Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes*
(Continuação)
A realidade actual impõe assim que se realize um verdadeiro debate democrático quando às opções de política económica possíveis. Como se assinala num recente manifesto intitulado Manifesto de Economistas Aterrados .
A maioria dos economistas que intervêm no debate público fazem-no para justificar ou racionalizar a submissão das opções políticas às exigências dos mercados financeiros… O modelo neoliberal continua a ser o único modelo legitimado, apesar dos seus falhanços bem evidentes…
Como economistas, estamos aterrados ao ver que essas políticas continuam a estar na ordem do dia e que os seus fundamentos teóricos não estão a ser postos em causa. Os argumentos utilizados, desde há trinta anos, para orientar as escolhas das políticas económicas europeias são, contudo, postos em causa pelos factos. A crise pôs a nu o carácter dogmático e sem fundamento da maior parte das pretensas evidências repetidas à saciedade pelos decisores políticos e pelos seus assessores. Quer se trate de eficiência e da racionalidade dos mercados financeiros, da necessidade de reduzir as despesas públicas para reduzir a dívida ou para reforçar o “pacto de estabilidade”, estas falsas evidências devem ser questionadas e mostrar-se a pluralidade de escolhas possíveis em política económica. Há outras opções possíveis e desejáveis, desde que primeiro se liberte a canga imposta pelo sector financeiro às políticas públicas.
Neste sentido, o grupo de docentes responsável pelo Ciclo de Cinema Debates e Colóquios na FEUC decidiu assim iniciar o Ciclo no presente ano lectivo com um debate alargado, que se quer profundo, sobre a União Europeia, sobre os seus fundamentos, o seu modelo económico, as suas opções presentes de resposta à crise económico-financeira. Em suma, perguntar então: o que está por detrás de tudo isto? Para quê tudo isto? Perguntas que devem ser feitas, respostas que podemos e devem ser encontradas na Faculdade de Economia e no Teatro Académico Gil Vicente, dias 10, 11 e 12 de Outubro com o Colóquio sobre a Europa e a projecção do filme O Cerco: a democracia nas malhas do neoliberalismo.
Coimbra, 28 de Setembro de 2010
II. Manifesto de Economistas Aterrados “Crise e dívida na Europa: 10 falsas evidências, 22 medidas em debate para se sair do impasse”
1 de Setembro de 2010
Primeiros signatários: Philippe Askenazy (CNRS, Ecole d’économie de Paris), Thomas Coutrot (Conseil scientifique d’Attac), André Orléan (CNRS, EHESS), Henri Sterdyniak (OFCE)
Tradução para português: Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes
Introdução
A recuperação económica global, possibilitada pela injecção maciça de despesas públicas na economia (desde os Estados Unidos à China), é frágil, mas real. Um só continente ficou para trás, a Europa. Retomar a via do crescimento deixou de ser a sua prioridade política. A Europa embarcou numa outra via: o da luta contra o défice público.
Na União Europeia, os défices são, é certo, elevados — 7% em média, em 2010 — mas muito menos do que os 11% registados pelos Estados Unidos. Embora alguns estados federais americanos com um peso económico mais importante do que o da Grécia, como, por exemplo, a Califórnia, estejam virtualmente falidos, os mercados financeiros decidiram especular sobre a dívida soberana dos países europeus, especialmente sobre os países do sul. A Europa deixou-se realmente cair na sua própria armadilha institucional: os Estados europeus têm de contrair empréstimos junto das instituições financeiras privadas, as quais, para concederem estes empréstimos, vão buscar liquidez, a baixo custo, ao Banco Central Europeu.
Os mercados financeiros têm, portanto, em seu poder a chave fundamental do financiamento dos Estados. Neste contexto, a falta de solidariedade europeia suscita a especulação, tanto mais que as agências de rating contribuem para aumentar a desconfiança.
Foi necessária a degradação da notação atribuída pela Moody's à dívida da Grécia, em 15 de Junho, para que os dirigentes europeus voltassem a falar de “irracionalidade”, termo que tinham tanto usado no início da crise dita do subprime. Da mesma forma, constata-se agora que a Espanha está muito mais ameaçada pela fragilidade do seu modelo de crescimento e do seu sistema bancário do que pela sua dívida pública.
