem tirar as crianças gordas aos pais. Boa! Nem eu me lembrava de tal genialidade. E os magros, muito magros, e os filhos dos alcoólicos, e os filhos dos desempregados e os filhos de casais onde existe violência doméstica, e os filhos de pais solteiros, e de pais fumadores? Tudo para a Casa Pia! Sim, porque se os tiram aos pais para algum lado irão, digo eu, que ainda não estou em mim após esta ideia genial de tirar os filhos aos pais.

E educar os pais, ensinando-os a não beber? e ensinar os pais que se pode comer bem e muito mais barato que nos Mcmalcheirosos? e deixar o fumo à porta? e travar essa batalha urgente da violência doméstica? e proibir de mostrar na televisão os bébés gordos e anafados muito felizes a comerem papa e sumos cheios de açucar? e retirar as crianças de frente da televisão onde passam horas? e contratar nutricionistas para seguirem as crianças gordas? e mandar para o raio que os parta esta gente que não tem mais nada que fazer do que "armar ao preocupado" com a criancinha?

Tirar as crianças aos pais quando os pais não têm dinheiro para comprar os livros da escola, ou as crianças que vão para a escola sem tomarem o pequeno almoço, ou só comeram "sopas de cavalo cansado" ou desmaiarem por chegarem ao almoço e ainda não terem comido uma só refeição...

Mas a publicidade enganosa com crianças felizes a empanturrarem-se de hidratos de carbono, de açucar, mil vezes repetida, aí não, aí não se tira nada às televisões, aí estamos no negócio, coisa intocável e sem culpa nenhuma...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Se eu não me sentisse confuso de como fui feito

Raúl Iturra


...o que um filho diria a um pai que se importa com ele, toma conta e é feliz…por ter um pai por perto….e não compra o filho e vai-se embora….ensaio de etnopsicologia da infância…


À minha descendência

Feito

Porque de certeza não foi o espírito que me criou. Faz já dez anos. Não foi o espírito que entrou no corpo da minha mãe e depositou aí o meu corpo. Diz a minha mãe que foi ela quem me trouxe ao mundo. Que me pôs neste mundo. Que me deu à luz. Que entregou o meu corpo à família e ao pai. E aos vizinhos. Que me viram no dia do baptismo. Diz a mãe que me levou-me no seu ventre durante cumprido tempo. Diz a mãe. A mãe sempre diz todo o que ela sofreu comigo dentro. Diz que sofreu por ter que acordar à noite para me amamentar. Diz a mãe que teve de mudar as minhas fraldas milhares de vezes quando era pequeno e não sabia usar penico. Diz a mãe.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Criança– uma obra em aberto

Uma hora com…. José Saramago


Clara Castilho
Só estive com José Saramago uma vez. Estava preparando o II Encontro do Centro Doutor João dos Santos – a que chamámos “Transições - da 1ª infância à adolescência”e se realizou em Junho de 2000 - e quisemos terminar um dos dias de uma forma mais informal, trazendo alguém, só para “conversar”, naquilo a que demos o nome de “Uma hora com…” (ideia que pegou e hoje vejo em muitos congressos e encontros). E alguém pensou no José Saramago. Não me lembro bem porquê. E lá lhe mandei um email… Ele acedeu a vir, acabei por não perceber a razão. Terá conhecido João dos Santos? Eventualmente. Só quis saber onde e a que horas o queríamos. E lá chegou a horas, sentou-se com aquele ar sério, conversou e foi-se embora. A verdade é que a sala estava cheia, num fim de tarde, bem tarde… A conversa está publicada nas Actas desse Encontro. Dela transcrevo:

…”A verdade é que eu não me preocupo assim tanto com as crianças, por muito chocante que isso possa parecer. Aquilo que me preocupa é o ser humano… A criança é um momento da vida do ser humano. O pinto é um momento da vida da galinha ou do galo, o cachorro é um momento da vida do cão, somos momentos. E além disso, quando é que a criança começa? ….Mas a pessoa é uma só, a criança interessa-me na sua relação com o lugar onde está, com as pessoas com quem vive, de quem é beneficiária, ou de quem é vítima. Essa tendência que passou da criança-mártir à criança-rei, isso é um lugar comum, mas que no fundo corresponde a esta realidade. …. De que crianças estamos a falar? Das desprotegidas…? Há uma altura em que nós não podemos resolver o problema das pessoas, individualmente consideradas, se não dermos uma volta à sociedade em que estamos a viver…. E isto tem uma relação íntima com aquilo que eu disse, quando digo que a criança que eu fui é tão minha hoje, como eu não era dela então, porque eu ainda não tinha crescido. Mas eu conservo essa criança…..”

Quando fui visitar a exposição sobre ele, no Palácio da Ajuda, em Abril de 2008, vi lá um filme, feito a partir de um livro infantil. Mais tarde começou a correr entre emails. Pode ser encontrado no youtube – “a flor mais grande do mundo José Saramago”. Uma outra forma de o recordarmos.


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Criança - uma obra em aberto

Clara Castilho

Só remediamos? Não prevenimos?

A propósito da realização do Fórum Europeu da Saúde 2010, da Fundação C. Gulbenkian, dedicado à saúde mental (28.Abril – “Prevalência e impacto dos problemas de saúde mental na sociedade actual; 19 de Maio – “Saúde Mental: novas respostas”; 14 Outubro – “Saúde Mental: desafios para o futuro”) ocorrem-me algumas reflexões:

Temos visto que se fala, sobretudo, de “sintomas”, que somados dão quadros psicopatológicos, contra os quais é preciso intervir – quer medicamentosamente, quer com consultas psicoterapêuticas, quer a nível de cuidados de saúde primários, quer a nível hospitalar.

O conceito de “prevenção” quase não aparece.

Quanto a este assunto, lembro as intervenções de João dos Santos, quer na sua prática, quer nas suas publicações.

Quando, em 1965 foi criado o Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa, de que foi Director, este Centro visava “não só o tratamento, como a prevenção, considerada como um dos aspectos fundamentais em saúde mental infantil, conforme os princípios da O. M.S.” (Vidigal,1999). Em 1968, criticava o espírito que consistia em esperar pela idade escolar para adaptar as crianças inadaptadas, não à vida, mas à escola, aquela que as pessoas crescidas inventaram e defendem como sendo infinitamente a melhor para a criança: os próprios serviços de saúde mental procuravam, sobretudo, adaptar a criança à escola. E talvez não só nessa altura…

No PLANO NACIONAL DE SAUDE MENTAL (www.acs.min-saude.pt/2008/09/02/pnsm-re?r=1218) reconhece-se que os recursos atribuídos à saúde mental são indiscutivelmente baixos, se atendermos ao impacto real das doenças mentais para a carga global das doenças.

A prática do dia a dia aponta-nos isto mesmo, com a incapacidade de resposta efectiva por parte dos serviços de saúde mental infantil.

Tenho estado presente, nos últimos anos, nas sessões do Dia Mundial da Saúde Mental. São os doentes psiquiátricos que entopem os hospitais e para os quais são precisas outras alternativas, são os problemas da toxicodependência, etc. De intervenções junto de crianças pouco se ouve falar…

Ora…“A Prevenção em saúde mental tem de fazer-se, básica e prioritariamente, nos primeiros meses após o nascimento, nos primeiros meses após o ingresso na escola primária e nos primeiros anos da escola secundária. Em todos os casos, o que interessa fundamentalmente é o problema da relação da criança com o meio, através das personagens educativas: a mãe, o pai, a educadora, o professor.” ( João dos Santos 1982). Para que não aconteça aquilo para o que Teresa Ferreira (2002) nos alertou: “...Mais tarde remediamos porque não prevenimos na altura própria. As consequências são pois profundamente destrutivas em termos de desenvolvimento da personalidade”.


Pois é. Mas intervir a este nível implica não ser obrigado a contabilizar consultas, nem o tempo que cada uma leva, implica pôr equipas multidisciplinares a trabalhar em conjunto, implica auscultar a comunidade e os utentes, implica ir à procura do risco para intervir precocemente…

Continuemos sonhando.

domingo, 30 de maio de 2010

Menino do Bairro Negro, de José Afonso



Sublinhando as palavras do Luís Moreira, apresentamos uma interpretação de Menino do Bairro Negro, de José Afonso, interpretado pelo coro misto Ançãble, de Cabeceiras de Basto, num arranjo de Joaquim dos Santos. Zeca Afonso compôs esta canção inspirando-se na vida dos meninos de um bairro degradado – o Barredo, no Porto. Fruto do começo da Guerra Colonial e da emigração forçada, as maiores cidades do País iam vendo crescer nas suas periferias bairros de lata. Esta composição, tão bem interpretada por este coro, molestou particularmente as consciências. A intenção do Zeca não seria outra.