(Continuação)
Esta citação revela o império do desejo de entender que a relação cultura - indivíduo, não é apenas uma problemática denominada por Kraepelin um problema civilizacional, é apenas, como referi antes, uma relação de interacção social entre as leis que governam o comportamento humano, orientam a educação dos mais novos e desenvolvem um adulto capaz de se separar da vida social, por mutações biológicas causadas na base de situações emotivas contraditórias, manifestadas pelo adulto, como no caso das formas rituais paranormais de amok, lata, koro, comportamentos que observa nas culturas citadas no paragrafo anterior e redige no seu texto de 1904: Psychiatrie comparée [120], onde refere formas de agir perante o que eu denominaria a traição da cultura ao indivíduo que, até essa altura, vivia em paz, no meio dos ditames da lei escrita ou tradicional, rituais e mitos, sentimentos definidos e formas materiais de os exprimir que não feriam as relações das pessoas entre si, sempre que essa forma de agir prescrita for cumprida.
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Fala que não entende -2 - Raúl Iturra
Mas, e a criança, como Freud, Klein, Dolto, analisam? Não há razão da parte delas para essa infelicidade? E para a infelicidade que não conhecemos, que não sabemos por falta de observação e de aprendizagem especializada? Mas, que elas no seu agir, palavras e comportamentos individuais e em grupo, nos ensinam quase sem palavras? Porque não há apenas o silêncio do saber proscrito e a infelicidade adulta do pequeno dotado. Há também uma realidade que nasce da própria realidade, enquanto a criança, cuja idade muda e situação social é "retalhada", o ter uma percepção do real, que Wilfred Bion denominaria entender que há um infinito ao qual pertencemos, como seres finitos que somos e que essa finitude deve entender a relação para não entrar na omnipotência que define parte psicótica do nosso ser[112]. Essa criança passa por diferentes estádios enquanto repara que a base da sua vida - a alimentação -, vem de um corpo estranho[113]. Estas idades podem-se apreciar na seguinte tábua:
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Semana do Ensino - O processo educativo - Ensino ou aprendizagem - (5) por Raúl Iturra
(Continuação)
8. Poder saber.
Significa ser capaz de entender a contradição da sociedade em que vive, apresentada à infância como seu destino. Se me permitem ainda os leitores outra passagem pelos grupos primitivos, gostava de lembrar o caso da chefia Maori da Nova Zelândia (Firth, 1929). O chefe domina o conhecimento da natureza, das hierarquias, da distribuição do território, da origem, da guerra e da reprodução. Normalmente, ele é o filho mais velho do chefe anterior e é treinado para estes conhecimentos, mas se não consegue afastar-se das suas habilidades predilectas para entender aquela universalidade é logo destituído e substituído pelo irmão mais velho do chefe anterior. Quer dizer, tem que mostrar as capacidades que o povo espera de um condutor de povos para assegurar a sua estabilidade no cargo: a lei Maori não prevê um prazo para o seu governo. Prevê, antes, uma capacidade. Mas prevê também um treino para chefia e uma companhia e ajuda de especialistas para desempenhar o trabalho. Na vida primitiva, como na vida rural europeia, o conhecimento, embora especializado, emerge do conjunto de experiências que as tribos ou aldeias têm, e é do mesmo tipo de lógica para o conjunto: analógico, religioso e metafórico.
Na sociedade ocidental, a referida contradição às aptidões pessoais, especialmente no que diz respeito às formas industrializadas de vida, provêm de ideias diferentes acerca do destino social. A divisão final do trabalho não é feita por aptidões para qual a infância é longamente preparada: a divisão é feita para as necessidades de distribuição de pessoal pelas actividades que a produção industrial precisa. Não existe uma sequência entre as bases cognitivas das crianças e o saber que é incutido para o funcionamento social.
A diferença está em que um povo, como o Maori, é um conjunto de pessoas distribuídas em tribos que exercem funções miticamente atribuídas pelos diversos domínios da natureza; enquanto a sociedade industrial é uma heterogeneidade de funções díspares que requer habilidades que a própria indústria decide – seja na produção, circulação, distribuição ou consumo dos bens. A sociedade Maori tem hierarquias; o Ocidental industrial tem classes – que vieram intervir na prolongada vida rural. Poder saber, em consequência, passa por uma preparação específica e especial que a sociedade industrial determina de acordo com parâmetros diferentes dos conhecimentos analógicos, religiosos e metafóricos com que também a infância ocidental se defronta nos seus primeiros anos – quer na cidade, quer no campo.
Poder saber não é a consequência de processos imitativos de adultos significantes ou de formas previstas hierarquicamente de contrariar as preferências ou aptidões pessoais. É, antes, resultado de uma lógica externa ao grupo de política educativa, que retira o aprendiz do seu meio, dos seus estímulos culturais, para o transferir para uma estrutura onde todo o conhecimento é elaborado na base da experimentação para o desenvolvimento do saber técnico. Como a criança Maori, a criança da sociedade industrial passa pelo ensino mítico, familiar e metafórico.
Mas a diferença é logo afastada deste para ficar ligado ao ensino baseado em conceitos que contrariam toda a experiência da primeira infância: de querer saber. O processo educativo desloca o poder do saber, ao colocar as crianças entre o provável ou possível e o provado acerto. Acaba por não se poder saber porque a contradição entre a emoção e a razão é tão forte que limita o entendimento.
9. A emoção.
Se o processo educativo começa na vinculação dos seres humanos mais novos aos que os antecedem, é um processo que fica dependente da afectividade entre as crianças e os adultos que tomam conta delas. Nas sociedades primitivas, cultiva-se a afectividade entre progenitores e filhos, e entre iniciador e iniciados.
O conteúdo é a explicação dos laços sociais que unem as pessoas entre si, a devoção a quem explica, o respeito ao totem e à divisão taxonómica e hierárquica entre pessoas, envolvendo direitos e obrigações mútuas. Uma grande maioria de povos africanos explica ou o Alcorão, que define principalmente onde deve estar colocado o coração de uma pessoa. Nos povos ocidentais, também desde há centenas de anos, como acontece no caso muçulmano, o código em que a infância é treinada é o do amar, respeitar, entender-se a si próprio. É deste ensino que os grupos domésticos retiram as suas maneiras de se relacionar; e ainda que entre eles existam rixas e agressividades, a relação afectiva acaba por ser a mais importante, a procura de harmonia e comunicação o alvo principal do que diz se faz. Isto não porque a lei mosaica, ou kiriwina ou Tallensi, o mandem, mas porque entre estes povos, como entre judeus, ciganos, muçulmanos, cristãos e católicos, todos eles, seres humanos enfim, a capacidade de amar existe como a pedra mármore que o pensamento e a experiência histórica vêm talhando, esculpindo, dando forma e direcção, hierarquia e orientação. À criança que aprende e desenvolve a capacidade humana de construir amor e entendimento, falta-lhe experiência de deslealdade e traição; ignora o valor de transacção como moeda de troca: confiando em quem toma conta dela, deixando correr o fluxo da confiança e prevendo um mundo de festa.
É-lhe ainda entregue ritualmente, quando está na idade estimulada de entendimento, o conhecimento, palavra a palavra, das formas de amor e estima que os seres humanos podem praticar entre si. Finalmente, a emoção é coroada pela prática específica de produzir a vida por meio do trabalho organizado na base do respeito e obediência a quem detém a autoridade: o trabalho rural, nativo, e de outras minorias mesmo ocidentais, como pescadores, operariado industrial, e a colaboração doméstica que existe em todos os grupos e classes, caracteriza-se para as crianças pela adesão. Há grupos onde parece reinar a raiva e a disputa perpétua, mas, como tenho observado, os filhos ficam mais coesos entre eles; os pais têm que ser vencidos permanentemente, mesmo quando têm que lutar para ganhar pelo grito e pela porrada aquilo que não está garantido por uma outra maneira de afectividade (a meiguice das classes burguesas como estratégia de solução). A idade da pré-iniciação é o período de treino de todas as emoções que mais tarde vão configurar o adulto. Esta etapa do processo educativo desenvolve-se ao longo da vida e repete-se nos próprios filhos que as crianças virão a ter. Exprimem-se de forma diferente nas culturas distantes e nas que estão em contacto umas com as outras.
10. A razão.
Não falo da capacidade de raciocinar. Falo da faculdade que foi salientada como a mais importante entre os seres humanos, quando o ocidente generalizou a circulação da moeda de um investimento, a usura e a avareza, a criação de empréstimo, os juros e a banca (Iturra, 1991-2002); isto é, quando o ocidente começou a passar ao cálculo de rendimentos para avaliar actividades e capacidades. Para tanto, foi necessário travar-se a solidariedade hierárquica, a partir a partir do séc. XVIII na Europa e dinamizar também a igualdade entre as pessoas como equivalentes monetários umas às outras. Esta é a vontade externa que, no processo educativo, vem contrariar os desenvolvimentos emotivos e orientar capacidades para conseguir trabalho. Junto as ideias de amor, desenvolveu-se as de concorrência.
O processo educativo institucional orienta o conteúdo do seu ensino para a aprendizagem do trabalho produtivo como bem supremo, e à criação de valor e renda como meios de obter moeda. O motto ocidental do ensino é de que cada pessoa é um indivíduo responsável, que pode optar entre alternativas que entende e para as quais tem recursos que maximiza (Stuart Mill, 1789). Cada uma destas palavras é um conceito indicativo da actividade dentro da instituição escolar, em clara consonância com a teoria que preside a vida social e com a economia liberal organizada a partir do séc. XVIII (Adam Smith, 1776). É verdade que a tradição greco-judaica, da qual nasce o cristianismo, fala permanentemente de livre arbítrio. No entanto, os conceitos não são equivalentes. O livre arbítrio é o discernimento que define os limites do Eu e o respeito do outro, enquanto o indivíduo define a capacidade de um membro do grupo social capaz de viver sem precisar de ninguém, e até em concorrência com os outros (Freud, 1989; Jung, 1954). A responsabilidade de que se fala é soma das tarefas que uma pessoa aceita nas suas mãos, mesmo à revelia dos outros e em contradição com eles.
Optar define a capacidade de entender todos os processos sociais, mesmo o da criação da riqueza, e, mesmo, de criá-la. A alternativa é a capacidade de agir em várias direcções diferentes, mudando o rumo quando a riqueza, isto é, a felicidade, não é encontrada. Recursos são os bens que se têm de guardar para investir e maximizar-se, são os rendimentos acrescidos através de só uma acção. Todas estas ideias têm como fundo que cada um sabe dos preços de toda actividade e que pode pagá-los. Um modelo feito a imagem e semelhança do proprietário dos bens, que precisa de pessoal preparado e formado no cálculo abstracto para que lhe emite a vida e crie assim um valor (Marx, 1863; David Ricardo, 1873).
Este é o modelo que se explica no processo educativo institucional. Finalmente cheguei ao que está a ser ensinado na instituição escolar e praticado na vida social. É evidente que a instituição não pode deixar de ensinar o que se espera que a sociedade seja. O que é duvidoso é que a sociedade ocidental esteja constituída por esse tipo de seres sem identidades nem lealdades, bem como é duvidoso de que um modelo assim pensado tenha sucesso. Porque será que no final da glorificação do individualismo as antigas Nações - Estado passem as ser outra vez regiões federadas? Seria esta glorificação do individualismo uma forma de se defender de um processo educativo capaz de unir a concorrência que existe mesmo entre seres da mesma genealogia? (Ver Stoer e Araújo, 1993).
8. Poder saber.
Significa ser capaz de entender a contradição da sociedade em que vive, apresentada à infância como seu destino. Se me permitem ainda os leitores outra passagem pelos grupos primitivos, gostava de lembrar o caso da chefia Maori da Nova Zelândia (Firth, 1929). O chefe domina o conhecimento da natureza, das hierarquias, da distribuição do território, da origem, da guerra e da reprodução. Normalmente, ele é o filho mais velho do chefe anterior e é treinado para estes conhecimentos, mas se não consegue afastar-se das suas habilidades predilectas para entender aquela universalidade é logo destituído e substituído pelo irmão mais velho do chefe anterior. Quer dizer, tem que mostrar as capacidades que o povo espera de um condutor de povos para assegurar a sua estabilidade no cargo: a lei Maori não prevê um prazo para o seu governo. Prevê, antes, uma capacidade. Mas prevê também um treino para chefia e uma companhia e ajuda de especialistas para desempenhar o trabalho. Na vida primitiva, como na vida rural europeia, o conhecimento, embora especializado, emerge do conjunto de experiências que as tribos ou aldeias têm, e é do mesmo tipo de lógica para o conjunto: analógico, religioso e metafórico.
Na sociedade ocidental, a referida contradição às aptidões pessoais, especialmente no que diz respeito às formas industrializadas de vida, provêm de ideias diferentes acerca do destino social. A divisão final do trabalho não é feita por aptidões para qual a infância é longamente preparada: a divisão é feita para as necessidades de distribuição de pessoal pelas actividades que a produção industrial precisa. Não existe uma sequência entre as bases cognitivas das crianças e o saber que é incutido para o funcionamento social.
A diferença está em que um povo, como o Maori, é um conjunto de pessoas distribuídas em tribos que exercem funções miticamente atribuídas pelos diversos domínios da natureza; enquanto a sociedade industrial é uma heterogeneidade de funções díspares que requer habilidades que a própria indústria decide – seja na produção, circulação, distribuição ou consumo dos bens. A sociedade Maori tem hierarquias; o Ocidental industrial tem classes – que vieram intervir na prolongada vida rural. Poder saber, em consequência, passa por uma preparação específica e especial que a sociedade industrial determina de acordo com parâmetros diferentes dos conhecimentos analógicos, religiosos e metafóricos com que também a infância ocidental se defronta nos seus primeiros anos – quer na cidade, quer no campo.
Poder saber não é a consequência de processos imitativos de adultos significantes ou de formas previstas hierarquicamente de contrariar as preferências ou aptidões pessoais. É, antes, resultado de uma lógica externa ao grupo de política educativa, que retira o aprendiz do seu meio, dos seus estímulos culturais, para o transferir para uma estrutura onde todo o conhecimento é elaborado na base da experimentação para o desenvolvimento do saber técnico. Como a criança Maori, a criança da sociedade industrial passa pelo ensino mítico, familiar e metafórico.
Mas a diferença é logo afastada deste para ficar ligado ao ensino baseado em conceitos que contrariam toda a experiência da primeira infância: de querer saber. O processo educativo desloca o poder do saber, ao colocar as crianças entre o provável ou possível e o provado acerto. Acaba por não se poder saber porque a contradição entre a emoção e a razão é tão forte que limita o entendimento.
9. A emoção.
Se o processo educativo começa na vinculação dos seres humanos mais novos aos que os antecedem, é um processo que fica dependente da afectividade entre as crianças e os adultos que tomam conta delas. Nas sociedades primitivas, cultiva-se a afectividade entre progenitores e filhos, e entre iniciador e iniciados.
O conteúdo é a explicação dos laços sociais que unem as pessoas entre si, a devoção a quem explica, o respeito ao totem e à divisão taxonómica e hierárquica entre pessoas, envolvendo direitos e obrigações mútuas. Uma grande maioria de povos africanos explica ou o Alcorão, que define principalmente onde deve estar colocado o coração de uma pessoa. Nos povos ocidentais, também desde há centenas de anos, como acontece no caso muçulmano, o código em que a infância é treinada é o do amar, respeitar, entender-se a si próprio. É deste ensino que os grupos domésticos retiram as suas maneiras de se relacionar; e ainda que entre eles existam rixas e agressividades, a relação afectiva acaba por ser a mais importante, a procura de harmonia e comunicação o alvo principal do que diz se faz. Isto não porque a lei mosaica, ou kiriwina ou Tallensi, o mandem, mas porque entre estes povos, como entre judeus, ciganos, muçulmanos, cristãos e católicos, todos eles, seres humanos enfim, a capacidade de amar existe como a pedra mármore que o pensamento e a experiência histórica vêm talhando, esculpindo, dando forma e direcção, hierarquia e orientação. À criança que aprende e desenvolve a capacidade humana de construir amor e entendimento, falta-lhe experiência de deslealdade e traição; ignora o valor de transacção como moeda de troca: confiando em quem toma conta dela, deixando correr o fluxo da confiança e prevendo um mundo de festa.
É-lhe ainda entregue ritualmente, quando está na idade estimulada de entendimento, o conhecimento, palavra a palavra, das formas de amor e estima que os seres humanos podem praticar entre si. Finalmente, a emoção é coroada pela prática específica de produzir a vida por meio do trabalho organizado na base do respeito e obediência a quem detém a autoridade: o trabalho rural, nativo, e de outras minorias mesmo ocidentais, como pescadores, operariado industrial, e a colaboração doméstica que existe em todos os grupos e classes, caracteriza-se para as crianças pela adesão. Há grupos onde parece reinar a raiva e a disputa perpétua, mas, como tenho observado, os filhos ficam mais coesos entre eles; os pais têm que ser vencidos permanentemente, mesmo quando têm que lutar para ganhar pelo grito e pela porrada aquilo que não está garantido por uma outra maneira de afectividade (a meiguice das classes burguesas como estratégia de solução). A idade da pré-iniciação é o período de treino de todas as emoções que mais tarde vão configurar o adulto. Esta etapa do processo educativo desenvolve-se ao longo da vida e repete-se nos próprios filhos que as crianças virão a ter. Exprimem-se de forma diferente nas culturas distantes e nas que estão em contacto umas com as outras.
10. A razão.
Não falo da capacidade de raciocinar. Falo da faculdade que foi salientada como a mais importante entre os seres humanos, quando o ocidente generalizou a circulação da moeda de um investimento, a usura e a avareza, a criação de empréstimo, os juros e a banca (Iturra, 1991-2002); isto é, quando o ocidente começou a passar ao cálculo de rendimentos para avaliar actividades e capacidades. Para tanto, foi necessário travar-se a solidariedade hierárquica, a partir a partir do séc. XVIII na Europa e dinamizar também a igualdade entre as pessoas como equivalentes monetários umas às outras. Esta é a vontade externa que, no processo educativo, vem contrariar os desenvolvimentos emotivos e orientar capacidades para conseguir trabalho. Junto as ideias de amor, desenvolveu-se as de concorrência.
O processo educativo institucional orienta o conteúdo do seu ensino para a aprendizagem do trabalho produtivo como bem supremo, e à criação de valor e renda como meios de obter moeda. O motto ocidental do ensino é de que cada pessoa é um indivíduo responsável, que pode optar entre alternativas que entende e para as quais tem recursos que maximiza (Stuart Mill, 1789). Cada uma destas palavras é um conceito indicativo da actividade dentro da instituição escolar, em clara consonância com a teoria que preside a vida social e com a economia liberal organizada a partir do séc. XVIII (Adam Smith, 1776). É verdade que a tradição greco-judaica, da qual nasce o cristianismo, fala permanentemente de livre arbítrio. No entanto, os conceitos não são equivalentes. O livre arbítrio é o discernimento que define os limites do Eu e o respeito do outro, enquanto o indivíduo define a capacidade de um membro do grupo social capaz de viver sem precisar de ninguém, e até em concorrência com os outros (Freud, 1989; Jung, 1954). A responsabilidade de que se fala é soma das tarefas que uma pessoa aceita nas suas mãos, mesmo à revelia dos outros e em contradição com eles.
Optar define a capacidade de entender todos os processos sociais, mesmo o da criação da riqueza, e, mesmo, de criá-la. A alternativa é a capacidade de agir em várias direcções diferentes, mudando o rumo quando a riqueza, isto é, a felicidade, não é encontrada. Recursos são os bens que se têm de guardar para investir e maximizar-se, são os rendimentos acrescidos através de só uma acção. Todas estas ideias têm como fundo que cada um sabe dos preços de toda actividade e que pode pagá-los. Um modelo feito a imagem e semelhança do proprietário dos bens, que precisa de pessoal preparado e formado no cálculo abstracto para que lhe emite a vida e crie assim um valor (Marx, 1863; David Ricardo, 1873).
Este é o modelo que se explica no processo educativo institucional. Finalmente cheguei ao que está a ser ensinado na instituição escolar e praticado na vida social. É evidente que a instituição não pode deixar de ensinar o que se espera que a sociedade seja. O que é duvidoso é que a sociedade ocidental esteja constituída por esse tipo de seres sem identidades nem lealdades, bem como é duvidoso de que um modelo assim pensado tenha sucesso. Porque será que no final da glorificação do individualismo as antigas Nações - Estado passem as ser outra vez regiões federadas? Seria esta glorificação do individualismo uma forma de se defender de um processo educativo capaz de unir a concorrência que existe mesmo entre seres da mesma genealogia? (Ver Stoer e Araújo, 1993).
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Semana do Ensino - O processo educativo - Ensino ou aprendizagem - (2) por Raúl Iturra
(Continuação)
Na prática educativa escolar ocidental, ensino e aprendizagem estão separados. Tal é causado pela conceptualização da criança como aquele ser humano que nada sabe nem entende e deve ser preparado para repetir o que fazem os adultos. A predominância da prática do ensino cria uma diferença na atitude dos membros individuais de um grupo.
Se um grupo social quer ver se procede recorrendo ao ensino ou à aprendizagem, quer dizer, se forma repetidores onde a variabilidade histórica é pequena, ou se forma entendimento onde se introduz uma compreensão dos factos, tem que examinar quais as instituições ou vias, onde educa, e quanto do saber acumulado na experiência quer transmitir e a quem.
Na prática educativa escolar ocidental, ensino e aprendizagem estão separados. Tal é causado pela conceptualização da criança como aquele ser humano que nada sabe nem entende e deve ser preparado para repetir o que fazem os adultos. A predominância da prática do ensino cria uma diferença na atitude dos membros individuais de um grupo.
Se um grupo social quer ver se procede recorrendo ao ensino ou à aprendizagem, quer dizer, se forma repetidores onde a variabilidade histórica é pequena, ou se forma entendimento onde se introduz uma compreensão dos factos, tem que examinar quais as instituições ou vias, onde educa, e quanto do saber acumulado na experiência quer transmitir e a quem.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Semana do Ensino - O processo educativo - Ensino ou aprendizagem - (1) por Raúl Iturra
http://www.google.pt/#hl=pt-PT&expIds=17259,27817,27868&xhr=t&q=Academic+Festival+Overture+Op+80&cp=32&pf=p&sclient=psy&aq=f&aqi=&aql=&oq=Academic+Festival+Overture+Op+80&gs_rfai=&pbx=1&fp=b82bc71c43c94959
Myxer - Ringtone - Academic Festival Overture
...
Falávamos sobre educação, como era habitual, com o meu amigo Stephen Ronald Stoer, e uma ideia apareceu na nossa cabeça, enquanto ele bebia o seu habitual café e eu, o meu vício, um carioca de limão pequeno. Corria o ano de 1992 e, simultaneamente falamos: e se fundamos uma Revista de Educação? Rimos, e com a nossa cortesia britânica habitual, dissemos: fala primeiro, não, diz tu primeiro. As cortesias no acabavam, até eu cortar o nó górdio e tomar uma resolução pronta e decisiva para uma dificuldade que parecia insuperável: fundar uma revista científica na base dos nossos saberes de Ciências da Educação. Tinha já fundado com Miriam Halpern Pereira a Revista Ler História nos anos 80 do Século XX. Roubei os nossos estatutos e copiamos letra por letra o contrato de fundação da nossa Revista de Lisboa. A nossa, teria por base a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, a JNICT uma Associação que fundamos, a Associação de Sociologia e Antropologia da Educação, para termos Sociólogos, Cientista da Educação e Antropólogos, destinada e pensada exclusivamente para a educação. Foi assim que a Revista nasceu, era a base do nosso Seminário em Ciências da Educação da Faculdade antes mencionada.
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Fala que não entende... - 1. A criança, esse subentendido., por Raúl Iturra
Retirado do meu livro de 2004: a ilusão de sermos pais, pode aceder em:
http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia6.shtml
Foi a frase de uma das pessoas que trabalha comigo, durante um Seminário de Etnopsicologia da Infância, a decorrer durante o ano académico. De imediato várias ideias saltaram na minha cabeça. A primeira coisa que me ocorreu foi perguntar: o que é uma criança? Conceito definido por imensas teorias de imensas escolas que percorrem o mercado da erudição académica, já comentadas no Capítulo anterior. No entanto, a criança é uma entidade heterogénea de idades diferentes: há a cronologia que acompanha o transcorrer da sua vida, há capacidades definidas conforme as possibilidades de entendimento do real há o contexto que rodeia os mais novos e os adultos que definem o conceito.
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domingo, 5 de dezembro de 2010
Divorciar não é deixar de amar (ensaio de etnopsicologia da infância), por Raúl Iturra
…para as mulheres que me têm amado e respeitado, e vice-versa, especialmente essa que ainda amo porque permitiu a minha eternidade na nossa descendência….1. O título parece contraditório. Mas, a contradição é a lógica que ensina e da qual se aprende a tese que faz parte da vida e que a estrutura. Bem diziam Hegel e Marx que a evidência é a verdade, mas que perante essa evidência aparecia uma outra realidade ou antítese, e que das duas, nascia uma síntese ou realidade perante a qual a nossa vida se organiza e estrutura. Essa síntese é parte tese e parte antítese. É o que parece ser o matrimónio e o divórcio. A tese do casamento, é o amor; a do divórcio, é deixar de amar, ou, eventualmente escolher outra pessoa para substituir a pessoa que um dia foi amada e fiel, até o ponto de terem filhos em conjunto. Esses filhos descendentes do casal que se separa estão habituados a esse pai e a essa mãe. Porém, uma pessoa substituta não acorda o amor e o carinho que existiam no lar nos tempos do amor e do entendimento entre os pais. Quase dá para dizer que quem mais sofre no divórcio são as crianças e não os pais. As crianças não têm sentimentos desenvolvidos para pensar e entender esse porque duas pessoas que se amam, acabam por entrar ao mesmo quarto mudos e sair calados. Ou a gritos que conseguem ouvir entre duas pessoas que já não se suportam. Os mais pequenos são os que mais sofrem.
Normalmente, pensa-se que o divórcio, como está definido na Lei Civil e no Direito Canónico, é a mais terrível cissão entre dois seres humanos no Ocidente que não conseguem suportar viver sob o mesmo tecto, partilhar carinhos, amar incondicionalmente os descendentes, concebidos em conjunto, e a ascendentes conhecidos bem mais tarde, na vida cronológica. Mas, especialmente, conhecer seres humanos novos, simpáticos, sedutores, que conquistam e avassalam a nossa emotividade. O divórcio é a estrutura que organiza um novo processo de interacção entre adultos e crianças. Os adultos, acabam por encontrar essa nova paixão, enquanto as crianças desencontram a confiança, a afectividade, o saber amar, o saber dizer com orgulho: este é o meu pai, esta é a minha mãe. Aos Domingos, nas férias, nos passeios, nas maneiras de se acarinhar. As crianças reparam, sem entender, que o mundo fica dividido em dois: os amigos (as) de um progenitor são os inimigos do outro. Enquanto eles, no meio, acabam por não saber escolher. Os mais velhos ignoram a dor da criança e não reparam no dano que a falta de ascendentes que demonstrem o seu carinho quotidiano, faz das suas emoções, palavras que não conseguem explicar os sentimentos.
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sábado, 4 de dezembro de 2010
A ilusão de sermos pais
Acrescentado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais, texto completo em:
http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia2.shtml#xoreal
http://www.youtube.com/results?search_query=Tchaikovsky%20Rococo%20Variations&search=Search&sa=X&oi=spell&resnum=0&spell=1
Soo Bae - Tchaikovsky Rococo Variations Part 1/2
1. Sermos pais.
Devo reconhecer que não sei se este deve ser o primeiro ponto da matéria a tratar, esta de se ser autor da vida biológica, emotiva e intelectual de uma nova geração. Preciso reconhecer que o conceito de paternidade, me tem sido impingido pela cultura na qual vivo, a romana ocidental. Bem como, gosto dizer que paternidade, a meu ver, inclui os dois géneros, como hoje em dia se define. Definição criada na luta dos finais do Século XX e estes anos do Século XXI, começada com a luta denominada Sufragista de finais do Século XIX. Épocas, todas elas, para definir uma igualdade entre seres humanos de genitais diferentes: falo e vagina, mamas que oferecem leite e amamentam, bem como mamas estéreis para criar. Talvez, ambas, para exibir de forma erótica e seduzir uma ou outra pessoa - do mesmo sexo ou de sexo diferente.
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Portugal Fatimizado e a faixa de Gaza (num país anticlerical)
Raúl Iturra
Nos dias da minha inocência, escrevia estes textos.
Nos dias de hoje as ideias mudaram. Vou lembrar essas palavras, essa minha premoniçao…Especialmente pelos assassinatos na faixa de Gaza pelos hebraicos, que enterraram o seu holocausto, para criar outros…
Com a licença das pessoas que acreditam em Deus. Queiram estimar que o que vou dizer é apenas uma análise do observável na população. Dessa população da qual eu também sou parte. Uma população não apenas portuguesa, mas ocidental e das suas antigas colónias. Com a licença das pessoas que acreditam serem criadas por uma divindade eterna e omnipotente. Uma divindade que dá descanso eterno no prazer do não trabalho, ou trabalho eterno na ira do mau comportamento. Como cientista social, só posso observar o agir dessas pessoas e respeitar a sua forma de pensar e de sentir a existência duma divindade, o que é denominado fé. Fé na existência duma testemunha que observa todos esses agires, desejos e pensamentos. Como se fizesse observação participante dos afazeres de todos, em todo o sítio.
Nos dias da minha inocência, escrevia estes textos.
Nos dias de hoje as ideias mudaram. Vou lembrar essas palavras, essa minha premoniçao…Especialmente pelos assassinatos na faixa de Gaza pelos hebraicos, que enterraram o seu holocausto, para criar outros…
Com a licença das pessoas que acreditam em Deus. Queiram estimar que o que vou dizer é apenas uma análise do observável na população. Dessa população da qual eu também sou parte. Uma população não apenas portuguesa, mas ocidental e das suas antigas colónias. Com a licença das pessoas que acreditam serem criadas por uma divindade eterna e omnipotente. Uma divindade que dá descanso eterno no prazer do não trabalho, ou trabalho eterno na ira do mau comportamento. Como cientista social, só posso observar o agir dessas pessoas e respeitar a sua forma de pensar e de sentir a existência duma divindade, o que é denominado fé. Fé na existência duma testemunha que observa todos esses agires, desejos e pensamentos. Como se fizesse observação participante dos afazeres de todos, em todo o sítio.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A materialidade dos afectos, por Raúl iturra.
http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia2.shtml#xintro
http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner%20Die%20Valkyrie&search=Search&sa=X&oi=spell&resnum=0&spell=1
Wagner: Die Walkure: Walkurenritt (Karl Böhm)
As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo. É esse descortinar dos nossos afectos que permite aos mais novos aprender a ser adultos, com bem ou mal-estar na cultura, como referia o nosso mestre Freud no seu texto de 1930 [5], ao desenhar aberrações sexuais do seu tempo. Os mais novos escrutinam o nosso agir, decidem se é bom ou mau para eles e não vão a votos, é um observar sem democracia. Ditadura dos mais novos que obriga os mais velhos, a um comportamento adequado aos seus sentimentos definidos pela epistemologia cultural, que os mais novos desconhecem. Há uma procura de empatia simpática, a mais primária das emoções, referidas no meu livro de 2000 - O saber sexual da infância e no anterior de 1998,
http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner%20Die%20Valkyrie&search=Search&sa=X&oi=spell&resnum=0&spell=1
Wagner: Die Walkure: Walkurenritt (Karl Böhm)
As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo. É esse descortinar dos nossos afectos que permite aos mais novos aprender a ser adultos, com bem ou mal-estar na cultura, como referia o nosso mestre Freud no seu texto de 1930 [5], ao desenhar aberrações sexuais do seu tempo. Os mais novos escrutinam o nosso agir, decidem se é bom ou mau para eles e não vão a votos, é um observar sem democracia. Ditadura dos mais novos que obriga os mais velhos, a um comportamento adequado aos seus sentimentos definidos pela epistemologia cultural, que os mais novos desconhecem. Há uma procura de empatia simpática, a mais primária das emoções, referidas no meu livro de 2000 - O saber sexual da infância e no anterior de 1998,
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A ilusão de sermos pais -!, por Raúl Iturra
PRELECÇÃO E AGRADECIMENTOS
Introdução do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais. Livro completo em
http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia.shtml

http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner+Die+Walquirien&aq=f
Wagner - Die Walküre: "The Ride of the Valkyries" (Boulez)
Longe de mim imaginar que as crianças procuravam ou viviam uma intensa libido erótica entre os quatro meses de concepção e quatro anos, quatro anos e meio de idade, como define Wilfred Bion no seu texto de 1966, citado mais á frente. Ainda mais longe das minhas ideias e sentimentos, que esse ser fosse criança até essa idade, em que adquire a capacidade de desenvolver o entendimento do real: e começa a desenvolver esse entendimento. Orientado pelas ideias da cultura social, pensava que o bebé no ventre da mãe mexia por ser parte da sua fisiologia.
Introdução do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais. Livro completo em
http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia.shtml

http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner+Die+Walquirien&aq=f
Wagner - Die Walküre: "The Ride of the Valkyries" (Boulez)
Longe de mim imaginar que as crianças procuravam ou viviam uma intensa libido erótica entre os quatro meses de concepção e quatro anos, quatro anos e meio de idade, como define Wilfred Bion no seu texto de 1966, citado mais á frente. Ainda mais longe das minhas ideias e sentimentos, que esse ser fosse criança até essa idade, em que adquire a capacidade de desenvolver o entendimento do real: e começa a desenvolver esse entendimento. Orientado pelas ideias da cultura social, pensava que o bebé no ventre da mãe mexia por ser parte da sua fisiologia.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A burguesia chilena e a sua greve contra Allende, por Raúl Iturra
O Dr. Salvador Allende investido como Presidente do Chile em 1970, 4 de Novembro, após eleição por sufrágio universal.
Entendo que o direito a greve é dos trabalhadores. Não há código do trabalho nos tempos que correm, que não permita ao operariado a interrupção voluntária e colectiva de actividades ou funções, por parte de trabalhadores ou estudantes, como forma de protesto ou de reivindicação.
Aliás, a lei Nº 65, de 1977, de 26 de Agosto da República de Portugal, diz: A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 167º, alínea c), e 169º, nº 2, da Constituição, o seguinte:
Artigo 1º
Direito à greve
1 – A greve constitui, nos termos da Constituição, um direito dos trabalhadores.
2 – Compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve.
3 – O direito à greve é irrenunciável.
No entanto, como é bem conhecido, a burguesia apoderou-se desse direito quando Sua Excelência – forma de tratar no Chile os Presidentes da República – o Dr. Salvador Allende, médico e político, foi eleito para a mais alta magistratura da Nação. Bem sabemos que a eleição foi renhida e teve que ser referendada pelo Congresso Nacional em pleno se o candidato não atinge a maioria absoluta. Sua Excelência ganhou o primeiro lugar, apesar de não ter maioria absoluta, conquistou o primeiro lugar com 36,2% dos votos, contra 34.9% de Jorge Alessandri, o candidato da direita, e 27.8% do terceiro candidato, Radomiro Tomic, cuja plataforma era similar à de Allende. Como a Constituição chilena previa a necessidade de "maioria dupla" (no voto popular e no Congresso), difíceis negociações foram entabuladas para a aprovação do nome de Allende no Parlamento. Após o brutal assassinato do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas chilenas, o general constitucionalista René Schneider, perpetrado por elementos ligados à Pátria y Libertad, Allende teve, finalmente, seu nome confirmado pelo Congresso chileno.
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Aliás, a lei Nº 65, de 1977, de 26 de Agosto da República de Portugal, diz: A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 167º, alínea c), e 169º, nº 2, da Constituição, o seguinte:
Artigo 1º
Direito à greve
1 – A greve constitui, nos termos da Constituição, um direito dos trabalhadores.
2 – Compete aos trabalhadores definir o âmbito de interesses a defender através da greve.
3 – O direito à greve é irrenunciável.
No entanto, como é bem conhecido, a burguesia apoderou-se desse direito quando Sua Excelência – forma de tratar no Chile os Presidentes da República – o Dr. Salvador Allende, médico e político, foi eleito para a mais alta magistratura da Nação. Bem sabemos que a eleição foi renhida e teve que ser referendada pelo Congresso Nacional em pleno se o candidato não atinge a maioria absoluta. Sua Excelência ganhou o primeiro lugar, apesar de não ter maioria absoluta, conquistou o primeiro lugar com 36,2% dos votos, contra 34.9% de Jorge Alessandri, o candidato da direita, e 27.8% do terceiro candidato, Radomiro Tomic, cuja plataforma era similar à de Allende. Como a Constituição chilena previa a necessidade de "maioria dupla" (no voto popular e no Congresso), difíceis negociações foram entabuladas para a aprovação do nome de Allende no Parlamento. Após o brutal assassinato do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas chilenas, o general constitucionalista René Schneider, perpetrado por elementos ligados à Pátria y Libertad, Allende teve, finalmente, seu nome confirmado pelo Congresso chileno.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (3)
(Continuação)
As mentiras eram a nossa salvação. Tinha sido convidado por Cambridge, é verdade, para retomar o meu doutoramento, parado por causa de ver um Chile sob mandato Socialista. No entanto, não era credível para a minha família, excepto a minha mãe. A irmã da minha mulher, encurralou-me um dia para me perguntar: “Raúl, sé que has estado en la prisión. Es verdad que vuelves para tu doctorado o estás a huir? Porque si estás a huir, te denuncio a las autoridades y quedas acá...” Nem mencionar o medo que tive... da minha própria cunhada! O meu Pai apenas dizia, com orgulho, que o seu filho tinha sido colocado de volta em Cambridge University, sem mencionar, nem por um minuto ou a minha detenção, ou os meus sofrimentos no campo de concentração, assunto do qual não queria falar, nem lembrar. Aliás, apenas a minha Mãe foi a pessoa que me visitara e levara palavras de conforto ao sítio onde eu estava retido.
As mentiras eram a nossa salvação. Tinha sido convidado por Cambridge, é verdade, para retomar o meu doutoramento, parado por causa de ver um Chile sob mandato Socialista. No entanto, não era credível para a minha família, excepto a minha mãe. A irmã da minha mulher, encurralou-me um dia para me perguntar: “Raúl, sé que has estado en la prisión. Es verdad que vuelves para tu doctorado o estás a huir? Porque si estás a huir, te denuncio a las autoridades y quedas acá...” Nem mencionar o medo que tive... da minha própria cunhada! O meu Pai apenas dizia, com orgulho, que o seu filho tinha sido colocado de volta em Cambridge University, sem mencionar, nem por um minuto ou a minha detenção, ou os meus sofrimentos no campo de concentração, assunto do qual não queria falar, nem lembrar. Aliás, apenas a minha Mãe foi a pessoa que me visitara e levara palavras de conforto ao sítio onde eu estava retido.
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 27 - por Raúl Iturra

(Conclusão)
Anexo 2
O pater romano não era um "pai" no sentido moderno, e essencialmente ocidental, da palavra, mas um "chefe de família", ou um chefe da domus (casa) familiar. Pater é, assim, um conceito diferente do de pai biológico, designado pelos romanos de Genitor. O poder do pater familias era chamado patria potestas (poder paternal). Potestas era diferente da auctoritas, também detida pelo pater. O poder do pater era sobre a sua familia iure proprio (não necessariamente baseada no parentesco, correspondendo, sim, a uma unidade política, económica e religiosa) e a sua família doméstica (baseada no parentesco e na co-residência). É da definição referida nesta linha que a ideia de poder paternal, potestade marital e Chefe de Família, foi retirada, a partir da Lei das Doze Tábuas, da República Romana, circa 462 antes da nossa era, ditada pelos Pontífices Romanos e os Patrícios – homens de posses e de famílias antigas, especialmente para gerir o trabalho dos plebeus, a maior parte da população romana: Os patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, eram a sua elite. Desempenhavam altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos. Os patrícios, descendentes das famílias mais antigas da cidade, ou seja, dos chefes tribais da região do período pré-romano, eram donos das maiores e melhores terras e os únicos a possuir direitos políticos. História completa em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Patr%C3%ADcio. Não foi em vão que referi, no texto central, o proletariado, as condições económicas e sociais são muito semelhantes, excepto a escravidão. Porém, um proletário vive do trabalho e do seu salário correndo o risco de encerramento da indústria ou de despedimento por causa provada, do proprietário dos meios de produção. Para os Pontífices, a história diz: Os primeiros sacerdotes eram obviamente os reis. A sua posição como mediadores entre os homens e os deuses dava-lhes um carácter sagrado. Com a sua expulsão, foi criado um sacerdote (o rei dos sacrifícios) herdeiro das atribuições religiosas, mas unicamente dessas, dado o pavor que os romanos tinham de adquirir um novo rei. Entre a monarquia e os primeiros tempos da república foram sendo criados uma série de sacerdócios, pois, entre os romanos, era considerada ser função do estado assegurar uma boa relação com os deuses. O colégio das vestais era um dos mais famosos. Na Roma Antiga, o termo latino Pontifex Maximus ("Sumo Pontífice") designava o sumo-sacerdote do colégio dos Pontífices, a mais alta dignidade na religião romana de Rómulo e Remo. Historia completa em: http://roma-antiga.blogspot.com/2006/10/religio-romana-iii-os-primeiros.html
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domingo, 14 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –26 por Raúl Iturra.
(Continuação)
A monstruosa instrução sobre ser bons pais disseminada por educadores na Alemanha de 1860 teve pelo menos 40 edições. Este facto, levou-me a concluir que a maior parte dos pais leram esse manual escrito por docentes, leitura feita de boa fé. Pais que puniam os seus filhos, batiam-lhes desde o início das suas vidas, por serem ensinados que o castigo educava a ser bom cidadão. 40 Anos depois, esses filhos, já pais, fizeram o mesmo com os seus descendentes. Nem sabiam o que faziam. Nascidos 30 ou 40 anos antes do Holocausto, essas crianças mal tratadas e traumatizadas aderiram a Hitler, adularam-no e fizeram dele um guia. Isto é, a meu ver, o resultado de uma infância desgraçada/infeliz sentida desde muito cedo nas suas vidas. A crueldade experimentada foi transferida para seres emotivos coxos de afeição. Incapazes de desenvolver qualquer empatia pelo sofrimento dos outros. Passaram a ser bombas de tempo para matar, sem consciência, aguardando uma oportunidade para punir e matar, de transferir para outros a raiva que tinham por causa das suas tristes vidas. Hitler forneceu um bode expiatório legal. Podiam assim, agir para deitar fora os seus tristes sentimentos.
A monstruosa instrução sobre ser bons pais disseminada por educadores na Alemanha de 1860 teve pelo menos 40 edições. Este facto, levou-me a concluir que a maior parte dos pais leram esse manual escrito por docentes, leitura feita de boa fé. Pais que puniam os seus filhos, batiam-lhes desde o início das suas vidas, por serem ensinados que o castigo educava a ser bom cidadão. 40 Anos depois, esses filhos, já pais, fizeram o mesmo com os seus descendentes. Nem sabiam o que faziam. Nascidos 30 ou 40 anos antes do Holocausto, essas crianças mal tratadas e traumatizadas aderiram a Hitler, adularam-no e fizeram dele um guia. Isto é, a meu ver, o resultado de uma infância desgraçada/infeliz sentida desde muito cedo nas suas vidas. A crueldade experimentada foi transferida para seres emotivos coxos de afeição. Incapazes de desenvolver qualquer empatia pelo sofrimento dos outros. Passaram a ser bombas de tempo para matar, sem consciência, aguardando uma oportunidade para punir e matar, de transferir para outros a raiva que tinham por causa das suas tristes vidas. Hitler forneceu um bode expiatório legal. Podiam assim, agir para deitar fora os seus tristes sentimentos.
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sábado, 13 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –25 por Raúl Iturra.
Anexo 4
Para entender esta parte do anexo, é preciso saber o conteúdo do texto de Freud de 1925, Psychanalyse et médecine ou La question de l'analyse profane, texto em francês, que pode ser lido em:
http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/classiques/freud_sigmund/psychanalyse_et_medecine/psychan_et_medecine.html,
“Psychanalyse et médecine” ou “La question de l'analyse profane” (1925) Posfácio
Posfácio do livro de Freud de 1925, escrito e publicado em 1927.
Versão em língua lusa do livro de 1925 : Freud, S. (1926) A questão da análise leiga. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XX. Rio de Janeiro: Imago Editora; 1976, pp. 203-93.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –24 por Raúl Iturra.
(Continuação)
Hoje em dia faço o possível e o impossível para defender que o complexo de Édipo devia ser virado do avesso: são os pais que precisam dos descendentes, especialmente quando a vida começa a ficar à beira do fim, na mais espantosa das solidões. Ou estamos no cume sem borrascas, como diria Emily Brontë, ou com borrascas por ficarmos sós e pensarmos ter feito tudo correcto na vida. Mas, Margaret Mitchell afirma, desde 1936, que o que não fica por escrito o vento leva. Eu não queria que o vento da vida levasse as minhas memórias, especialmente as mais queridas para mim, as da minha descendência.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –23 por Raúl Iturra.
(Continuação)
Esta minha necessidade, não precisava de desenvolver a rejeição que outros sentiam por mim. Nunca gostei de brincar a ser “doutor “ A minha curiosidade infantil procurava outras vias. Na minha juventude, sentia a necessidade de entender os outros e os seus mistérios e os mistérios do mundo para os curar ou encontrar uma solução, isto passou a ser para mim um objecto imoderado.
Esta minha necessidade, não precisava de desenvolver a rejeição que outros sentiam por mim. Nunca gostei de brincar a ser “doutor “ A minha curiosidade infantil procurava outras vias. Na minha juventude, sentia a necessidade de entender os outros e os seus mistérios e os mistérios do mundo para os curar ou encontrar uma solução, isto passou a ser para mim um objecto imoderado.
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Arte poética: Luis Filipe Castro Mendes,Raúl Iturra,Octavio Paz
Luis Filipe Castro Mendes
(Idanha-a-Nova, 1950)
CRÍTICA DE POESIA
Que a frenética poesia me perdoe
se a um baço rumor levanto o laço,
pois que verso não há onde não soe
a música discreta doutro espaço.
Horizonte do verso é a dureza:
já mansidão não cabe neste olhar
que se pousa na faca sobre a mesa
e aprende nela o fio do seu cantar.
Mas se olhar nela pousa, como corta?
E se as palavras sabemos retomar,
quem nos devolve a chave dessa porta
onde a herança está por encerrar?
Tão longe está de nós a poesia
como nuvem nos rouba a luz do dia.
(Viagem de Inverno)
____________________
Raúl Iturra
(Chile, 1942)
A POESIA
Conheci-a um dia, nada pedi, mas foi-me dado tudo
Em troca de emotividade, paixão e amor
Os sentimentos são apenas passíveis de exprimir
Através da arte poética, que nos comove
Faz-nos felizes, com ou sem razão.
A arte poética não pensa, faz pensar
A arte poética não beija, faz beijar
A arte poética é o prelúdio de canções sem palavras
Arte que sem palavras, apenas música,
Não permitia a paixão que nos devora
Devora-nos ao longo da vida, dá felicidade e alegria
Vivemos graças à arte poética
__________________________
Octavio Paz
(Cidade do México, 1914-1998)
DESTINO DEL POETA
¿Palabras? Sí, de aire,
y en el aire perdidas.
Déjame que me pierda entre palabras,
déjame ser el aire en unos labios,
un soplo vagabundo sin contornos
que el aire desvanece.
También la luz en sí misma se pierde.
DESTINO DE POETA
Palavras? Sim, de ar,
e no ar perdidas.
Deixa-me perder entre palavras,
deixa-me ser o ar nuns lábios,
um sopro vagabundo sem contornos
que o ar desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
(Liberdade sob Palavra)
Tradução de Luis Pignatelli
_______________________
"La Poesía" é uma obra emblemática do grande poeta mexicano Octavio Paz. Apresentamos uma gravação desse famoso poema.
(Idanha-a-Nova, 1950)
CRÍTICA DE POESIA
Que a frenética poesia me perdoe
se a um baço rumor levanto o laço,
pois que verso não há onde não soe
a música discreta doutro espaço.
Horizonte do verso é a dureza:
já mansidão não cabe neste olhar
que se pousa na faca sobre a mesa
e aprende nela o fio do seu cantar.
Mas se olhar nela pousa, como corta?
E se as palavras sabemos retomar,
quem nos devolve a chave dessa porta
onde a herança está por encerrar?
Tão longe está de nós a poesia
como nuvem nos rouba a luz do dia.
(Viagem de Inverno)
____________________
Raúl Iturra
(Chile, 1942)
A POESIA
Conheci-a um dia, nada pedi, mas foi-me dado tudo
Em troca de emotividade, paixão e amor
Os sentimentos são apenas passíveis de exprimir
Através da arte poética, que nos comove
Faz-nos felizes, com ou sem razão.
A arte poética não pensa, faz pensar
A arte poética não beija, faz beijar
A arte poética é o prelúdio de canções sem palavras
Arte que sem palavras, apenas música,
Não permitia a paixão que nos devora
Devora-nos ao longo da vida, dá felicidade e alegria
Vivemos graças à arte poética
__________________________
(Cidade do México, 1914-1998)
DESTINO DEL POETA
¿Palabras? Sí, de aire,
y en el aire perdidas.
Déjame que me pierda entre palabras,
déjame ser el aire en unos labios,
un soplo vagabundo sin contornos
que el aire desvanece.
También la luz en sí misma se pierde.
DESTINO DE POETA
Palavras? Sim, de ar,
e no ar perdidas.
Deixa-me perder entre palavras,
deixa-me ser o ar nuns lábios,
um sopro vagabundo sem contornos
que o ar desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
(Liberdade sob Palavra)
Tradução de Luis Pignatelli
_______________________
"La Poesía" é uma obra emblemática do grande poeta mexicano Octavio Paz. Apresentamos uma gravação desse famoso poema.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –22 por Raúl Iturra.
Anexo 2
O pater romano não era um "pai" no sentido moderno, e essencialmente ocidental, da palavra, mas um "chefe de família", ou um chefe da domus (casa) familiar. Pater é, assim, um conceito diferente do de pai biológico, designado pelos romanos de Genitor. O poder do pater familias era chamado patria potestas (poder paternal). Potestas era diferente da auctoritas, também detida pelo pater. O poder do pater era sobre a sua familia iure proprio (não necessariamente baseada no parentesco, correspondendo, sim, a uma unidade política, económica e religiosa) e a sua família doméstica (baseada no parentesco e na co-residência). É da definição referida nesta linha que a ideia de poder paternal, potestade marital e Chefe de Família, foi retirada, a partir da Lei das Doze Tábuas, da República Romana, circa 462 antes da nossa era, ditada pelos Pontífices Romanos e os Patrícios – homens de posses e de famílias antigas, especialmente para gerir o trabalho dos plebeus, a maior parte da população romana: Os patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, eram a sua elite. Desempenhavam altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos.
O pater romano não era um "pai" no sentido moderno, e essencialmente ocidental, da palavra, mas um "chefe de família", ou um chefe da domus (casa) familiar. Pater é, assim, um conceito diferente do de pai biológico, designado pelos romanos de Genitor. O poder do pater familias era chamado patria potestas (poder paternal). Potestas era diferente da auctoritas, também detida pelo pater. O poder do pater era sobre a sua familia iure proprio (não necessariamente baseada no parentesco, correspondendo, sim, a uma unidade política, económica e religiosa) e a sua família doméstica (baseada no parentesco e na co-residência). É da definição referida nesta linha que a ideia de poder paternal, potestade marital e Chefe de Família, foi retirada, a partir da Lei das Doze Tábuas, da República Romana, circa 462 antes da nossa era, ditada pelos Pontífices Romanos e os Patrícios – homens de posses e de famílias antigas, especialmente para gerir o trabalho dos plebeus, a maior parte da população romana: Os patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, eram a sua elite. Desempenhavam altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos.
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