Mostrar mensagens com a etiqueta nacional-socialismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nacional-socialismo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Teatro do absurdo - algumas reflexões - (I)

Paulo Rato

Só num outro artigo me será possível "comentar" o artigo do Carlos Loures e os comentários que suscitou.
Começarei, no entanto, pelo lamento da Augusta Clara sobre os poucos participantes em certos debates.
Creio que a estrutura dos blogues dificulta, ela própria, estes debates: cada "página" é tão depressa "ocupada" que, em poucas horas de uso blogueiro, atingimos o recado fatal: "mensagens antigas". Ora, quantas vezes não chego, sequer, a saber se um comentário meu teve continuidade, porque me impaciento com o tempo improdutivo que já gastei, após navegar por uma, duas, ou mais dezenas de páginas, sem encontrar vestígios do artigo comentado?

Apesar de não ser tão participante como gostaria, estou certo de que diversos comentários que já coloquei no blogue, contendo ideias, argumentos, raciocínios que (valessem o valessem) seriam adequados, por exemplo, a "este" debate, não foram lidos, por terem chegado "fora de prazo", pela maior parte, senão por todos os meus companheiros de bloguice.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (29), por José Brandão

O Movimento Operário em Portugal


Desde 1834-1933

Vários

Lisboa, 1977

A fraqueza ou a força de qualquer formação social, medem-se historicamente, não só pelo seu triunfo definitivo (com a internacionalização do capital cada vez menos dependente de conjunturas nacionais ou regionais) mas ainda pela sua capacidade em granjear conquistas que, exercitando o seu poder, a preparam para estádios de luta mais avançados; no entanto, esta capacidade de atingir objectivos parcelares em ordem a objectivos finais e definitivos só poderá vir a ser analisada e historicamente compreendida se, para lá da análise das estruturas económico-políticas que envolvem a acção de uma determinado formação social, nós soubermos determinar e explicar os problemas, as soluções, os avanços e os compromissos, numa palavra todo o conjunto diverso de contradições reais que é necessário superar em cada dia.
_____________________
 
O Movimento Operário em Portugal


Vários

Análise Social, 1981



Promovido e organizado pelo Gabinete de investigações Sociais (GIS), teve lugar, nos dias 4 a 7 de Maio de 1981, em instalações da Biblioteca Nacional especialmente cedidas para o efeito, um seminário sobre O Movimento Operário em Portugal. Nesse seminário – que contou com a participação regular de perto de uma centena de pessoas, dentre investigadores de História e Ciências Sociais e outros estudiosos e técnicos interessados no tema – foram apresentadas e discutidas catorze comunicações distribuídas por quatro grandes rubricas: Lutas Operárias: 1849-1934, A Classe Operária e a Política, A Imprensa Operária e Os Operários na Indústria Moderna.

Neste número duplo de Análise Social, procede-se à publicação na íntegra dos textos que foram presentes ao seminário.

___________________
 

O Movimento Socialista em Portugal (1875-1934)

Maria Filomena Mónica

Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985

Em 1875, nascia em Portugal o Partido Socialista. Com altos e baixos, o movimento foi-se desenvolvendo até ao fim do século. Depois, estagnou. O Estado Novo acabaria por o ilegalizar durante quarenta anos. Nesta obra, patrocinada pelo IED, procura-se dar resposta às seguintes questões: Quem formava a elite e as bases do movimento socialista, quais as suas aspirações e interesses? Que relações existiram entre socialistas, republicanos e anarquistas? Em que áreas se desenvolveu? Qual a evolução da sua implantação partidária e eleitoral? Qual a relação entre o partido e os sindicatos? De que forma foi o movimento socialista afectado pelo republicanismo e pelo anarco-sindicalismo? Qual a razão das dificuldades crescentes com que se deparou? Eis alguns dos temas aqui tratados.
__________________

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Common Decency”

Fernando Pereira Marques

George Orwell


Em entrevista ao Le Monde, o sociólogo Alain Touraine - meu antigo professor -, falando da França, afirmava que se vive no tempo da “mini-política”, em que se baixa o nível dos debates para iludir as verdadeiras questões e se é incapaz de responder às profundas transformações dos dias de hoje.
Mutatis mutandis tais asserções são aplicáveis também entre nós. Quando se observa o funcionamento das instituições, dos partidos, do sistema político, fica-se preocupado com múltiplos sintomas de imaturidade e de fragilidade democráticas. Por exemplo, no estilo dos debates parlamentares, onde continua a predominar um tom demagógico, superficial, frequentemente roçando o exibicionismo histriónico, que já não se usa nas democracias consolidadas; ou, ainda, no carácter artificial que ganha a salutar conflitualidade entre partidos, entre oposição e maioria, com o recurso à mediatização da retórica enfatuada de porta-vozes ou ao sistemático elevar de voz entre líderes, em que se joga com as palavras, mas se secundarizam os conteúdos e se escamoteia a complexidade das situações. Para não falar da degradação aparelhística e clientelar dos partidos, em particular dos dois principais, ao nível do pior do rotativismo oitocentista.

