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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Teatro do absurdo - algumas reflexões - 2

Paulo Rato 
                                                                                                                                          
III – A Democracia não é redutível à existência de organizações partidárias, de uma instância de poder legislativo e fiscalizador legitimado pelo voto popular e de instituições representativas de diversos estratos da população, incluindo os sindicatos.
Daí a afirmar, tão peremptoriamente como o Carlos Loures, que "O sistema parlamentar é anacrónico e disfuncional, tal como o são os sindicatos e os partidos" vai uma enorme distância, intransponível sem aniquilar a própria Democracia.

Mesmo os momentos de ruptura histórica têm raízes no passado, inconfundíveis com epifanias. E os avanços científicos e tecnológicos, à excepção de algumas raríssimas e geniais "intuições" (cada vez menos prováveis, mas que, ainda assim, não brotaram de um vazio absoluto, antes da meditação sobre questões concretas) inscrevem-se num movimento contínuo, de tal modo que a constância do progresso científico é uma das poucas certezas que podemos ter, dentro dos limites do pensamento humano. Isto é, o estado da ciência, no tempo do desenvolvimento da informática, não existiria sem o prévio estado científico que permitiu a invenção e desenvolvimento da máquina a vapor (cujos "descendentes" ainda hoje têm aplicação). Foi a Alquimia, que muitos acreditarão ser uma espécie de feitiçaria – com que, de facto, por séculos se misturou -, que permitiu chegar à Química...
Democracia sem sindicatos e partidos, Carlos?! Como?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Teatro do absurdo - algumas reflexões - (I)

Paulo Rato

Só num outro artigo me será possível "comentar" o artigo do Carlos Loures e os comentários que suscitou.
Começarei, no entanto, pelo lamento da Augusta Clara sobre os poucos participantes em certos debates.
Creio que a estrutura dos blogues dificulta, ela própria, estes debates: cada "página" é tão depressa "ocupada" que, em poucas horas de uso blogueiro, atingimos o recado fatal: "mensagens antigas". Ora, quantas vezes não chego, sequer, a saber se um comentário meu teve continuidade, porque me impaciento com o tempo improdutivo que já gastei, após navegar por uma, duas, ou mais dezenas de páginas, sem encontrar vestígios do artigo comentado?

Apesar de não ser tão participante como gostaria, estou certo de que diversos comentários que já coloquei no blogue, contendo ideias, argumentos, raciocínios que (valessem o valessem) seriam adequados, por exemplo, a "este" debate, não foram lidos, por terem chegado "fora de prazo", pela maior parte, senão por todos os meus companheiros de bloguice.

domingo, 7 de novembro de 2010

Fotopoemas II - Há quem olhe o mar, de passagem.


Texto de Paulo Rato e
Fotografia de José Magalhães


Há quem olhe o mar, de passagem.


Olha. Vê?

A onda rebenta, uma entre o – quase – infinito número das que sucessivas incansáveis chegam.

Como estas, outonais, força suspensa em brandura alva.

Quase crianças as outras com que no Verão brincamos ainda quando o crepúsculo se avizinha, cálido.

Nunca a placidez deste passo quando a tempestade as agiganta e a dúvida se insinua. Onde chegará tal fúria, tal altura?

Mas há quem ofereça a face às ondas e franco lhe há-de ser o olhar.

Tenso o corpo, entre desejo e espera.

A roda que nos encara em toda a sua raiada circunferência constrói a indefinição – da pausa ou do impulso.

A roda está ali e fala-nos de um limite - físico, branco, turbulento. Nada nos diz de outros limites.

Ela, a que ao horizonte oferece a face, sim.

Está ali o Mar. De crepúsculo e Outono?

Seja.

E as duas raparigas que passeiam e passam, plácidas.

E a que pára, olha e vê, interroga, sonha.

Vê a beleza de cada onda, irrepetível. A luz do poente, irrepetível. O reflexo em cor dessa luz - na areia, no cabelo, na roupa – irrepetível.

Interroga a fugacidade do momento, o ritmo das ondas, a humidade da praia, as pegadas na areia – a presença e a razão das coisas.

Sonha a partida ou a passagem – o Além do Aqui.



Há quem olhe e veja, interrogue, sonhe.

Este crepúsculo, esta praia, este mar?

Todos os crepúsculos, praias, mares.

Tudo o que existe para que Ela olhe e veja, interrogue, sonhe.



Ela, aqui, é a essência da Humanidade.

sábado, 9 de outubro de 2010

A miséria e a injustiça

Adão Cruz


Tal como disse hoje Paulo Rato no seu texto, também eu nunca pude viver com a ideia de que a pobreza e a injustiça são coisas naturais.

Ainda com a presença na minha mente dos sujos e obscenos golpes da Venezuela e Honduras, bem ao estilo do imperialismo americano, e decorrendo de mais um miserável golpe na América Latina, no Equador, o meu pensamento voltou a escurecer e a enovelar-se num misto de raiva, revolta e indignação.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

De olhar atento à beleza

O meu nome é Paulo Rato e sou o mais recente colaborador do Estrolabio. Já vos fui apresentado, mas gostava de ser eu a falar do Paulo Rato. Aqui está:
Nasceu em Janeiro de 1947, céptico, racional e materialista.

De olhar atento à beleza, quotidianamente renovada, das nuvens no céu (mesmo se o cinzento predomina), das incontáveis tonalidades de folhas e ervas, flores e raízes, dos troncos e seus desenhos, nunca iguais; e também da obra dos homens que aprenderam a olhar, a ouvir, a decifrar na pele o passar do vento e o que traz consigo, e se lançam à árdua tarefa de inventar novos sentidos para o que os sentidos captam e, por diferentes vias, com várias ferramentas, recriar o voo do gavião ou, do cavalo (livre, não selvagem) a corrida e o salto e o seu rasto.

Crê que, em boa parte, se lhe aplicam estas palavras, com que Jorge de Sena se resume a si mesmo: "Inquieto e franco, altivo e carinhoso, / Será sempre sem pátria. (...)".

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Apresentando Paulo Rato


Nasceu em Lisboa, no ano de 1947. Seguiu o Curso de Engenharia, no Instituto Superior Técnico e na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.. Porém seria o universo radiofónico que o atrairia profissionalmente Na Emisora Nacional e na RDP, foi técnico, locutor, autor e documentalista.


Desde muito jovem , ainda estudante liceal, desenvolveu actividade política e cultural. Militante do Partido Comunista Português, foi, no pós-25 de Abril, activista e dirigente sindical. Segundo palavras suas, «Não se recorda de alguma vez ter aceitado como "naturais" a miséria e a injustiça.».

O Estrolabio dá as boas-vindas ao Paulo Rato. Vais dar-te bem por aqui, Paulo.