com uma canção romântica à uma hora - cantada pelo Bing Crosby; às duas, mais um texto dos dez mais lidos (o nono classificado) - que nos fala dos momentos-chave na evolução do galego-português e às três uma pergunta baseada numa afirmação do Luiz Pacheco - A televisão é para estúpidos?
Agora, podemos contar com mais uma aparição de um sapo - já perceberam porquê?
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Evento – Quatro momentos–chave do galego-português
Carlos Loures
Da forma atrabiliária que já denunciei, fui ziguezagueando pelos temas que dizem respeito ao idioma galego-português. Não esquecendo que o objectivo destes textos é o de determinar o momento chave de uma dada literatura. Em jeito de quem apanha pedaços dispersos, eu diria que houve três momentos chave na história do galego-português. Refiro-me à língua falada desde a Alta Idade Média nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, uma variante neolatina ou, como diz com maior rigor científico Carvalho Calero, uma forma primitiva do romance hispânico ocidental. Forma que veio a resultar no galego-português (ou galaico-português).
Muito basicamente, descrevi, com a ajuda do Professor Villares, o momento da separação das duas partes irmãs, em que começou a deriva histórica e consequentemente a linguística. Deste período medieval há, quanto a mim, um primeiro evento assinalável - quando, no século XII, a poesia lírica produzida e escrita em galego-português, ultrapassando as suas fronteiras geográficas, chegava a Leão e Castela – as «Cantigas de Santa Maria», do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.
Muito basicamente, descrevi, com a ajuda do Professor Villares, o momento da separação das duas partes irmãs, em que começou a deriva histórica e consequentemente a linguística. Deste período medieval há, quanto a mim, um primeiro evento assinalável - quando, no século XII, a poesia lírica produzida e escrita em galego-português, ultrapassando as suas fronteiras geográficas, chegava a Leão e Castela – as «Cantigas de Santa Maria», do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Evento – em que momento o galego – português se tornou um idioma universal?
Carlos Loures
Serpenteando, avançando, recuando, tenho estado a recapitular temas da língua e da literatura galego-portuguesa que já aqui tinha abordado e que me parece oportuno recordar. Continuo hoje essa tarefa, há dias iniciada e respeitando o espírito da iniciativa lançada pelo Professor Sílvio Castro, queria referir-me ao evento que, na minha opinião, terá sido decisivo para a expansão da nossa língua – o momento chave que terá desencadeado essa expansão.
Vimos ontem como a criação de um reino independente a Sul do Rio Minho e a manutenção a Norte dos laços com o reino de Leão e Castela, teve por base especificidades das regiões bracarense e lucense que vinham já do período do domínio romano e que remetem para diferenças existentes desde então entre as regiões bracarense e lucense em que a Galécia se dividia. E, como Ramon Villares disse na sua “Historia de Galicia”, teve também como motivo uma certa «incapacidade da nobreza galega para se constituir em reino próprio desde os primeiros momentos da reconquista»;.
Vimos ontem como a criação de um reino independente a Sul do Rio Minho e a manutenção a Norte dos laços com o reino de Leão e Castela, teve por base especificidades das regiões bracarense e lucense que vinham já do período do domínio romano e que remetem para diferenças existentes desde então entre as regiões bracarense e lucense em que a Galécia se dividia. E, como Ramon Villares disse na sua “Historia de Galicia”, teve também como motivo uma certa «incapacidade da nobreza galega para se constituir em reino próprio desde os primeiros momentos da reconquista»;.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Evento – o momento histórico em que a deriva do galego-português começou
Carlos Loures
Prossigo a recapitulação do que antes disse sobre as questões históricas, literárias e, evidentemente, linguísticas ligadas ao idioma galego-português. Estou a fazê-lo, convenhamos, de uma forma um pouco errática – à medida que vou consultando o que escrevi e essa leitura me vai sugerindo estas notas. Acabo de saber que o Professor Ariel Castro se vai debruçar sobre este tema. Será um valioso contributo. E muito gostaria de que os amigos galegos interviessem activamente neste painel sobre um tema tão importante. Vamos lá a mais um apontamento
Simplificando, digamos que há na Galiza, além dos que defendem a reintegração do galego na área da lusofonia (não percam o ensaio de Carlos Durão -"Síntese do reintegracionismo contemporâneo"), há os que são pelo acentuar da castelhanização do galego e outros ainda que pugnam por uma via autónoma, ligada à fala popular distanciada do português por oito séculos de deriva. Há também quem defenda uma versão mais radical, ainda que, em parte, apoiada na palavra do Professor Ricardo Carvalho Calero e cientificamente verdadeira. Digo em parte, porque o Professor sempre defendeu a integração do galego no universo da lusofonia – a tal tese radical é a de que o nosso idioma comum se devia chamar galego e não português. Tentando avaliar se esta corrente de opinião é minimamente válida (porque não devemos reagir contra tudo aquilo de que discordamos numa apreciação superficial), pedi reforços ao professor Ramon Villares e à sua «Historia de Galicia», um livrinho de bolso editado em castelhano, que em Agosto de 1988 me foi oferecido por um professor da Universidade de Santiago de Compostela.
Prossigo a recapitulação do que antes disse sobre as questões históricas, literárias e, evidentemente, linguísticas ligadas ao idioma galego-português. Estou a fazê-lo, convenhamos, de uma forma um pouco errática – à medida que vou consultando o que escrevi e essa leitura me vai sugerindo estas notas. Acabo de saber que o Professor Ariel Castro se vai debruçar sobre este tema. Será um valioso contributo. E muito gostaria de que os amigos galegos interviessem activamente neste painel sobre um tema tão importante. Vamos lá a mais um apontamento
Simplificando, digamos que há na Galiza, além dos que defendem a reintegração do galego na área da lusofonia (não percam o ensaio de Carlos Durão -"Síntese do reintegracionismo contemporâneo"), há os que são pelo acentuar da castelhanização do galego e outros ainda que pugnam por uma via autónoma, ligada à fala popular distanciada do português por oito séculos de deriva. Há também quem defenda uma versão mais radical, ainda que, em parte, apoiada na palavra do Professor Ricardo Carvalho Calero e cientificamente verdadeira. Digo em parte, porque o Professor sempre defendeu a integração do galego no universo da lusofonia – a tal tese radical é a de que o nosso idioma comum se devia chamar galego e não português. Tentando avaliar se esta corrente de opinião é minimamente válida (porque não devemos reagir contra tudo aquilo de que discordamos numa apreciação superficial), pedi reforços ao professor Ramon Villares e à sua «Historia de Galicia», um livrinho de bolso editado em castelhano, que em Agosto de 1988 me foi oferecido por um professor da Universidade de Santiago de Compostela.
domingo, 14 de novembro de 2010
Sempre Galiza! - coordenação Pedro Godinho: Síntese do reintegracionismo contemporâneo (7), por Carlos Durão
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (7)
por Carlos Durão
(continuação)
A “oficialização” da normativa ortográfica
Os manuais Gallego 1/2/3 foram publicados pelo Secretariado de Publicacións da Universidade de Santiago entre 1971 e 1974 sob a direção de C. García, com X.L. Couceiro, Guillermo Rojo e Antonio Santamarina, ajudados por Mª C. Ríos, I. Leis e L.F. Pensado, com a colaboração de Ramón Lorenzo; na p. 82 do derradeiro diz-se claramente que foi adotada uma posição “separatista” face ao português, que Klaus Bochmann chama “antilusismo decidido” (1986, 91: 25); ao explicar a génese do livro diz C. García: “Parece que nas Normas académicas [do 1970] hai unha tendencia lusizante [...] E, o que aínda é máis grave, as Normas neste senso tenden a favorecé-la desaparición dunha forma xenuinamente galega” (1971, 32: 133). Anos mais tarde, este homem, que presidia o departamento de "Filoloxía" românica da USC, declarou que para ele é tão estrangeiro o português de Lisboa como o chinês (1991: 257-259). Nisto ia bem acompanhado: Avelino Abuín de Tembra atribuía a Gonzalo Torrente Ballester o asserto “A un galego cóstalle tanto traballo aprende-lo portugués como o chino” (1983.1984: 85).
Em 1975 inclui-se na administração o "galego autonómico": Decreto 1433/1975, de 30 de Mayo, de incorporación de las lenguas nativas a los programas de E.G.B. y Educación Preescolar.
Em 1976-77 o ILG convoca encontros/seminários semanais sobre normativa. Entre os que tiveram mais peso na formulação das normas isolacionistas estavam Constantino García, Antón Santamarina, F. Fernández Rei, A. Torres Queiruga, X.L. Méndez Ferrín, Bernardino Graña, X. Alonso Montero; participaram nalgumas sessões: R. Carvalho Calero, F. Fernández del Riego, Ramón Piñeiro, Carlos Casares, Ramón Lorenzo, S. García-Bodaño, Alfredo Conde, Guillermo Rojo, Ricardo Palmás; o resultado foram as “Bases prá unificación das Normas lingüísticas do galego. Resume dos seminarios celebrados na Universidade de Santiago de Compostela desde decembro de 1976 a xuño de 1977” (1977.1980).
1977-78 é o período constituinte ou de "transición democrática" espanhola.
Em 1978 sai à luz a “Constitución española” (27 dezembro; BOE do 29); art. 3o 1.: “El castellano es la lengua española oficial del Estado. Todos los españoles tienen el deber de conocerla y el derecho de usarla./ 2. Las demás lenguas españolas serán también oficiales en las respectivas Comunidades Autónomas de acuerdo con sus Estatutos”.
Em 1979 publica-se o “Decreto de Bilingüismo”, Real Decreto 1981/1979, 20 julho; BOE 199 e 200, de 21 agosto; Decreto 43/1979, de 21 setembro, da Junta pré-autonómica, que cria a “Comisión de Lingüística”, presidida por Carvalho Calero; “Acuerdo de la Comisión Mixta Xunta da Galicia-M.E.C.”, de 29 setembro 1979, pelo que se cria a “Subcomisión de Programación y Textos”, presidida por A. Santamarina e da que fazia parte C. Casares.
Em 1979-80 elabora-se o Estatuto de Autonomia, que sai em 1981: Ley Orgánica 1/1981, de 6 de abril, del Estatuto de Autonomía para Galicia, cujo artigo 5o 1. diz: “La lengua propia de Galicia es el gallego. 2. Los idiomas gallego y castellano son oficiales en Galicia y todos tienen el derecho de conocerlos y usarlos”. É a chamada “lingua de seu” ou “galego autoidentificado” (na altura era muito utilizado pela direita galega o termo “autoidentificación”, com certos ressaibos de pureza étnica e/ou de Estado policial).
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sábado, 13 de novembro de 2010
Sempre Galiza! - coordenação Pedro Godinho: Síntese do reintegracionismo contemporâneo (6), por Carlos Durão
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (6)
por Carlos Durão
(continuação)
O mencionado Grupo de Trabalho Galego de Londres foi fundado em 1970 e estava integrado por Teresa Barro, Xavier Toubes, Carlos Durão, Manuel Fernández-Gasalla e Fernando Pérez-Barreiro Nolla (não confundir com o hodierno http://www.grupotraballogalego.uk.net/; andando o tempo, aquela agrupação cindiu-se amistosamente num novo GTGL (2a, 3a e 4a etapas, sem alguns dos membros originais, e com outros novos, como Ricardo Palmás) e mais um Seminário de Estudos Galegos de Londres (em colaboração com a Comissão Cultural do Centro Galego de Londres, a Peña Cultural Española e a Inner London Education Authority (ILEA), no Hammersmith & North Kensington Adult Education Institute, do Greater London Council): vide C. Durão, "O Seminário de Estudos Galegos em Londres", ANT, no 262, 31 janeiro 1985, p. 19; posteriormente alguns membros deste GTGL participaram episodicamente em atividades da ASPG e IF e publicaram algumas considerações sobre o reintegracionismo, mas sem se decidirem a dar o passo de adotá-lo).
O GTGL publicava um Boletim quasi-bimestral para os mestres rurais se familiarizarem com aquela primeira Lei do Ensino. A sua seção de correspondência estava aberta não só aos mestres, mas também a qualquer pessoa interessada nos problemas do idioma galego, como os professores portugueses Agostinho da Silva e Rodrigues Lapa, e o escritor e pedagogo galego Ben-Cho-Shey. Incluía um suplemento com material escolar. Nos suplementos aos nos 7 e 8 (fevereiro e abril do 1972), o Boletim levava textos portugueses, com algumas instruções para facilitar a sua leitura. No no 9 (Natal) fazia-se um primeiro intento de adaptar textos de Castelão à ortografia comum (de que foram precursoras as “semi-adaptações” do português António Sérgio em Seara Nova, no 333, p. 325, 1933; vide "Sobre a ortografía galega: unha iniciativa", C. Durão, Grial, no 53, 1976, pp. 361-4).
Publicou um Plano Pedagógico (1971, 32: 202-10), redação coletiva do Grupo, no que dizia: “o galego non é lingua minoritaria. É -aínda- a lingua da maioría do pobo galego, a de Portugal, Brasil, Angola, Mozambique e outros pobos de África e Asia” (1971, 32: 203); e ainda: “unha técnica pedagóxica que semella protexer as linguas vernáculas pode ser, en realidade, o instrumento de unha política que ten decidido eliminalas” (1971, 32: 206). O Grupo era bem consciente deste perigo, e no seu Boletim (1971, 4: 3) dedicou-lhe ao manual Gallego 1, do Instituto de la Lengua Gallega (fundado no 1971, presidido por Constantino García González, o inventor do "galego autonómico"), uma pequena crítica na que várias vezes notava o seu caráter autoritário, e a “policía rigurosa” que Constantino García propusera no seu inapresentável artigo “Orixen e problemas do método de galego” (1971, 32: 132).
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Manifesto galego defende a restituição de Olivença a Portugal
Recuperamos este documento publicado pelo Grupo dos Amigos de Olivença, pois nele se reúnem duas causas que nos são caras - a questão de Olivença e a da língua e cultura galego-portuguesa:
Os problemas ibéricos são três, no que respeita a problemas internos: A remodelação do estado espanhol, reavendo-se Gibraltar. A integração do estado português, pela reintegração de Albuquerque e Olivença, e a anexação da Galiza. A Aliança Ibérica, como defesa do comum solo espiritual, invadido culturalmente pela França, e dividido territorialmente pela política da Inglaterra.»
Do mesmo modo que do lado de cá do Rio Minho vai despertando a consciência nacional sobre o problema fronteiriço de Olivença, também do lado de lá se vão ouvindo algumas vozes em defesa dos direitos portugueses sobre os 750 Km² que a Espanha mantém ilegalmente ocupados.
As duas margens do território Galaico-Português, acidentalmente separadas pela história, pelo menos até ao momento, começam a estar irmanadas num ideal comum - a reincorporação de Olivença nas fronteiras do Estado Português, a que se junta um outro ideal desejado por um crescente número de galegos: a reintegração da Galiza num Estado Lusófono, processo ansiado, por uns, numa perspectiva essencialmente cultural e linguística e idealizado, por outros, na plenitude da sua dimensão política e territorial.
É claro, o apoio expresso pelos nacionalistas galegos à restituição de Olivença a Portugal. Do «Manifesto Nacionalista Galaico-Português», datado de 2005, transcrevemos do artigo 3º:
«Não somos contra a Espanha ou contra Castela, embora seja a elas que reivindicamos a nossa identidade e o respeito que lhe devem, incluindo, sendo caso disso, a devolução de Olivença, conforme estipulam os convénios internacionais. De resto, achamos necessário que as nações da Península, dentro do respeito mútuo, superem velhas desconfianças e visem antes a ideia de um maior conhecimento e de uma colaboração interpeninsular.»
Os problemas ibéricos são três, no que respeita a problemas internos: A remodelação do estado espanhol, reavendo-se Gibraltar. A integração do estado português, pela reintegração de Albuquerque e Olivença, e a anexação da Galiza. A Aliança Ibérica, como defesa do comum solo espiritual, invadido culturalmente pela França, e dividido territorialmente pela política da Inglaterra.»
Do mesmo modo que do lado de cá do Rio Minho vai despertando a consciência nacional sobre o problema fronteiriço de Olivença, também do lado de lá se vão ouvindo algumas vozes em defesa dos direitos portugueses sobre os 750 Km² que a Espanha mantém ilegalmente ocupados.
As duas margens do território Galaico-Português, acidentalmente separadas pela história, pelo menos até ao momento, começam a estar irmanadas num ideal comum - a reincorporação de Olivença nas fronteiras do Estado Português, a que se junta um outro ideal desejado por um crescente número de galegos: a reintegração da Galiza num Estado Lusófono, processo ansiado, por uns, numa perspectiva essencialmente cultural e linguística e idealizado, por outros, na plenitude da sua dimensão política e territorial.
É claro, o apoio expresso pelos nacionalistas galegos à restituição de Olivença a Portugal. Do «Manifesto Nacionalista Galaico-Português», datado de 2005, transcrevemos do artigo 3º:
«Não somos contra a Espanha ou contra Castela, embora seja a elas que reivindicamos a nossa identidade e o respeito que lhe devem, incluindo, sendo caso disso, a devolução de Olivença, conforme estipulam os convénios internacionais. De resto, achamos necessário que as nações da Península, dentro do respeito mútuo, superem velhas desconfianças e visem antes a ideia de um maior conhecimento e de uma colaboração interpeninsular.»
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sábado, 30 de outubro de 2010
Carvalho Calero, na tradição galega da Linguística românica
Carlos Durão
Passados 20 anos da morte de Ricardo Carvalho Calero, e 100 do seu nascimento, continua na
Galiza o silenciamento da sua pessoalidade e da sua obra, tanto por parte das instituições como
daqueles inteletuais, de “direitas” ou de “esquerdas”, que decidiram seguir a política autonómica
isoladora do galego, a mesma do Estado Espanhol. É por isso que as associações reintegracionistas
galegas estão a celebrar o Ano Carvalho Calero com diversas atividades, culturais, pedagógicas,
lúdicas, que promovem a sua obra linguística e lembram a sua vida devotada à comunidade cívica
galega.
Lembremos brevemente alguns pontos da sua biografia. Nado em Ferrol no 1910, fez ali os seus
primeiros estudos, e ali realizou as suas primeiras atividades culturais e políticas galegas. Fez em
Santiago de Compostela estudos universitários, de Filosofia e Direito, relacionando-se com outros
estudantes do Seminário de Estudos Galegos e do Grupo “Nós”, nos anos da ditadura de Primo de
Rivera, e participando no movimento de resistência universitária.
Passados 20 anos da morte de Ricardo Carvalho Calero, e 100 do seu nascimento, continua na
Galiza o silenciamento da sua pessoalidade e da sua obra, tanto por parte das instituições como
daqueles inteletuais, de “direitas” ou de “esquerdas”, que decidiram seguir a política autonómica
isoladora do galego, a mesma do Estado Espanhol. É por isso que as associações reintegracionistas
galegas estão a celebrar o Ano Carvalho Calero com diversas atividades, culturais, pedagógicas,
lúdicas, que promovem a sua obra linguística e lembram a sua vida devotada à comunidade cívica
galega.
Lembremos brevemente alguns pontos da sua biografia. Nado em Ferrol no 1910, fez ali os seus
primeiros estudos, e ali realizou as suas primeiras atividades culturais e políticas galegas. Fez em
Santiago de Compostela estudos universitários, de Filosofia e Direito, relacionando-se com outros
estudantes do Seminário de Estudos Galegos e do Grupo “Nós”, nos anos da ditadura de Primo de
Rivera, e participando no movimento de resistência universitária.
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Ricardo Carvalho Calero - Estamos no Ano Carvalho Calero
[Publicado em 6/10/2010 no PGL – Portal Galego da Língua www.pglingua.org ]
http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=2876:estamos-no-ano-carvalho-calero&catid=3:opiniom&Itemid=80&Itemid=36
Por José Paz Rodrigues (*)
(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.
É muito difícil para mim entender que se tenha tanto no esquecimento uma pessoa que sempre trabalhou durante décadas e décadas polo idioma galego e pola Galiza. D. Ricardo Carvalho Calero, que tivem a sorte de conhecer e tratar, há tempo que tinha que receber na Nossa Terra a homenagem que bem merece polo seu grande labor e amor pola Galiza. Académico que foi da RAG desde o ano 1958, em que entrou como tal com o seu discurso de ingresso sobre o tema: “Contribuiçom ao estudo das fontes literárias de Rosalia”, é ainda muito mais difícil compreender como esta instituiçom nom tenha decidido, como deveria ser, que se lhe dedicasse este ano a festividade das Letras Galegas.
http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=2876:estamos-no-ano-carvalho-calero&catid=3:opiniom&Itemid=80&Itemid=36
Por José Paz Rodrigues (*)
(*) Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense.
É muito difícil para mim entender que se tenha tanto no esquecimento uma pessoa que sempre trabalhou durante décadas e décadas polo idioma galego e pola Galiza. D. Ricardo Carvalho Calero, que tivem a sorte de conhecer e tratar, há tempo que tinha que receber na Nossa Terra a homenagem que bem merece polo seu grande labor e amor pola Galiza. Académico que foi da RAG desde o ano 1958, em que entrou como tal com o seu discurso de ingresso sobre o tema: “Contribuiçom ao estudo das fontes literárias de Rosalia”, é ainda muito mais difícil compreender como esta instituiçom nom tenha decidido, como deveria ser, que se lhe dedicasse este ano a festividade das Letras Galegas.
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Leitura dum poema de Carvalho Calero por Pim Patinho na homenagem da Fundaçom Artábria no XVII aniversário da sua morte.
Ferrol, 1916
Cinco duros pagávamos de aluguer.
Era um terceiro andar, bem folgado.
Pola parte de atrás dava para o Campinho,
e por diante para a rua de Sam Francisco.
(...)
Ainda vivia minha mãe
e todos os meus irmaos viviam,
e em frente trabalhava o senhor Pedro o tanoeiro,
e a grande tenda de efeitos navais mantinha o seu trafego.
(...)
Via o mar da minha fiestra,
e chegavam cornetas da marinha.
E baixava os degraus duas vezes ao dia para ir à escola,
e duas vezes subia-os de volta.
(...)
As mulheres entom usavam capa e corsé,
e íamos à aldeia em coche de cavalos,
e a rua estava ateigada de pregons de sardinhas
e de ingleses que vendiam Bíblias.
(...)
Todo isto fica tam longe
que a duro podo ainda lembrá-lo.
Esquecia-o dentro de pouco
se nom escrevesse estes versos.
In 'Avalon', Futuro Condicional (1961-1980). Eds. do Castro, 1982.
Cinco duros pagávamos de aluguer.
Era um terceiro andar, bem folgado.
Pola parte de atrás dava para o Campinho,
e por diante para a rua de Sam Francisco.
(...)
Ainda vivia minha mãe
e todos os meus irmaos viviam,
e em frente trabalhava o senhor Pedro o tanoeiro,
e a grande tenda de efeitos navais mantinha o seu trafego.
(...)
Via o mar da minha fiestra,
e chegavam cornetas da marinha.
E baixava os degraus duas vezes ao dia para ir à escola,
e duas vezes subia-os de volta.
(...)
As mulheres entom usavam capa e corsé,
e íamos à aldeia em coche de cavalos,
e a rua estava ateigada de pregons de sardinhas
e de ingleses que vendiam Bíblias.
(...)
Todo isto fica tam longe
que a duro podo ainda lembrá-lo.
Esquecia-o dentro de pouco
se nom escrevesse estes versos.
In 'Avalon', Futuro Condicional (1961-1980). Eds. do Castro, 1982.
Ricardo Carvalho Calero recordado pela escritora María Xosé Queizán
Damos início a uma série de textos sobre a obra e a figura de Ricardo Carvalho Calero - cujo centenário se comemora hoje e ao qual consagraremos por inteiro a nossa edição.
Dentro desse espírito, transcrevemos do Portal Galego da Língua,com a devida vénia, uma crónica da escritora María Xosé Queizán, na qual a autora de Despertar das amantes, destaca a importância de Carvalho Calero para a cultura galega, lamentando e denunciando o ostracismo a que foi condenado.
Esta crónica foi colhida no semanário "A Nosa Terra", ao qual endereçamos também os nossos agradecimentos.
Começa Queizám a falar da casa natal de Carvalho, na parte velha de Ferrol. O prédio, em estado ruinoso, "pode servir como representaçom do desleixo das autoridades políticas e culturais galegas por esta figura exemplar do nosso pensamento e cultura", denuncia. A seguir lembra as suas vivências pessoais e familiares com ele, narrando que, sendo ela criança, o vira em fotografia passeando com seu pai por Santiago de Compostela. Ambos, nascidos em 1910, eram "companheiros na faculdade de Direito, correligionários na FUE e colaboradores da revista RESOL". Nom seria até 1962 que o conheceu pessoalmente. Foi em Lugo, e Carvalho "aledou-se ao abraçar a filha do seu perdido amigo". O relacionamento pessoal continuou ao se converter o ferrolano no primeiro crítico literário de Queizán, pois realizou a recensom do primeiro romance da escritora, A Orella no Buraco, em 1965. Mais tarde converteu-se "no meu querido professor" na matéria de Lingüística e Literatura Galega, cátedra que ganhou em 1972. Nesta altura do artigo, Queizán só tem boas palavras para Carvalho Calero. "Pertenço à primeira promoçom da licenciatura de Galego-Português, grupo que mantemos o nosso agradecimento a tam insigne professor e somos conscientes, nom só do que significou o seu magistério, mas do imprescindível que foi a sua obra". Aliás, afirma que sem o trabalho investigador do professor, como a monumental História da Literatura Galega Contemporánea (1963), "nom seria possível instaurar tal licenciatura". María Xosé Queizán finaliza o artigo para A Nosa Terra salientando que Carvalho Calero foi umha "pessoa séria, responsável, fiel aos seus princípios políticos, participa na criaçom do Partido Galeguista e na redaçom do Estatuto. Nom se concibe a cultura galega dos últimos 75 anos sem ele. Tampouco se entende a incúria em que o mantenhem".
(Na foto, casa onde Carvalho Calero nasceu, no Ferrol-Velho).
Dentro desse espírito, transcrevemos do Portal Galego da Língua,com a devida vénia, uma crónica da escritora María Xosé Queizán, na qual a autora de Despertar das amantes, destaca a importância de Carvalho Calero para a cultura galega, lamentando e denunciando o ostracismo a que foi condenado.
Esta crónica foi colhida no semanário "A Nosa Terra", ao qual endereçamos também os nossos agradecimentos.
Começa Queizám a falar da casa natal de Carvalho, na parte velha de Ferrol. O prédio, em estado ruinoso, "pode servir como representaçom do desleixo das autoridades políticas e culturais galegas por esta figura exemplar do nosso pensamento e cultura", denuncia. A seguir lembra as suas vivências pessoais e familiares com ele, narrando que, sendo ela criança, o vira em fotografia passeando com seu pai por Santiago de Compostela. Ambos, nascidos em 1910, eram "companheiros na faculdade de Direito, correligionários na FUE e colaboradores da revista RESOL". Nom seria até 1962 que o conheceu pessoalmente. Foi em Lugo, e Carvalho "aledou-se ao abraçar a filha do seu perdido amigo". O relacionamento pessoal continuou ao se converter o ferrolano no primeiro crítico literário de Queizán, pois realizou a recensom do primeiro romance da escritora, A Orella no Buraco, em 1965. Mais tarde converteu-se "no meu querido professor" na matéria de Lingüística e Literatura Galega, cátedra que ganhou em 1972. Nesta altura do artigo, Queizán só tem boas palavras para Carvalho Calero. "Pertenço à primeira promoçom da licenciatura de Galego-Português, grupo que mantemos o nosso agradecimento a tam insigne professor e somos conscientes, nom só do que significou o seu magistério, mas do imprescindível que foi a sua obra". Aliás, afirma que sem o trabalho investigador do professor, como a monumental História da Literatura Galega Contemporánea (1963), "nom seria possível instaurar tal licenciatura". María Xosé Queizán finaliza o artigo para A Nosa Terra salientando que Carvalho Calero foi umha "pessoa séria, responsável, fiel aos seus princípios políticos, participa na criaçom do Partido Galeguista e na redaçom do Estatuto. Nom se concibe a cultura galega dos últimos 75 anos sem ele. Tampouco se entende a incúria em que o mantenhem".
(Na foto, casa onde Carvalho Calero nasceu, no Ferrol-Velho).
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Ricardo Carvalho Calero - Amanhã dia 30 de Outubro, celebra-se o centenário de um dos maiores filólogos do nosso comum idioma.
Estrolabio dedica inteiramente a sua edição de amanhã à vida e à obra do Professor Ricardo Carvalho Calero. Assim, publicaremos uma série de textos, quer sobre a vida e obra do professor, quer sobre a unidade linguística constituída pelo galego-português, unidade que séculos de aculturação não conseguiram destruir.
Será uma edição especial da nossa secção bissemanal Sempre Galiza!
Porquê?
Carlos Loures
Integrada no estado espanhol, a nação galega não pertence de jure ao espaço da lusofonia que abrange Portugal e algumas das suas ex-colónias onde o idioma português permaneceu como língua oficial. Entre os séculos IX e XV, a língua falada nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, posteriormente dividida em condados e depois em duas nações, era uma variante neolatina – o galego-português (ou galaico-português). A poesia lírica produzida nesta região era escrita neste idioma que não só era utilizado pelos naturais, como, ultrapassando as suas fronteiras, chegava a Leão e Castela – as “Cantigas de Santa Maria”, obra do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português. No século XII ocorreu a separação de Portugal da coroa leonesa.
Será uma edição especial da nossa secção bissemanal Sempre Galiza!
Porquê?
Carlos Loures
Integrada no estado espanhol, a nação galega não pertence de jure ao espaço da lusofonia que abrange Portugal e algumas das suas ex-colónias onde o idioma português permaneceu como língua oficial. Entre os séculos IX e XV, a língua falada nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, posteriormente dividida em condados e depois em duas nações, era uma variante neolatina – o galego-português (ou galaico-português). A poesia lírica produzida nesta região era escrita neste idioma que não só era utilizado pelos naturais, como, ultrapassando as suas fronteiras, chegava a Leão e Castela – as “Cantigas de Santa Maria”, obra do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português. No século XII ocorreu a separação de Portugal da coroa leonesa.
sábado, 16 de outubro de 2010
Sempre Galiza!
Em breve Estrolabio iniciará uma rubrica bissemanal, a cargo de Pedro Godinho - Sempre Galiza! - dedicada à nação irmã, sua cultura e sua história - e à nossa língua comum. Deixamos aqui Leilía um grupo de pandereteiras galegas tradicionais, cantando «O Meu Amor».
sábado, 28 de agosto de 2010
O FLiP8;, o dicionário Priberam online e o galego-português
Carlos Durão
Acedo com gosto ao amável convite do Estrolabio para fazer uma breve resenha de algo que nos honra a todos, nesta grande casa da Lusofonia. Trata-se da atualização do reconhecido programa FLiP, da empresa Priberam Informática, permitindo programas OpenOffice.
Para nós, galegos, é importantíssima esta oitava atualização, pois entre as variedades nacionais da língua que tradicionalmente lá figuravam: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Timor, hoje por primeira vez aparece a Galiza, até com a sua bandeira. Este é um facto (um feito, como dizemos acima da Raia) que nos orgulha a todos, e pelo que parabenizamos a Priberam Informática.
Talvez para alguns leitores seja isto novidoso, mas a consideração da língua galega como “variedade do português” (também “norma galega do português”), sempre afirmada pela filologia clássica e independente de nacionalismos, recebeu um revigorado impulso nos dous derradeiros anos, que são os que tem de vida a jovem Academia Galega da Língua Portuguesa: ela foi recebida de braços abertos pelas irmãs Academia de Ciências de Lisboa e Academia Brasileira de Letras. A sua Comissão de Lexicografia e Lexicologia forneceu um Léxico não exaustivo (1200 entradas aprox.) de palavras “tipicamente” galegas, de uso corrente, para se integrar no Vocabulário Ortográfico que pedia o Acordo Ortográfico, como também nos demais dicionários da Lusofonia.
E isso já está a acontecer: um exemplo é este FLiP8; também o dicionário Priberam online já começou a incorporar esse Léxico. Os leitores podem ali consultar duas típicas palavras galegas: “lôstrego” e “brêtema” (http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=lôstrego e http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=brêtema). Elas já figuravam, como exemplos de proparoxítonas com vogal tónica fechada, na Base XI, 2º a) do Acordo Ortográfico de 1990, de Lisboa, no que a Galiza participou, com uma delegação de observadores, nas sessões de trabalho (como antes no de 1986 no Rio).
A inclusão de léxico da Galiza no FLiP 8 é fruto, pois, do trabalho da CLL da AGLP, e do Protocolo de Cooperação assinado com a Priberam. Mas também do chamado reintegracionismo linguístico galego, ao longo de muitos anos e com os esforços de muitos “bons e generosos” (as palavras do nosso Hino) de ontem e de hoje, entre os que só mencionarei os saudosos Ernesto Guerra da Cal e Manuel Rodrigues Lapa. Bem hajam!
Está a amadurecer na Galiza a consciência de pertença ao tronco linguístico comum, da que procuram afastá-la obscuros poderes ao serviço do centralismo estatal espanhol. Para estes “o galego” está bem em estado de hibernação e como engraçado adorno folclórico; e para eles é intolerável que a Galiza assuma a sua língua como nacional e internacional, com todas as consequências: pois isso é o que está a acontecer hoje nas suas camadas mais novas. Já era hora!
(Carlos Durão, Londres, 27 agosto 2010)
(Algumas ligacões: http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=view&id=117&Itemid=31
http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=view&id=114 (Léx) e
http://aglp.net/images/stories/Documentos/lexico_aglp.pdf)
Acedo com gosto ao amável convite do Estrolabio para fazer uma breve resenha de algo que nos honra a todos, nesta grande casa da Lusofonia. Trata-se da atualização do reconhecido programa FLiP, da empresa Priberam Informática, permitindo programas OpenOffice.
Para nós, galegos, é importantíssima esta oitava atualização, pois entre as variedades nacionais da língua que tradicionalmente lá figuravam: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Timor, hoje por primeira vez aparece a Galiza, até com a sua bandeira. Este é um facto (um feito, como dizemos acima da Raia) que nos orgulha a todos, e pelo que parabenizamos a Priberam Informática.
Talvez para alguns leitores seja isto novidoso, mas a consideração da língua galega como “variedade do português” (também “norma galega do português”), sempre afirmada pela filologia clássica e independente de nacionalismos, recebeu um revigorado impulso nos dous derradeiros anos, que são os que tem de vida a jovem Academia Galega da Língua Portuguesa: ela foi recebida de braços abertos pelas irmãs Academia de Ciências de Lisboa e Academia Brasileira de Letras. A sua Comissão de Lexicografia e Lexicologia forneceu um Léxico não exaustivo (1200 entradas aprox.) de palavras “tipicamente” galegas, de uso corrente, para se integrar no Vocabulário Ortográfico que pedia o Acordo Ortográfico, como também nos demais dicionários da Lusofonia.
E isso já está a acontecer: um exemplo é este FLiP8; também o dicionário Priberam online já começou a incorporar esse Léxico. Os leitores podem ali consultar duas típicas palavras galegas: “lôstrego” e “brêtema” (http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=lôstrego e http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=brêtema). Elas já figuravam, como exemplos de proparoxítonas com vogal tónica fechada, na Base XI, 2º a) do Acordo Ortográfico de 1990, de Lisboa, no que a Galiza participou, com uma delegação de observadores, nas sessões de trabalho (como antes no de 1986 no Rio).
A inclusão de léxico da Galiza no FLiP 8 é fruto, pois, do trabalho da CLL da AGLP, e do Protocolo de Cooperação assinado com a Priberam. Mas também do chamado reintegracionismo linguístico galego, ao longo de muitos anos e com os esforços de muitos “bons e generosos” (as palavras do nosso Hino) de ontem e de hoje, entre os que só mencionarei os saudosos Ernesto Guerra da Cal e Manuel Rodrigues Lapa. Bem hajam!
Está a amadurecer na Galiza a consciência de pertença ao tronco linguístico comum, da que procuram afastá-la obscuros poderes ao serviço do centralismo estatal espanhol. Para estes “o galego” está bem em estado de hibernação e como engraçado adorno folclórico; e para eles é intolerável que a Galiza assuma a sua língua como nacional e internacional, com todas as consequências: pois isso é o que está a acontecer hoje nas suas camadas mais novas. Já era hora!
(Carlos Durão, Londres, 27 agosto 2010)
(Algumas ligacões: http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=view&id=117&Itemid=31
http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=view&id=114 (Léx) e
http://aglp.net/images/stories/Documentos/lexico_aglp.pdf)
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Canta Galiza!
Segue-se "Galiza - uma terra, um povo, uma fala", pelo grupo Perdizadm:
Finalmente, apresentamos uma parte do Concerto de Uxia Senlhe na Sala Zitarrosa de Montevideu, Uruguai. Como convidada especial a cantora uruguaia, de origem galega, Crsitina Fernandez ~
Em breve, prosseguiremos com "Canta Galiza!".
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
María Xosé Queizán fala sobre Ricardo Carvalho Calero
Continua Estrolabio a dedicar a sua particular atenção às questões relacionadas com a língua e a literatura galegas, particularmente à figura de Ricardo Carvalho Calero - cujo centenário se comemora este ano e ao qual consagraremos por inteiro a nossa edição de 30 de Outubro.
Dentro desse espírito, transcrevemos hoje do Portal Galego da Língua,com a devida vénia, uma crónica da escritora María Xosé Queizán, na qual a autora de Despertar das amantes, destaca a importância de Carvalho Calero para a cultura galega, lamentando e denunciando o ostracismo a que foi condenado.
Esta crónica foi colhida no semanário "A Nosa Terra", ao qual endereçamos também os nossos agradecimentos.
Começa Queizám a falar da casa natal de Carvalho, na parte velha de Ferrol. O prédio, em estado ruinoso, "pode servir como representaçom do desleixo das autoridades políticas e culturais galegas por esta figura exemplar do nosso pensamento e cultura", denuncia. A seguir lembra as suas vivências pessoais e familiares com ele, narrando que, sendo ela criança, o vira em fotografia passeando com seu pai por Santiago de Compostela. Ambos, nascidos em 1910, eram "companheiros na faculdade de Direito, correligionários na FUE e colaboradores da revista RESOL". Nom seria até 1962 que o conheceu pessoalmente. Foi em Lugo, e Carvalho "aledou-se ao abraçar a filha do seu perdido amigo". O relacionamento pessoal continuou ao se converter o ferrolano no primeiro crítico literário de Queizán, pois realizou a recensom do primeiro romance da escritora, A Orella no Buraco, em 1965. Mais tarde converteu-se "no meu querido professor" na matéria de Lingüística e Literatura Galega, cátedra que ganhou em 1972. Nesta altura do artigo, Queizán só tem boas palavras para Carvalho Calero. "Pertenço à primeira promoçom da licenciatura de Galego-Português, grupo que mantemos o nosso agradecimento a tam insigne professor e somos conscientes, nom só do que significou o seu magistério, mas do imprescindível que foi a sua obra". Aliás, afirma que sem o trabalho investigador do professor, como a monumental História da Literatura Galega Contemporánea (1963), "nom seria possível instaurar tal licenciatura". María Xosé Queizán finaliza o artigo para A Nosa Terra salientando que Carvalho Calero foi umha "pessoa séria, responsável, fiel aos seus princípios políticos, participa na criaçom do Partido Galeguista e na redaçom do Estatuto. Nom se concibe a cultura galega dos últimos 75 anos sem ele. Tampouco se entende a incúria em que o mantenhem".
(Na foto, casa onde Carvalho Calero nasceu, no Ferrol-Velho).
Dentro desse espírito, transcrevemos hoje do Portal Galego da Língua,com a devida vénia, uma crónica da escritora María Xosé Queizán, na qual a autora de Despertar das amantes, destaca a importância de Carvalho Calero para a cultura galega, lamentando e denunciando o ostracismo a que foi condenado.
Esta crónica foi colhida no semanário "A Nosa Terra", ao qual endereçamos também os nossos agradecimentos.
Começa Queizám a falar da casa natal de Carvalho, na parte velha de Ferrol. O prédio, em estado ruinoso, "pode servir como representaçom do desleixo das autoridades políticas e culturais galegas por esta figura exemplar do nosso pensamento e cultura", denuncia. A seguir lembra as suas vivências pessoais e familiares com ele, narrando que, sendo ela criança, o vira em fotografia passeando com seu pai por Santiago de Compostela. Ambos, nascidos em 1910, eram "companheiros na faculdade de Direito, correligionários na FUE e colaboradores da revista RESOL". Nom seria até 1962 que o conheceu pessoalmente. Foi em Lugo, e Carvalho "aledou-se ao abraçar a filha do seu perdido amigo". O relacionamento pessoal continuou ao se converter o ferrolano no primeiro crítico literário de Queizán, pois realizou a recensom do primeiro romance da escritora, A Orella no Buraco, em 1965. Mais tarde converteu-se "no meu querido professor" na matéria de Lingüística e Literatura Galega, cátedra que ganhou em 1972. Nesta altura do artigo, Queizán só tem boas palavras para Carvalho Calero. "Pertenço à primeira promoçom da licenciatura de Galego-Português, grupo que mantemos o nosso agradecimento a tam insigne professor e somos conscientes, nom só do que significou o seu magistério, mas do imprescindível que foi a sua obra". Aliás, afirma que sem o trabalho investigador do professor, como a monumental História da Literatura Galega Contemporánea (1963), "nom seria possível instaurar tal licenciatura". María Xosé Queizán finaliza o artigo para A Nosa Terra salientando que Carvalho Calero foi umha "pessoa séria, responsável, fiel aos seus princípios políticos, participa na criaçom do Partido Galeguista e na redaçom do Estatuto. Nom se concibe a cultura galega dos últimos 75 anos sem ele. Tampouco se entende a incúria em que o mantenhem".
(Na foto, casa onde Carvalho Calero nasceu, no Ferrol-Velho).
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
O porvir do galego - Professor Ricardo Carvalho Calero fala sobre o galego-português
Dando continuidade à série de textos que temos vindo a dedicar às comemorações do centenário do Professor Ricardo Carvalho Calero (1910-1990), iniciamos hoje a divulgação de um conjunto de vídeos sob o título genérico "O porvir do galego", titulo e tema de um entrevista emitida em 27 de Abril de 1987 pela TV Galiza. Esta entrevista foi conduzida por Constantino García González (Uvieu 1927 - Compostela 2008), Catedrático de Filologia Românica da Universidade de Santiago de Compostela. É um depoimento essencial para a compreensão da posição de Carvalho Calero na luta pela língua e pela cultura galegas. Sabendo que os galegos, de uma maneira geral, conhecem sobejamente esta posição, fazemos a sua divulgação mais em intenção de muitos portugueses, brasileiros e outros falantes do idioma, que não têm dado a este magno problema a atenção devida.
Neste segmento que hoje inserimos, o Professor Carvalho Calero explica as razões históricas que conduziram à secundarização do galego relativamente ao castelhano, situadas sobretudo no século XIV, quando no século XIV, a aristocracia galega apoiante de Henrique de Trastâmara, se viu obrigada a exilar-se. sendo substituída pela nobreza castelhana e durante a Revolução Industrial, com a chegada de técnicos estrangeiros. Explica como na Catalunha as coisas se passaram de modo diferente, pelo que foi possível aos catalães manter a língua e a literatura mais protegidas da aculturação.
Neste segmento que hoje inserimos, o Professor Carvalho Calero explica as razões históricas que conduziram à secundarização do galego relativamente ao castelhano, situadas sobretudo no século XIV, quando no século XIV, a aristocracia galega apoiante de Henrique de Trastâmara, se viu obrigada a exilar-se. sendo substituída pela nobreza castelhana e durante a Revolução Industrial, com a chegada de técnicos estrangeiros. Explica como na Catalunha as coisas se passaram de modo diferente, pelo que foi possível aos catalães manter a língua e a literatura mais protegidas da aculturação.
