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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Semana do Ensino - Presidente do Conselho das Escolas -

Luis Moreira

Manuel Esperança foi eleito pelos seus colegas para o lugar, é um homem corajoso e um professor interessado, defende soluções há muito banidas pela corporação de professores. Em entrevista ao Expresso defende entre outras coisas:

Assume que há maus professores e que o concurso de colocação não permite fazer a distinção - por isso deviam ser as escolas a escolher, como fazem os privados. Lamenta que a falta de assiduidade não seja mais penalizada e considera as quotas na avaliação imprescindíveis.

"De uma vez por todas, temos de nos habituar a não ter receio de dar aulas de porta aberta.Como sempre fomos donos e senhores da sala de aula, se nos invadem o espaço sentimos que é uma ameaça....as pessoas que avaliam são praticamente as mesmas que foram eleitas pelos professores para desempenhar as funções de coordenadores de disciplina.Sendo assim, não lhes reconhecem competência para avaliar?

...tem que haver quotas porque se não tínhamos só professores excelentes e muito bons..por exemplo a questão das faltas devia ser extremamente penalizadora....o que aconteceu no ciclo de avaliação anterior foi que, apesar de a assiduidade ser um parâmetro, todas as faltas eram consideradas justificadas e equiparadas a serviço lectivo dado...

a burocracia...disso nem falo. Há essa intervenção porque o sistema está construído de cima para baixo. Há muito que ouço falar de autonomia mas acho que não verei isso acontecer...gostava de poder escolher os professores. Essa é a grande diferença entre o ensino público e o privado e iria trazer vantagens. Temos de ser competitivos. E a verdade é que há pessoas que nasceram para dar aulas e outras que, mesmo ajudadas, não fazem nada para isso.O concurso de professores não faz a distinção entre o trigo e o joio."

As palavras serenas mas corajosas de um professor eleito pelos seus colegas que aponta a demagogia de quem defende o igualitarismo e a irresponsabilidade.

Para que conste!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Semana do Ensino - Professores - são falsos os seus argumentos

Luis Moreira

Primeiro quizeram convencer-nos que a avaliação não era possível nas escolas; depois que a avaliação estaria condenada tal era a diversidade do ambiente social e económico das escolas; a seguir era que professores não podiam avaliar professores; depois que os directores das escolas eram nomeados não ofereciam garantias de transparência; os rankings das escolas eram uma falácia, não levam em conta os factores de diferenciação...enfim, tudo o que cheire a avaliação, a mérito e a responsabilidade a corporação dos professores não quer.

Agora fazem um ataque cerrado à escola privada contratualizada, e percebe-se porquê. Acabavam de uma só penada com as comparações de resultados que ano após ano lhes é tão penoso. Deixavam de ficar em últimos. Mas há outros países, onde há muitos anos que se avança nos caminhos da excelẽncia, do mérito e dos resultados.Vem hoje no jornal (i)(1/12).Leiam:

Conclusão do estudo "Como os melhores Sistemas de Ensino continuam a melhorar" divulgado pela empresa McKinsey:eis os 20 modelos estudados:
De fraco para satisfatório: Gana,Minas Gerais,Madhya Pradesh (Índia), Wester Cape (África do Sul)
De satisfatório para bom: Arménia,Chile,Jordânia
De bom para excelente : Aspire (US),Boston (US),Inglaterra,Long Beach (US),Letónia,Lituânia,Eslovénia,Polónia
Excelente: Singapura,Hong Kong,Coreia do Sul,Saxónia (Alemanha)Ontário(Canadá)

"não é a riqueza, o modelo político ou a geografia que contribuem para que estejam hoje entre os que subiram o rendimento escolar a curto prazo"."A formação de professores e de directores escolares foi um passo decisivo que aconteceu em todos os modelos, mas foram os líderes políticos que fizeram a diferença"

Os autores do estudo foram conhecer o que é que os modelos têm em comum e porque é que resultaram:

01 - O que é comum a todos os modelos : a formação dos professores e directores da escola, a avaliação interna e externa dos alunos,...a revisão de normas e currículos ou as recompensas remuneratórias para os bons professores e gestores da escola...( a escaldar...)

02 -Centralizar ou responsabilizar: nos sistemas de fraco ou satisfatório desempenho, as práticas são disseminadas para escolas e professores através de um organismo central, mas nos modelos de alto rendimento escolar já não funcionam. Nestes casos o avanço da educação decorre sobretudo da flexibilidade das políticas e da responsabilidade que se atribui aos professores para atingir as metas e cumprir as reformas...um terço das escolas que estão a passar para bom e dois terços para excelente, descentralizaram as funções pedagógicas para as escolas. Há um orgão central para responsabilizar os professores pelo seu próprio desempenho e dos seus colegas.( faz lembrar algum país...? )

03 - Planos de carreira: nos sistemas com bom ou excelente os professores mais habilitados assumem a responsabilidade de ajudar os colegas em ínicio de carreira a atingir as metas de ensino propostas. Há práticas de colaboração entre escolas, todos os professores do mesmo grupo disciplinar reúnem-se para fazer o planeamento semanal das aulas. São obrigatórias também a observação de aulas entre colegas e o ensino em conjunto.O objectivo é melhorar a prática de ensino e tornar os professores responsáveis uns pelos outros.( está muito quente...)

Avaliação, mérito, autonomia,formação permanente,extras remuneratórios aos bons professores ...tudo o que é impossível na escola portuguesa!

Continua ( não é uma ameaça )

domingo, 14 de novembro de 2010

Professores - abandone-se esta lógica tão centralizadora do ensino

Luís Moreira

Diz Paula Romão, Directora da Escola Secundária do Castelo da Maia, doutorando em Ciências da Educação que apela à melhoria na qualidade do ensino e dos resultados dos alunos. (Público de 7/11)

Mais um professor que sentiu a necessidade de se fazer ouvir, como tantos outros que aqui tenho trazido, pugna pela autonomia das escolas, reivindicando uma maior responsabilidade pelos resultados, pedindo margem de manobra para tomar decisões em tempo útil, apelando a uma maior confiança nas lideranças para que possam prestar contas do desempenho da sua escola, dando-lhes instrumentos para que possam fazer a diferença.

Mesmo os constrangimentos financeiros que levam o governo a centralizar nos grandes agrupamentos, teriam melhor resposta na rentabilização dos meios humanos e materiais pela escola. Afinal a mesma lógica que leva países bem mais capazes do que o nosso a apostar nas "Free schools", com melhores resultados e poupança em estruturas intermédias.

Paula Romão fala também nos rankings das escolas, sublinhando o seu carácter erróneo em que faltam diversos e importantes factores que podem diferenciar as escolas. Há factores preditores do sucesso dos alunos como sejam o nível socioeconómico das famílias o esforço e a motivação dos alunos, o seu histórico, o sistema educativo, o fenómeno das explicações...estimando-se que só 25% é da responsabilidade da escola.

Já aqui trouxemos, repetidamente, esta questão, e a nossa Eva Cruz, professora reformada, em texto de grande abertura e clarividência avançou com um factor da maior importância que é o sermos capazes de saber, sem dúvidas, o que esperamos da escola.

Claro que, burocratas do ministério e do sindicato não estão interessados na autonomia das escolas, interessa-lhes esta centralização para poderem continuar com as suas guerras que nada têm a ver com a qualidade das escolas, nunca ninguém lhes ouviu apoiar a autonomia e a responsabilização da escola.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Conferência no Porto - Impacto Escolha da Escola

HERBERT J. WALBERG, reputado académico norte-americano, direccionou parte da sua investigação académica, à recolha de dados científicos, sobretudo resultantes de estudos efectuados nos EUA, que ajudam a perceber e quantificar o impacto de diferentes formas de escolha na qualidade do sistema de ensino e na integração social dos alunos. Venha ouvi-lo para perceber porque para lá do debate e preconceito ideológico, a escolha da escola vinga pela consistência dos resultados positivos que induz, comprovado por múltiplos estudos científicos de conceituados investigadores. Contamos com a sua presença e com a sua importante ajuda na divulgação e cobertura deste Encontro na cidade do Porto dia 16 de Novembro às 14h30.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Professores - Free schools

Luis Moreira

O profblog anuncia que as "free schools" avançam no Reino Unido!

Escolas autonomas, entregues a professores e a grupos de pais, sem interferência estatal, livres das guerras entre burocratas do ministério e dos sindicatos, Responsáveis pelos resultados que directamente interferem com a carreira de uns e com o futuro dos filhos de outros, a "Free school" tem tudo para andar.

Adeus à regulamentação aos montes, adeus às paletes de papéis,adeus às pirâmides de informação que ninguém lê, bem-vindos ao tempo suficiente para as aulas, para a sua preparação atempada, para as aulas de auxílio a quem precise...

Como tenho, repetidamente, aqui escrito, ninguém ouve uma palavra sobre a autonomia das escolas a sindicatos e ao ministério. Pudera, sem escolas escravas, não há matéria para manter milhares de burocratas entretidos com experiências pedagógicas, com reinvindicações permanentes, com guerras diárias...

Muitos professores,como tenho mostrado com textos que apanho na comunicação social, lutam pela autonomia das escolas, mas não são ouvidos, a verdade oficial é passada pelas guerras entre sindicatos e ministério, precisam uns dos outros para terem poder.

Para além da maior proximidade, o corte de custos nas estruturas, nacionais, distritais e locais é muito significativo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Professores - A escola não tem que ser democrática.

Luis Moreira

Fernando Savater, uma voz sensata, um líder de opinião que muito inspira,esteve em Portugal para falar de educação e da necessidade de uma revolução profunda. (revista Expresso)

A criação de uma disciplina de Educação Cívica que introduza a capacidade de agir em democracia, pois se a escola não o faz será a televisão a fazê-lo. A religião e moral, aconteceu em ditadura, no seu livro "Ética para um jovem" pretendeu que a ética servisse de alternativa à religião.A ética é para todos, não é exclusiva dos religiosos.

A escola não é democrática, nem deve sê-lo, a escola é a preparação para a democracia. A aula é hierárquica, o professor deve estar acima dos alunos que os prepara para serem cidadãos.

A escola sempre viveu em crise, anda atrás da sociedade, na medida em que os professores foram educados no passado e têm que educar para o futuro. A teoria que diz que os alunos são iguais aos professores leva a que percam o respeito pelo professor.Se a autoridade não é exclusiva dos professores a aula não funciona.

No "Panfleto Anti-Pedagógico" de Ricardo Moreno Castilho, cujo prefácio foi escrito por Savater, defende-se que a aula não é uma reunião de amigos nem um recreio, é o um lugar onde se transmitem conhecimentos. Ninguém coloca em causa a autoridade de um treinador de futebol que todos aceitam que deverá dar ordens aos seus jogadores.

Um ignorante segue tudo o que é prometedor, se lhe acenam com mais dinheiro, mais carreira, mais mordomias, a tendência é seguir os demagogos que promentem o céu e a terra, não é seguir quem é sério e promete mais trabalho e mais exigência.

Este é o grande problema da democracia! E da escola, acrescento eu.

domingo, 31 de outubro de 2010

Professores - 10% de mérito na escola pública

Luis Moreira

É bem verdade que o ranking das escolas está longe de ser perfeito, há critérios que deveriam ser tomados em conta e não são, mas também é verdade que as escolas que ficam sistematicamente nas melhoras posições são, de certeza absoluta, boas escolas. Vem isto a propósito desta notícia:

Das vinte melhores escolas em Portugal só duas são públicas. Perante este facto, a Ministra diz que "a escola pública não escolhe os alunos" e que "é uma escola aberta à sociedade, recebe todos".

Quem não gostou nada foi a Helena Matos (no Publico) que diz que é precisamente ao contrário, quem escolhe as escolas privadas são as famílias por considerarem que aí há maior exigência, e não por terem os filhos mais inteligentes.

A escola pública que emprega a corporação dos professores que se acomodam à política do sindicato, de guerra aberta, de reinvindicação permanente, é que não pratica uma docência de mérito, exigente, virada para os alunos, pelo contrário, está fechada sobre si própria, entregue às guerras permanentes entre os burocratas do ministério e os burocratas dos sindicatos.

Como se viu ainda bem recentemente, na reestruturação levada a efeito , com os mega- agrupamentos, o ministério não perguntou nada a ninguem se estava ou não de acordo, avançou e estão aí, a escola pública nada tem de aberta, não permite a livre escolha , não responde pelos maus resultados e tem um custo muito mais elevado por aluno que a escola privada.

A escola pública devia ser constituída pela escola estatal e pela escola de gestão privada( entregue aos professores que se constituíssem em grupos de gestão), as famílias escolhiam segundo os seus próprios critérios, de exigência , de proximidade, numa salutar concorrência, privilegiando o mérito e a autonomia face aos burocratas do ministério e do sindicato.

Os bons professores, como é reconhecido pelos próprios, são joguetes nas mãos do ministério e sindicatos , e sempre será assim se não houver uma maior autonomia, com a escola pública entregue a quem nela trabalha.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Professores - avaliação dos Directores das escolas

Luis Moreira

Eu bem sei que os professores não têm experiência de gestão das organizações e até creio que enquanto professores não terão que saber de gestão, mas às vezes fico perplexo. Agora alguns deles, os mesmos de sempre, estão contra o facto de os Directores das escolas serem avaliados pelas Direcções Regionais do Ministério. Mas então que de outra forma poderia ser?

Os Directores das escolas não dependem das Direcções Regionais? Os Directores Regionais não dependem do membro do Governo e o Governo não é avaliado pelos votantes? É assim em Democracia! Vão ser sujeitos a pressão politica? Pois vão, como seriam sujeitos à pressão dos professores se por eles fossem avaliados.

Ou querem andar em roda livre e em circuito fechado como na Justiça que não depende de ninguem , com os lindos resultados que estão à vista e com 97% de "bons" e "muito bons"? É isso? O Processo de avaliação vai ser regulado pelo Conselho Coordenador da Avaliação. Fazem parte deste Conselho o Director Regional e três Directores escolhidos entre os membros do Conselho das escolas. É sensato.

Um dos argumentos é que o Director Regional nada sabe do que se passa nas escolas. Melhor seria dizer que não sabe de nenhuma mas sabe de todas, que é, precisamente, o que o torna capaz de avaliar. Comparando os objectivos e medidas negociadas , com o que se passa noutras escolas com o mesmo perfil. Será que quem trabalha nas escolas tem uma visão do todo para poder avaliar o director da sua escola? Isso, normalmente, dá no gajo porreiro, mas que não obtem resultados.

Professores há, bem mais avisados e sabedores, que lutam pela clarificação dos critérios que irão presidir à avaliação, quanto mais claros, mensuráveis e negociados melhor para todos, haverá mais justiça e menos discricionaridade por parte de quem avalia. Defender que o Conselho Geral seja incluído no orgão avaliador por ser o orgão que escolhe o Director das escolas, é como meter "a raposa dentro do galinheiro".

Ser ingénuo é acreditar que o orgão Coordenador não vai pressionar o Director da escola ou é acreditar que os professores avaliariam de forma transparente e sem pressões?

O corporativismo cega pessoas inteligentes.Há bem pouco tempo defendiam que a avaliação não era aplicável às escolas e aos professores.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

As corporações solidárias exigem!

Luis Moreira

Num país com gente sem trabalho e pobre, dois milhões de pobres dizem as estatisticas, não há quem se indigne e faça ouvir a sua voz a seu favor. Nada, o que temos são as corporações de interesses sentadas à manjedoura em que transformaram o Estado, a exigirem e a protestarem por alguns dos seus privilégios serem tocados.

O Presidente do Sindicato dos Juízes chama ladrão ao governo por classificar como um roubo o que o governo propõe para quem paga as quotas que sustentam o sindicato. Vindo de um Juiz não está mal, vamos todos continuar a pensar que a classe é constituída por gente equilibrada e estimável, não corremos o risco de um dia sermos atropelados em pleno tribunal.

