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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010









A "CRISE" DO TEATRO




Hélder Costa


Na muito desde sempre falada “crise” do Teatro, esquece-se frequentemente que a CRISE, qualquer crise, é sempre um ponto de ruptura de uma falsa estabilidade.


Crise pressupõe que se vai operar qualquer modificação no status quo.

Crise é, portanto, fonte de movimento e nunca de estagnação.

Claro que nestas coisas do Teatro como em qualquer situação da vida, há a posição passiva e a activa; ou seja, há os que reagem e ensaiam soluções, e há os que aceitam porque “afinal, a coisa não está tão mal”, “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”, e outras frases chamadas de prudência e bom senso que nos têm conduzido a muitos becos sem saída.

O que se passou com o Teatro? Baixou o público? Sim, é verdade. E baixou em relação a todas as formas de espectáculo, excepto concertos de rock e outras manifestações colectivas que sublimam pela massificação a necessidade social de encontrar e fazer ou refazer grupos.

E o público também baixou por razões de ordem económica e porque prefere – precisamente porque a crise é mais geral, de valores, conceitos, de segurança, até de programação televisiva - , consumir tempo e dinheiro em restaurantes modestos ou de luxo, falando pela noite fora, rindo, divertindo- se e, evidentemente, discutindo a Crise.

Outro contributo muito importante para a Crise é a política oficial de Cultura (pelo menos, na Europa).

O teatro foi ficando asséptico, sem alma e sem cor, nos Teatros Nacionais e em algumas companhias transformadas em “templos” de produções caríssimas. O que implica, pelos temas e pelos preços, a exclusão de amplas camadas da população mais carenciada.

Diz–se que é para prestigiar o teatro. Claro que é falso. Do que se trata é de transformá–lo num arremedo premonitório da decadência da ópera. Que também foi afastada da sua inicial vocação de espectáculo popular, convém não esquecer.

E agora vem o problema mais grave. É que os criadores teatrais também contribuíram para o afastamento do público. Porque acreditaram nessa promoção do teatro para “elevados espíritos”, ou porque recearam a campanha ideológica que combate as linhas do teatro popular em nome do “anti-maniqueísmo”. Que é , evidentemente, outra mistificação, porque não há nada mais maniqueísta do que o teatro do bom – senso e o habitual formalismo repetitivo e gratuito não tem a menor poética nem encanto estético.

E muitos não perceberam que o teatro popular é precisamente o oposto do populismo rasca tão adorado – dir-se-ia paradoxalmente - , por essa gente de “alto nível”.

E então, o que aconteceu ?

Em nome de experimentalismos e de pós – modernismos brotam falsos vanguardismos. Substituem-se histórias por textos díspares e inconsequentes, surgiu o culto sórdido da incomunicabilidade em vez da relação afectiva com o espectador, ressurgiram o vedetismo caduco e o artista da torre de marfim.

E como o público não tem nada a ver com isso, pratica a deserção das salas.

Claro que perante este panorama apetece perguntar:

Quem tem medo do teatro ?

Que pergunta ridícula, não é ? Ter medo do teatro, de uma peça, de uns actores que nos preenchem momentos de ócio?! Que absurdo!...

Mas...será que aqueles que têm medo de se verem retratados na praça pública gostam de teatro?

E os que pensam que o teatro só serve para fazer agitação política?

E os outros que lutam para que o teatro não tenha nada a ver com política? Como se isso fosse possível !!!

E os que têm horror ao humor e ao cómico que é impiedoso a descarnar situações, personagens e comportamentos ?

E os que fogem da emoção e das lágrimas ?

E os que se recusam a pensar e a olhar para o seu mundo ?

E os que não se querem ver nas más companhias dos artistas ?

E os que julgam que os artistas não passam de marginais e falhados sociais?

Gente infeliz, com certeza. Muita gente infeliz.

Tudo isto, e se calhar falta alguma coisa, são factores de crise. Mas o pessimismo é o sentimento mais reaccionário do mundo e eu continuo a acreditar no valor transformador das crises.

Porque o teatro é uma corrente de felicidade e de afectividade contra o egoísmo e o medo.

Luta por participar, comunicar, e por se entender entre si e os outros.

Sabe que pode desbloquear insegurança, que consegue abrir sentimentos e que transforma o acto poético em acto de vida.

Contra isso esbarram e são derrotados mil conceitos reaccionários: intrigas, invejas, discriminações sociais e económicas ( sim, estou a pensar nos subsídios do Estado), a cobardia dos lacaios de “quem está a mandar”, e a parolice dos admiradores incultos de vários modismos ( estéticos, éticos, políticos).

Quem não tem medo do teatro é quem ama a vida, quem aceita as suas contradições, e quem sabe que o mundo está em eterna transformação.

Pessoalmente, continuo a ter um gosto e convicções profundas em relação aos méritos do humor, do riso e do absurdo por vezes violento e pouco cómico, na exposição e desmontagem dos mecanismos que nos cercam nesta, parece que dolce vita, que nos dizem que temos.

É evidente que a minha experiência de contactos com vários níveis de classes sociais me ensinou que a minha função seria útil e bastante agradável, se conseguisse assumir-me como um “elo de comunicação” e não como o Mestre senhorial e intocável.

Porque fazia a troca de experiências, absorvia o saber do

“ Outro”, descobria contradições, fazia a síntese com os meus conhecimentos e algo de novo e melhor surgia; e , curiosamente, também da parte do “ Outro”( por vezes menos preparado intelectualmente), se operava esse esforço de encontro, de contradição e síntese.

Ou seja, este método ajudava a desenvolver o acto de cidadania liberto de individualismo e projecto unipessoal, transformando – se num exercício colectivo, aberto, e por isso mesmo, fonte de novas acções de cidadania.

Para terminar, sugiro um debate sobre uma questão bem actual : toda a vida lutámos contra a Censura do Salazar, e o que é curioso, é que se ela voltasse, podia autorizar cerca de 80% dos espectáculos que estão em cena!

Não será isso o verdadeiro factor de crise?

Se nos jornais da TV só vemos terror e pânico, com as guerras imperialistas e regionais, com as falências das prestigiadas multi-nacionais, com a instabilidade ambiental, com a corrupção Universal, com o renascimento do nazismo, é natural e lógico ir ao teatro para adormecer e não sentir nenhum sobressalto de inteligência?
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fotopoemas- Joaquim Letria entrevista el-rei D.Dinis

Texto de Hélder Costa  e
fotografia de José Magalhães

Não resisto a comentar a rosa porque me recordou o milagre da rainha Sta Isabel e uma versão que eu escrevi para um programa de entrevistas históricas em que o Joaquim Letria.entrvista o rei D. Dinis.

J. Letria- Magestade, uma ultima pergunta..


D. Dinis - lá vem a velha pergunta...

J. Letria - quando a rainha abriu a capa havia mesmo rosas?

D. Dinis - cairam rosas, sim senhor.

J. Letria - então houve a transformação do pão em rosas...

D. Dinis - nada disso. Cairam rosas, mas por baixo havia o pão. A rainha nunca me enganou.

J. E o rei não se zangou ?

D. Dinis - fingi que não percebi. Para ela não me aborrecer com os meus devaneios sentimentais...

É esta a minha colaboração. Pouco romantica, mas é de boa vontade.



sábado, 9 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -22 (última parte)

ANEXO 1


O MISTERIO DA CAMIONETA FANTASMA

A BARRACA volta a debruçar-se sobre um tema da História de Portugal. Desta vez, da nossa História recente: os crimes da “Noite Sangrenta”.




O ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

1. No dia 19 de Outubro de 1921,desabou sobre Portugal uma horrível tragédia desmistificadora dos nossos tão celebrados brandos costumes.

Sendo presidente António José de Almeida, o governo presidido por António Granjo, heróico Republicano reconhecido “ Homem Bom “ respeitado por correligionários e adversários políticos.

A insatisfação provocada por algumas medidas necessárias e não demagógicas, era sistematicamente acirrada pela oposição monárquica e integrista através de vários órgãos de imprensa de que é essencial destacar “A Voz”, e a “Imprensa da Manhã”, propriedade de Alfredo da Silva, antigo deputado da ditadura de João Franco, industrial do Barreiro, e que se referia ao jornal como sendo “a sua amante mais cara”.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -20 e 21

(Continuação)

Cena 20

Pesadelo e melancolia

(Musica e luz intermitente)

Berta Maia – Diz-me Dente de Ouro: quem te mandou matar o meu marido?

(esta fala é repetida por outras vozes a seguir a cada fala de BM ou de AO)


Abel Olímpio – Ninguém mandou. Desconfie a senhora daqueles que mais choram o seu marido.

Berta Maia – Tu hás-de falar. Tu falarás.

Abel Olímpio – Padre Lima, ... ia receber dinheiro ao jornal “A Época”...

Berta Maia – Eles vão-te matar. Não morras sem me dizeres a verdade.

Abel Olímpio – Minha senhora, a República não avança porque os monárquicos se introduzem nela e não deixam.

Berta Maia – Fala, Dente de Ouro... fala!

Abel Olímpio – Eu fui aliciado pelo Padre Lima, residente na Rua da Assunção, 56 – Direito.