Até 30 de Outubro próximo, não deixaremos de ir publicando textos, fotografias e vídeos sobre o Professor Carvalho Calero, figura cimeira da intelectualidade galega . O Estrolabio de 30 de Outubro será inteiramente dedicado à sua vida e à sua obra.
Iremos,até lá, publicando textos sobre Carvalho Calero e sobre outros paladinos da unidade do galego-português, como já fizemos com Manuel Rodrigues Lapa, por exemplo, um grande intelectual português que disse referindo-se a Otero Pedrayo: Se eu tenho orgulho em ser galego desta Galiza de aquém-Minho, e não é a primeira vez que o manifesto (sou de Anadia, nos limites da Galiza lanterga [sic]), por que razões ele, homem de Lugo, que pertencia à metrópole de Braga, não há-de ter orgulho em ser português? Dizendo melhor: por que não havemos todos de ter muita honra em ser galego-portugueses?”( in Otero Pedrayo e o problema da língua”, Grial, no 55, 1977, p. 44; depois em Estudos galego-portugueses, op. Cit.
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quarta-feira, 30 de junho de 2010
Manuel Rodrigues Lapa e a Galiza (2)
Carlos Loures
Nos anos que se seguiram, prosseguiu infatigavelmente a sua tarefa de pedagogo, saindo textos seus na Seara Nova, na Revista Portuguesa de Filologia, de Coimbra, na revista Anhembi, de São Paulo, no Diário Carioca, do Rio de Janeiro, nos Cuadernos de Estudios Gallegos, de Santiago de Compostela, na revista Romania, de Paris. Em 8 de Agosto de 1954, foi a São Paulo onde participou no Congresso Internacional de Escritores, na companhia de Adolfo Casais Monteiro e de Miguel Torga. Deu lições na Universidade e conferências na Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais. Regressou a Lisboa e prosseguiu a sua batalha, publicando a comunicação ao congresso de São Paulo – Das origens da poesia lírica medieval portuguesa. Na Anhembi publicou Galiza e Portugal; aspectos da cultura galega.
Nos anos que se seguiram, prosseguiu infatigavelmente a sua tarefa de pedagogo, saindo textos seus na Seara Nova, na Revista Portuguesa de Filologia, de Coimbra, na revista Anhembi, de São Paulo, no Diário Carioca, do Rio de Janeiro, nos Cuadernos de Estudios Gallegos, de Santiago de Compostela, na revista Romania, de Paris. Em 8 de Agosto de 1954, foi a São Paulo onde participou no Congresso Internacional de Escritores, na companhia de Adolfo Casais Monteiro e de Miguel Torga. Deu lições na Universidade e conferências na Faculdade de Filosofia da Universidade de Minas Gerais. Regressou a Lisboa e prosseguiu a sua batalha, publicando a comunicação ao congresso de São Paulo – Das origens da poesia lírica medieval portuguesa. Na Anhembi publicou Galiza e Portugal; aspectos da cultura galega.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Manuel Rodrigues Lapa e a Galiza (1)
Carlos Loures
Nas comemorações do centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero, não podia deixar de recordar um dos seus amigos portugueses – Manuel Rodrigues Lapa, um dos homens que, do lado de cá da fronteira mais se empenhou na reabilitação do galego e na sua reintegração no tronco comum do galego-português. Em Agosto de 1932 fez a sua primeira viagem à Galiza para participar numa homenagem a Castelão. Foi um marco importante da vida de Rodrigues Lapa, pois o seu amor por aquela nação irmã, acompanhá-lo-ia para sempre. Em Junho de 1981, fez uma última viagem à «sua» Galiza. Foi a Santiago de Compostela para participar no lançamento de um livro de Carvalho Calero - Problemas da Língua Galega. A ligação ao berço do idioma, foi uma constante na sua vida: «Nunca deixei de me ocupar da Galiza, que é para mim um vício e uma necessidade»., disse. A Galiza foi uma das maiores paixões da sua vida. Façamos, pois, uma síntese da sua biografia e dessas relações com os irmãos do Norte.
Manuel Rodrigues Lapa, nasceu em 22 de Abril de 1897 na Anadia, no extremo Sul do antigo reino da Galiza. Em 1919 licenciou-se em Filologia Românica e em 1929 entrou no corpo docente da Faculdade de Letras de Lisboa como assistente, indicado por José Leite de Vasconcelos. Bolseiro em Paris (1929-1930), doutorou-se com a dissertação Das origens da poesia lírica em Portugal na Idade Média. Em 15 de Fevereiro de 1933, proferiu no Salão da Ilustração Portuguesa, uma conferência que daria brado e iria marcar para sempre a sua vida – A política do idioma e as Universidades. O texto da palestra foi publicado na Seara Nova. Para entender a celeuma provocada, é preciso que nos situemos historicamente.
Nas comemorações do centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero, não podia deixar de recordar um dos seus amigos portugueses – Manuel Rodrigues Lapa, um dos homens que, do lado de cá da fronteira mais se empenhou na reabilitação do galego e na sua reintegração no tronco comum do galego-português. Em Agosto de 1932 fez a sua primeira viagem à Galiza para participar numa homenagem a Castelão. Foi um marco importante da vida de Rodrigues Lapa, pois o seu amor por aquela nação irmã, acompanhá-lo-ia para sempre. Em Junho de 1981, fez uma última viagem à «sua» Galiza. Foi a Santiago de Compostela para participar no lançamento de um livro de Carvalho Calero - Problemas da Língua Galega. A ligação ao berço do idioma, foi uma constante na sua vida: «Nunca deixei de me ocupar da Galiza, que é para mim um vício e uma necessidade»., disse. A Galiza foi uma das maiores paixões da sua vida. Façamos, pois, uma síntese da sua biografia e dessas relações com os irmãos do Norte.
Manuel Rodrigues Lapa, nasceu em 22 de Abril de 1897 na Anadia, no extremo Sul do antigo reino da Galiza. Em 1919 licenciou-se em Filologia Românica e em 1929 entrou no corpo docente da Faculdade de Letras de Lisboa como assistente, indicado por José Leite de Vasconcelos. Bolseiro em Paris (1929-1930), doutorou-se com a dissertação Das origens da poesia lírica em Portugal na Idade Média. Em 15 de Fevereiro de 1933, proferiu no Salão da Ilustração Portuguesa, uma conferência que daria brado e iria marcar para sempre a sua vida – A política do idioma e as Universidades. O texto da palestra foi publicado na Seara Nova. Para entender a celeuma provocada, é preciso que nos situemos historicamente.
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