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domingo, 8 de agosto de 2010

Histórias de suicidios famosos em Portugal (José Brandão)

José Trindade Coelho (1861-1908) - VIII

 José Francisco Trindade Coelho, nasceu em Mogadouro a 18 de Junho de 1869 e suicidou-se em Lisboa em 1908. Dividiu os estudos primários entre Mogadouro e Travanca e completou os estudos secundários como interno num colégio portuense.


Órfão de mãe aos 6 anos, partiu com o pai para o Porto, onde fez os estudos liceais num colégio interno, e depois para Coimbra, onde frequentou o curso de Direito e se casou, conhecendo grandes dificuldades financeiras.

Em 1886, graças ao interesse de Camilo junto do seu amigo Tomás Ribeiro, então ministro de Estado, foi nomeado delegado do procurador régio no Sabugal, mudando depois para Ovar e, em 1889, para Lisboa. Depois de uma passagem por África, regressou à capital e foi colocado em Sintra. Em 1895, foi finalmente nomeado juiz em Lisboa.

Paralelamente à carreira jurídica, desenvolveu uma intensa actividade jornalística: fundou, ainda em Coimbra, Porta-Férrea e O Panorama Contemporâneo; em Portalegre, a Gazeta de Portalegre e o Comércio de Portalegre; em Lisboa, a Revista Nova; colaborou em muitos outros periódicos, como O Progressista, O Imparcial, Tirocínio, Beira e Douro, Jornal da Manhã, Portugal, Novidades e O Repórter. Publicou diversas obras didácticas (desde manuais pedagógicos, como o ABC do Povo, de 1901, adoptado oficialmente nas escolas públicas, até ao guia de cidadania Manual Político do Cidadão Português, de 1905, entre muitos outros títulos).

Em 1907, durante a ditadura de João Franco, foi exonerado do lugar de delegado do procurador régio. Esse dissabor, acrescido das desilusões com a Justiça acumuladas durante toda a vida e da doença nervosa de que padecia, levá-lo-ia ao suicídio, no ano seguinte.

Celebrizou-se pelo livro de memórias In Illo Tempore (1902) e, sobretudo, pelo volume de contos rústicos Os Meus Amores (1891), eivado de saudosismo e de reminiscências da infância vivida em Trás-os-Montes, onde foi de encontro ao desejo neogarrettista de regresso às origens nacionais, expresso no artigo inaugural da Revista Nova, de 1893: