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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lucros indevidos : é tarde senhores Bispos

Luis Moreira


Todas os dias há empresas que fecham. Todos os dias há gente com filhos que fica sem trabalho. Todos os dias os bancos e as empresas do regime anunciam lucros fabulosos.Como é que empresas que estão em investigação pela polícia e que já anuíram em pagar os impostos que sonegaram na esperança de não os pagarem, continuam a fazer negócios com o mesmo Estado que tentaram enganar?

Como é isto possível? Como é que as autoridades deste país permitem que estas empresas explorem desta forma os cidadãos, abusando das normas, leis, regulamentos que são da responsabilidade do Governo, deste e de todos os outros antes deste?

Como é que o capital accionista e os gestores das empresas absorvem uma cada vez maior fatia do rendimento gerado, sem que as autoridades ponham cobro a esta ganância, quando é certo que foi esta ganância que colocou a economia nesta situação?

A que título é que este governo ( e todos antes deste) injectam o dinheiro dos contribuintes para salvar empresas falidas de modo fraudulento e, agora, ainda por cima, são os cidadãos que pagam a crise e estes lucros cada vez maiores? A que título a banca não paga impostos? A que título as mais-valias do negócio de "interesse nacional" da PT não pagam impostos? A que título é que os gestores das empresas públicas, nossas, muito nossas, continuam a ganhar rios de dinheiro, num país pobre e na falência?

A que título é que gente amiga dos políticos e ex-políticos ganham pensões milionárias e continuam a ocupar lugares auferindo vencimentos vergonhosos tudo pago com o dinheiro dos contribuintes? Porque continuamos a pagar os combustíveis mais caros da UE? E a água mais cara? E a energia mais cara?

Os sindicatos apressam-se a controlar o rebanho dirigindo-o para o redil, não vá as pessoas pensarem que têm direito à indignação e tomarem de uma vez por todas as rédeas da sua vida nas próprias mãos. Os que têm as mordomias descem a avenida, consolados com a carreira assegurada e o vencimento para sempre, reinvindicando não se sabe o quê, neste país de gente desesperada.

Basta, é preciso dizer basta, é preciso irmos para a rua e dizer a plenos pulmões que estamos na nossa terra.Não são os senhores Bispos a pregar a caridadezinha ,tarde e a más horas, que mudam o quer que seja. Basta de mentiras e de vergonhas. Basta de compadrios, de amiguismos e de partidarismos. Basta de injustiça e de ganância.

Depois disto tudo há o quê a perder?

domingo, 26 de setembro de 2010

Brincar com coisas sérias.

Luis Moreira

Bem sei que somos um povo de emigrantes, estamos repartidos pelo mundo todo, cinco milhões de compatriotas andam la por fora, são trabalhadores, bem aceites, e este argumento é muito poderoso quando se fala na imigração de pessoas de outros países.

Entre os que pura e simplesmente tomam a posição xenófoba de verem em cada imigrante um parasita e um competidor, até aos que acham que abrir as portas de par em par é uma solução, sem cuidarem de ver se há ou não trabalho, encontramos de tudo. Eu daqui da minha janela, ví um dia de manhã dois jovens bem lavados e bem tratados,altos e loiros - falei depois com eles e eram Ucranianos- caírem, dia a dia, inexoravelmente, na bebida, depois já não havia dia nem noite, os dias eram passados a dormir bêbados, já não tomavam banho( há aqui perto um centro de ajuda, onde podem dormir e comer.)

Ver dois seres humanos caírem na miséria e na humilhação, na flor da vida, não é coisa que se deseje a ninguem, a verdade é que caíram no desemprego e todas as portas se lhes fecharam, nem sequer têm dinheiro para voltar para a terra natal.

O voluntarismo e as posições ideológicas muitas vezes são alçapões onde caem os menos avisados, porque não vale a pena abrir as portas às pessoas quando se verifica depois que o país não tem condições de lhes assegurar uma vida digna.

A mobilidade dos funcionários públicos

Eu às vezes acho que o país se aproxima, alegremente, em se transformar num hospício ao ar livre, quando se ouve o pessoal que persiste em manter-se em lugares de destaque e que perderam completamente o norte. Se se ouvissem e tivessem algum sentido de humor, não se levavam a sério e iam para casa tratar dos netos.
A mobilidade parece ser uma boa medida para melhorar a produtividade, acertar necessidades, levar pessoas a encontrar trabalho que melhor se encaixa na sua formação, enfim uma boa medida. Mas não funciona?
Não, porque a pessoa que muda de serviço tem que se sujeitar ao processo concursal para uma categoria que já é dela, pode vir a receber menos do que recebia no seu lugar de origem, e pode ficar sem o lugar se aparecer alguem com mais anos de trabalho. Numa palavra ,oferecem ao funcionário que além de deixar o seu ambiente, que deixe tambem as garantias que obteve no seu lugar de origem. Resultado? Ninguem muda para lado nenhum, como é evidente.

Avaliação dos professores

As metas e os objectivos estão a ser negociados e há razões para crer que a maioria das escolas o está a fazer com boa fé e que tudo vai correr bem. A avaliação é um processo contínuo que vai melhorando ao longo dos anos, afinal ninguem conhece melhor os professores que os seus colegas com quem trabalham todos os dias, sabem bem quem é assíduo, quem cumpre, quem obtem resultados. A máquina vai olear com o decorrer do tempo.

Há sempre quem esteja contra, são os que sabem que vão deixar de serem considerados iguais aos outros, que vão passar a ser preteridos nas promoções, que vão ver os seus colegas com mérito serem reconhecidos. O que não se espera é que o Presidente do Sindicato, não veja neste processo uma ferramenta essencial ao prestígio da escola e dos professores seus associados, e que tente por todas as formas aligeirar o interesse da avaliação, que ironize sobre as faltas do Estado (mais promoções,mais dinheiro, mais formação, o costume) e que não dê a cara, assumindo que uma das suas bandeiras ( a não avaliação dos professores) está aí no terreno.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Professores - tão adiados como todos os outros...

Luis Moreira

Arquitecto, 35 anos, Licenciado na faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, com a frequência do 5º ano na Faculdade de Arquitectura de Milão.

Experiência de vários anos em ateliers de arquitectura holandeses, onde participou em grandes projectos como a Casa da Música e o Forum de Almada, Hotel do Chiado e vários grandes centros comerciais, como o de Coimbra e Faro.
Regresssado a Lisboa e após convite do atelier holandês, trabalha durante três anos em grandes projectos portugueses. Não acompanha o regresso à Holanda e funda o seu próprio atelier de arquitectura, Urbanismo e Design com mais dois colegas.
Há ano e meio que não tem trabalho, apesar de casado e com uma filha, não conhece ninguem nas câmaras, pelo que vive da ajuda do pai.

Licenciado em História, fala fluentemente, Português, Espanhol, Inglês, Polaco, Finlandês e Letão, nunca teve um emprego , vive em casa dos pais, de vez em quando recebe uma bolsa para ir àqueles países cujas línguas domina, por curtos períodos de tempo para fazer traduções ou trabalhar em bibliotecas.

Professora, 35 anos, ainda sem colocação definitiva espera todos os anos por colocação, o que acontece longe de casa e por períodos variáveis. Vive com o marido e dois filhos em Lisboa.
Serralheiro, 36 anos, prepara-se para emigrar para Angola, por a empresa onde trabalhava ter falido e fechado as portas.

Então? Não é isto que acontece à maioria dos jovens? Conheço todos os que estão aí em cima, incluindo a professora, a diferença é que o meu filho, o meu sobrinho e o filho aqui da porteira estão todos a preparar-se para emigrar e a professora foi colocada em Faro!

A diferença é entre 200 kms e 7 000 kms...

domingo, 29 de agosto de 2010

O futuro do capitalismo

Luís Moreira

Fernando Sobral apresenta na Sábado este livro de Anatole Kaletsky que coloca a questão de estarmos ou não perante o fim do capitalismo depois desta crise que abalou o mundo.