Sou o cabo de artilharia da Armada, nº 2170, e estou a prestar declarações sem coacção, nem dádivas ou promessas, para efeitos de justiça e revisão do processo das vítimas de 19 de Outubro.

O Padre Lima dizia nas reuniões: “no próximo movimento revolucionário, depois de tudo organizado, como devia ser, lançavam-se no movimento para o empalmar, e donos da situação liquidavam-se os republicanos, em especial os do 5 de Outubro, e vingava-se a morte de el-rei D. Carlos”.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -19

(Continua)Cena 19

A impunidade

(Gastão Melo Matos com Barbosa Viana)


BV – Senhor Gastão Melo Matos , como sabe foi referenciado como implicado no 19 de Outubro...

GMM – Sim, Sr. agente Belém. Fui referenciado nesse caso e com muito prazer.

BV – Sr. Gastão, não me parece que o caso seja para dar muito prazer. Foram crimes horríveis que se praticaram e a partir das confissões do Dente de Ouro, a acusação dirige-se ao vosso campo, o monárquico.

GMM – Houve um julgamento, criminosos foram condenados, e se há denúncias contra outros, prendam-nos. Não percebo o que é que o Sr. agente pretende investigar...

BV – Eu quero investigar os motivos desses crimes, quem foram os instigadores... é a opinião pública que exige ser esclarecida.

GMM – Mas se é só isso, eu informo-o. É evidente que a nossa táctica consistia em empalmar o movimento revolucionário republicano. Nem podíamos fazer outra coisa, depois das nossas invasões monárquicas de 1911 e 1919 terem falhado, da morte do Sidónio, da derrota em Monsanto (ri) ... era o único caminho que nos restava, e como vocês passavam a vida a dar-nos oportunidades sempre com golpes uns contra os outros... (ri) ... acabou por ser fácil.

BV – Mas para isso, é preciso dinheiro...

GMM – Oh, senhor agente, dinheiro é coisa que não nos falta, graças a Deus. Para esses marujos foram 100 contos dados pelo conde de Tarouca e pelo Carlos Pereira da Companhia das Águas, o palerma do tenente Mergulhão deu a camioneta a troco de trezentos mil réis e houve mais dinheiro que funcionou para outra gente... e quando for preciso mais, arranja-se...

BV – O Sr. Gastão sabe que as suas declarações são graves...

GMM – O que é grave é se o Sr. as quiser utilizar. Não percebeu que o país mudou? Não percebeu que o 28 de Maio foi feito para pôr ordem – de uma vez por todas – neste desgraçado país? O 19 de Outubro foi feito, foi bem executado, foi julgado, o caso está arquivado e acabou. Nunca mais se falará nisso. Daqui por cem anos ainda hão de dizer que foram os Republicanos que fizeram estes crimes. (Riso cínico) A você e aos seus correligionários só resta deixar esses mortos em paz e sossego, e acautelar as vossas vidas.

Porte-se bem, que não lhe acontece nada. Se alguma vez tiver um problema, diga-me. Passe muito bem.

Barbosa Viana - (Sai) Sacana!

(Continua)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -17 e 18

Continuação)

Cena 17

A hipocrisia




( com as imagens dos assassinatos em fundo, os oradores avançam)

Gastão Melo Matos

É preciso parar esta iniquidade. Os bárbaros crimes do 19 de Outubro não podem sair da nossa memória. A Nação está revoltada e exige justiça. Mas, quem são os culpados? Quem arrastou o nosso país para uma sucessão infindável de tragédias e crimes? Foram estes republicanos, estes maçónicos sempre agitando a revolução.( Apoiado! Apoiado!)

São esses oficiais obscuros e despeitados, chefiados por esse Coelho do 31 de Janeiro, um demagogo que prega a honestidade e deixa os seus homens matarem António Granjo, o chefe do Governo, Machado Santos, Carlos da Maia e outros vultos imperecíveis da República! São eles que têm de enfrentar a lei! É o que este povo reclama, sedento de justiça e de verdade na vida pública!

( aplausos. Bravos)

Carlos Pereira

Que gente é esta que nos envergonha perante as nações civilizadas da Europa? Que republicanos são estes que matam os seus próprios correligionários? Que partidos são estes que só espalham a desordem e mergulham a nação num caos sangrento de que dificilmente se curará?

Levantemo-nos contra esta vergonha. Desarmemos a Guarda Republicana, esta força ilegal que amedronta o Exército, que domina o Presidente da República e o Parlamento, e que serve de capa protectora aos sinistros desmandos anarquistas e bolchevistas

Regeneremos Portugal. É preciso limpar a mancha repugnante que se abateu sobre a Nação! Viva Portugal!

( Aplausos. Viva a Nação! Viva Portugal!)

(Sobe o som do charleston)

Cena 18

Investigação e vontade política

(Na rua, escuro. BV faz sinal com lanterna .Aparece VP)

Virgílio Pinhão – Sr. Dr. Barbosa Viana a que devo a honra desta entrevista?

Barbosa Viana – Sente-se, meu caro director Virgílio Pinhão. A D. Berta Maia tenta encontrar-me para falar do 19 de Outubro. Houve o 28 de Maio, os militares tomaram outra vez conta disto, o Alfredo da Silva está por trás por causa dos negócios do tabaco, é gente com muita força, não me quero meter nisso.

Virgílio Pinhão – Tem toda a razão. O que lá vai, lá vai. Eu, pela minha parte, desfiz as provas que pude. Fiquei de mãos limpas e sem poder cair na rede desses senhores...

Barbosa Viana – aquela lista...

Virgílio Pinhão - sim, sim, esteja descansado.

Barbosa Viana – Faça-me um favor. Vá, por mim, à entrevista com a D. Berta Maia e tente dissuadi-la de continuar com aquela mania de querer descobrir tudo. Só se prejudica a ela e ao nosso movimento republicano, que agora tem de estar cauteloso e de unhas encolhidas à espera de melhores dias.

Virgílio Pinhão – Eu trato disso, fique descansado. Melhores dias virão. E muito rapidamente. A estes golpistas, dou-lhes mais um mês, o máximo.

Barbosa Viana – É o que eu e os meus correligionários pensamos. Na altura, falaremos sobre as suas futuras funções e responsabilidades.

Virgílio Pinhão – Eu estou sempre ao serviço do ideal republicano, senhor doutor.

Barbosa Viana – Muito bem. Vá indo, trate-me desse assunto. Passe muito bem.

*

(Casa de BM com VP)

VP – O Sr. Dr. Barbosa Viana estava adoentado, enviou-me a mim com um cartão...

BM (com o cartão) – “minha senhora, não me sinto bem, mas envio-lhe o Sr. Virgílio Pinhão, que é o mesmo que conversar comigo... (pausa) o quê? O senhor é o Sr Virgílio Pinhão?

VP – Sim, minha senhora.

BM – Ah! Sim, a conversa não será nunca igual à que eu teria com o Dr. Barbosa Viana. Queria elogiá-lo por falar da infiltração de integralistas no 19 de Outubro, e queria censurá-lo por não dizer mais nada, deixando apodrecer na cadeia o Abel Olímpio enquanto os verdadeiros criminosos andam, por aí, à solta.

VP – O Dente de Ouro é uma besta feroz, um animal.

BM – E quem o industriou e convenceu, o que é? O Abel Olímpio contou-me como foi recrutado, como ia receber dinheiro à Época...

VP – A senhora pode possuir todas as provas morais de que a morte do seu marido se deve à acção de monárquicos, mas nunca terá as provas jurídicas.

BM – É verdade, eu não tenho a prova jurídica... e se eu não a tenho é porque alguém a tem!

VP – Mas que prova quer a senhora ter?

BM – Senhor Virgílio Pinhão, o Abel Olímpio falou-me de uma lista com nomes a abater, e disse-me que tinha dado essa lista à polícia...

VP – Isso é mentira! Nunca houve tal lista!

BM – Senhor Virgílio Pinhão, o julgamento do 19 de Outubro está incompleto. Os oficiais republicanos foram absolvidos, mas há quem continue a considerá-los culpados... se o senhor ou o senhor Dr. Barbosa Viana conseguissem algum documento, era muito importante...

VP – Minha senhora, recordo-lhe que eu e o Dr Barbosa Viana fomos afastados das investigações, que eu propus ao jornal “A Capital” uma campanha jornalística, que essa campanha começou e foi suspensa, que fui preso por ter divulgado documentos que faziam parte da conspiração monárquica, que me apresentei no tribunal com toda a papelada para servir de testemunha, e que dispensaram o meu depoimento...

BM – Se isto não se esclarecer, eu vou publicar as minhas entrevistas com o Abel. Depois, aqueles de quem eu citar os nomes, vão dizer que eu sou doida...

VP – Isso não. Eles hão-de arranjar uma defesa inteligente...

(Beija a mão. Sai)

(Continua)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -16

(Continuação)



Cena 16

O golpe em marcha


(SLIDE ROTATIVA: Redacção “Imprensa da Manhã”)


Jorn. – está aqui o artigo, chefe.

Chefe – Muito bem, óptimo. É preciso publicar que o Machado dos Santos está riquíssimo, e que convinha saber onde arranjou o dinheiro. ( rasga o artigo)

Jorn. – Mas ele está rico?