A fim de “tranquilizar os mercados”, foi improvisado um Fundo de estabilização do euro e foram lançados por toda a Europa planos de cortes drásticos, frequentemente cegos, da despesa pública. Os funcionários públicos são os primeiros atingidos, nomeadamente em França, onde a subida das contribuições para a segurança social se traduzirá numa redução disfarçada dos salários. O número de funcionários diminui por toda parte, ameaçando os serviços públicos. Os benefícios sociais, da Holanda a Portugal, passando pela França, com a reforma das pensões actualmente em curso, estão em vias de ser gravemente amputados. O desemprego e a precariedade laboral vão necessariamente alastrar nos próximos anos. Estas medidas são irresponsáveis, quer do ponto de vista político, quer social, e até mesmo do ponto de vista estritamente económico.
Estas políticas, que terão acalmado momentaneamente a especulação, têm já consequências muito negativas no plano social em muitos países europeus, atingindo especialmente os jovens, o mundo do trabalho e os estratos mais frágeis. A prazo, irão inflamar as tensões na Europa e, consequentemente, ameaçar a própria construção europeia, que é muito mais do que um projecto económico. Pressupõe-se que a economia esteja ao serviço da construção de um continente democrático, pacificado e unido. Em vez disso, está a instalar-se por todo o lado uma espécie de ditadura dos mercados, em particular, actualmente, em Portugal, em Espanha e na Grécia, três países que ainda eram ditaduras no início da década de 70, há apenas cerca de quarenta anos.
A submissão a esta ditadura dos mercados não é aceitável, quer seja interpretada como uma forma de os governantes aterrados “tranquilizarem os mercados” ou como pretexto para imporem opções ideológicas, uma vez que está bem provada a sua ineficiência económica e o seu potencial destrutivo no plano político e social. Deve, portanto, ser lançado um verdadeiro debate democrático sobre as opções de política económica em França e na Europa. A maioria dos economistas que intervêm no debate público fazem-no para justificar ou racionalizar a submissão das opções políticas às exigências dos mercados financeiros. Certamente, todos os governos tiveram que improvisar planos de relançamento keynesiano e, até mesmo, em alguns casos, nacionalizar bancos temporariamente. Mas querem fechar este parêntesis o mais rapidamente possível. O modelo neoliberal continua a ser o único modelo legitimado, apesar dos seus falhanços bem evidentes. Fundado no pressuposto da eficiência dos mercados financeiros, este modelo propugna a redução das despesas públicas, a privatização dos serviços públicos, a flexibilização do mercado de trabalho, a liberalização do comércio, dos serviços financeiros e dos mercados de capitais, o alargamento da concorrência a todo o tempo e a todo o lado...
Como economistas, estamos aterrados ao ver que essas políticas continuam a estar na ordem do dia e que os seus fundamentos teóricos não estão a ser postos em causa. Os argumentos utilizados, desde há trinta anos, para orientar as escolhas das políticas económicas europeias são, contudo, postos em causa pelos factos. A crise pôs a nu o carácter dogmático e sem fundamento da maior parte das pretensas evidências repetidas à saciedade pelos decisores políticos e pelos seus assessores. Quer se trate de eficiência e da racionalidade dos mercados financeiros, da necessidade de reduzir as despesas públicas para reduzir a dívida ou para reforçar o “pacto de estabilidade”, estas falsas evidências devem ser questionadas e mostrar-se a pluralidade de escolhas possíveis em política económica. Há outras opções possíveis e desejáveis, desde que primeiro se liberte a canga imposta pelo sector financeiro às políticas públicas.
Fazemos seguidamente uma apresentação crítica dos dez postulados que continuam a inspirar quotidianamente as decisões das autoridades públicas em toda a Europa, apesar dos contundentes desmentidos espelhados na crise financeira e nas suas sequelas. Trata-se de falsas evidências que inspiram medidas injustas e ineficazes, em confronto com as quais apresentamos 22 contrapropostas. Cada uma delas não colhe necessariamente a unanimidade dos signatários deste texto, mas deverão ser levadas a sério, se queremos que a Europa saia do impasse.
(Continua)
_____________
* Docentes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Economia, Essa Mãe Solteira (ou será o pai?)
Augusta Clara de Matos
Toda a gente fala em economia em Portugal. Todo o bicho careto sabe falar de economia neste país. Porque é que praticamente ninguém fala em política? Assumem todos que a economia é a política possível , é por causa da mundialmente assumida crise ou é, por qualquer outro desígnio, que já não interessa falar em política?
Isto só pode ser um desabafo meu que não sei nada de economia, nem é assunto para o qual tenha qualquer apetência. Mas, se todos desabafam – não acredito que todos saibam do que estão a falar quando falam de economia, mesmo quando falam de amor, sabe Deus…- porque não hei-de desabafar também?
Ah, a minha experiência partidária foi tão frutífera que, agora, já me posso dar ao luxo de desabafar.
Ainda há pouco publiquei aqui uma entrevista realizada em 1984 sobre a situação da mulher – e, como também se comemorou agora o 25 de Novembro, vem tudo a propósito - onde se aludiu àquela prática tão corrente nos partidos de “quando um burro zurra o outro, ou seja, a outra baixa as orelhas”. Havia uns burros que sempre se julgavam menos burros mas, afinal, veio a provar-se que éramos todos iguais senão não tínhamos chegado a este estado. Mas foi há tanto tempo que, agora, deve estar tudo diferente.
De modo que já me sinto à vontade para afirmar que o desinteresse da maioria da população pelos temas que fazem a ordem dos dias – o Orçamento Geral do Estado, a Dívida Externa, o FMI…mau grado sejam os infernos donde lhe vêm todos os malefícios, prova que não é de política que nos andam a falar, que não é da “vida da cidade” que andamos a tratar. Porque, se fosse, estávamos entusiasmados como já estivemos noutros tempos quando queríamos construir um país novo, quando chegou quase a ser possível que isso saísse das nossas mãos.
Então o que é falar de política? E se começássemos por aqui?
Toda a gente fala em economia em Portugal. Todo o bicho careto sabe falar de economia neste país. Porque é que praticamente ninguém fala em política? Assumem todos que a economia é a política possível , é por causa da mundialmente assumida crise ou é, por qualquer outro desígnio, que já não interessa falar em política?
Isto só pode ser um desabafo meu que não sei nada de economia, nem é assunto para o qual tenha qualquer apetência. Mas, se todos desabafam – não acredito que todos saibam do que estão a falar quando falam de economia, mesmo quando falam de amor, sabe Deus…- porque não hei-de desabafar também?
Ah, a minha experiência partidária foi tão frutífera que, agora, já me posso dar ao luxo de desabafar.
Ainda há pouco publiquei aqui uma entrevista realizada em 1984 sobre a situação da mulher – e, como também se comemorou agora o 25 de Novembro, vem tudo a propósito - onde se aludiu àquela prática tão corrente nos partidos de “quando um burro zurra o outro, ou seja, a outra baixa as orelhas”. Havia uns burros que sempre se julgavam menos burros mas, afinal, veio a provar-se que éramos todos iguais senão não tínhamos chegado a este estado. Mas foi há tanto tempo que, agora, deve estar tudo diferente.
De modo que já me sinto à vontade para afirmar que o desinteresse da maioria da população pelos temas que fazem a ordem dos dias – o Orçamento Geral do Estado, a Dívida Externa, o FMI…mau grado sejam os infernos donde lhe vêm todos os malefícios, prova que não é de política que nos andam a falar, que não é da “vida da cidade” que andamos a tratar. Porque, se fosse, estávamos entusiasmados como já estivemos noutros tempos quando queríamos construir um país novo, quando chegou quase a ser possível que isso saísse das nossas mãos.
Então o que é falar de política? E se começássemos por aqui?
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Semana da Economia - Introdução para um debate – A Divida Externa
Carlos Mesquita
A “Divida Externa” passou do vocabulário economista para a preocupação de rua. O cidadão mais cumpridor, que não come fiado nem deve um papo-seco ao padeiro, já anda convencido que deve milhares de euros ao estrangeiro, e que não vai conseguir pagar. Depois tem uma legião de entendidos a explicar-lhe que se não foi ele que fez as dividas, alguém as fez por ele, os malandros do costume de certeza.
Por definição a Divida Externa dum país é o somatório dos empréstimos e financiamentos contraídos no exterior. Portugal é o 6º país europeu mais endividado em relação ao PIB. Com base nas estatísticas do stock da divida bruta externa total (pública e privada), em 2009, à frente de Portugal estão a Suíça e a Bélgica todos na casa dos mais de 200%, o Reino Unido e a Holanda, ambos com mais de 400% e no topo a Irlanda com 1.000 %, e com um PIB ligeiramente inferior ao português (fonte Exame/Expresso).
