Mostrar mensagens com a etiqueta madrid. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta madrid. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Uma rápida incursão em Madrid

João Machado

Estivemos em Madrid há já umas semanas. Foi por pouco tempo, e, ainda por cima, tínhamos afazeres marcados, que nos ocuparam dia e meio, à Helena Maria e a mim. Já não ia a Madrid há cinquenta anos, imaginem.

Ficamos alojados num hotel situado no Paseo Reina Cristina, perto da estação da Atocha. É perto do triângulo cultural composto pelo El Prado, pelo Museu de Arte Thyssen-Bornemisza, e pelo Reina Sofia. Foi muito interessante percorrer o Paseo El Prado é uma avenida larga, com muitos edifícios públicos, alguns dos quais de aspecto notável. Ao fim da tarde do segundo dia da nossa permanência, conseguimos visitar o El Prado, que estava a oferecer entradas gratuitas para a parte da exposição permanente. A nossa visita durou apenas hora e meia, porque o encerramento é às 20 horas. Mas apesar disso, ficámos maravilhados. Vimos ao natural quadros de Bosch (os espanhóis chamam-lhe El Bosco), Ribera, Murillo, Goya, de vários flamengos, e outros, como A Rendição de Breda – As Lanças, de Velasquez. Não vimos muitos mais. Permitam-me que vos mostre apenas duas maravilhas: A Descida da Cruz, de Van der Weyden (c. 1400 – 1464), e O Escultor Cego, de Ribera (1591 - 1652). O primeiro é considerado uma obra-prima mundial, devido ao realismo impressionante das expressões e dos gestos dos personagens e à composição do quadro no seu conjunto. O segundo, expoente do Barroco espanhol, seguidor de Caravaggio, apresenta-nos neste quadro uma alegoria do tacto.

Na zona de Atocha fica também El Retiro, um parque enorme, uma zona verde muito bem tratada, com vários centros de interesse, incluindo várias esplanadas. Passámos ali uma manhã muito agradável, apesar do calor fortíssimo que estava. Observámos uma feira do livro, com obras de muito interesse, a preços elevados. Ainda por cima, tínhamos viajado de comboio. Perto fica também a Basílica de Atocha, que não conseguimos visitar. Mas lemos na parede exterior um escrito recordando Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), o dominicano espanhol que denunciou o tratamento desumano dado aos indígenas americanos nas minas de ouro.