Chefe - O que é que isso interessa? A gente tem de publicar isto, e mais nada. E poucas perguntas, faça favor.

Jorn. – mas eu não sei o que hei de escrever.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -15


(Continação)

Últimas ordens

Padre Lima e Dente de Ouro põem moedas em saquinhos

(Marinheiros com Padre Lima e Dente de Ouro. A imagem sugere a ceia de Cristo)

(Padre Lima prepara beberragem no garrafão que dá aos marinheiros)


Padre Lima – Bebei, meus irmãos, este é o elixir consagrado que vos dará forças e alegrias. A palavra de Deus irá entusiasmar-vos para poderdes conquistar um lugar imperecível na nossa luminosa história.

Vós sois os apóstolos da liberdade. Não queremos Judas entre nós. Sai Satanás !

(mostra o pergaminho). Quem lutar , será recompensado. Está aqui o compromisso de gente honesta.

domingo, 3 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -14

(Continuação)

Cena 14


Tertúlia no café “LEÃO”

( SLIDE AMADEO.Tertúlia num café. Entre outros, Raul Leal, António Ferro, Fernandinha…. Almada Negreiros desenha Raul Leal)

Ballet….Aplausos

Raul Leal – Nós somos a voz dos novos poetas que se levanta contra a ignorância dos republicanos, maçónicos e bolcheviques.

( No exterior)

Alfredo da Silva – Mas para que é que você me trouxe aqui?

sábado, 2 de outubro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -13

(Continuação)


Cena 13


Sonhos de amor

( Em gravação o fado da “Triste Feia”. Berta, em casa . É jovem e espera por Carlos Deita-se num sofá fingindo dormir .Jogo de sedução entre os dois.)

Berta – meu amor

Carlos – minha mulherzinha

Berta – estás feliz?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -10

(Continuação)

Cena 10

A conspiração com Espanha

( D. Fonseca entra com a mala que Millan Astray lhe deu, abre, tira notas.Som da aldraba,atrapalha-se,abre,entramAlfredodaSilva,CarlosPereira,GastãoMeloMatos)

D. Fonseca – Muy bien, es outra ayuda del reyno de España... Pero D. Afonso XIII esta muy enfadado con la conspiracion portuguesa. En la corte ya decimos por broma que de tanto conspirar, la monarquia está a dormitar.

Alfredo da Silva – quanto é?

D. Fonseca - Queremos accion, unidad de esfuerzos…

Alfredo da Silva – oh homem, fale portugués!

D. Fonseca - energia, bravura... lo esperamos por parte de D. Alfredo da Silva, D. Gaston, señor conde de Tarouca...

Alfredo da Silva – oh Fonseca, diga lá quanto é que sacou ao Rei de Espanha!

D. Fonseca – 700 mil!

Gastão Melo Matos – Muito obrigado pela ajuda de sua majestade, D. Afonso...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -8

(Continuação)


Cena 7



O Dente de Ouro começa a falar

(Criada, com uma carta)

Criada – Também chegou correio, minha senhora.

Berta Maia – Uma carta de Coimbra, da penitenciária, do Abel Olímpio!...

(Lê e em simultâneo …)

domingo, 26 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -7

(Continuação)

Cena 6


Memórias de Carlos da Maia

Ciclorama com bambus chineses

(Berta Maia recorda Carlos da Maia )

Berta - (estende a mão sem folha) o que é isto ?

Carlos(com folha na mão) mostra. Ah, é uma carta do Sun–Yat-Sen...o 1º. Presidente da China...

Berta – que engraçado!

Carlos - na altura, não teve muita graça. Antes disso, ele esteve exilado em Macau, foi médico no hospital. Não o aceitavam em nenhum país. Como Macau tinha um estatuto de independência (quase), ficou por ali.

Berta – Que interessante. E essa carta, porquê?

Carlos – Essa carta é de 1916, quando eu era governador. Sun-Yat-Sen estava outra vez no exílio, e o governo de direita da China pediu a Portugal a extradição dos criminosos que tinham fugido para Macau. Claro que os tais criminosos que eles pediam eram os revolucionários, os companheiros de Sun-Yat-Sen. Os assassinos e ladrões podiam continuar em paz, no exílio dourado de Macau, organizando seitas, o jogo, o negócio do ópio.

Berta – e tu não entregaste nenhum republicano chinês.

(Separados, mimam beijos)

Carlos – como é que adivinhaste? Não foi fácil, houve uma grande luta diplomática, o Império Britânico a pressionar a Republica Portuguesa, mas ganhámos.

Berta - mas, a Inglaterra...

Carlos – nossa velha aliada, não é? Berta, Bertinha, menina bonita, tão ingénua...um Império, é um Império, é para mandar em tudo e todos. Não duram toda a vida, mas enquanto puderem...lembras-te da guerra do ópio? Os Chineses revoltaram-se porque , a dada altura, os Ingleses condenavam à morte os trabalhadores que se recusavam a tomar ópio...além de um grande negócio, a droga era para os acalmar...claro que os Ingleses não tomavam ópio... ( risos)

(Carlos da Maia deixa cair a folha e desaparece; Berta Maia mima abraço, “acorda” da evocação, levanta-se , vê a folha no chão e pega nela)

Berta Maia – Macau…

Criada – ( com cesto com comida, ovos, uma galinha) - Minha senhora, vieram entregar isto.

Berta Maia – Quem mandou isso?

Criada – Disseram que era da parte de um grande amigo do seu marido.

Berta Maia – Põe na cozinha. O Carlos, que tinha tantos amigos... agora, já nem dizem o nome.

Criada – Minha senhora, as pessoas andam com medo de falar, depois destes crimes, as pessoas são assim. Está aqui o jornal.

(Mostra jornal)

Berta Maia – (lê) Augusto Gomes, o empresário teatral, assassinou a actriz Maria Alves. Sabes quem é?

Criada – É o senhor do teatro, não é ?

Berta Maia – Sim, um empresário teatral que está ligado a todas as conspirações monárquicas, amigo do Alfredo da Silva da CUF, e ... uma testemunha da morte de Machado Santos...

(No Tribunal)

Augusto Gomes – Eu tinha ido a Pedrouços para uma missão de confiança, e fui ao Arsenal. Uns civis armados disseram-me que estavam à espera do senhor Cunha Leal para o assassinarem. Corri ao quarto do oficial de dia onde estavam António Granjo e Cunha Leal e convenci-o a ir ao hospital tratar do ferimento que já tinha no braço.

Depois do hospital fui a casa do Sr. Presidente da República e vi que só tinha dois polícias a protegê-lo. Dirigi-me ao Sr. Manuel Maria Coelho, chefe do golpe e pedi protecção para o Sr. Dr. António José de Almeida. Depois fui ao Rossio e meti-me num carro para ir para casa; passando no Intendente, um grupo armado disse que o carro seria preciso para levar um cadáver à morgue. Contra as minhas súplicas, mataram o Almirante Machado Santos. E consegui, a muito custo, que não fossem a casa dos senhores Barros Queiroz e Sotto Mayor, que também estavam condenados a morrer. Horrorizado com tanto sangue inocente que tinha visto correr, fugi para casa.

(Sai)

(Continua)

sábado, 25 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa - 6

(Continuação)

Cena 6

Padre Lima e Dente de Ouro com os marinheiros

(No convés do barco ,Cenas de trabalho)

Abel Olímpio (canta)Por vestir fato de ganga e boné/Todos me olham com certo desdém/Mas o fato de ganga ainda é/O orgulho de quem o enverga bem

(outros acompanham) Se um dia Portugal estiver em perigo /Todo o fato de ganga sai p’ra rua/A Pátria em cada um tem um amigo/Que prefere morrer mas não recua

Marinheiro – A Pátria tem um amigo...Temos de agarrar a nossa vida. Arriscámos tudo no 5 de Outubro, e o que é que tem acontecido? Estamos nas mãos de monárquicos e de traidores. A miséria não nos larga, os filhos nem têm comida, nem roupa, nem sapatos...

Abel Olímpio – Sapatos? Estás muito fino... Querias os teus filhos com sapatos?

( Risadas)

Marinheiro – Passam a vida doentes... foi para isto que veio a República? Abaixo os traidores!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa - 5

(Continuação)

Cena 5

1ª reunião dos conspiradores

(Reunião de conspiradores monárquicos. Padre Lima, Gastão de Matos, Carlos Pereira, Abel Olímpio ,Rudolph, agente alemão)

Gastão de Matos – O nosso movimento está mais forte do que se julga.

Carlos Pereira – Mas eu não vejo os pequenos comerciantes e industriais a reagir, não vejo essa gente a lutar pela monarquia.

Gastão de Matos – Não lutam pelo Rei, mas calam-se se a gente ganhar. Para esses, basta dar-lhes umas encomendas de meia tijela e começam logo a dizer que somos os salvadores da Pátria! (Risos).

Carlos Pereira – não tenho a certeza disso.

Gastão de Matos – é porque anda distraído. Essa gente que veio da ralé tem ódio aos mais pobres porque eles lhes lembram o buraco de onde sairam. É por isso que se juntam a nós; invejam-nos, mas andam da mão estendida à procura da migalha. E também querem mais polícia para os defenderem dos que são mais pobres que eles!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa - 4

(Continuação)

Cena 4


Ódios e necessidades



(Reunião de senhoras a tomar chá)

Ciclorama laranja, camponeses trabalham em contra-luz)



Condessa de Ficalho (com um rosário) - Deus me perdoe, não posso mais com tanta miséria que se vê aí pelas ruas.

Condessa de Tarouca – É no que deu esta República: crimes, roubos e fome.

Berta Maia – Desculpem, minhas amigas. Porquê acusar sempre a República? A miséria vem de muito longe, das injustiças que a monarquia praticava.

Condessa de Ficalho– Minha querida Berta, sei que é difícil, mas pense um pouco. Quem fez Portugal? Quem conquistou? Quem derrotou hereges? Quem espalhou a fé e o império? Fomos nós.

Condessa de Tarouca – Não é natural que tanto esforço tenha compensação? Queria que distribuíssemos riquezas pelos labregos e pelos cobardes que não derramaram o sangue na faina heróica dos nossos antepassados? Coma! Coma!

Condessa de Ficalho– Onde é que já se viu isso? Queria que os filhos dispersassem a fortuna que os pais lhes deixavam?

Condessa de Tarouca – Que falta de sensatez, minha amiga.

Berta Maia – Deus diz-nos para olharmos para os pobres e infelizes, e para remediarmos as desigualdades deste mundo.

Condessa de Tarouca – e por isso nós fazemos estes chás de caridade.

Condessa de Ficalho– E o que fazem os republicanos, os bolcheviques, quando nós queremos ir por esse caminho?

O que fizeram ao Sidónio Pais que tinha criado a sopa para os pobres e que, abençoado por Deus, ia pelos hospitais confortar os doentes da pneumónica?

Abateram-no com um tiro, como se faz a um cão raivoso.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma- 3, de Hélder Costa

Cena 3


Julgamento

Carmona – Eu, Oscar Fragoso Carmona, acusador público, declaro que estou aqui para cumprir o meu dever, como militar que sou, e só à lei e ao dever obedeço no exercício deste espinhoso cargo.

Berta Maia - Sr. Dr. Juiz, a minha dor é imensa e a minha revolta não tem nome. Sei que não me podem dar outra vez o meu querido marido, sei que nunca deixarei de sofrer pelo seu desaparecimento. Quero que este tribunal faça justiça, que liberte a memória de Carlos da Maia de qualquer mancha ou calúnia e que faça luz sobre o mistério desta noite e destas mortes que enlutaram tanta gente de bem.

É a minha esperança para que o ódio – que Deus me perdoe – adormeça no meu coração.

Dente D’Ouro - Vou perguntar eu, réu e criminoso, porque não soube o Governo guardar as moradias dos cidadãos ameaçados por facínoras que poderiam andar toda a noite a cometer crimes que ninguém surgiria para os evitar. Disso os acusarei; juro!

Carmona - Os acusados, os oficiais que realizaram o 19 de Outubro, não tiveram ligações com os assassinos, mas a verdade é que não tomaram as providências necessárias para que se evitassem, se não todos, pelo menos alguns dos crimes.

Berta Maia - Tu falarás, não hoje, neste Tribunal, mas mais tarde, tu falarás.

Carmona – Finalmente, em Fevereiro de 1923, acabámos o julgamento dos bárbaros crimes do 19 de Outubro de 1921. Abel Olímpio (o Dente de Ouro) Heitor Gilman e José Carlos, 10 anos de prisão maior e 20 de degredo, Mário de Sousa, Acácio Cardoso, Matías Carvalho, Palmela Arrebenta, José Maria Felix, Acácio Ferreira, 8 anos de prisão maior seguidos de 20 de degredo (redução de voz). Benjamim Pereira, Manuel Aprígio, Baltazar de Freitas...

Jaime Cortesão - (com um exemplar da Seara Nova) – O que vai sair daqui? Quem esperará ver nos ministérios que se seguirem outra coisa que não seja ministérios de simples expediente administrativo?

E isto quando a força das coisas e a própria lógica nos não levarem para uma ditadura militar, com toda a opressão do sistema militar e o predomínio dos interesses militares.

Nós, que fizemos o voto de dizer toda a verdade, levantamos a nossa voz de protesto e acusação. Fundámos a revista “Seara Nova” e acusamos os de ontem e os de hoje.

Os que já fizeram o mesmo e agora condenam os outros, e os que, para corrigir os erros passados, começam por seguir os métodos do passado. Acusamos os partidos da oposição, que conheciam o que se ia passar e nada fizeram para evitar a catástrofe.

