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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
O berço da pobreza
Adão Cruz
A pobreza transformou-se agora em bandeira eleitoral de todos aqueles que por ela são e sempre foram responsáveis. Descarada hipocrisia.
Em nome da competitividade e da convergência cometem-se as maiores barbaridades. Em nome da competitividade e da convergência, a indiscutibilidade das decisões, a globalização, a modernidade, a flexibilização e a privatização são as palavras inquestionáveis das estratégias de dominação por parte daqueles que sabem quem tudo ganha à custa de quem tudo perde.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Aproveitar a política para fazer pobreza...
Luis Moreira
No blogue o abade de travanca escreve-se a frase da semana: "Mais grave do que aproveitar a pobreza para fazer política, é aproveitar a política para fazer pobreza".
Agora, perante a pobreza que já não se esconde, a palavra de ordem é não falar nela. Nem falar nas organizações da sociedade civil que distribuem refeições quentes ou nas iniciativas como "as sobras" das cantinas e restaurantes. Varrer para baixo do tapete, mais uma vez.
O que se esperava quando equilibrar o déficite corresponde a cortar nos salários, nas pensões, nos subsídios que mesmo sem cortes já não asseguravam uma vida digna? Onde está a reestruturação da administração pública, com o seu cortejo de fundações, comissões, direcções gerais e os ordenados principescos dos gestores das empresas públicas...?
Quando a Educação melhora os seus índices ( aplaude-se, obviamente) defendem-se como sendo resultado das políticas governamentais, quando a pobreza aparece, faz-se de conta que não existe.
Este é o mais recente "slogan", quem falar de pobreza está a fazer política com a pobreza, não falar dela ( a pobreza) não está a fazer política, não senhor . Uma poderosa máquina de esconder, manipular, mentir ...
Ainda as medidas políticas de pobreza pouco fizeram e já se percebeu os terríveis efeitos que vão ter numa sociedade ainda tão carenciada como a nossa, onde dois milhões de pessoas permanecem na pobreza, alguns mesmo trabalhando. Mas o "diapasão" está já a ser utilizado, não há pobreza nenhuma, o bispos não têm razão, a oposição também não, as associações de ajuda humanitária são dependentes do Estado, e assim por diante...
Por isso, minha gente, se virem algum vizinho ou amigo, vender o carro, tirar os filhos do colégio, despedir a mulher a dias, tirar a mãe do lar, já sabem, estamos perante um perigoso comunista, social-democrata ou, até mesmo, um neo-liberal.
Como se a implosão social que já se vê em outros países não chegue cá, os próximos três meses com as medidas a terem o efeito em pleno na vida das pessoas, com a procura interna a decrescer, o desemprego a crescer, a produção de riqueza a cair, só nos faltava mesmo era estarmos proíbidos de nos indignarmos.
No blogue o abade de travanca escreve-se a frase da semana: "Mais grave do que aproveitar a pobreza para fazer política, é aproveitar a política para fazer pobreza".
Agora, perante a pobreza que já não se esconde, a palavra de ordem é não falar nela. Nem falar nas organizações da sociedade civil que distribuem refeições quentes ou nas iniciativas como "as sobras" das cantinas e restaurantes. Varrer para baixo do tapete, mais uma vez.
O que se esperava quando equilibrar o déficite corresponde a cortar nos salários, nas pensões, nos subsídios que mesmo sem cortes já não asseguravam uma vida digna? Onde está a reestruturação da administração pública, com o seu cortejo de fundações, comissões, direcções gerais e os ordenados principescos dos gestores das empresas públicas...?
Quando a Educação melhora os seus índices ( aplaude-se, obviamente) defendem-se como sendo resultado das políticas governamentais, quando a pobreza aparece, faz-se de conta que não existe.
Este é o mais recente "slogan", quem falar de pobreza está a fazer política com a pobreza, não falar dela ( a pobreza) não está a fazer política, não senhor . Uma poderosa máquina de esconder, manipular, mentir ...
