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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sempre Galiza! – Benedicto Garcia e José Afonso, a mesma canção

coordenação de Pedro Godinho

Benedicto Garcia, um dos grandes nomes da música galega, além de amigo foi um dos companheiros musicais do Zeca.
Como ele próprio contou, depois de ouvir músicas do Zeca, em Abril de 1972 e obtida que fora a morada junto da editora, o Benedicto e amigos viajaram para Portugal e foi bater à porta da casa do Zeca, em Setúbal. Desconfiado pela vigilância a que a PIDE o submetia, o Zeca começou por bombardear de perguntas os quatro galegos surgidos do nada. Iniciou-se ali uma longa amizade e companheirismo musical e de solidariedade política internacional.
José Afonso tocou repetidamente por terras galegas e foi acompanhado por músicos galegos – não apenas na Galiza – em muitas actuações e gravações. O mesmo José Afonso que declarou que a Galiza era para ele também uma espécie de pátria espiritual.
Fruto da convivência de ambos, e das confluências galego-portuguesas, foi a coincidência de terem, cada um do seu lado, composto uma versão inspirada pela mesma canção raiana que tinham conhecido em férias conjuntas: "Nossa Señora da Guia" (no álbum de Benedicto, Pola Unión) e "Chula da Póvoa" (no álbum de José Afonso, Com as minhas tamanquinhas).

 

Aqui fica a história tal como contada pelo Benedicto:
«No verão do 73 fomos á Illa da Fuzeta para estrear umas tendas de campismo que compráramos em "Trigano" numa viagem a França e Bélgica, á que viera o Zeca e o meu camarada Bibiano.
A estrea foi por tudo o alto e a ela asistiron o Zeca e a Zèlia, os miúdos, Pedro e Joana e nós, Maite e eu. A do Zeca, familiar, com vários quartos, já se adivinhava de lonje que não ía ser morada do seu dono que na altura andava lixado coa súa perenne insomnia. Nós, os galegos, ficamos naquela tenda máis pequena que para dois era de máis. Aliás, e único que había a fazer naquela illa despovoada (a penas ían pessoas e non había nem "vaporetto" nem nada parecido e assim as viajems ao "continente" eram a "brazo", a vogar co remo) era poñer o coiro, tudo o coiro, ao sol, para escándalo, é verdade, de algúms. Si había dúas casotas de tijolos e um "barsinho" com petiscos ao que se integrava o Zeca e família cada día para tomar aquela marabilla de sardinhas grelhadas. Não tenho a certeza de se são as melhores as de além ou as de Rianxo, na ría de Arousa, ou as de Safi, no atlántico marroquino, onde as tomamos no ano 2000 numa viajem que fizemos coa Zèlia e onde há muitos portugueses a travalhar, entre eles um tío da Zèlia que era a quem íamos em particular a visitar naquele porto tão cheio de color e alegría. Isto deve ser aplicável a casi tudos os portos, hajo eu, de jeito que não estou a descuvrir nada novo, pero dado que pasávamos pelo sabor das sardinhas...
No día a seguir á "inauguração" do campamento (as tendas eram as sôzinhas que lá havía) chegou pelo lugar o Zé Manel, o filho máis velho do Zeca que andava, também, de férias. Vinha do Norte e trazía um pressente muito especial: além, diante dos dois (e imagino que havería algúms máis) tirou de viola e empezou a cantar uma canção "raiana", que segundo as súas fontes, era cantada nas celebrações nas dúas beiras do Minho, no norte galego e no sul portugués. A canção, simples de composição, tinha tres quadras:
Nosa Senhora da Guía
Guía aos homens do mare
Venha ver a barca vela
Que se vai deitar no mare
Nosa Senhora vai dentro
Os anjinhos a remare
A partir desse momento a canção, tal e como estava, foi incluída por nós nos espectáculos que sempre realizávamos acompanhándonos mutuamente para, com máis ou menos fortuna, sumar dúas violas e, sobre de tudo, dúas vozes, pois os dois éramos moito dados a fazer dúos. Sempre era eu quem aprendía alguma nova forma de impostar, de flexionar a voz, de construir as segundas vozes á "alentejana" ou como fosse. É a vantagem de compartir com um génio: um sempre receve muito, muito, muito...
A partir do 25 de avril, não voltamos a ter esta espécie de parelha (o seu lugar sería ocupado pelo Bibiano ata o 78). Aínda que sempre mantivemos, até o fim dos seus días, a mesma cordialidade, o "guião" que tinhamos que interpretar foi outro bem diferente. Em tanto que, em Portugal, as liberdades inundavan as rúas e o Zeca tinha que dedicarse a canalizar tuda aquela energía desbordante que o mantinha em constante "bebedeira" intelectual, artística, política e humana, em Espanha aínda tardaríam em chegar: em fevereiro do 77 aínda eram prohibidos espectáculos.
No mes de maio desse ano gravei o meu primeiro L.P.: "Pola Unión" e nele havía uma canção intitulada "Nosa Señora da Guía":
Nosa Senhora da Guía
Guía ós homes do mare
Veña ver a barca vela
Que se vai deitar no mare
Nosa Señora vai dentro
E os anxiños a remare
En Ourense as gueivotas
Non saben o que é voare
Os mariñeiros traballan
No mare da liberdade
Outros pesqueiros reventan
Prós señores engordare
Hai un caravel vermello
No fusil do militare
Quen non viu cantar un vello
Non sabe o que é cantare
Coa emoção própria do neófito (e eu éra-o pois a penas gravara um e.p. de 4 canções no 68 em Barcelona) dinlhe ao Zeca o disco e ele fez o próprio e trocou-o por um dele. Neste dico estava "Chula da Póvoa" a súa versão, máis portuguesa, com uma irmá no meu disco, máis galega.
Á "Nosa Señora da Guía" aconteceu-lhe o melhor que lhe pode acontecer a uma canção: sem saver a súa origem, sem saver sequera quem a gravou, algúms, moços e não tão moços cántana pelas rúas.»


