Ao longo dos últimos anos, os portuenses elegeram o seu hino, mais além das tendências clubísticas ou políticas. Um hino que retrata uma cidade de pedras sujas e gastas, iluminada sombriamente por lampiões tristes e sós, insólita descrição para um poema de amor a uma cidade. Mas é assim o amor dos portuenses à sua cidade. Amamos a sua luz cinzenta, as fachadas austeras, as manhãs de nevoeiro cerrado, os jardins ocultos onde as japoneiras florescem e tombam pesadamente, derrubadas pelas primeiras chuvas.
O hino, já o adivinharam, é o "Porto sentido". Música de Rui Veloso, letra de Carlos Tê, e cumpre aqui uma função que lhe assenta à medida: inaugurar o dia do Porto no Estrolabio.
Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar
Quem te vê ao vir da ponte
és cascata são-joanina,
erigida sobre um monte
no meio da neblina.
Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa
vê um velho casario
que se estende ate ao mar
Quem te vê ao vir da ponte
és cascata são-joanina,
erigida sobre um monte
no meio da neblina.
Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.
E esse teu ar grave e sério
dum rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria
Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa

