Do Portal Galego da Língua, transcrevemos, com a devida vénia, este excelente texto de
Alexandre Banhos Campo:
O título semelha um pouco forte, pois parece dizer-se que, quem não se afirmar reintegracionista, é parvo, e isso não é assim, e, além disso, refere-se ao momento mais ou menos contemporâneo que vivemos nos nossos dias.
Quando os nossos devanceiros galeguistas do século XIX, os recuperadores da nossa língua como algo que começava a deixar de ser "socializadamente" simples língua ágrafa, se põem a fazer obra, não se podia aguardar deles outra cousa senão usarem o modelo castelhano, como escreve algures Fernando V. Corredoira “Em meados do século XIX renasce para a literatura uma língua socialmente estigmatizada, funcionalmente minorada, banida das instituições oficiais e hostilizada pelo Estado. Popular e realmente falada, a língua galega começará a ser posta ao serviço dum movimento cultural e político que irá perfilando uma vocação que (com cautela, porém) poderíamos chamar nacional...Como previsível, o recurso ao modelo ortográfico castelhano foi inevitável. O ágrafo galego passou a escrever-se conforme a feição gráfica da língua oficial e única língua verdadeira — tal como ortografada desde finais do século XVIII. Este modelo tinha no mínimo duas vantagens invencíveis: era tecnicamente prestadio e era o único conhecido, o único aliás que podia conhecer-se”.
Que no século XVIII o Padre Sarmiento escrevesse: “la lengua portuguesa pura no es otra que la extensión de la gallega” (“Sobre el origen de la lengua gallega”, 1755, em Opúsculos Lingüísticos Gallegos del s. XVIII, J.L. Pensado, Editorial Galaxia, 1974, pág. 30), ou que o seu colega de ordem e sabedoria o Padre Feijó afirmasse: “el idioma Lusitano, y el Gallego son uno mismo” (Theatro Critico Universal, tomo I, discurso 14, 1726), isso nada mudara pois não fazia parte do conhecimento “socializado”.