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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 193 e 194 (José Brandão)


Um Jornal na Revolução

Jacinto Baptista

Seara Nova, 1966

O Século, apesar das suas opiniões. era, predominantemente, jornal de informação, enquanto o outro, O Mundo, a despeito das suas informações, se afirmava, essencialmente, jornal de opinião, não devia diferir muito, à data da revolução de Outubro, senão a tiragem, pelo menos a cotação de que um e outro fruíam no mercado de leitores, a avaliar pela publicidade (quer-se atestado mais qualificado?) que, por igual, preenche o espaço de ambos nas edições que lançam para a rua, por exemplo no dia 7 de Outubro de 1910: num, como noutro caso, uma página inteira de anúncios para cinco de texto.

Mas, apesar de tudo, não se tome como rigorosamente infalível o critério de avaliar a expansão de um jornal só pela quantidade de anúncios que insere: desconsertar-nos-ia. O País daquele mesmo dia 7, que reparte as suas quatro páginas em duas de anúncios e duas de redacção.

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Um Marinheiro Romântico

Bourbon e Menezes

Lisboa, 1924

A viúva de José Carlos da Maia agradece a Rocha Marfins e a Bourbon e Meneses a sua anuência para a publicação deste livrinho como homenagem a seu infeliz marido, e dedica-o ao seu querido filho Francisco Manuel para no exemplo da vida honestíssima e altamente Patriótica de seu Pai aprender a imitá-lo.

Também o dedica aos poucos mas excelentes Amigos que se comoveram ante a tragédia horrível, e tem manifestado o seu protesto, prestando culto á memória de seu adorado Marido, carinhos esmolas e benefícios á mulher e ao filhinho que ele tanto amou.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Trabalho infantil em 1910 - (Centenário da República)


De um colaborador recebemos esta informação sobre um acontecimento de há 100 anos:

No dia 24 de Setembro de 1910 registou-se em Portugal uma greve de rapazes entre os 6 e os 11 anos que trabalhavam na fábrica de estamparia dos Olivais. As crianças, em número de cinquenta, que ali laboravam, e cujo tarefa consistia em dar tinta aos oficiais estampadores, resolveram não trabalhar enquanto o seu salário não fosse aumentado.

Dizia o jornal O Século, que dava a notícia:

“Toda aquela petizada, plenamente convencida da legitimidade do seu direito a exigir mais recompensa pelo seu trabalho”, reclamava um aumento do seu salário para os 120 réis diários, em vez dos 80 réis que recebiam.

No dia seguinte será noticiada no mesmo jornal que os pequenos grevistas tinham conseguido um aumento de 20 réis, voltando a situação à normalidade.

O autor da notícia aproveitou a oportunidade para exprimir em Setembro de 1910 a sua esperança de que:

«… a sociedade de amanhã, composta de homens conscientes dos seus direitos, saberá sacudir todos os jugos violentos, a que ainda hoje se encontra submetida, e procurar, pelo próprio esforço, inteligentemente orientado, a sua emancipação económica e o seu bem estar social».

Faltavam menos de duas semanas para a proclamação da República. Faltava, por certo, muito mais do que um século para se atingir a tal sociedade de homens conscientes.

sábado, 10 de julho de 2010

Memórias de Adriano*

Carlos Loures

O título, embora igual não se inspira no do célebre romance de Marguerite Yourcenar. O Adriano a que aqui me refiro não é o imperador romano, mas sim o Adriano de Carvalho, um jornalista, um grande jornalista e um grande amigo. Ao longo da nossa amizade que, com altos e baixos, se manteve durante quase quatro décadas, muitas são as histórias que poderia contar sobre ele. Hoje vou contar o episódio da sua primeira morte.

Adriano de Carvalho foi, sobretudo nos anos 60, um brilhante jornalista português. O abuso continuado do álcool, o feitio difícil e, talvez, uma incómoda coerência, impediram-no de ter a carreira que merecia ter tido. Quando a maioria dos jornalistas se exprime num português que deve mais às telenovelas do que leitura de clássicos, o Adriano merecia e deveria ter ocupado um lugar entre os melhores da sua profissão. O que não aconteceu

Em Janeiro de 2000, um telefonema do David de Carvalho, um dos filhos do Adriano de Carvalho, informou-me do falecimento do pai. Foi uma notícia triste, mas não uma surpresa. Todos, incluindo o Adriano, sabíamos que a doença era terminal. Visitara-o dias antes - o humor cáustico, a inteligência aguda, estavam intactos. Foram duas agradáveis horas, a recordar episódios e combates, como que a fazer o balanço a uma amizade de quase quarenta anos. Diz o David de Carvalho, a propósito deste encontro e comentando um texto meu sobre seu pai: