Carlos Mesquita
Os economistas têm tido um papel fundamental nas mudanças da nossa sociedade, seja em momentos cruciais onde governaram como primeiros-ministros, Oliveira Salazar e Cavaco Silva, seja nos outros governos.
A definição da política económica do país teve sempre a mão decisiva de professores de economia, idos da Universidade para a governação. Todas as opções politicas nas áreas de economia e finanças tiveram a chancela de aprovação de economistas e foram elaboradas por eles.
Incontestavelmente, para a situação critica em que nos encontramos, os economistas que exerceram cargos nos governos muito contribuíram, assim como os que não governando, fizeram e fazem pressão do exterior para condicionar o rumo da política económica. A intervenção individual ou em grupo dos economistas na vida politica tem toda a legitimidade, se a intenção for esclarecer e debater os temas da sua área de especialidade.
Mostrar mensagens com a etiqueta cavaco silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cavaco silva. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
BPN
Carlos Mesquita
Oliveira e Costa está em liberdade, o processo é o mais estranho da história da justiça portuguesa, marcado pelo encobrimento, escondido em silêncio cúmplice. Há dezassete meses discutia-se em Portugal o vencimento do Ronaldo, o caso BPN estava em segundo plano, e eu escrevia este texto para o jornal onde colaboro. Note-se a discrepância entre os números que corriam e aquilo que é hoje sabido. O Estado, (o contribuinte) já entrou com 4.600 Milhões de euros para a fraude do BPN.
O título era. “A roubalheira no BPN dava para 30 Ronaldos”.
Dava, mas parece que já não dá; Vítor Constâncio disse ontem que a fraude no BPN, que envolve “figuras gradas do PSD”, não custa aos contribuintes portugueses 2.800 Milhões de euros (um terço do TGV) como se noticiava. Segundo o governador do Banco de Portugal a ladroagem já referenciada, que foi da política partidária e de altos cargos no Estado e nos governos, para o sistema financeiro, só vai conseguir roubar aos portugueses que pagam impostos, aí uns mil Milhões de euros; pouca coisa. Como a transferência do Ronaldo são 94 Milhões, dá apenas para 10 Ronaldos e mais ou menos meio Milhão de trocos.
(…)
Juntei estes dois acontecimentos para reflectir com os leitores este facto: porque será que em Portugal se discute fervorosamente o dinheiro que um espanhol deu a uns ingleses, e o ordenado dum emigrante que não sai do bolso de nenhum de nós, enquanto pelo menos dez vezes mais dinheiro, sai do sustento das nossas famílias, para uma dúzia de bandidos nacionais? Porque será que há dirigentes do PSD a fazer declarações sobre a moral do ordenado do Ronaldo, e recusam pronunciar-se sobre a roubalheira no BPN? E do BPP!
O caso BPN devia indignar toda a gente, e penso que tal não acontece porque não há a noção da dimensão da roubalheira, nem das ramificações políticas. Há, ao contrário, uma bateria de órgãos de informação, colunistas e partidos, comprometidos com a ideologia que criou as condições para os bancos serem assaltados por dentro; a desinformar para minimizar a fraude.
Como se pôde ver pelo inquérito parlamentar ao caso BPN, são aqueles que sempre defenderam a desregulamentação da actividade financeira, que acabaram por retirar proveitos eleitorais, atacando a supervisão que nunca quiseram, com o apoio duma esquerda que esqueceu a critica ao liberalismo, para lucrar uns votos tirados ao inimigo comum, o partido do governo. O governo esteve mal, ou nacionalizava a banca ou não nacionalizava os prejuízos da banca, mas quem roubou não foi o Banco de Portugal, foram os banqueiros, com a participação de todos aqueles que alegremente viam as suas poupanças aplicadas em títulos aumentar, sem que a actividade económica subisse na proporção. Foram a jogo e alguns arruinaram-se, as maiores empresas cotadas (PSI-20) perderam em 2008, 51% do seu valor; até o insigne professor de Economia e Finanças Cavaco Silva, que há anos avisava os portugueses para o perigo da bolsa, dizendo que se andava a comprar gato por lebre, deixou que os miaus levassem as suas poupanças, que andam, segundo ele, desaparecidas. Mas isso é secundário, é dinheiro de jogo e quando não se ganha é jogado fora; o pior é o dinheiro de quem não se habilitou a ganhar e perdeu na mesma, o dinheiro metido contra vontade, pelos contribuintes na roubalheira do BPN.
P.S.- Em 2003, Cavaco Silva mais a filha, conseguiram no meio da gataria apanhar uma grande lebre nas acções da SLN, cujo preço era fixado fora da bolsa. Renderam 140% (147,5 mil euros para Cavaco + 209,4 mil euros para a filha). Tinham como companhia uma sorte que anda desaparecida.
2009-06-16 Carlos Mesquita
Oliveira e Costa está em liberdade, o processo é o mais estranho da história da justiça portuguesa, marcado pelo encobrimento, escondido em silêncio cúmplice. Há dezassete meses discutia-se em Portugal o vencimento do Ronaldo, o caso BPN estava em segundo plano, e eu escrevia este texto para o jornal onde colaboro. Note-se a discrepância entre os números que corriam e aquilo que é hoje sabido. O Estado, (o contribuinte) já entrou com 4.600 Milhões de euros para a fraude do BPN.
O título era. “A roubalheira no BPN dava para 30 Ronaldos”.
Dava, mas parece que já não dá; Vítor Constâncio disse ontem que a fraude no BPN, que envolve “figuras gradas do PSD”, não custa aos contribuintes portugueses 2.800 Milhões de euros (um terço do TGV) como se noticiava. Segundo o governador do Banco de Portugal a ladroagem já referenciada, que foi da política partidária e de altos cargos no Estado e nos governos, para o sistema financeiro, só vai conseguir roubar aos portugueses que pagam impostos, aí uns mil Milhões de euros; pouca coisa. Como a transferência do Ronaldo são 94 Milhões, dá apenas para 10 Ronaldos e mais ou menos meio Milhão de trocos.
(…)
Juntei estes dois acontecimentos para reflectir com os leitores este facto: porque será que em Portugal se discute fervorosamente o dinheiro que um espanhol deu a uns ingleses, e o ordenado dum emigrante que não sai do bolso de nenhum de nós, enquanto pelo menos dez vezes mais dinheiro, sai do sustento das nossas famílias, para uma dúzia de bandidos nacionais? Porque será que há dirigentes do PSD a fazer declarações sobre a moral do ordenado do Ronaldo, e recusam pronunciar-se sobre a roubalheira no BPN? E do BPP!
O caso BPN devia indignar toda a gente, e penso que tal não acontece porque não há a noção da dimensão da roubalheira, nem das ramificações políticas. Há, ao contrário, uma bateria de órgãos de informação, colunistas e partidos, comprometidos com a ideologia que criou as condições para os bancos serem assaltados por dentro; a desinformar para minimizar a fraude.
Como se pôde ver pelo inquérito parlamentar ao caso BPN, são aqueles que sempre defenderam a desregulamentação da actividade financeira, que acabaram por retirar proveitos eleitorais, atacando a supervisão que nunca quiseram, com o apoio duma esquerda que esqueceu a critica ao liberalismo, para lucrar uns votos tirados ao inimigo comum, o partido do governo. O governo esteve mal, ou nacionalizava a banca ou não nacionalizava os prejuízos da banca, mas quem roubou não foi o Banco de Portugal, foram os banqueiros, com a participação de todos aqueles que alegremente viam as suas poupanças aplicadas em títulos aumentar, sem que a actividade económica subisse na proporção. Foram a jogo e alguns arruinaram-se, as maiores empresas cotadas (PSI-20) perderam em 2008, 51% do seu valor; até o insigne professor de Economia e Finanças Cavaco Silva, que há anos avisava os portugueses para o perigo da bolsa, dizendo que se andava a comprar gato por lebre, deixou que os miaus levassem as suas poupanças, que andam, segundo ele, desaparecidas. Mas isso é secundário, é dinheiro de jogo e quando não se ganha é jogado fora; o pior é o dinheiro de quem não se habilitou a ganhar e perdeu na mesma, o dinheiro metido contra vontade, pelos contribuintes na roubalheira do BPN.
P.S.- Em 2003, Cavaco Silva mais a filha, conseguiram no meio da gataria apanhar uma grande lebre nas acções da SLN, cujo preço era fixado fora da bolsa. Renderam 140% (147,5 mil euros para Cavaco + 209,4 mil euros para a filha). Tinham como companhia uma sorte que anda desaparecida.
2009-06-16 Carlos Mesquita
Etiquetas:
BPN,
carlos mesquita,
cavaco silva,
oliveira e costa,
vítor constãncio
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Eu não acredito no povo

Adão Cruz
Eu não acredito no povo, ou melhor, eu não acredito na maior parte do povo, ou melhor, eu não acredito politicamente no povo português.
Se não, vejamos o que se vai passar nas próximas eleições.
De certeza que não vão ser como as do Brasil, da Venezuela ou da Bolívia.
No dia de finados estive no cemitério em curta romagem à campa de meus pais.
Um imenso lençol de mortos jazia debaixo da terra, e um imenso mar de vivos (ou não seremos todos mortos-vivos?) deambulava à flor da terra. Os de baixo expiraram. Nós, os de cima, ainda inspiramos alguma coisa, mas não sabemos respirar, asfixiados que estamos pelo garrote do poder e pelo incenso da Igreja.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Actividades sucateiras...
Luis Moreira
O BPN segue o seu caminho rumo à falência como tantos avisaram o governo. As "sucateirices" são mais do que muitas, ontem a polícia fez mais umas rusgas e constituiu mais uns arguidos, negócios de compra de empresas falidas, ou compradas por metade do preço (como no universo do ex-IPE) com o dinheiro a correr para as off shores...
Já lá estão 2 mil milhões que a CGD lá colocou e agora ninguem quer o BPN, ou é incluído na CGD com as suas 2 000 pessoas ou o défice orçamental cresce mais uns milhões ...
As negociações para encontrar um orçamento credível é outra "sucateirice" , o défice que está debaixo do tapete não deixa que o acordo se faça , e já aparecem vozes da estranja a dizer que este orçamento não chega é preciso mais medidas de austeridade para pagar as parcerias públicas privadas que vêm aí a partir de 2013.
O candidato Cavaco Silva, o político há mais tempo no activo, mais uma vez vem dizer-nos que não tem nada a ver com a situação, pelo contrário, assim tivessem seguido os seus conselhos, presumo que tambem se refere a um Primeiro Ministro muito parecido com ele e com o mesmo nome...
Os sucateiros-mor do reino, Vara, Penedos, Rui Pedro, ocupadíssimos com as reuniões com os seus advogados, ficaram "sucateirados" com a deputada Ana Vitorino, ex-secretária de Estado dos transportes com Mário Lino, que acusa este de ter intercedido pelo sucateiro Godinho, o único que, coitado, andava a tentar fazer negócios para pagar os vencimentos aos empregados, mas é o único que está preso.
O BPN segue o seu caminho rumo à falência como tantos avisaram o governo. As "sucateirices" são mais do que muitas, ontem a polícia fez mais umas rusgas e constituiu mais uns arguidos, negócios de compra de empresas falidas, ou compradas por metade do preço (como no universo do ex-IPE) com o dinheiro a correr para as off shores...
Já lá estão 2 mil milhões que a CGD lá colocou e agora ninguem quer o BPN, ou é incluído na CGD com as suas 2 000 pessoas ou o défice orçamental cresce mais uns milhões ...
As negociações para encontrar um orçamento credível é outra "sucateirice" , o défice que está debaixo do tapete não deixa que o acordo se faça , e já aparecem vozes da estranja a dizer que este orçamento não chega é preciso mais medidas de austeridade para pagar as parcerias públicas privadas que vêm aí a partir de 2013.
O candidato Cavaco Silva, o político há mais tempo no activo, mais uma vez vem dizer-nos que não tem nada a ver com a situação, pelo contrário, assim tivessem seguido os seus conselhos, presumo que tambem se refere a um Primeiro Ministro muito parecido com ele e com o mesmo nome...
Os sucateiros-mor do reino, Vara, Penedos, Rui Pedro, ocupadíssimos com as reuniões com os seus advogados, ficaram "sucateirados" com a deputada Ana Vitorino, ex-secretária de Estado dos transportes com Mário Lino, que acusa este de ter intercedido pelo sucateiro Godinho, o único que, coitado, andava a tentar fazer negócios para pagar os vencimentos aos empregados, mas é o único que está preso.
Etiquetas:
BPN,
cavaco silva,
cgd,
Mário Lino,
sucateiros
terça-feira, 26 de outubro de 2010
A candidatura de Cavaco Silva
Luis Moreira
A Cavaco Silva, basta-lhe uma regencia de exemplo, apontando soluções, objectivos, estar fora do Orçamento mas juntar os dois maiores partidos sempre dando a ideia que a sua tarefa é facilitar, aplanar caminhos...
Mas sabemos que não é assim, mais do que uma vez que ergueu a voz contra os megainvestimentos, chamou a atenção para a dívida pública, correu o país numa política de proximidade, enaltecendo a obra regional e local. Bateu-se e bate-se pelas empresas que produzem para exportação, nunca se lhe ouviu uma palavra sobre as grandes empresas públicas, porque está contra elas, mas que representam muitos milhares de pessoas a ganharem muito bem e que formam opinião. Nem uma palavra sobre a intervenção governamental nos bancos, teria tudo a perder e nada a ganhar, há por lá muitos amigos e antigos colaboradores e como era fácil de perceber, tornaram-se num buraco negro sem fundo onde já se enterraram muitos milhões. Ninguem se apresentou à privatização, os milhões necessários para tornar o BPN viável, travam veleidades.
A máquina de apoio à candidatura já está em marcha, sempre foi assim, manter tabus e gerir o tempo que corre a seu favor, sem pressas, vai apresentar formalmente a candidatura e vai dizer que só o faz agora porque não quiz prejudicar a governamentação, o melhor seria que o PS e o PSD se despachassem e acordassem até logo à noite, seria ouro sobre azul.
Cavaco, igual a si próprio, anda a aquecer os motores, fazer rodagem, não quer nada mas quer tudo, sempre lhe cairam os lugares no regaço, a bem da nação.
Etiquetas:
cavaco silva,
eleições presidenciais,
luis moreira,
luís moreira,
megainvestimentos,
orçamento
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Coisas Breves - Rally para restaurar a sanidade
Carlos Mesquita
Pescas. Os portugueses são dos maiores consumidores de peixe do mundo. Dois terços do peixe consumido em Portugal são importados. O défice desta balança comercial atingiu cerca de 350 mil toneladas em 2009, no valor de 740 milhões de euros. Importamos 1,3 mil milhões de euros de peixe, exportamos 560 milhões. Não capturamos excessivamente nenhuma das nossas principais espécies de peixe. As quotas atribuídas ao nosso país não são esgotadas, devido á abundância de algumas espécies, e ao facto de Portugal não ter navios suficientes, porque a frota tem sido desmantelada. (i/Lusa)
Cavaco Silva abriu ontem a conferência “Portugal e o Mar” dizendo que “Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar um dos nossos principais recursos naturais” e precisou “face ás elevadas quantidades de consumo de peixe per capita, surpreende que não façamos mais esforços para aumentar a sua produção. Para um país que tem, impreterivelmente, de reduzir as suas importações e aumentar as suas exportações, dá para reflectir”.
Como o nosso presidente está surpreendido e nos pede para reflectir – reflictamos.
Este presidente não é o mesmo Cavaco Silva que foi primeiro-ministro? E não foi no seu governo que começaram e foram determinantes os incentivos ao abate de barcos de pesca? Como aliás ao abandono dos campos. É preciso ter uma grande lata para estar surpreendido pelos resultados das políticas que preconizou.
Lobos. Soube agora com o Orçamento de Estado (O.E.), o valor da indemnização aos concessionários da A24 pelo chumbo do Ministério do Ambiente ao traçado da via, para proteger segundo dizem o habitat de sete lobos em Trás-os-Montes. Desde 2003/2004 acompanhei e escrevi vários artigos na imprensa regional sobre as vicissitudes desta obra, crucial para a região. Foram pagos á Norscut 320 milhões de euros em 2008.
No O.E 201, estão inscritos 536 milhões devidos aos sindicatos bancários (BES, CGD e BCP) associados aos concessionários que avançaram com o pagamento à Aenor (216 milhões) e à Nortscut (A24).
No caso que conheço melhor, a indemnização é devida ao atraso do funcionamento da estrada. Não sei se está contabilizado nesta verba o desvio feito da serra do Alvão para a da Falperra, para o projecto ser aprovado, cujo viaduto sobre o vale de Vila Pouca de Aguiar custou 100 milhões de euros. É uma obra colossal com 1.350 metros de comprimento 32 pilares 30 andares de altura, leva os automobilistas para uma estrada de montanha, perigosíssima no inverno. Tudo isso para a estrada não passar por uma ponta da Rede Natura. É bom que os portugueses saibam que entre meio e um por cento do aumento do IVA, em 2011 é devido a esta despesa dita ambiental. Quanto custa não incomodar sete lobos, que parece que só são quatro, e já li que é só um?
Jon Stewart, actor e apresentador do Daily Show vai promover no fim deste mês uma manifestação a que chama “rally to restore sanity”.
Devíamos associar-nos, em nome do regresso de algum bom senso.
Pescas. Os portugueses são dos maiores consumidores de peixe do mundo. Dois terços do peixe consumido em Portugal são importados. O défice desta balança comercial atingiu cerca de 350 mil toneladas em 2009, no valor de 740 milhões de euros. Importamos 1,3 mil milhões de euros de peixe, exportamos 560 milhões. Não capturamos excessivamente nenhuma das nossas principais espécies de peixe. As quotas atribuídas ao nosso país não são esgotadas, devido á abundância de algumas espécies, e ao facto de Portugal não ter navios suficientes, porque a frota tem sido desmantelada. (i/Lusa)
Cavaco Silva abriu ontem a conferência “Portugal e o Mar” dizendo que “Portugal não se pode dar ao luxo de desperdiçar um dos nossos principais recursos naturais” e precisou “face ás elevadas quantidades de consumo de peixe per capita, surpreende que não façamos mais esforços para aumentar a sua produção. Para um país que tem, impreterivelmente, de reduzir as suas importações e aumentar as suas exportações, dá para reflectir”.
Como o nosso presidente está surpreendido e nos pede para reflectir – reflictamos.
Este presidente não é o mesmo Cavaco Silva que foi primeiro-ministro? E não foi no seu governo que começaram e foram determinantes os incentivos ao abate de barcos de pesca? Como aliás ao abandono dos campos. É preciso ter uma grande lata para estar surpreendido pelos resultados das políticas que preconizou.
*
Lobos. Soube agora com o Orçamento de Estado (O.E.), o valor da indemnização aos concessionários da A24 pelo chumbo do Ministério do Ambiente ao traçado da via, para proteger segundo dizem o habitat de sete lobos em Trás-os-Montes. Desde 2003/2004 acompanhei e escrevi vários artigos na imprensa regional sobre as vicissitudes desta obra, crucial para a região. Foram pagos á Norscut 320 milhões de euros em 2008.
No O.E 201, estão inscritos 536 milhões devidos aos sindicatos bancários (BES, CGD e BCP) associados aos concessionários que avançaram com o pagamento à Aenor (216 milhões) e à Nortscut (A24).
No caso que conheço melhor, a indemnização é devida ao atraso do funcionamento da estrada. Não sei se está contabilizado nesta verba o desvio feito da serra do Alvão para a da Falperra, para o projecto ser aprovado, cujo viaduto sobre o vale de Vila Pouca de Aguiar custou 100 milhões de euros. É uma obra colossal com 1.350 metros de comprimento 32 pilares 30 andares de altura, leva os automobilistas para uma estrada de montanha, perigosíssima no inverno. Tudo isso para a estrada não passar por uma ponta da Rede Natura. É bom que os portugueses saibam que entre meio e um por cento do aumento do IVA, em 2011 é devido a esta despesa dita ambiental. Quanto custa não incomodar sete lobos, que parece que só são quatro, e já li que é só um?
Jon Stewart, actor e apresentador do Daily Show vai promover no fim deste mês uma manifestação a que chama “rally to restore sanity”.
Devíamos associar-nos, em nome do regresso de algum bom senso.
Etiquetas:
cavaco silva,
IVA,
orçamento de estado,
pescas
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Coisas breves. Cavaco recebe partidos
Carlos Mesquita
Cavaco Silva reuniu hoje com partidos de esquerda. Recebeu-os na sala trapezoidal de S. Bento, onde para além dos assentos há uma mesa redonda com apenas quatros pernas, em cima um candeeiro de lâmpadas anti-melgas. Ao fundo uma pantera de louça e um cavalete de pintura com um quadro de tela branca roto desde o centro esquerdo ao centro direito.
Aníbal (é o nome próprio com que se levanta) acordou depois de uma noite mal dormida de preocupações.
Cavaco Silva reuniu hoje com partidos de esquerda. Recebeu-os na sala trapezoidal de S. Bento, onde para além dos assentos há uma mesa redonda com apenas quatros pernas, em cima um candeeiro de lâmpadas anti-melgas. Ao fundo uma pantera de louça e um cavalete de pintura com um quadro de tela branca roto desde o centro esquerdo ao centro direito.
Aníbal (é o nome próprio com que se levanta) acordou depois de uma noite mal dormida de preocupações.
domingo, 8 de agosto de 2010
Ministério Público ameaça implodir!
Luís Moreira
As notícias que se publicam sobre processos em segredo de Justiça, não são mais que o desejo de alguem dentro do MP de não deixar que o assunto morra. Nunca se encontra a fonte e, no entanto, todos sabemos que muito poucos têm acesso ao processo.
O recente relatório sobre o caso Freeport, não é mais que o grito de alguem que, obrigado a proceder de determinada maneira, contorna a hierarquia publicando as perguntas que não foram feitas ao Primeiro Ministro. No caso das escutas ao Primeiro Ministro, o que se passou no triângulo, magistrados de Aveiro, PGR e Presidente do Supremo,vindo a público as diversas perpectivas, não é mais que mostrar que a tese que prevaleceu deixa dúvidas a muita gente.
Há muito que há uma guerra latente e que se trava nos "intestinos" do Ministério Público, entre poderes e pseudo poderes e que vêm a público por quem perde no terreno ou por quem quer fragilizar os adversários cuja opinião prevalece. Desengane-se quem julga que é inoperância!
O Estado de Direito é todos os dias ameaçado por quem devia ser o seu guardião, pois não há maior ameaça que a perda de credibilidade junto da opinião pública. Já aparecem os barões da advocacia a tomarem partido estando eles tão interessados no resultado da contenda.Feridas de multiplas guerras nos tribunais e fora deles sangram novamente.Cheira a golpe de Estado, assim o país não estivesse integrado na UE!
O Presidente da República não diz nada, tem como horizonte as eleições, não quer desagradar a ninguem, ou então sabe que em guerras intestinas, o que sobra é merda, e guarda a prudente distância.
Entretanto, jornalistas e cidadãos assistentes nos processos, todos os dias, enchem a opinião pública de mais dúvidas e de revelações usando um direito que lhes assiste.
Perante este cenário, há o perigo de quem se queira fechar numa concha, de cortar direitos, mas o caminho é exactamente o contrário. Fortalece-se o Estado de Direito com mais Democracia!
domingo, 25 de julho de 2010
Passos Coelho em Vila Real
Carlos Mesquita
Há festa no distrito para as bandas do PSD, banda mais retrógrada do espectro político português, desde que a actual direcção do partido trocou a matriz social-democrata pelo ultra-liberalismo.
Vai ouvir-se a banda desafinada, com Passos Coelho cantando as justificações para a imposição, pelo PSD, de portagens nas SCUTs do Interior Norte. O líder do PSD vai fazer contas para explicar como os 6.046 veículos diários que agora circulam na A24 vão pagar a auto-estrada, quando há quem diga que a receita nem cobre os custos de investimento e operação de portagens, já afirmava Ferreira Leite na ultima campanha eleitoral que nem valia a pena neste caso cobrar portagens. Vai dizer que haverá descriminação positiva para alguns, escondendo que esses, como todos os outros, vão pagar as portagens quando forem às compras de produtos que viajaram pela auto-estrada. Tudo o que chegar à região sobre rodas vai aumentar de preço, tudo o que sair da região sai mais caro, tornando os produtos transmontanos menos competitivos. Os turistas que visitariam Trás-os-Montes farão contas para escolher entre este e outros destinos. As vias rápidas abertas pelos montes trasmontanos que são o caminho principal para sair do subdesenvolvimento, vão voltar (por iniciativa de Passos Coelho) a ficar tapadas pelo entulho das portagens.
Volta de certa forma o isolamento, económico, irrecuperável. Em vez de Trás-os-Montes ir no encalço das zonas mais evoluídas do país, vai ficando mais atrasada, não alcançando o pelotão, pedalando penosamente junto do carro-vassoura.
Mas não vai faltar festa por causa da realidade, a festa é para esquecer e esconder a realidade.
Passos Coelho precisa de festas, de banhos de convertidos que o façam esquecer a patente falta de ideias para tentar contribuir para a solução dos problemas reais do país, e para esquecer as asneiras políticas com que o PSD tem brindado os portugueses; como as propostas destrambelhadas de revisão constitucional que sabe não poder fazer sem dois terços da assembleia, e sem o acordo do presidente. Aliás, com o desatino das propostas absurdas que tem feito, já tramou a campanha a Cavaco que esperava ir para um segundo mandato em jeito de passeio. O candidato Cavaco, agora vai ter de se pronunciar sobre as alterações propostas por Passos Coelho à lei fundamental que jurou cumprir e fazer cumprir. Antes de Passos Coelho vir, eventualmente, a ser primeiro-ministro, os candidatos a presidentes da República que terão de promulgar as hipotéticas alterações, quando exercerem o cargo, vão dizer se concordam com as alterações sugeridas; Portugueses de primeira e de segunda no acesso à saúde e à educação, desequilíbrio do sistema político, arrasar os direitos sociais e laborais e o resto de disparates com os quais não vale a pena nesta altura gastar tempo. Tudo isso é para encobrir a falta de ideias e soluções e o receio de enfrentar a governação. Passos Coelho tem-se limitado a deixar sugestões de políticas avulsas no ar, lançando barro á parede, que não pegando, se apressa a desdizer. Ninguém sabe o que Passos Coelho quer, nem para quando quer.
Não é tipo com quem se vá à caça, vê uma boa sondagem, acelera; de repente trava, recua, saltita, dá mais uma fugida, volta atrás, pisga-se outra vez, sobe, desce, esconde-se, espreita, desaparece. É uma canseira, e com ele a fazer de coelho é um dia perdido.
Transcrito de Semanário Transmontano
Há festa no distrito para as bandas do PSD, banda mais retrógrada do espectro político português, desde que a actual direcção do partido trocou a matriz social-democrata pelo ultra-liberalismo.
Vai ouvir-se a banda desafinada, com Passos Coelho cantando as justificações para a imposição, pelo PSD, de portagens nas SCUTs do Interior Norte. O líder do PSD vai fazer contas para explicar como os 6.046 veículos diários que agora circulam na A24 vão pagar a auto-estrada, quando há quem diga que a receita nem cobre os custos de investimento e operação de portagens, já afirmava Ferreira Leite na ultima campanha eleitoral que nem valia a pena neste caso cobrar portagens. Vai dizer que haverá descriminação positiva para alguns, escondendo que esses, como todos os outros, vão pagar as portagens quando forem às compras de produtos que viajaram pela auto-estrada. Tudo o que chegar à região sobre rodas vai aumentar de preço, tudo o que sair da região sai mais caro, tornando os produtos transmontanos menos competitivos. Os turistas que visitariam Trás-os-Montes farão contas para escolher entre este e outros destinos. As vias rápidas abertas pelos montes trasmontanos que são o caminho principal para sair do subdesenvolvimento, vão voltar (por iniciativa de Passos Coelho) a ficar tapadas pelo entulho das portagens.
Volta de certa forma o isolamento, económico, irrecuperável. Em vez de Trás-os-Montes ir no encalço das zonas mais evoluídas do país, vai ficando mais atrasada, não alcançando o pelotão, pedalando penosamente junto do carro-vassoura.
Mas não vai faltar festa por causa da realidade, a festa é para esquecer e esconder a realidade.
Passos Coelho precisa de festas, de banhos de convertidos que o façam esquecer a patente falta de ideias para tentar contribuir para a solução dos problemas reais do país, e para esquecer as asneiras políticas com que o PSD tem brindado os portugueses; como as propostas destrambelhadas de revisão constitucional que sabe não poder fazer sem dois terços da assembleia, e sem o acordo do presidente. Aliás, com o desatino das propostas absurdas que tem feito, já tramou a campanha a Cavaco que esperava ir para um segundo mandato em jeito de passeio. O candidato Cavaco, agora vai ter de se pronunciar sobre as alterações propostas por Passos Coelho à lei fundamental que jurou cumprir e fazer cumprir. Antes de Passos Coelho vir, eventualmente, a ser primeiro-ministro, os candidatos a presidentes da República que terão de promulgar as hipotéticas alterações, quando exercerem o cargo, vão dizer se concordam com as alterações sugeridas; Portugueses de primeira e de segunda no acesso à saúde e à educação, desequilíbrio do sistema político, arrasar os direitos sociais e laborais e o resto de disparates com os quais não vale a pena nesta altura gastar tempo. Tudo isso é para encobrir a falta de ideias e soluções e o receio de enfrentar a governação. Passos Coelho tem-se limitado a deixar sugestões de políticas avulsas no ar, lançando barro á parede, que não pegando, se apressa a desdizer. Ninguém sabe o que Passos Coelho quer, nem para quando quer.
Não é tipo com quem se vá à caça, vê uma boa sondagem, acelera; de repente trava, recua, saltita, dá mais uma fugida, volta atrás, pisga-se outra vez, sobe, desce, esconde-se, espreita, desaparece. É uma canseira, e com ele a fazer de coelho é um dia perdido.
Transcrito de Semanário Transmontano
Etiquetas:
cavaco silva,
passos coelho,
psd,
vila real
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Krugman, o Nobel da economia, insiste!
Luís Moreira
A Grécia poderá estar de saída da Zona Euro e, por arrastamento, Portugal!
Cavaco Silva já veio dizer que não está de acordo, conhece muito bem Krugman e que só o facto de ele "estar fora" do Euro é que o leva a dizer uma coisa que não acontecerá. A Grécia ficaria a flutuar e a afundar-se, mas a UE não ficaria melhor. Desde logo por ter à porta um país cheio de pobremas que, inevitavelmente, lhos meteria cá dentro.Depois porque Portugal e outros países estariam numa posição muito incómoda, aberta que fosse a tampa da caixa.
O que me parece é que os americanos gostariam que o Euro não existisse, é a única moeda que combate o dóllar, rei e senhor absoluto e que tem funcionado como reserva global, com evidentes e enormes vantagens para as suas finanças.
Eu, por mim, tambem não acredito, seria colocar em causa a UE e, apesar de todos os problemas, não parece que se possa voltar para trás. Não interessa a ninguem, pelo contrário, esta crise mostrou que há que aprofundar a UE e não ter dúvidas.
Mais e melhor UE, é o que todos precisamos!
Etiquetas:
cavaco silva,
dólar,
economia,
Grécia,
UE
terça-feira, 15 de junho de 2010
Sondagem: alegres e nobres para Cavaco
Luís Moreira
A sondagem do CM dá 54% para Cavaco, 28% para Alegre e um resultado residual para Nobre. Cavaco ganharia à primeira volta, ele que há quatro anos ganhou com 51%. Os 28% de Alegre são o que vale hoje o PS, embora não se confundam pois andarão por aqui os 8% do BE.
A direita agita-se por causa do casamento gay, procura, ou faz que procura, alguem que possa pressionar Cavaco, desde logo a Igreja pela voz do Cardeal de Lisboa e do CDS lançando para a mesa o nome de Bagão Félix.É fogo fátuo, a direita não vai correr o risco de dar a vitória a Alegre como, ao contrário, a esquerda deu a vitória a Cavaco com as suas divisões entre Alegre e Soares.
Quem está Presidente tem grandes vantagens, como mostra o facto de terem sido sempre reeleitos, e numa situação miserável como a que temos pela frente, com um governo descredibilizado e forçado a tomar medidas impopulares, ninguem se atreve a abrir um "melão" novo na Presidência da Republica.Vamos pois ter Cavaco.
Mas Cavaco bem pode começar, como já começou, a usar expressões mais duras como "situação insustentável" que é raríssima no seu discurso, mas que se viu obrigado a usar, num cada vez maior distanciamento do governo e de Sócrates, não vá apanhar com a "peçonha" que de um momento para o outro assaltou o governo.
Se Alegre fizesse o pleno da Esquerda, talvez o máximo que conseguisse fosse obrigar Cavaco a uma segunda volta vexatória, mas nem isso vai conseguir, há muito PS que não lhe perdoa e o PCP vai, como sempre faz, tocar a reunir à volta de um candidato que só serve para isso, para tocar a reunir.
O que esta mais que provável vitória de Cavaco possa meses depois influir nas eleições legislativas é coisa que não se adivinha, mas a direita está próxima de conseguir o velho sonho de Sá Carneiro: um Presidente, uma maioria, um governo!
Etiquetas:
Alegre,
antónio nobre,
be,
cavaco silva,
eleições presidenciais,
ps,
psd
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Opinião. Manuel Alegre era um independente e agora…
Carlos Mesquita
Manuel Alegre percebeu, ao contrário de alguns dos seus apoiantes de 2006, que com o lirismo da candidatura da sociedade civil, jamais será alternativa ganhadora a Cavaco Silva. Nas condições actuais, de crise, com um governo socialista (que é o seu partido) obrigado a tomar medidas impopulares, concorrendo contra um presidente instalado, e a caminhar para o segundo mandato, ir a eleições sem amparos partidários é tempo perdido. Os apoios não são contraditórios, abarcam genericamente a esquerda e o centro esquerda, e cidadãos sem partido, é o espaço natural de Alegre, fruto do seu esforço nos últimos anos, de aproximação a sectores à esquerda do PS. Que o seu discurso seja hoje ajustado para atrair o maior número de militantes socialistas não é estranho, e que durante a campanha consiga com temas como o patriotismo, a defesa da língua, e o seu substrato cultural, conquistar votos que nem são da esquerda também será normal. O que é esquisito, embora esperado, é a quantidade de puristas da política que julgam ser possível cooptar Manuel Alegre para os seus restritos grupos ideológicos. Coisas como a unidade orgânica das esquerdas, partir o partido socialista, criar um novo partido, não correspondem a qualquer necessidade de recomposição partidária ou movimentação social visível. O equívoco, em cidadãos e em franjas dos dois partidos que lhe deram apoio, o Bloco e o PS, assenta na incompreensão do que Alegre quer significar com “aprofundar o diálogo à esquerda”. No BE entenderam “já é dos nossos”, e no PS perante a participação em eventos do Bloco e criticas pontuais à governação, chegaram a pedir a sua expulsão do partido. Exageros, a linha ideológica de Alegre é a mesma de sempre, a sua orientação estratégica antepõe ultimamente a abertura à esquerda em vez de à direita, com quem Sócrates tem governado, desfigurando na sua opinião a identidade do Partido Socialista, com a submissão a políticas neo-liberais. É só isso que se passa com Manuel alegre, e nessa relação com as outras esquerdas, como na Câmara de Lisboa, descobriu que também ele podia ganhar.
Manuel Alegre percebeu, ao contrário de alguns dos seus apoiantes de 2006, que com o lirismo da candidatura da sociedade civil, jamais será alternativa ganhadora a Cavaco Silva. Nas condições actuais, de crise, com um governo socialista (que é o seu partido) obrigado a tomar medidas impopulares, concorrendo contra um presidente instalado, e a caminhar para o segundo mandato, ir a eleições sem amparos partidários é tempo perdido. Os apoios não são contraditórios, abarcam genericamente a esquerda e o centro esquerda, e cidadãos sem partido, é o espaço natural de Alegre, fruto do seu esforço nos últimos anos, de aproximação a sectores à esquerda do PS. Que o seu discurso seja hoje ajustado para atrair o maior número de militantes socialistas não é estranho, e que durante a campanha consiga com temas como o patriotismo, a defesa da língua, e o seu substrato cultural, conquistar votos que nem são da esquerda também será normal. O que é esquisito, embora esperado, é a quantidade de puristas da política que julgam ser possível cooptar Manuel Alegre para os seus restritos grupos ideológicos. Coisas como a unidade orgânica das esquerdas, partir o partido socialista, criar um novo partido, não correspondem a qualquer necessidade de recomposição partidária ou movimentação social visível. O equívoco, em cidadãos e em franjas dos dois partidos que lhe deram apoio, o Bloco e o PS, assenta na incompreensão do que Alegre quer significar com “aprofundar o diálogo à esquerda”. No BE entenderam “já é dos nossos”, e no PS perante a participação em eventos do Bloco e criticas pontuais à governação, chegaram a pedir a sua expulsão do partido. Exageros, a linha ideológica de Alegre é a mesma de sempre, a sua orientação estratégica antepõe ultimamente a abertura à esquerda em vez de à direita, com quem Sócrates tem governado, desfigurando na sua opinião a identidade do Partido Socialista, com a submissão a políticas neo-liberais. É só isso que se passa com Manuel alegre, e nessa relação com as outras esquerdas, como na Câmara de Lisboa, descobriu que também ele podia ganhar.
Etiquetas:
cavaco silva,
eleições presidenciais,
manuel alegre
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Casamento gay - no desemprego!

Luís Moreira
Já podem casar-se a partir de 2ª feira, a única dificuldade é a indisponibilidade das conservatórias.
Fora essa possibilidade, os nubentes podem casar-se desde que apresentem Bilhete de Identidade e paguem a taxa legal.Outro problema é a certidão de nascimento e uma certidão de capacidade matrimonial que nem sempre é obtida com a celeridade necessária.
Depois, vão ter muitos meninos e serem muito felizes e Portugal passa a constar entre os países mais adiantados e modernos do mundo! Claro que a maioria nem sequer pode sair de casa dos pais por não ter emprego e não poder pagar a renda, mas que interessa, a felicidade é algo de maravilhoso.
Entretanto a Plataforma Cidadania e Casamento acusa Sócrates de só receber alguns o que o torna " primeiro ministro de associações lésbicas,gays,bissexuais e transgéneros" eles que conseguiram 92 000 assinaturas a favor de um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Palpita-me que entre muitos destes que queriam um referendo estarão muitos dos que não querem referendo para o Tratado de Lisboa, mas enfim, não há como ser flexível nestas coisas.A felicidade é que importa e oxalá sejam tão felizes como o número crescente de divórcios dá a entender entre os heterosexuais,porque desenvolve a economia do país, puxando pela procura interna e criando emprego.
É o que se chama investimento de proximidade, tão próximo, que o D. José Policarpo já ameaçou o Cavaco Silva que ainda pode perder a eleição presindêncial por causa dos gays, não se sabe se é por ter cometido um pecado ou se é por os gays serem tantos que podem fazer inclinar a balança, ou se são os crentes que podem fazer uma romaria a Fátima pedir inclemência contra os ínvios.
O que eu sei é que me limito a transmitir as notícias e nada tenho a ver com o assunto não vá ser chamado a pagar ainda mais impostos!
Etiquetas:
casamento gay,
cavaco silva,
d.josé policarpo,
luís moreira
Opinião. Cavaco, outro “berdadeiro” independente
Carlos Mesquita
Pronunciei-me sobre Fernando Nobre, hoje toca a vez a Cavaco Silva, o único dos três candidatos (este é oficioso por enquanto) à presidência da República, que foi secretário-geral de um partido, o PSD. Cavaco tem a tarefa de parecer independente facilitada; a campanha que o coloca distanciado do partido a que pertence, tem anos, resmas de artigos de opinião foram escritos com esse fim e são imensos os comentadores e jornalistas que ao longo da carreira política do actual presidente o têm arrumado fora do partido, criaram-lhe essa imagem, é mas não é, apesar de ser não se assume como sendo, está acima, ao lado, ou de costas, para o PSD, conforme as suas conveniências conjunturais. Pode-se duvidar se Cavaco quando líder do PSD era do PSD. No entanto o seu partido, (ou ex-partido) não lhe nega apoios; todas as linhas do PSD, e são mais que as linhas do TGV do tempo de Durão Barroso/Ferreira Leite, concordam em ampará-lo na candidatura ao segundo mandato como presidente. Todas? Não! Como se diria na introdução de mais uma aventura de Astérix. Alguns católicos do PSD juntos com o CDS e a Igreja, e os seus mais leais fiéis, (ou seja, o sector democrata cristão e cristãos pouco democratas) depois da promulgação por Cavaco Silva, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, põem em causa esse apoio. Este novo elemento é decisivo para medir a facilidade de Cavaco em ser ou não reeleito; os cavaquistas desvalorizam a controvérsia, mas o país, diz-se, é maioritariamente católico. Os activistas anti-casamento gay juntaram mais de 200mil assinaturas para pedir um referendo, número semelhante aos dos movimentos anti-aborto.
Responsáveis da Igreja católica e figuras da direita procuram alternativas ao nome do actual presidente, e o CDS já disse que poderia sustentar um nome da sua área como opção a Cavaco Silva. Qualquer que seja a evolução destas iniciativas, a Igreja e também políticos e comentadores conservadores, não deixarão de levar o tema do “casamento gay” para o período da campanha presidencial, não sendo previsível que esses sectores deixem morrer o assunto em nome das contrariedades económicas e financeiras. Cavaco Silva desiludiu quem nele votou, também pelas comodidades oferecidas à governação de Sócrates, e agora para se furtar à discussão vem dizendo que só pensa na crise, em campanha eleitoral vai ter de abandonar esse paleio.
Etiquetas:
carlos mesquita,
cavaco silva,
CDS,
eleições presidenciais,
ps,
psd
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O eucalipto "globulus"
Luís Moreira
O "globulus", é para dar uma certa ideia de ciência, mas o que é certo é que é a espécie de eucalipto que nós temos cá e a que é mais utilizada na indústria do papel.Tem uma particularidade tramada, é que "bebe" tudo o que encontra ali à volta, seca tudo, não há lugar para mais vida.
Nos anos 70 plantou-se esta árvore em tudo o que era terreno para fazer face à indústria que então crescia no país. É uma actividade económica muito importante em conjunto com o Pinho que também é matéria prima para a mesma indústria. Dizem os entendidos que esta indústria foi "empurrada" dos países mais ricos por causa da tremenda poluição que causa, não só destruindo os terrenos , ao nível do plantio, mas tambem ao nível do ar e dos rios com a poluição produzida pelas fábricas.
Conhecidos os perigos, o plantio foi-se "circundando" aos terrenos onde mais nada se produz não se evitando, contudo, que algumas manchas persistam em terrenos férteis.
Etiquetas:
cavaco silva,
eucalipto,
indústria,
pinho,
terreno
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Coisas breves - Culinária de S. Bento.
Carlos Mesquita
Portugal é rico em gastronomia, tem cozinheiras modestas como a Maria de Lurdes e Chefs vaidosos como o fininho da televisão que faz um anúncio aos caldos knorr; a esse deu-lhe para desvendar o segredo profissional a troco de um cachê publicitário, o segredo diz ele no anúncio, são os caldos. Não é segredo nenhum, já antes dele ter nascido se faziam anúncios aos caldos Star com o mesmo slogan e depois com os caldos Maggi. Não há inovação.
Quem nos salva é Cavaco Silva que vem há várias épocas através da TV apresentando o mesmo prato com variações notáveis na apresentação, o prato como já adivinharam é o conceituado “ Promulgação a la Cavaco”. De entre as versões que pudemos saborear destacaria o “Código dos Regimes Contributivos da Segurança Social” cuja promulgação foi servida com Reservas, monocasta Tinta Roriz 2005, e Carrascão do Cartaxo 1974. De realçar também a apetitosa “Lei do Divórcio” que o chef Cavaco catalogou como uma “profunda injustiça”, saiu mal à primeira, teve que voltar ao forno, e no meio da confusão desapareceu o molho de brócolos que o chef queria servir; no entanto vários casais que experimentaram dizem-se satisfeitos. Por ultimo a mais recente promulgação “Casamento entre Homossexuais” com ingredientes gourmet muito simples e idênticos, com decoração monocromática branco ou preto, minimalista e simétrica. O chef confessou que lhe custou imenso esta promulgação e disse-no-lo em directo. -Sabe, eu gosto de provar o que cozinho e neste caso não consegui, aquilo parece-me uma açorda, e eu não posso com açordas, detesto açordas. Aproveitámos para lhe perguntar qual o segredo das famosas “Promulgações a la Cavaco” e ele contou. – Sabe, há uma erva cujo perfume altera o sabor do que se dá a comer, chamada “declaração de voto”, fazemos um prato de carne metemos a “declaração de voto” e parece que servimos peixe, junto à cozinha de S.Bento cresce uma erva daninha de propriedades semelhantes, a que chamei “declaração de veto”, uso muito. S.Bento ainda vai ter muitas estrelas Michelin.
Portugal é rico em gastronomia, tem cozinheiras modestas como a Maria de Lurdes e Chefs vaidosos como o fininho da televisão que faz um anúncio aos caldos knorr; a esse deu-lhe para desvendar o segredo profissional a troco de um cachê publicitário, o segredo diz ele no anúncio, são os caldos. Não é segredo nenhum, já antes dele ter nascido se faziam anúncios aos caldos Star com o mesmo slogan e depois com os caldos Maggi. Não há inovação.
Quem nos salva é Cavaco Silva que vem há várias épocas através da TV apresentando o mesmo prato com variações notáveis na apresentação, o prato como já adivinharam é o conceituado “ Promulgação a la Cavaco”. De entre as versões que pudemos saborear destacaria o “Código dos Regimes Contributivos da Segurança Social” cuja promulgação foi servida com Reservas, monocasta Tinta Roriz 2005, e Carrascão do Cartaxo 1974. De realçar também a apetitosa “Lei do Divórcio” que o chef Cavaco catalogou como uma “profunda injustiça”, saiu mal à primeira, teve que voltar ao forno, e no meio da confusão desapareceu o molho de brócolos que o chef queria servir; no entanto vários casais que experimentaram dizem-se satisfeitos. Por ultimo a mais recente promulgação “Casamento entre Homossexuais” com ingredientes gourmet muito simples e idênticos, com decoração monocromática branco ou preto, minimalista e simétrica. O chef confessou que lhe custou imenso esta promulgação e disse-no-lo em directo. -Sabe, eu gosto de provar o que cozinho e neste caso não consegui, aquilo parece-me uma açorda, e eu não posso com açordas, detesto açordas. Aproveitámos para lhe perguntar qual o segredo das famosas “Promulgações a la Cavaco” e ele contou. – Sabe, há uma erva cujo perfume altera o sabor do que se dá a comer, chamada “declaração de voto”, fazemos um prato de carne metemos a “declaração de voto” e parece que servimos peixe, junto à cozinha de S.Bento cresce uma erva daninha de propriedades semelhantes, a que chamei “declaração de veto”, uso muito. S.Bento ainda vai ter muitas estrelas Michelin.
Etiquetas:
casamento entre homossexuais,
cavaco silva,
humor,
políitica nacional,
s.bento
Subscrever:
Mensagens (Atom)