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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fotopoemas - O nevoeiro desceu

Texto de Luís Moreira e

Fotografia de José Magalhães


O nevoeiro desceu, escondeu-se entre os fantasmas que ainda agora estavam ali.

Ganhamos os olhos de uma criança,tudo pode ser tudo, ainda agora estava ao colo de minha mãe e não tinha medo do que ali se escondia. Ouço o vento, e o silêncio, as vozes dos que não têm voz, as penas dos que se lamentam, as almas dos que não têm sossego. Tudo se revela afinal no nevoeiro que se abateu sobre os meus medos, não esconde, mostra, assim os meus sejam os olhos de uma criança.

Envolve tudo num abraço suave mas implacável, não se sabe se é um abraço de protecção se de momentânea fúria, escorre mais do que se abate,sem perder a compostura ali fica, até que pelas mesmas razões ignoradas nos deixa, sem uma explicação, sem um queixume, é como chegar e ir embora seja a sua única natureza.

E tudo e todos voltam à vida, é como um interregno que voltará quando, sem razão, nos vier abraçar.