Em valores absolutos a Espanha (6º país do mundo mais endividado) tem uma divida externa astronómica mas que é “apenas” 168% do seu PIB. A divida bruta relativa da Grécia é semelhante a acreditar que não está manipulada. Os elementos que aparecem habitualmente nas notícias referem a Divida Externa Líquida e a famigerada ultrapassagem dos 100% do PIB, que tem facilitado afirmar que a riqueza do país não é capaz de pagar a divida. Não é para liquidar, ninguém o faz, nem com o rendimento dum ano. Aliás é mais importante o prazo, o curto prazo, que determina as situações de aflição aproveitadas pelos mercados.
A Divida Externa portuguesa é composta segundo o Banco de Portugal, quase meio por meio, pela banca e pelo Estado. Metade é pública metade privada. Os bancos endividam-se para emprestar às famílias e empresas, o Estado para ocorrer às despesas e ao investimento público, central e autárquico.
O dinheiro da Divida contraída é usado pelas famílias na compra de habitação equipamentos e vários consumos, nas empresas para toda a actividade, e no Estado para pagamentos e construção de infra-estruturas e equipamentos sociais. De toda a actividade que o dinheiro pedido emprestado permite, resultam activos, património das famílias das empresas e da sociedade. O dinheiro não é (a maior parte) deitado à rua, existem bens e equipamentos que não era possível obter sem financiamento, quer nas famílias quer no país, a própria actividade económica geradora de riqueza não é viável sem financiamento externo.
O que é preocupante na Divida é a posição que Portugal passou a ter perante os mercados, particularmente após a crise grega. O que os mercados fazem é o mesmo que os bancos aos seus clientes, também eles diferenciam as taxas de juro conforme o tipo de cliente, o que os bancos não fazem, nem os mercados, é emprestar a quem pensam que não vai pagar. A teoria do aumento das taxas de juro conforme o risco, precisa ser desmitificada; os mercados aproveitam a debilidade económica dos países do sul para lucrarem mais. A Alemanha já emitiu dívida pública sem que tenha conseguido procura suficiente para a sua totalidade, enquanto Portugal a cada emissão a procura é várias vezes a oferta, e nem por isso baixa significativamente a taxa. Estamos perante a falência da teoria da oferta e da procura ou diante da máxima capitalista de conseguir o máximo lucro?
Vão ter de se tomar medidas para que os empréstimos externos não sejam desperdiçados em actividades como certo crédito ao consumo, reduzir o ritmo de crescimento da divida, mas o financiamento fundamental para as empresas e para o investimento público em período de contracção do investimento privado não vai poder parar, com risco de não se gerar riqueza que assegure a amortização dos empréstimos e a rentabilidade do país.
A “Divida Externa” passou do vocabulário economista para a preocupação de rua. O cidadão mais cumpridor, que não come fiado nem deve um papo-seco ao padeiro, já anda convencido que deve milhares de euros ao estrangeiro, e que não vai conseguir pagar. Depois tem uma legião de entendidos a explicar-lhe que se não foi ele que fez as dividas, alguém as fez por ele, os malandros do costume de certeza.
Por definição a Divida Externa dum país é o somatório dos empréstimos e financiamentos contraídos no exterior. Portugal é o 6º país europeu mais endividado em relação ao PIB. Com base nas estatísticas do stock da divida bruta externa total (pública e privada), em 2009, à frente de Portugal estão a Suíça e a Bélgica todos na casa dos mais de 200%, o Reino Unido e a Holanda, ambos com mais de 400% e no topo a Irlanda com 1.000 %, e com um PIB ligeiramente inferior ao português (fonte Exame/Expresso).
Em valores absolutos a Espanha (6º país do mundo mais endividado) tem uma divida externa astronómica mas que é “apenas” 168% do seu PIB. A divida bruta relativa da Grécia é semelhante a acreditar que não está manipulada. Os elementos que aparecem habitualmente nas notícias referem a Divida Externa Líquida e a famigerada ultrapassagem dos 100% do PIB, que tem facilitado afirmar que a riqueza do país não é capaz de pagar a divida. Não é para liquidar, ninguém o faz, nem com o rendimento dum ano. Aliás é mais importante o prazo, o curto prazo, que determina as situações de aflição aproveitadas pelos mercados.
