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terça-feira, 18 de maio de 2010

1507/2007 - Os 500 anos da palavra “América”



Sílvio Castro

No dia 7 de maio de 1507 o cartógrafo alemão Martin Waldseemüller publicava, conjuntamente com a sua Introductio Cosmographia à edição critica da obra cosmográfica de Ptolomeu, do Centro Saint-Diè, na Lorena, o seu famoso planisfério universal. Neste vinha acrescentada às partes conhecidas do Globo terrestre o espaço ainda quase desconhecido do Novo Mundo. A este, Waldseemüller deu o nome “América”, em homenagem a Américo Vespúcio.

Chamando “América” o novo continente, o cartógrafo e cosmógrafo alemão, além da homenagem a Vespúcio, denominava igualmente o Brasil. Isto porque no seu longilíneo mapa das novas terras ele põe a América no espaço geográfico brasileiro, terras do rei de Portugal. Waldseemüller, em seu mapa pioneiro figura um espaço estreito e vertical, de meridianos limitados, derivado dos dados convencionais do Tratado de Tordesilhas (1494), espaço por ele conhecido através da fascinação que nele exercem as lições dos textos vespucianos. Daí a intuição genial que o conduz à criação .do nome definitivo para o Novo Mundo, “América” a partir de 7 de maio de 1507.

No início do ano de 1505 saíra em Florença um texto de Vespúcio, conhecido geralmente como Lettera al Soderini, em que vem apresentada uma composta narrativa de presumíveis quatro viagens vespucianas. Estas quatro viagens seriam: a 1ª) de 10 de maio de 1497 a 15 de outubro de 1498; a 2ª) de 10 de maio de 1499 a 8 de setembroa de 1500; a 3ª) de 13 de maio de 1501 a 7 de setembro de 1502; a 4ª) de 10 de maio de 1503 a 18 de junho de 1504. Todas elas referidas quase exclusivamente ao Brasil. Em Saint Diè, nos estudos preparativos da edição crítica da cosmografia de Ptolomeu, Waldseemüller toma conhecimento do edição florentina do texto vespuciano que vem imediatamente traduzido em francês por recomendação dos sábios componentes do Centro de Saint Diè e por desejo expresso do duque Renato II, de Lorena, protetor do Centro. Da versão francesa, a carta vespuciana vem traduzida por Martin Waldssemüller, juntamente com os estudiosos de Saint Diè, em latim e incorporada à “Introductio” do cosmográfo e cartógrafo alemão com o título de Quattuor navigationis.