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domingo, 22 de agosto de 2010

Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine

Capítulo LXXXVI

Vigésima primeira etapa: de Valença ao Porrinho (continuação III)



Após a área de descanso de Orbenlle, chegamos à zona industrial. O meu roteiro, que só conta a linha recta, indica uma travessia de três quilómetros, mas outros guias assinalam seis – a mim pareceram-me dez. Vai até ao Porrinho: fábricas e camiões. Caminhamos à direita, numa orla que não é passeio, embora se situe acima da estrada; a frequência das passagens desenhou um carreiro por entre as ervas. Com se não bastasse, começou a chover com força e o vento, mais o deslocamento de ar causado pelos camiões, tornam a caminhada difícil, para além de desagradável. Há o barulho dos camiões que, não raro, apitam, quando nos vêem; para nos ouvirmos, temos que gritar. Há o ar poluído. Há o risco que a proximidade de tantos camiões sempre implica. Passamos por fim, numa ponte metálica, por cima da linha dos comboios, caminhamos por debaixo de um viaduto...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine

Capítulo LXXXIV

Vigésima primeira etapa: de Valença ao Porrinho (continuação)


A partir de Tui contamos com mais esta facilidade: o caminho é assinalado através de marcos quilométricos que indicam a distância até Santiago de Compostela.

Entramos na cidade, chegamos à catedral. Vemo-nos perante uma estrutura compacta, pormenorizamos a fachada e o portal românico, depois poisamos as bagagens, visitamos o museu, com as demoras que merece, observamos o interior da catedral, subimos ao terraço, espreitamos do miradouro... Avistamos algumas casas em ruínas: sintoma funesto. Na catedral encantam-nos as representações do céu, do inferno, do purgatório e dos limbos... Uma imagem de Santiago lutando com os sarracenos recorda-me: é o santo da reconquista.

Até à crise de 1383-1385, os portugueses invocavam Santiago, porém a partir daí, sobretudo nas lutas com Castela, passaram a invocar S. Jorge: Santiago era o protector dos inimigos. Terá isto contribuído para o esquecimento da peregrinação jacobeia, juntando-se aos factores que, por toda a Europa, causaram tal declínio? Nos textos lidos, a partir do século XVI, encontro com mais frequência a palavra romeiro do que a palavra jacobeu. Romeiro ganhou, a pouco e pouco, o sentido de peregrino, provando ser a peregrinação a Roma mais frequente do que a Santiago.