A Divida Externa portuguesa é composta segundo o Banco de Portugal, quase meio por meio, pela banca e pelo Estado. Metade é pública metade privada. Os bancos endividam-se para emprestar às famílias e empresas, o Estado para ocorrer às despesas e ao investimento público, central e autárquico.
O dinheiro da Divida contraída é usado pelas famílias na compra de habitação equipamentos e vários consumos, nas empresas para toda a actividade, e no Estado para pagamentos e construção de infra-estruturas e equipamentos sociais. De toda a actividade que o dinheiro pedido emprestado permite, resultam activos, património das famílias das empresas e da sociedade. O dinheiro não é (a maior parte) deitado à rua, existem bens e equipamentos que não era possível obter sem financiamento, quer nas famílias quer no país, a própria actividade económica geradora de riqueza não é viável sem financiamento externo.
O que é preocupante na Divida é a posição que Portugal passou a ter perante os mercados, particularmente após a crise grega. O que os mercados fazem é o mesmo que os bancos aos seus clientes, também eles diferenciam as taxas de juro conforme o tipo de cliente, o que os bancos não fazem, nem os mercados, é emprestar a quem pensam que não vai pagar. A teoria do aumento das taxas de juro conforme o risco, precisa ser desmitificada; os mercados aproveitam a debilidade económica dos países do sul para lucrarem mais. A Alemanha já emitiu dívida pública sem que tenha conseguido procura suficiente para a sua totalidade, enquanto Portugal a cada emissão a procura é várias vezes a oferta, e nem por isso baixa significativamente a taxa. Estamos perante a falência da teoria da oferta e da procura ou diante da máxima capitalista de conseguir o máximo lucro?
Vão ter de se tomar medidas para que os empréstimos externos não sejam desperdiçados em actividades como certo crédito ao consumo, reduzir o ritmo de crescimento da divida, mas o financiamento fundamental para as empresas e para o investimento público em período de contracção do investimento privado não vai poder parar, com risco de não se gerar riqueza que assegure a amortização dos empréstimos e a rentabilidade do país.
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sábado, 27 de novembro de 2010
Amanhã abrimos uma Semana da Economia
Amanhã, Domingo,28 de Novembro e até Sábado, 4 de de Dezembro, promovemos entre os colaboradores e os visitantes do Estrolabio um amplo debate sobre os principais temas da Economia nacional. Começaremos por analisar a Dívida Externa. Serão publicados diversos artigos, abrangendo tanto quanto possível todo o vasto leque de problemas que afectam a vida económica do País e dos cidadãos.
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Durante a próxima semana debatemos a Economia nacional
Entre o próximo Domingo,28 de Novembro e Sábado, 4 de de Dezembro, promovemos entre os colaboradores e os visitantes do Estrolabio um amplo debate sobre os principais temas da Economia nacional. Começaremos por analisar a Dívida Externa.
Entretanto, brinquemos um pouco. Tristezas não pagam dívidas....
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Como o Constantino, a fama dos problemas já vem de longe.
Carlos Mesquita
O Estrolabio publicou no passado Sábado um texto de José de Almeida Serra; “Extratos de alguns Pareceres do Conselho Económico e Social – CES”.
Duvido que tenha sido lido por parte significativa dos leitores do blogue. Primeiro porque são mais de uma dúzia de páginas A4, (a tendência do Estrolabio para concorrer com a Torre do Tombo...) segundo porque a matéria é economia, que dá mais dores de cabeça que escritos às escadinhas.
Trata-se de “textos escolhidos”, na linha das publicações “tal como eu tinha avisado” ou “não me deram ouvidos e agora tomem”. Eu próprio já estive tentado a fazer uma coisa do género, com previsões acertadas que publiquei, desde a guerra do Iraque à do Afeganistão, do caso Freeport à Carolina Salgado, das barragens ao TGV, do BPN à ingovernabilidade actual, etc.
O Estrolabio publicou no passado Sábado um texto de José de Almeida Serra; “Extratos de alguns Pareceres do Conselho Económico e Social – CES”.