Mário "alucinado" do Sindicato dos Professores vem agora dizer que afinal a avaliação que tanto critica e que antes considerava impossível de realizar, resultou de um acordo com o Ministério. A avaliação foi sempre possível o que era necessário era ganhar mais uns cobres e mais uns quantos empregos para toda a vida. Se o Ministério não avançar com o concurso vai para o protesto, quiçá para a greve. A avaliação, a tal que era impossivel de ser aplicada aos professores, segue o seu caminho entre os profissionais dignos de serem professores.

Os trabalhadores das empresas públicas, com vencimentos e mordomias muito acima do comum dos mortais, anda para aí a espalhar, sem se envergonhar, que os cortes nos salários não se aplicam a eles, "as empresas apresentam lucros" , argumento assaz curioso de quem trabalha em empresas monopolistas no mercado interno, com preços muito acima dos praticados nos restantes países europeus. Afinal o mesmo argumento de quem ganha dezenas de milhares de euros por mês, os gestores que tanto recreminam.

As corporações de interesses deste Estado gordo e anafado, pasto de gente "bem", partidária, e privilegiada, sempre solidária com os "colegas" igualmente "bem", nem sequer se lembram que estamos num país com muita miséria, com elevado desemprego e elevada precariedade no emprego. Sem ponta de solidariedade com os mais pobres e mais fracos, nunca se farão ouvir para defender quem não tem voz, quem não tem condições de fazer greves, nem acesso à comunicação social.

Solidários, "bonzinhos", ideias avançadas, exigem de barriga cheia! Que vergonha!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Santana Castilho - a paciência que falta a todos

Luis Moreira


Diz Santana Castilho: "Miguel Sousa Tavares falou mais uma vez dos professores,na SIC. MST não pode fundamentar opinião com afirmações factualmente falsas.É grosseiramente falso que todos os professores passaram a ganhar mais automaticamente. Além disso, como aqui escrevi e MST não poderá desmentir, exceptuando a chaga dos desempregados, são os professores os mais penalisados pelos governos de Sócrates:viram salários congelados,carreiras congeladas e degradadas e tempos de trabalho aumentados; têm a maior carga horária da OCDE e o mais baixo salário..."

A gente lê isto e fica estarrecido. Mas ó prof. ter o mais baixo salário de todos da OCDE não é o que acontece a nós todos? Aos pedreiros, canalisadores, economistas ,arquitectos e todos os que, por ganharem tão pouco, vão lá para fora ganhar mais? E conhece alguma profissão, para além das outras corporações que abocanham o Estado, que os seus elementos tenha lugar fixo no "quadro" ? ter progressão automática? não serem avaliados e progredirem todos haja ou não mérito?

Conhece? É que visto assim, os professores, são uns grandes privilegiados, são das pessoas com melhor nível de vida cá neste país onde, a esmagadora maioria das pessoas não ganha nem metade e não tem emprego fixo para toda a vida! O Prof. quando escreveu este artigo acordou em que país? Na Alemanha, França, Reino Unido, Luxemburgo ...

Quando não há argumentos corre-se o risco de se cair em tentações que não ficam nada bem a um prof. universitário. E já agora, há hipótese de comparar os resultados? Quanto à preparação dos professores, aos conhecimentos adquiridos pelos alunos? Ou isso não interessa nada e não vale a pena comparar? A OCDE para os resultados não serve?

Diz MST que foram todos os professores aumentados, o prof. diz que não foram todos. Quantos é que não foram? Um, dois, 50%? O que o prof. sabe é o mesmo que levou MST a generalisar. Foram 435 milhões deitados para cima dos professores para eles irem para a escola ensinar e não para a frente do ministério gritar. Saberá o Prof. mais do que isto? Claro que não! Isto numa altura em que os mais pobres e os desempregados vivem cada vez pior.

É uma pena que não se bata por uma escola autónoma, assente no mérito, com os melhores a subirem na carreira. Em vez disso, tornou-se num porta voz igual a tantos outros de uma corporação que, como muitas outras, só quer mais mordomias, evitar a avaliação assente no mérito e ganhar mais. É pouco para tanto saber!

A conversa de que os professores são as vítimas do regime não colhe, estão muito acima, no que às condições de trabalho diz respeito, da maioria dos trabalhadores portugueses, e o que sabemos, e isto é de fonte segura, é que os nossos jovens saem da escola muito mal preparados. Convinha não esquecer o mérito dos resultados, é que quem não apresenta resultados ganha sempre demais.

PS: Para que não restem dúvidas tenho familiares professores e muitos amigos e amigas professores. Não é dos professores que se trata, é da corporação sentada à mesa do orçamento como muitas outras.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Professores - afinal a avaliação é possível!

Luis Moreira

O ímpossivel sempre se cumpre como, aliás, em todas as organizações. As escolas e os professores vão ser avaliados. Esperemos que sejam avaliados segundo o mérito, que trás resultados, diferenciação entre os que obtêm resultados e os que apenas esperam sentados.

Os professores que querem obter "bom" e "muito bom" têm que solicitar, segundo os escalões definidos, a observação de aulas, bem como apresentar os objectivos individuais. Quem não entrar nas percentagens mesmo assim terá uma majoração de 0.5 pontos por ano o que dará uma progressão ao fim de 3 anos. Nada mau!

Os sindicatos reclamam "um sarilho enorme" diz o Mário Nogueira, agora mais calmo perante a evidência, prevê que milhares de professores vão pedir para as suas aulas serem observadas - para quem dizia que a maioria estava contra, não está mal - o que aperta o prazo para coordenadores e relatores trabalharem as instruções. Mas o dirigente sindical insiste " a avaliação tem uma forte carga burocrática" o que já é um grande passo em frente, é sempre possível melhorar e aperfeiçoar. Contra quem está de cabeça enterrada na areia é que é mais dificil.

Para haver avaliação segundo o mérito é necessário saber a que se propõe a escola, definir objectivos globais, prazos , programas, medidas e, a partir daí, fixar os objectivos por matérias e, a seguir, definir objectivos individuais. É uma hipótese. Há outras, são conhecidas, estão implementadas é só aprender e andar em frente. E é preciso que os objectivos sejam mensuráveis, há muito que se faz em todas as organizações que querem progredir e não tenham medo do mérito.

Claro que é controverso trocar a direcção democrática por uma direcção única de uma pessoa nomeada, mas tambem é possível equilibrar os poderes com os outros orgãos da escola. É tudo uma questão de bom senso e remarem todos para o mesmo lado fixado e aceite por todos. Sem objectivos conhecidos e aceites por todos é que é muito dificil obter resultados.

Repito, havendo boa vontade e profissionalismo é um bom começo, não perfeito, vai ser necessário introduzir factores de aperfeiçoamento, índices mais significaticos, ponderar melhor o peso relativo, mas o processo vai encarregar-se de mostrar o caminho.É um bom começo.

Escolas de excelência

Em Bragança, um caso de sucesso invulgar, uma escola secundária pôs dez alunos no curso de Medicina, em simultâneo. Entre os 60 alunos que terminaram o 12º ano, duas alunas, as melhores da escola com 19,8 e 19,7 entraram nas opções preferidas e, os restantes, tiveram médias acima de 18,5 o que não lhes garantiu a colocação nas Faculdades indicadas em primeiro lugar. A faculdade de Medicina e o Instituto Abel Salazar. Estes dez alunos frequentaram a escola desde o 7º ano.

Uma escola de Viseu, conseguiu colocar vinte alunos nos cursos de medicina, o que, lembre-se, exige notas superiores a 18,5 valores .Toda uma sala de aula, não deve ter sido um fenómeno da natureza co-existirem tantos alunos excepcionais é, concerteza, o resultado de muito trabalho de alunos e de professores, dos pais, de toda a escola.
Mostra bem que as escolas não são iguais, nem os professores têm o mesmo mérito.
É bom haver diferenças que trás o reconhecimento do mérito de quem trabalha e apresenta resultados!

domingo, 19 de setembro de 2010

Professores - o custo do centralismo.

Luis Moreira

Cada aluno custa ao estado português cinco mil euros no ensino básico e 5695 euros no secundário. (dados recentemente divulgados pela OCDE). O mesmo Estado apoia as famílias de baixos rendimentos, que tenham os filhos em colégios.Esta comparticipação é de 720 euros anuais para um aluno do ensino básico e de 505 euros para um aluno do ensino secundário.

Se o centralismo estatal não fosse cego, veria que mesmo que duplicasse os apoios aos alunos dos colégios, e dessa forma mantê-los onde estão, não os deixando transferir-se para o ensino estatal, pouparia milhões de euros. A essa poupança acrescentaria a cobrança de IRS e IRC.

Isto é, ( 5 000 E - 1 440E= 3 560E) seria a poupança num caso e (5695E - 1 010E= 4 685E) no outro, por aluno, veja-se a quanto este valor de poupança pode representar multiplicado por milhares de alunos em todo o país.

Só razões ideológicas mantêm este centralismo cego num ministério cheio de burocratas, com os piores resultados da UE, que há dezenas anos colocou no centro das suas preocupações o experimentalismo pedagógico, sem nunca darem um passo no sentido da escola autónoma ou no direito das pessoas escolherem o projecto de educação que querem para os seus filhos.

Como sempre tenho dito, os burocratas do ministério e dos sindicatos precisam deste centralismo para manterem o poder, as supostas zaragatas não passam de teatro, sem uns não existem os outros, nunca discutem a escola, nem o mérito, tudo se resume às carreiras e às progressões automáticas. E os professores, que pagam as quotas dos sindicatos, vão na cantiga, não se importam de serem joguetes nas mãos desta gente.( ver texto: professores: são joguetes nas mãos do ME).

Há cada vez mais professores que fazem ouvir a sua voz contra este estado de coisas, move-os a esperança de uma escola autónoma, livre dos "recados" dos burocratas, dos mil papéis para preencher e que não servem para nada, das reuniões sem fim.

PS: Com Rodrigo Queiroz e Melo - Director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo

Ora, esta questão passa por um direito fundamental que é o direito de escolha, face aos maus resultados da escola pública, não se vê razões para se negar esse direito,podemos e devemos ter uma rede pública de escolas, umas estatais e outras privadas, competindo e complementando-se, melhorando umas e outras com o mérito e a experiência do dia a dia. O centralismo não consegue controlar todas e cada uma das escolas, todas diferentes, em ambientes diferentes, por isso abundam as circulares, os regulamentos, as fichas para preencher.

O ME e os sindicatos ficam a falar sozinhos,nada têm a ver com o que se passa dentro das escolas, ninguem melhor que os professores, os alunos, as instituições regionais e locais,conhecem a realidade em cada escola.