A sua opinião é que o capitalismo corre para uma quarta variante da economia de mercado desde os tempos da revolução industrial. A primeira fase mediou entre a época do governo mínimo e do laissez faire e o crash de Wall Street em 1929, seguida de uma segunda vaga marcada pelas teses de Keynes e Beveridge, onde se assistiu a um reforço do Estado. A terceira vaga coincidiu com a falência deste modelo, que foi substituído pelo Estado mínimo dos tempos de Reagan e Thatcher e onde se disseminou o capitalismo digital sem fronteiras.

Esta fase dos fundamentalistas do mercado chegou ao fim e vai ser substituído por um capitalismo que aceita que tanto o mercado como o Estado erram.

O capitalismo mostra uma grande capacidade de adaptação e é isso que estamos a ver com as medidas que foram tomadas com o objectivo de reverter a crise, com um sector financeiro que tenta a todo o custo voltar ao passado recente como se nada tivesse acontecido.

Mas há fenómenos por explicar como seja o facto de países como o Brasil, China, Singapura, India que têm um Estado mais interventivo na economia se terem defendido melhor da crise global. Outra questão preocupante é o facto de a retoma estar em curso mas o emprego não arranca, o que mostra que há outra adaptação do mercado ainda não visível.

Henry Paulson, o secretário de Estado da economia de Bush foi o principal culpado da crise, agarrado ao mercado não deixou que o estado interviesse, permitindo a falência do Lehman Brothers e o arrastamento de todo o sistema global.

Há ainda muitas dúvidas e muitas explicações não totalmente compreendidas, mas nada será como dantes.

domingo, 13 de junho de 2010

Empobrecimento!

Luís Moreira





O país vai entrar num ciclo de empobrecimento que ainda poucos ou ninguem consegue medir. Só em juros da dívida bruta vamos pagar cerca de 5% do PIB ao ano, qualquer coisa como 2/3 do SNS!( andará pelos 8% do PIB).

Como vem acontecendo há pelo menos 10 anos a nossa economia não cresce, diverge dos outros países europeus que vêm crescendo afastando-se de Portugal.Pequena e aberta ao exterior a nossa economia depende do comportamento das outras economias, especialmente da Alemanha, motor da economia europeia e que agora, pela voz da Senhora Merkel, anuncia um pacote de medidas duríssimas, cuja primeira consequência vai ser arrefecer a economia.Arrefecendo a sua própria economia, não vai ter para já o efeito de arrastamento que estavamos à espera, para que a nossa alavancasse!

Percebe-se mal esta política seguida pela Alemanha, se a UE funciona-se como um todo, a melhor política seria atacar os diversos déficites dos países do Sul da Europa e, ao mesmo tempo, acelerar as economias mais fortes, invertendo as prioridades. Assim, aumentando impostos e com isso diminuindo a capacidade da procura interna e, cortando na despesa, a Alemanha pode estar a contribuir para uma situação de recessão que é bem mais perigosa do que todos os déficites razoáveis e, em alguns casos, virtuosos, como são os da Alemanha.E aproveitava para as suas exportações o enfraquecimento do euro face ao dólar!

Entretanto, cá no país, o FMI anda por perto o que é sinal sério de problemas, oxalá não se confirmem as muitas dúvidas que assomam aqui e ali quanto ao conhecimento real da nossa situação financeira.A grande questão é que neste quadro o Estado Previdência não é sustentável, o conceito "usador/pagador" vem aí em força como já se está a ver nas SCUTS e a seguir virá a saúde e a educação.A Segurança Social, com o desemprego em alta e a demografia a inverter a relação jovem/idoso a favor deste, não aguenta cinco anos, prazo que não é suficiente para a economia começar a crescer e o desemprego diminuir para valores muito mais baixos.

Estamos numa situação muito dificil e é pena que os nossos governantes tenham andado a mentir-nos sobre a real situação, com a desculpa de gerir as expectativas.

PS: tambem publicado no Aventar