Duvido que tenha sido lido por parte significativa dos leitores do blogue. Primeiro porque são mais de uma dúzia de páginas A4, (a tendência do Estrolabio para concorrer com a Torre do Tombo...) segundo porque a matéria é economia, que dá mais dores de cabeça que escritos às escadinhas.
Trata-se de “textos escolhidos”, na linha das publicações “tal como eu tinha avisado” ou “não me deram ouvidos e agora tomem”. Eu próprio já estive tentado a fazer uma coisa do género, com previsões acertadas que publiquei, desde a guerra do Iraque à do Afeganistão, do caso Freeport à Carolina Salgado, das barragens ao TGV, do BPN à ingovernabilidade actual, etc.
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
Orçamento - o nó cego!
Luís Moreira
O Vitor Bento, economista, e Conselheiro de Estado publicou ontem um livro sobre o Orçamento de todas as desgraças. Vou trazê-lo aqui com textos diário, mas para já há que registar.
Temos um Nó Cego que é a Dívida Externa que, ao contrário dos US em 1913, não conseguiremos pagar sem empobrecer porque a nossa economia não cresce, e não crescendo, não produz riqueza, e não produzindo riqueza temos que poupar onde não devemos nuns casos (investimento reprodutivo de melhoria de produtividade) e onde não podemos ( custos estruturais fixos). Só pagamos se empobrecermos.
O Presidente do Banco de Portugal, António Costa, homem independente e sabedor, vem dizer-nos que só saímos desta recessão com investimentos com retorno assegurado, nada de TGVs, nem aeroportos ( ao contrário dos milionários estudos o afluxo de passageiros na Portela baixou milhões de 1998 para 1999 ).
Daniela Bessa, confirma, o maior problema é a dívida externa, se não produzirmos riqueza para a pagar entramos no "ciclo infernal" económico" fazemos dívida para pagar dívida.
Andamos sete anos a jogar "ao poder" nas enpresas públicas e nos bancos, agora para sairmos a solução são "os filhos bastardos" as empresas que produzem bens e serviços para exportação que, de tão esquecidas nenhum de nós é capaz de citar dez que sejam e, no entanto, representam 80% das exportações, 70% do PIB, 60% do emprego...
Há três meses atrás o TGV , autoestradas, pontes e aeroporto eram a prioridade agora ,não só não são a prioridade como se percebe que vão ficar no papel por muitos anos e maus. Ou não se tem prioridades estratégicas nacionais nenhumas ou os interesses particulares ultrapassam o interesse nacioal. Não há outra explicação para tanta incoerência.
O Vitor Bento, economista, e Conselheiro de Estado publicou ontem um livro sobre o Orçamento de todas as desgraças. Vou trazê-lo aqui com textos diário, mas para já há que registar.
Temos um Nó Cego que é a Dívida Externa que, ao contrário dos US em 1913, não conseguiremos pagar sem empobrecer porque a nossa economia não cresce, e não crescendo, não produz riqueza, e não produzindo riqueza temos que poupar onde não devemos nuns casos (investimento reprodutivo de melhoria de produtividade) e onde não podemos ( custos estruturais fixos). Só pagamos se empobrecermos.
O Presidente do Banco de Portugal, António Costa, homem independente e sabedor, vem dizer-nos que só saímos desta recessão com investimentos com retorno assegurado, nada de TGVs, nem aeroportos ( ao contrário dos milionários estudos o afluxo de passageiros na Portela baixou milhões de 1998 para 1999 ).
Daniela Bessa, confirma, o maior problema é a dívida externa, se não produzirmos riqueza para a pagar entramos no "ciclo infernal" económico" fazemos dívida para pagar dívida.
Andamos sete anos a jogar "ao poder" nas enpresas públicas e nos bancos, agora para sairmos a solução são "os filhos bastardos" as empresas que produzem bens e serviços para exportação que, de tão esquecidas nenhum de nós é capaz de citar dez que sejam e, no entanto, representam 80% das exportações, 70% do PIB, 60% do emprego...
Há três meses atrás o TGV , autoestradas, pontes e aeroporto eram a prioridade agora ,não só não são a prioridade como se percebe que vão ficar no papel por muitos anos e maus. Ou não se tem prioridades estratégicas nacionais nenhumas ou os interesses particulares ultrapassam o interesse nacioal. Não há outra explicação para tanta incoerência.
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