Ainda as medidas políticas de pobreza pouco fizeram e já se percebeu os terríveis efeitos que vão ter numa sociedade ainda tão carenciada como a nossa, onde dois milhões de pessoas permanecem na pobreza, alguns mesmo trabalhando. Mas o "diapasão" está já a ser utilizado, não há pobreza nenhuma, o bispos não têm razão, a oposição também não, as associações de ajuda humanitária são dependentes do Estado, e assim por diante...
Por isso, minha gente, se virem algum vizinho ou amigo, vender o carro, tirar os filhos do colégio, despedir a mulher a dias, tirar a mãe do lar, já sabem, estamos perante um perigoso comunista, social-democrata ou, até mesmo, um neo-liberal.
Como se a implosão social que já se vê em outros países não chegue cá, os próximos três meses com as medidas a terem o efeito em pleno na vida das pessoas, com a procura interna a decrescer, o desemprego a crescer, a produção de riqueza a cair, só nos faltava mesmo era estarmos proíbidos de nos indignarmos.
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domingo, 13 de junho de 2010
Empobrecimento!
Luís Moreira

O país vai entrar num ciclo de empobrecimento que ainda poucos ou ninguem consegue medir. Só em juros da dívida bruta vamos pagar cerca de 5% do PIB ao ano, qualquer coisa como 2/3 do SNS!( andará pelos 8% do PIB).
Como vem acontecendo há pelo menos 10 anos a nossa economia não cresce, diverge dos outros países europeus que vêm crescendo afastando-se de Portugal.Pequena e aberta ao exterior a nossa economia depende do comportamento das outras economias, especialmente da Alemanha, motor da economia europeia e que agora, pela voz da Senhora Merkel, anuncia um pacote de medidas duríssimas, cuja primeira consequência vai ser arrefecer a economia.Arrefecendo a sua própria economia, não vai ter para já o efeito de arrastamento que estavamos à espera, para que a nossa alavancasse!
Percebe-se mal esta política seguida pela Alemanha, se a UE funciona-se como um todo, a melhor política seria atacar os diversos déficites dos países do Sul da Europa e, ao mesmo tempo, acelerar as economias mais fortes, invertendo as prioridades. Assim, aumentando impostos e com isso diminuindo a capacidade da procura interna e, cortando na despesa, a Alemanha pode estar a contribuir para uma situação de recessão que é bem mais perigosa do que todos os déficites razoáveis e, em alguns casos, virtuosos, como são os da Alemanha.E aproveitava para as suas exportações o enfraquecimento do euro face ao dólar!
Entretanto, cá no país, o FMI anda por perto o que é sinal sério de problemas, oxalá não se confirmem as muitas dúvidas que assomam aqui e ali quanto ao conhecimento real da nossa situação financeira.A grande questão é que neste quadro o Estado Previdência não é sustentável, o conceito "usador/pagador" vem aí em força como já se está a ver nas SCUTS e a seguir virá a saúde e a educação.A Segurança Social, com o desemprego em alta e a demografia a inverter a relação jovem/idoso a favor deste, não aguenta cinco anos, prazo que não é suficiente para a economia começar a crescer e o desemprego diminuir para valores muito mais baixos.
Estamos numa situação muito dificil e é pena que os nossos governantes tenham andado a mentir-nos sobre a real situação, com a desculpa de gerir as expectativas.
PS: tambem publicado no Aventar
O país vai entrar num ciclo de empobrecimento que ainda poucos ou ninguem consegue medir. Só em juros da dívida bruta vamos pagar cerca de 5% do PIB ao ano, qualquer coisa como 2/3 do SNS!( andará pelos 8% do PIB).
Como vem acontecendo há pelo menos 10 anos a nossa economia não cresce, diverge dos outros países europeus que vêm crescendo afastando-se de Portugal.Pequena e aberta ao exterior a nossa economia depende do comportamento das outras economias, especialmente da Alemanha, motor da economia europeia e que agora, pela voz da Senhora Merkel, anuncia um pacote de medidas duríssimas, cuja primeira consequência vai ser arrefecer a economia.Arrefecendo a sua própria economia, não vai ter para já o efeito de arrastamento que estavamos à espera, para que a nossa alavancasse!
Percebe-se mal esta política seguida pela Alemanha, se a UE funciona-se como um todo, a melhor política seria atacar os diversos déficites dos países do Sul da Europa e, ao mesmo tempo, acelerar as economias mais fortes, invertendo as prioridades. Assim, aumentando impostos e com isso diminuindo a capacidade da procura interna e, cortando na despesa, a Alemanha pode estar a contribuir para uma situação de recessão que é bem mais perigosa do que todos os déficites razoáveis e, em alguns casos, virtuosos, como são os da Alemanha.E aproveitava para as suas exportações o enfraquecimento do euro face ao dólar!
Entretanto, cá no país, o FMI anda por perto o que é sinal sério de problemas, oxalá não se confirmem as muitas dúvidas que assomam aqui e ali quanto ao conhecimento real da nossa situação financeira.A grande questão é que neste quadro o Estado Previdência não é sustentável, o conceito "usador/pagador" vem aí em força como já se está a ver nas SCUTS e a seguir virá a saúde e a educação.A Segurança Social, com o desemprego em alta e a demografia a inverter a relação jovem/idoso a favor deste, não aguenta cinco anos, prazo que não é suficiente para a economia começar a crescer e o desemprego diminuir para valores muito mais baixos.
Estamos numa situação muito dificil e é pena que os nossos governantes tenham andado a mentir-nos sobre a real situação, com a desculpa de gerir as expectativas.
PS: tambem publicado no Aventar
domingo, 30 de maio de 2010
Infância pobre é para toda a vida!
Luís Moreira
Cientistas nos Estados Unidos chegaram à conclusão de que uma infância pobre até aos cinco anos marca para sempre o ser humano, não só no seu desenvolvimento, mas tambem a nível neurobiológico e na saúde para o resto da vida.
“Descobrimos que as crianças que crescem em ambientes desfavoráveis reagem de forma desproporcionada ao stress, e conseguimos medir isso através de avaliações hormonais e neurológicas, utilizando scanners cerebrais, e mais recentemente com análises genéticas”.
Estes estudos vêm comprovar o que o senso comum já observava, principalmente em pequenos agregados urbanos em que todos se conheciam, quem tinha boas condições de vida singrava quem vivia na pobreza mostrava-o na escola e nas relações com os outros miúdos da mesma idade. E na idade adulta quem é conhecido e venceu são os filhos de quem já naquela altura eram os senhores da cidade.
O ascensor social é muito pouco eficaz, mas grande parte da derrota vem, sabemos agora, do facto da pobreza e dos maus tratos marcarem para sempre a saúde das pessoas e permanecem para toda a vida. Isto mostra que o apoio social não é um custo, é um investimento, porque recupera pessoas para a vida profissional activa e, dessa forma, gasta menos do que ter pessoas que são um fardo social.
Erradicar a pobreza não é só um imperativo civilizacional é tambem um objectivo fundamental para termos pessoas mais capazes de contribuirem para o bem estar de todos!
Cientistas nos Estados Unidos chegaram à conclusão de que uma infância pobre até aos cinco anos marca para sempre o ser humano, não só no seu desenvolvimento, mas tambem a nível neurobiológico e na saúde para o resto da vida.
“Descobrimos que as crianças que crescem em ambientes desfavoráveis reagem de forma desproporcionada ao stress, e conseguimos medir isso através de avaliações hormonais e neurológicas, utilizando scanners cerebrais, e mais recentemente com análises genéticas”.
Estes estudos vêm comprovar o que o senso comum já observava, principalmente em pequenos agregados urbanos em que todos se conheciam, quem tinha boas condições de vida singrava quem vivia na pobreza mostrava-o na escola e nas relações com os outros miúdos da mesma idade. E na idade adulta quem é conhecido e venceu são os filhos de quem já naquela altura eram os senhores da cidade.
O ascensor social é muito pouco eficaz, mas grande parte da derrota vem, sabemos agora, do facto da pobreza e dos maus tratos marcarem para sempre a saúde das pessoas e permanecem para toda a vida. Isto mostra que o apoio social não é um custo, é um investimento, porque recupera pessoas para a vida profissional activa e, dessa forma, gasta menos do que ter pessoas que são um fardo social.
Erradicar a pobreza não é só um imperativo civilizacional é tambem um objectivo fundamental para termos pessoas mais capazes de contribuirem para o bem estar de todos!
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