Raul Proença – (c/ ex. Seara Nova) Na “ Seara Nova” acusamos os que fomentaram todas as desordens, os que fizeram silêncio sobre todos os desvarios demagógicos, que não tiveram uma palavra de condenação e de proscrição para os miseráveis que, dizendo-se seus partidários desmentiam todos os sentimentos de humanidade. Acusamos os potentados da finança (exploradores, especuladores, açambarcadores, falsificadores, inimigos do povo) que vivem de sugar todo o sangue da Nação pelas ventosas da sua ambição desmedida.

Jaime Cortesão e Raul Proença - Acusamo-nos a nós próprios, Jaime Cortesão e Raul Proença, por só agora termos tido este grito.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O drama do senhor Joaquim

Hélder Costa

A propósito dos recentes escandalos das falencias fraudulentas, dos fechos de fabricas, e outros “ acidentes” devidamente apadrinhados e protegidos “ por quem de direito”, recordei uma história de proveito e exemplo que parte de factos verídicos.

O pós- guerra e os anos 50 viram um grande desenvolvimento da actividade industrial corticeira no Alentejo Litoral e no Algarve.

Eram muitas dezenas de fábricas e fabriquetas que davam trabalho a milhares de operários, facto que, como se sabe, não era do agrado do professor Salazar, dado o foco de contestação social e política que constituíam. Mas a nossa história é outra, deixemos de parte os medos do senhor professor doutor.

Uma dessas pequenas fábricas era da propriedade do senhor Joaquim, que aí trabalhava mais três operários. O negócio era simples: compravam a cortiça aos proprietários agrícolas, depois era cozida, raspada, escolhida, e faziam fardos que eram vendidos a um exportador, normalmente da zona do Barreiro.

sábado, 4 de setembro de 2010

A Força das Ideologias

Hélder Costa


O jornal “ Público” seleccionou para as suas “Frases de ontem” de 4 de Setembro, a seguinte reflexão do inenarrável José António Saraiva , agora director do “ Sol”:

“ a ideologia já não tem força para se opor ao mercado. É esta a verdade. A luta de classes definitivamente acabou”

Abstraindo da ignorância de considerar que o mercado não tem ideologia, e de nos querer convencer que ele e o seu pasquin não passam de puros extra-terrestres num limbo ético inacessível, o que me comoveu foi aquela sã e infantil alegria anunciando o fim da maléfica e diabólica ideologia.

Claro que ele se refere à ideologia de esquerda, progressista, reformista, e revolucionária quando as circunstancias da tal “luta de classes” o exige.

Este ataque à ideologia vem de muito longe.

Mas recordo que a primeira campanha de desideologização ( é um palavrão chato, mas não encontro outro, desculpem lá) foi lançada pelo Reagan em 1980.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Apresentando Hélder Costa


Hélder Costa nasceu em  Grândola. Estudou Direito nas universidades de Coimbra e de Lisboa. Em Coimbra fez parte do CITAC. Em Paris, onde estudou Teatro, fundou o "Teatro Operário de Paris". Regressou a Portugal em 1974 Actor, dramaturgo e encenador, dirigiu cursos de Arte Dramática. É o director do Grupo de Teatro " A Barraca".

Principais obras: : Liberdade, Liberdade, Lisboa, 1974; O Congresso dos Pides e Um Inquérito, in "Ao Qu'isto chegou", 1977; A Camisa Vermelha, Coimbra, 1977; Três Histórias do Dia-a-Dia (O Jogo da Bola, A Sorte Grande, A Vaca Prometida), 1977; Histórias de fidalgotes e alcoviteiras, pastores e judeus, mareantes e outros tratantes, sem esquecer suas mulheres e amantes: sobre textos de Gil Vicente e Angelo Beolco, o Ruzante, Lisboa, 1977; Zé do Telhado, Coimbra, 1978; D. João VI, Coimbra, 1979; Teatro Operário: 18 de Janeiro de 1934, Coimbra, 1980; É Menino ou Menina (dramaturgia composta a partir de textos de Gil Vicente), Lisboa, 1981; Um Homem é um Homem - Damião de Góis, teatro, Coimbra, 1981; O Príncipe de Spandau, Lisboa, 1997; Marilyn, meu amor, drama original em dois actos, Lisboa, 1997; O Mistério da Camioneta Fantasma, Lisboa, 2001.O Incorruptivel, Fernão, mentes?, Bushlandia, Obviamente demito-o!, O Professor de Darwin, A Balada da Margem Sul, As peugas de Einstein (estreada no Brasil, inédita em Portugal)

Figura incontornável do Teatro português, Hélder Costa é a partir de hoje colaborador do Estrolabio, adesão que nos enche de justificado orgulho.

Bem-vindo Hélder Costa.