Fica também a letra, ajustada ao momento, que o Zeca associou à música:
Chula da Póvoa (José Afonso, 1976)
Em Janeiro bebo o vinho
Em Fevereiro como o pão
Nem que chovam picaretas
Hás-de cair, Rei-Milhão
Adeus, cidade do Porto
Adeus muros de Custóias
Cantando à chuva e ao vento
Andei a enganar as horas
Tenho mais de mil amigos
Aqui não me sinto só
Cantarei ao desafio
Ninguém tenha de mim dó
Ó meu Portugal formoso
Berço de latifundiários
Onde um primeiro ministro
Já manda a merda os operários
Já hoje muito maroto
Se diz revolucionário
E faz da bolsa do povo
Cofre-forte do bancário
Camaradas lá do Norte
Venham ao Sul passear
Cá nas nossas cooperativas
Há sempre mais um lugar

Interessante ainda ouvir a versão que mistura instrumentos dos gaiteiros Treixadura e vozes dos gaiteiros de Lisboa:






Ligações:
Associação José Afonso: 
Blogue de Benedicto Garcia Villar: 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 9

coordenação de Pedro Godinho

No último vídeo da homenagem ao Zeca, em Pontevedra em Abril de 2007, temos o Sérgio Godinho, com No lago do Breu, seguindo-se o fecho com todos os intervenientes a cantar, claro, a Grândola Vila Morena.
Sempre Zeca, obrigado.



sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 8

coordenação de Pedro Godinho

Do seu último disco (1973) anterior ao 25 de Abril de 1974, o primeiro que mão amiga me fez ouvir (tocou-me de tal forma que logo procurei ouvir todos os outros) e me fez sentir o espírito da resistência à ditadura, a canção que deu título ao LP, Venham mais cinco cantada por Tito Paris, Vitorino, Janita Salomé, Júlio Pereira e Luis Pastor. Do mesmo álbum, Janita Salomé interpreta Era um redondo vocábulo.



terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 7

coordenação de Pedro Godinho

Não podia faltar no concerto de homenagem ao Zeca, em Pontevedra em Abril de 2007, a participação do conhecido músico e cantor galego (Voces Ceibes) Miro Casabella, com A morte saiu à rua, uma das mais emblemáticas canções do Zeca. Para ouvir também, com igual agrado, o cabo-verdiano Tito Paris, Nha Pretinha.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 6

coordenação de Pedro Godinho

O concerto de homenagem ao Zeca em Pontevedra em Abril de 2007 foi em cheio. O vídeo para hoje tem a interpretação de Dulce Pontes da Canção de embalar.



terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 5

coordenação de Pedro Godinho

Ainda do concerto de homenagem ao Zeca, em Pontevedra em Abril de 2007, ouçam

João Afonso: Utopia; 


João Afonso, Uxia Senlle e Júlio Pereira: Entre Sodoma e Gomorra


e o belo solo de 
Uxia: Verdes são os campos.





sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 4

coordenação de Pedro Godinho

Ainda da homenagem ao Zeca, em Pontevedra em Abril de 2007, podemos ouvir as gaitas, bombo, tambor e vozes do orfeu galego Treixadura, em Nossa Senhora da Guia (Chula da Póvoa) seguidos de Victor Coyote, em Viva o Poder Popular.



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 3

coordenação de Pedro Godinho

Continuando a reprodução dos vídeos do concerto de homenagem ao Zeca, em Pontevedra em Abril de 2007, hoje trazemos as galegas do grupo Faltriqueira, com As Sete Mulheres do Minho e Xico de Carinho e Manecas Costa, com Lá Vai Jeremias.





sábado, 11 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (33), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (33)
  por Carlos Durão

(continuação)

Alguns textos literários reintegracionistas

"Contemporâneos":

Iolanda Aldrei, A palavra no ar, Cadernos do Povo/Poesia, Ponte Vedra-Braga, 1990
Artur Alonso Novelhe, Umha meixela depois a outra, AGAL, 2005
Júlio Béjar et alii, Fogo cruzado, AGAL, 1989
Kike Benlloch, Longe, tão perto, AGAL, 2004
Ângelo Brea, Livro do caminho, Cadernos do Povo/Poesia, Ponte Vedra-Braga, 1989
- id., O país dos nevoeiros, Eds. Espiral Maior, Corunha, 2005
Amado L. Caeiro, Baralha de sonhos, Cadernos do Povo/Poesia, 1985
Carvalho Calero, Cantigas de amigo e outros poemas, AGAL, 1986
- id., Scórpio, 1987, Prémio da crítica espanhola
J.A. Corral Iglésias, Palavra e Memória, AGAL, 1997
-id., Acarom da brêtema, AGAL, 1999
-id., Detrás da palavra, AGAL, 2004
Henrique da Costa, Mar para todo o sempre
Isaac Díaz Pardo, Tentando construir uma esfinge de pedra, Eds. do Castro, Sada, 2007
Carlos Durão, O silencio, nós (novela escrita com a ortografia do Acordo de 1986), CP, PV-B, 1988

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (32), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (32)
  por Carlos Durão

(continuação)

Algumas publicações periódicas reintegracionistas

O tempo e o modo (Revista Nacionalista Galega de Política, Economia e Ciências Sociais, Galiza Editora, Ourense, 1o e único no em julho de 1982), revista da Irmandade Galega-Lôstrego (Madrid, 1982), Areia (órgão de Mulheres Nacionalistas Galegas, começou-se a publicar no 1987, substituída por Deliberadamente), Folhas de Cibrão (de universitários compostelanos, 2 nos, 1989/1990), Povo Unido (da Assembleia do Povo Unido, 1990/91), Spesial Zombis (banda desenhada publicada por Frente Comixário desde 1992), A Treu (das Juntas Galegas pola Amnistia, desde 1993), Gaiola Aberta (desde 1993, promovida por profissionais da saúde mental, Compostela), Informaçom Obreira (independentista, desde 1995), O Enchufe (do Colectivo A Corrente, da Faculdade de Biologia compostelana, desde 1996), Mal-Dizer (editada desde 1999 pelo Sindicato de Estudantes Independentistas da USC), O Pedroso (Compostela, de Nós-UP, como também Voz Própria: http://www.nosgaliza.org/principal.php?pag=lernot&id=1387), Outras Vozes (editada em Compostela pelos Comités de Solidariedade com América Latina), Oito e Médio (Noia), A Peneira, Luzes de Galiza, Cadernos da Escola Dramática Galega, A Bategada, Hermes, Vozes Livres, Galiza Livre (http://www.galizalivre.org/), Galiza Ceive (http://www.hi5.com/friend/group/1748843--GALIZA%2BCEIVE--front-html), Sopirrait (http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait/), Galiza Solidária (publicada por Comissão Reunificação Nacional da Galiza e Portugal: http://galizaunidaportugal.blogspot.com/2007_02_01_archive.html), Boletim da AGLP (no 1, setembro 2008; com Anexo no 1, abril 2009; saíram tb os nos 2 e 3).

Alguns coletivos reintegracionistas

AMI (Assembleia da Mocidade Independentista, http://www.ami-gz.org/), Aguilhoar, Centro Social da Límia (http://agal-gz.org/blogues/index.php/aguilhoar/), Gentalha do Pichel, Compostela (http://agal-gz.org/blogues/index.php/gent/), Cogarro (Coordenadora Galega de Roteiros, http://www.cogarro.info/), organização Primeira Linha do MLNG (http://www.primeiralinha.org/), A Esmorga, Centro Social, Ourense (http://agal-gz.org/blogues/index.php/aesmorga/), Centro Social Gomes Gaioso, Crunha (http://www.agal-gz.org/blogues/index.php/csggaioso), Baiuca Vermelha, Ponte Areias (http://www.nosgaliza.org/principal.php?pag=cs&id=1), associação Aturujo, Boiro (http://www.agal-gz.org/blogues/index.php/aturujo), Local Social Faísca, Vigo (http://www.faisca-gz.blogspot.com/), Centro Social A Fouce, Amaía (http://afoucedeouro.blogspot.com/), Centro Social Henriqueta Outeiro, Compostela (http://agal-gz.org/blogues/index.php/henriqueta/), Local Social Revira, Ponte Vedra (http://agal-gz.org/blogues/index.php/revira/), Centro Social Revolta, Vigo (http://agal-gz.org/blogues/index.php/revolta/), Sociedade Cultural Madia Leva, Lugo (http://www.agal-gz.org/blogues/index.php/madialeva), Centro Social Roi Soga de Lobeira, Noia (http://roisogadelobeira.blogspot.com/), Casa Encantada, Compostela (http://www.causaencantada.org/), Sociedade Cultural do Condado (http://www.scdcondado.org/), Ceivar (http://www.ceivar.org/principal.php?), Grupo Galabra, Assembleia Reintegracionista "Ene Agá", de Ponte Vedra (www.usuarios.lycos.es/lingua/eneaga.html), Agrupaçom Cultural O Facho, (http://agal-gz.org/blogues//?blog=55) Fundaçom Meendinho (http://agal-gz.org/blogues/index.php/meendinho/); blog Outra Esquerda: http://outraesquerda.blogspot.com/.

(continua)

Sempre Galiza! – Gala Homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 2

coordenação de Pedro Godinho

Depois dos Cantadores do Redondo com Grândola Vila Morena e de Vitorino com Traz Outro Amigo Também na terça-feira, o vídeo de hoje reproduz do concerto de homenagem a José Afonso, em Pontevedra em Abril de 2007:
Luis Pastor e Vitorino: O Cabral fugiu para Espanha
Luis Pastor, João Afonso e Faltriqueira: Grândola de mi querer






Síntese do reintegracionismo contemporâneo
Às 10h, publicação da continuação do ensaio de Carlos Durão.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (31), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (31)
  por Carlos Durão

(continuação)

2003: Comunicado conjunto de diversas entidades culturais, «A reforma ortográfica e a língua na Galiza», em defesa da unidade da língua. - 2004: «Proposta de reforma do Estatuto de Autonomia da Galiza», de modo a garantir os direitos linguísticos dos cidadãos (http://www.proposta2004.tk//).

2004: Representação conjunta da Galiza (com o MDL e AGAL) no Foro Social Europeu de Londres, em que se expôs a situação da língua na Galiza. Comunicado conjunto de AAG-P, MDL e AGAL para o Foro Social Europeu, o terceiro, em Londres, março de 2004, com participação do grupo “Galegos de Londres” (galegosdelondres@yahoogroups.com), que se organizara como grupo de trabalho para colaborar em ações de protesto depois do afundimento do navio Prestige.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (30), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (30)
  por Carlos Durão

(continuação)

Derradeiros anos

1987: constitui-se em Buenos Aires a Associaçom Civil “Amigos do Idioma Galego” (AIG), que edita o boletim ADIGAL (desde 1996, hoje http://www.adigal.org.ar/antec.htm).

1988: constitui-se a Associaçom Reintegracionista de Ordes (ARO), que publica ARO (entre 1988 e 1992) e o boletim O Mês (desde 1991); depois Associaçom Cultural Foucelhas, http://agal-gz.org/blogues/index.php/foucelhas/2010/01/31/a-associacom-reintegracionista-de-ordes-no-periodico-gralha.

1989: constitui-se o Clube Reintegracionista do Salnês (CRÊS).

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (29), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (29)
  por Carlos Durão

(continuação)

Isabel Rei: “O português NÃO É UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA./ Reintegracionismo é aquele movimento (teoria e praxe) social que procura informar, conduzir e tornar evidente para os galegos que a sua língua é o português galego” (2006); “O motivo principal deste sucesso é ter usado o nome comum da língua para denominar as falas galegas: PORTUGUÊS” (2009).

Concha Rousia: “Se, ao definir-nos, delimitar com palavras o que somos e o que não, deixamos fora parte do que somos, como quando seguimos o discurso dominante que afirma que galego e português são duas línguas distintas, estamos a impossibilitar o câmbio” (2008); “de sempre na
Galiza há uma corrente que luta pela integração do galego no português, a dia de hoje os linguistas não poderiam defender outra cousa que não seja que galego e português são a mesma língua, com duas histórias muito diversas, mas apenas uma língua” (2009); “Com a AGLP consegue-se uma separação total do discurso unitário e dominante; não só se afirma que o "galego" não é diferente do "português", contradizendo a premissa central do discurso da RAG, como também se afirma que se deve chamar "português" (2009, 2: 77).

Sempre Galiza! – Homenaxe (2007) a Zeca Afonso

coordenação de Pedro Godinho


A Galiza sempre retribuiu ao Zeca a amizade e respeito que ele por ela tinha. Entrelaçaram-se.
Entre tantas em tantos momentos, em Abril de 2007, impulsionada por Susio Iglesias e com a colaboração de muitos teve lugar no palácio dos congressos de Pontevedra uma grande gala de homenagem a José Afonso, sob o título Sempre Abril sempre; concerto incluído, conjuntamente com imagens e depoimentos portugueses e galegos, em programa emitido pela televisão pública da Galiza no dia 25 de Abril de 2007.
Com direcção artística de Uxía, lá estiveram a interpretar temas do Zeca os Cantadores do Redondo, Vitorino, Luis Pastor, Faltriqueira, Xico de Cariño, Manecas Costa, Treixadura, Víctor Coyote, João Afonso, Uxía, Júlio Pereira, Zeca Medeiros, Dulce Pontes, Miro Casabella, Tito París, Antón Reixa, Janita Salomé e Sergio Godinho.
Uma gravação a rever. Hoje o primeiro dos vídeos:


Síntese do reintegracionismo contemporâneo
Às 10h, continuação da publicação do texto de Carlos Durão.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (28), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (28)
  por Carlos Durão

(continuação)

Mário Herrero Valeiro: “Na Galiza vivemos num paradoxo: existe uma língua que ninguém está obrigado a conhecer, mas que deve ser escrita de uma forma determinada, com as letras doutra língua que é de obrigado conhecimento, mas que ninguém obriga a escrever de uma forma determinada. Paradoxos da democracia" (2006, 85/86: 268); “O português da Galiza está ameaçado de morte, condenado ao extermínio, mas as elites políticas da terra firme ao Sul parecem preferir a companhia, economicamente rendável, dos exterminadores, internos ou externos” (1993, 29-34: 145); “Reintegracionismo. Defende que não existem critérios linguístico-estruturais suficientes que permitam falar de uma língua galega independente do português” (2009, I: 118).

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (27), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (27)
  por Carlos Durão

(continuação)

Júlio César Barreto Rocha: “O que desejo relevar é o fato de que a língua portuguesa, como já se sabe de longuíssima data, não é propriamente portuguesa; ou seja, a língua falada em Portugal, queira-se ou não, veio de fora de suas fronteiras de hoje, e é anterior aos Cancioneiros galego-portugueses, anterior ao Estado português: nasceu numa terra que constitui o que ontem era a Gallaecia e ainda hoje é a Galiza, uma Comunidade Autônoma. Logo, o idioma aqui gerado e desenvolvido deve ser chamado de "galego". [...] Durante quase um milênio foi muito interessante para Portugal ignorar a existência da Galiza, pois isto mantinha o mito de que a língua dita portuguesa fora gerada e era originária exclusivamente de seu território, de seus habitantes, que englobavam os primeiros lusitanos. O ocultamento deste fato histórico se deve fundamentalmente a dois grupos de fatores. Por um lado, os "séculos obscuros" e o esmagamento político da Galiza, aliados à modéstia galega, e à natural soberbia da Pátria de Camões --que com os chamados "grandes descobrimentos" conduziu os estudiosos ao erro de encobrir outros fatos importantes do passado, submetendo a História à Sociolingüística. E, por outro lado, deveu-se esta situação à difícil convivência entre os impérios espanhol e português, que tinham no território da Galiza o ponto nevrálgico de seu relacionamento. Dois impérios globais em confronto necessitaram desta mentira secular. [...] Cabe destacar também que quando se fala no período de "formação da língua portuguesa", fala-se na verdade da língua galega formada, mas que, como qualquer língua, está em constante deriva, evoluindo em alguns traços, incorporando as necessidades lingüísticas dos falantes. Ressaltar o português em oposição ao galego-português antigo é, em grande parte, cumprir uma determinação política imposta pela antiga disputa territorial. A língua, em sua essência, permaneceu indomada, embora esmagada a modalidade escrita do tronco principal galego; fato jamais negado pelos estudiosos de todas as pátrias [...] A presença das vogais mais escandidas no galego atual, que possui menos força ao Sul, em Portugal (cujos falantes obscurecem as ocorrências destes sons, como em "m'nino" ou em "p'ssoa"), permanece mais integral no território brasileiro, cuja população, em sua quase absoluta totalidade, encontra parâmetro distintivo do falante português justamente nesta vocalização mais "perfeita" nossa, por assim dizer, igualando-se ao falante galego --que inegavelmente mantém também mais acesa esta "característica celta". A língua falada na Galiza, que é a real Pátria da Língua, que instituiu o sistema vocálico e a musicalidade do galego, faz-se