Dicionário Bibliográfico das Origens do Pensamento Social em Portugal (10), por José Brandão

A Comuna de Paris e os Socialistas Portugueses


Vários

Brasília Editora, 1971

Os ecos da Comuna e a crescente importância do operariado e outros trabalhadores como força social e política, produziram no país um esforço organizativo enorme, ao mesmo tempo que as primitivas associações operárias ganhavam um novo conteúdo de luta; esse esforço haveria de produzir o florescimento de uma imprensa operária em número e qualidades apreciáveis, cuja inventariação está totalmente por realizar e a criação de numerosas associações operárias, algumas de índole federativa, cuja acção logo se fez sentir em 1872 durante as greves que se produziram em muitos pontos do país.

A Fraternidade Operária, animada por esse extraordinário e quase desconhecido José Fontana, tornou-se um poderoso instrumento de agitação, propaganda e organização e, no Congresso da Internacional em Haia, já o operariado português está representado por Paul Lafargue, genro de Marx.
_________________

Concepção Anarquista do Sindicalismo


Neno Vasco

Afrontamento, 1984

Este ensaio publicado em 1923 constitui «uma das poucas obras teóricas de fôlego produzida por anarquistas portugueses. Em seguida, no impacto directo ou nas consequências a mais longo prazo que a sua aparição possa ter tido no meio social português e em particular no movimento operário. Disso procuraremos dar conta nesta introdução, situando a obra e o autor no contexto do seu tempo.

A arquitectura do texto inclui as principais questões levantadas pelo sindicalismo, como movimento, e pelo anarquismo, como ideologia, bem como as relações entre ambos, e ainda alguns destes problemas colocados, não já nas condições da sociedade capitalista, mas no processo de transformação social acelerada que então se designava comumente por revolução social»

(João Freire, na Introdução)
_____________________

As Conferências do Casino e o Socialismo em Portugal

João Medina



Publicações Dom Quixote, 1984



Se optámos por um eixo mais largo e, em certa medida, mais englobante porque mais abstracto, é porque quase toda a acção destes moços converge para este «ismo» como palavra-síntese do seu ideário e do seu escopo prático, mais do que da ideia de República, demasiadamente conotada com fórmulas profanas ou regimes concretos. Republicanos são quase todos eles, os moços de 71, mas são sobretudo fiéis ao socialismo, e nesse preciso vector muitos se hão-de afirmar ou reafirmar, mesmo quando, como Fuschini, ingressarem no «establishment» da Realeza; ou seja, como o diria Antero num dos seus mais belos textos, publicado a propósito do atabalhoado advento da República em Espanha, em 1873, na revista lusa da I Internacional o Pensamento Social, já lá iam os tempos em que «bastava uma palavra brilhante para entusiasmar e fascinar o povo trabalhador…».
________________________

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um pintor chamado Adolfo

Carlos Loures


Um documento esquecido nos Arquivos Nacionais Franceses, datado de 1924, e recentemente encontrado, descreve Adolf Hitler – já nessa altura líder do Partido Nacional Socialista Operário Alemão - como um "demagogo bastante astuto" e como o equivalente germânico do ditador italiano Benito Mussolini. Contudo, não alerta para uma eventual influência de Hitler na realidade europeia dos anos seguintes. Ao que parece, ninguém parecia ter-ses apercebido do perigo que aquele demagogo, com bigode chaplinesco e com o penteado de risca ao lado, representava.

«Não é idiota, mas sim um demagogo bastante astuto", afirma a breve e amarelecida nota redigida por um espião francês, acompanhada por uma fotografia de Hitler vestido com fato e gravata. O agente apresenta Hitler como “o Mussolini alemão”, avisando que “comanda grupos paramilitares de orientação fascista”, embora não recomendasse a adopção de qualquer medida contra o homem que iria desencadear a Segunda Guerra Mundial e ordenar o Holocausto.