Este modelo está esgotado é preciso ter a coragem de mudar. Sem uma boa Educação o país não vai sair desta tristeza vil e envergonhada. Trinta e muitos anos é mais que suficiente para termos a certeza que a relação estável de proximidade entre professor e aluno é um factor determinante para obter bons resultados. Os factores que influem positivamente nos resultados não são preocupação nem são prioritários para sindicatos e Ministério, muda tudo em cada ano.

Só não mudam os maus resultados!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Professores - e se o Estado não tiver dinheiro para pagar salários?

Luis Moreira

Em tempos há muito idos, um colega meu no banco onde trabalhava, achava que não havia perigo nenhum para os bancários porque afinal, dizia ele :" estamos sentados no cofre forte".O medo impedia-o de ver que o dinheiro que estava no cofre não era do banco (isto se houvesse mesmo lá dinheiro...)

Hoje, no Expresso, alerta João Vieira Pereira :"Institutos públicos, empresas públicas e administração pública continuam a gastar e gastar sem o mínimo respeito pelo dinheiro dos contribuintes. A começar pelo governo que mal tomou posse comprou a paz com os professores. O custo foi de de cerca 225 milhões de euros, tanto quanto subiram as remunerações com o pessoal da educação entre Janeiro e Julho deste ano quando comparado com o mesmo período de 2009."

"E esta é a contribuição de pessoas como o líder sindical Mário Nogueira para o empobrecimento do país.Um crime bem mais grave do que muitos mediáticos mas que nunca serão julgados...(...) é o custo de ter uma classe política podre que se verga perante pessoas irresponsáveis, que, sem saber como detêm um poder com o qual não sabem, nem saberão lidar"
"O país inteiro só vai perceber que é preciso mudar quando chegar o dia em que o Estado não tenha dinheiro para pagar salários. E esse dia está muito mais perto do que parece."

Como sabem há muito que chamo a atenção para o comportamento de "Mário alucinado..."

domingo, 12 de setembro de 2010

Professores - o ensino (este) reproduz desigualdades sociais

Alexandra Pinheiro, dirigente do Fórum para a Liberdade de Educação diz que Portugal é dos países europeus onde o ensino mais reproduz desigualdades sociais.

"Em Portugal houve uma perversão do Estado social no domínio da Educação, responsável pela perpetuação de um sistema educativo sem qualidade e gerador de grande injustiça social....não obstante o sacríficio dos contribuintes e o crescimento substancial do orçamento do Ministério da Educação, os resultados internacionais espelham a fraca qualidade do ensino em Portugal e indicam que somos um dos países europeus em que o sistema de ensino reproduz...em que tendo um pai licenciado ainda é a mellhor garantia de ter acesso à Universidade."

""...Portugal está no grupo...em que ao lado de uma má educação se acentuam as disparidades sociais. As elevadas taxas de abandono escolar precoce e de chumbos consecutivos envergonhariam qualquer outro país europeu....Noutros países europeus, a vitalidade das sociedades democráticas, associada ao declinar dos seus resultados educativos, exigiu reformas que alteraram a forma de intervenção pública na educação para modelos consentâneos com o direito fundamental de escolha pelos pais do projeto educativo para os seus filhos. Hoje, é assim na Suécia, Holanda, Bélgica, e Reino Unido, só para citar alguns" .

Cabe ao estado assegurar uma rede de ensino gratuito e garantir que as escolas estão a prestar um serviço de qualidade.dessa rede fazem parte escolas estatais e privadas, o que permite aos cidadãos, ricos ou pobres, escolherem livremente o projeto educativo que pretendem para cada um dos seus filhos. Todas estas escolas são "públicas" e não podem fazer seleção de alunos!

A escola estatal não é a mesma coisa de escola "pública", esta redução permite ao Ministério da Educação gerir as suas escolas da forma que bem entende ( como vimos em: professores - há cada vez mais quem veja) consolidando uma estrutura cada vez mais centralizada.

A outra face desta moeda são os sindicatos que nunca reinvidicam melhorias pedagógicas, ou a coesão do quadro de professores,factores decisivos nos resultados. Os burocratas de ambos os lados precisam uns dos outros e precisam de uma obediente, amorfa e medíocre escola, com professores acomodados à carreira, às progressões automáticas e a não serem avaliados.

E a terem uma colocação na escola lá do bairro!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Professores - tão adiados como todos os outros...

Luis Moreira

Arquitecto, 35 anos, Licenciado na faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, com a frequência do 5º ano na Faculdade de Arquitectura de Milão.

Experiência de vários anos em ateliers de arquitectura holandeses, onde participou em grandes projectos como a Casa da Música e o Forum de Almada, Hotel do Chiado e vários grandes centros comerciais, como o de Coimbra e Faro.
Regresssado a Lisboa e após convite do atelier holandês, trabalha durante três anos em grandes projectos portugueses. Não acompanha o regresso à Holanda e funda o seu próprio atelier de arquitectura, Urbanismo e Design com mais dois colegas.
Há ano e meio que não tem trabalho, apesar de casado e com uma filha, não conhece ninguem nas câmaras, pelo que vive da ajuda do pai.

Licenciado em História, fala fluentemente, Português, Espanhol, Inglês, Polaco, Finlandês e Letão, nunca teve um emprego , vive em casa dos pais, de vez em quando recebe uma bolsa para ir àqueles países cujas línguas domina, por curtos períodos de tempo para fazer traduções ou trabalhar em bibliotecas.