presente no Brasil. Portugal, deixando-se influenciar pela fala moçárabe (como querem alguns), de certa maneira "capou" a musicalidade galega [...] Portanto, ainda no território da Galiza integral se formaram variantes futuramente tidas como distinções "portuguesas". Podemos dizer, então, que, quando falamos de "português", trata-se da "variante portuguesa" (ou meridional) da "língua galega", porquanto esta já existia antes de a grande e brava nação lusa se constituir em Reino independente; logo, o idioma que se fez mais ao Norte, e deslocou-se posteriormente para o Sul é ineludivelmente o galego./ A língua portuguesa de hoje não é mais que uma variante sulista da língua galega de antanho; um co-dialeto, é certo, mas que também poderíamos chamar de galego-português infra-Douro, o qual, mesmo no território de Portugal, possui distinção com a variante de entre Minho e Douro [...] Afinal, o que conhecemos hoje como "língua portuguesa" é assim considerado não apenas porque o povo galego foi esmagado politicamente pelo centralismo espanhol, mas complementariamente e sobretudo porque o povo português conquistou espaço na comunidade planetária, tanto literária como politicamente [...] Seja como for, a simples discussão, a crua polêmica acerca do nome da língua comum, não é um exercício vão: é benéfica por si só: leva à consciência de existir um fio de unificação lingüístico-cultural, que vem de longe; que procede dos celtas e se reúne com os índios tupis na América, por exemplo, ou com os bantos, na África.[...] Dizer galego, dizer português, dizer "portugalego" ou brasileiro é questão de somenos, mas de necessária discussão entre nós.[...]/ Os portugueses não deixam de ser velhos amigos do povo brasileiro. No entanto, cabe resgatar os amigos galegos, que são amigos ainda mais originários (e não trazem consigo o travo da opressão imperialista), pelo fato de serem os geradores da língua nossa, hoje pertencente a muitos povos do mundo por igual --não importando que rótulo tenha, pelas razões maiores de Estado que advenham da dinâmica dos interesses dos Países e de seus cidadãos.” (1999, 58: 281-283-285-287-290) “Nós, que pronunciamos ou ouvimos pronunciar em algumas zonas do Brasil, normalmente, o artigo indefinido feminino à maneira galega, não entendemos a princípio o porquê de existir grafia diferenciada: “unha” (da normativa admitida oficialmente) ou “umha” (opção presente nesse Estudo Crítico...). Uns e outros grafam de forma diferencialista, acreditamos, para exibir distinção nacional...” (2000, I: 829).

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (26), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (26)
  por Carlos Durão

(continuação)

Luís Gonçáles Blasco: “Segundo os usos lingüísticos habituais esta língua [medieval] pode ser chamada Galego antigo, Português antigo ou Galego-Português (antigo ou nom), podo estar de acordo em que por razons históricas o nome mais acaído seria o de Galego antigo, por ter nado na Galiza; mas nom tudo é História nas línguas e, por exemplo, hoje (quase) todos concordamos em falarmos de Espanhol e nom de Castelhano como quereriam as razons históricas [...] Galego e Português fam parte de um mesmo diassistema lingüistico que, geralmente, chamamos Galego-português, ainda que também podemos chamar-lhe Galego à nossa variante particular (e mesmo às outras)” (1998, 54: 241); “devia ficar claro que os independentistas nom podem ter outra normativa do que a histórica: Porque foi a nossa quando éramos independentes, porque cientificamente é a única válida, porque a normativa isolacionista levaria-nos a umha deriva cara ao espanhol por tratar-se de uma normativa espanholista (com algumhas pinceladas de enxebrismo para dissimular), porque é umha normativa imposta polo poder espanhol e nom por um poder galego” (1999, 58: 253).