Professora, 35 anos, ainda sem colocação definitiva espera todos os anos por colocação, o que acontece longe de casa e por períodos variáveis. Vive com o marido e dois filhos em Lisboa.
Serralheiro, 36 anos, prepara-se para emigrar para Angola, por a empresa onde trabalhava ter falido e fechado as portas.

Então? Não é isto que acontece à maioria dos jovens? Conheço todos os que estão aí em cima, incluindo a professora, a diferença é que o meu filho, o meu sobrinho e o filho aqui da porteira estão todos a preparar-se para emigrar e a professora foi colocada em Faro!

A diferença é entre 200 kms e 7 000 kms...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Professores-Quem indemniza os não avaliados não colocados?

Luis Moreira

A colocação dos 18 000 professores contratados revela-nos que 10 000 já tinham sido colocados o ano passado e que 8 000 são colocados pela primeira vez. Ficam, ainda assim, 30 000 professores de fora de que os sindicatos aproveitam a desilusão para venderem mais uma demagogia. O quadro está subavaliado são precisos mais professores, de preferência a pagar quotas, digo eu.

Mas do que ninguem fala, é do prejuízo que os professores contratados não avaliados sofreram e que se vai repercutir em toda a sua vida. Foram na conversa da "sereia" dos sindicatos e dos colegas confortavelmente sentados no lugarzinho para toda a vida. Como qualquer pessoa de bom senso e saiba um mínimo dos principios que enformam um estado de Direito, quem cumpre uma directiva do Ministério e, com isso, se candidata às expectativas que o Ministério deu a quem cumprisse, não poderia nunca sair prejudicado.

Como se viu numa primeira faze com os tribunais e, agora, com os professores preteridos a queixarem-se que foram ulltrapassados em muitos lugares por colegas que entregaram a avaliação. Quem é que indemniza estes professores que, de boa fé, foram atrás da demagogia dos sindicatos e da ignorância ou má fé dos colegas instalados? Um dos estúpidos argumentos é que teriam "atraiçoado" os colegas que seguiram as instruções dos sindicatos. Atraiçoado?

Mas não estamos numa democracia onde as pessoas pensam pela sua própria cabeça e se responsabilizam pelas decisões que tomam?

Quem é agora tão lesto em dar opiniões que mais não são que bravatas irresponsáveis e se adianta para pagar as indemnizações devidas?

Se fosse comigo tinham um processo cível no tribunal mais pŕoximo da escola onde não param de lacrimejar a sua desdita de serem professores...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os professores são joguetes nas mãos do ME e dos Sindicatos...





Luis Moreira

Maria Nazaré Oliveira, Professora do Ensino Secundário, diz algumas evidências que muitos não querem ver a par de muitas ideias feitas que afloram sempre no discurso dos professores.

"Desde a anterior Ministra da Educação, apesar de compreender algumas das suas medidas, tudo acabou por ser imposto!Sem diálogo.Quer do ME quer dos sindicatos.Falou-se do que não se sabia ou do que se sabia pouco. Legislou-se despoticamente." Os Sindicatos não são poupados, como é óbvio.

Antes disto vem o habitual, onde há muito a ideia de que os professores são as vítimas do regime, muito cansados, estoirados, asfixiados, desanimados...mais ou menos o que me diz a minha mulher a dias e todos os que têm que trabalhar todos os dias. Cheios de trabalho e de papéis, que têm que ler, regulamentos a esmo, nunca se viu tanta reunião e tanta papelada, tantas directrizes do Ministério e tantas orientações institucionais.

Há uma resposta como há muito defendo e que muitos professores defendem: a autonomia da escola! Lutem por uma escola autónoma, retirem a escola das garras dos burocratas do Ministério e dos burocratas dos Sindicatos. Quer uns quer outros precisam, uns dos outros, e da escola para terem a importância que têm.

"O Ministério e os Sindicatos foram irredutíveis nas suas posições e os professores foram uns joguetes nas suas mãos. Concordo com uma avaliação mais rigorosa e há muito que a aguardava, mas o modelo foi o melhor?"

Há muito que defendo o que aqui está escrito, parece que no país há medo de falar na escola autónoma, mas ela fará o seu caminho, apesar dos que acham que é com a carreira, as progressões automáticas e chegarem todos ao topo, que ganham à credibilidade e o respeito do país.

Cada vez mais há professores a perceberem que não passam de joguetes nas mãos de burocratas, que os afastam da população, que lhes cravam nas costas o corporativismo dos mesmos de sempre, os que querem o igualitarismo, não querem ser avaliados, não querem ser pagos segundo o mérito.

Os melhores saem prejudicados , os que ficam sentados à espera da promoção são os que fazem o barulho, e os resultados são a miséria que são.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

700 escolas a mais e autonomia a menos!


Luís Moreira

Temos níveis de educação baixíssimos e 700 escolas a mais? Alguem, no passado, congeminou que construir escolas era fundamental para melhorar a educação, o contrário do que se pensa agora. E, enquanto tivermos as escolas centradas no ministério, por cada equipa ministerial que toma posse teremos uma política diferente. Muda-se tudo!
A primeira prioridade é dar autonomia plena às escolas, contribuir para um quadro de professores estável, um ambiente de proximidade, envolver professores, pais de alunos, instituições civis e empresariais, autarquia...

Agora vamos ter mega agrupamentos, concentrar serviços administrativos, financeiros e fazer a gestão de dois/três mil alunos, enquanto nos países que já fizeram isto, há anos, se arrepia caminho e se volta ao "small is beautiful".

Os alunos numa escola não andam todos no mesmo ciclo, por isso esta medida vai apanhar alunos de todas as idades, para uns ,os mais velhos, será favorável conhecer outros jovens e outros professores, para outros vai ser uma odisseia. Na maior parte das vezes má.

O que o governo não faz é negociar com os professores, os pais, as autarquias e associações civis e empresariais, uma autonomia plena para a escola, inserindo-a no seu ambiente, favorecendo a proximidade, a estabilidade e o mérito, isso não, o Ministério deixava de ter a quem mandar as milhentas regras, regulamentos e más disposições diárias.

E ter treze disciplinas, além de estragar a coluna aos jovens com o peso da mochila, tambem contribui para os alunos aprenderem alguma coisa?

Esta questão leva-nos a outra. Que saberes? Português e Inglês, matemática e disciplinas científico-naturais? Ou ênfase nas disciplinas humanistas? Ou como sempre fizemos, prioridade a todas e estarmos mal preparados em todas? E é preciso começarmos pelo primeiro ano para só daqui a 14 anos vermos resultados? Não, deve avançar-se em pequenos passos, introduzindo as alterações no 6º, no 11º e assim por aí adiante.

Mas é claro que não haverá uma escola nova estando centrada no Ministério, nunca a colocação de professores terá que ver com a coesão de uma equipa, os programas pedagógicos nunca terão a ver com a região em que a escola se insere e com as características sociais dos alunos.

Autonomia, competências, responsabilização, são as chaves de alunos melhores preparados e de professores mais motivados. Sem esta mudança, vamos andar toda a vida, como já andamos há dezenas de anos, atrás do "eduquês", das experiências pedagógicas, por cada equipa ministerial que toma posse muda-se tudo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Professores - 31% do aumento da despesa!

Luis Moreira

Contas Públicas em exame
Educação representa 31% da subida dos gastos do Estado

O JN, e o Jornal de Negócios em primeira página , apresentam títulos que deixam grande parte da classe em desespero. O montante dos vencimentos subiu uns milhões e há esturro com as horas extras! No aumento da despesa pública 31% refere-se à educação.

Que nunca mais compram o JN, tal como nunca mais compraram o Expresso, depois de uma notícia que, pelos vistos, só eles não esqueceram. Não devem os jornais noticiar o que não agrada à classe de professores? Nenhum professor nega a notícia mas todos a justificam, ora com "mais assessores lá na minha escola", Direcção cheia de "gente que não faz nada" ( esta já sabíamos, meu caro)...

O que impressiona na classe é que parece que não conhecem o país onde vivem e trabalham. Reivindicação atrás de reinvindicação como se no país não haja gente sem trabalho, ou pior, gente que trabalha e não sai da miséria. Os professores ganham bem mais que a maioria dos portugueses ( a maioria dos trabalhadores não ganha mais que 600,00 euros) têm condições muito melhores de trabalho, de carreira, de garantias para o futuro do que a maioria que não tem vínculo para toda a vida a uma entidade patronal.

Colocar as suas questões como se fossem as prioritárias num país pobre e injusto, só lhes retira credibilidade, tanta como não quererem perceber que enquanto não tivermos uma escola de excelência, andarão a queixarem-se uns aos outros e a maioria da população a não compreender. Esta noção que a população não lhes reconhece credibilidade é muito frequente no discurso dos professores.

Agora são os jornais que estão contra os professores, ontem a classe política, depois os desempregados, os jovens que, licenciados como eles, nunca tiveram nem vão ter emprego, se o quiserem têm que emigrar para o estrangeiro. E nós a ouvirmos como reinvindicação a colocação numa escola lá do bairro...

Eu sei que num país onde há pensões de muitos milhares de euros e vencimentos de milhões a vontade é ir ao "pote de mel", todos pensamos assim, todas as corporações pensam assim, mas a pensar assim, este país é governável?

O título dá a resposta!Não há contas nacionais que resistam!

sábado, 14 de agosto de 2010

Autonomia para as escolas...


Luís Moreira


Vai fazendo o seu próprio caminho, a ideia da autonomia para a escola pública. Contra quase todos! Desde logo de quem não é necessário na escola mas vive dela. Os burocratas do Ministério da Educação e dos Sindicatos.Nunca ninguem os ouviu falar de autonomia, porque isso está contra o seu poder que usam e abusam. Mas há cada vez mais pessoas a lutar pela autonomia. Leiam esta carta de Rui Silvares que tudo indica ser um professor:

"....Talvez seja tempo de exigir que seja dada verdadeira e total autonomia às escolas portuguesas.O ministério deverá garantir o funcionamento do sistema, deixando para os conselhos de escola a responsabilidade de decidir sobre questões práticas em termos curriculares e de funcionamento das aulas.No final de cada ano lectivo e nos anos terminais dos ciclos de ensino básico e secundário, é desejável que o ministério organize e imponha exames nacionais com o objectivo de nivelar resultados.Nessas ocasiões, cada escola terá uma prova da qualidade do sistema que criou e será obrigada a assumir o sucesso ou insucesso do trabalho das suas estruturas particulares."

"...O Ministério da Educação e as suas tentaculares direcções regionais são absoletos, estão ultrapassados, não funcionam convenientemente e fazem mais mal que bem ao sistema do ensino português,"