Tal como aconteceu em Mafra, há anos atrás, em que foi rejeitada a proposta para atribuir o nome de Saramago a uma escola da vila que se tornou mundialmente conhecida devido ao êxito de «Memorial do Convento», o executivo camarário do Porto recusa aceitar que seja dado o nome do Nobel a uma rua da cidade. A Associação Portuguesa de Escitores distribuiu pelos seus sócios o texto de uma petição destinada a recolher assinaturas de protesto contra tão aberrante decisão. Diz o texto, cujo primeiro signatário é José Manuel Mendes, presidente da instituição:
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto,
Surpreendeu-nos a chocante notícia, divulgada pela Comunicação Social, de que deliberou por maioria o executivo a que V.ª Ex.ª preside rejeitar a proposta do Vereador Rui Sá, lembrando o dever de se atribuir o nome de José Saramago a uma rua do Porto.
Inconformados com a resolução tomada pelos responsáveis da Autarquia, vêem os signatários, agentes culturais, e simples cidadãos que consideram a Cultura esteio fundamental da Civilização, convidar V.ª Ex.ª a promover a reanálise da proposta apresentada, com vista a uma decisão que não desonre a Cidade, nem ofenda a memória de um compatriota nosso que ficará como vulto maior da Literatura Universal.
Estrolabio associa-se a este movimento de protesto, sabendo, no entanto, que cabe aos cidadãos da Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cida do Porto decidir se querem ou não aceitar uma decisão, de cariz marcadamente mesquinho e político, que, a prevalecer, a todos os portuenses envergonhará. Estamos certos de que tal decisão não passará. O Porto terá uma rua, praça ou avenida com o nome de José Saramago.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
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Essa questão de Mafra tem um pormenor curioso. O mesmo executivo que não queria atribuir o nome do escritor a uma escola, deu o nome do presidente da câmara a um grande complexo polidesportivo. Mas, claro o que é um obscuro Prémio Nobel da Literatura quando comparado com um resplandecente autarca da vila de Mafra?
ResponderEliminarGente mesquinha, sem qualidade intelectual, sem grandeza humana, gente que nada significa para o País, tem sempre de manifestar o seu rancor e inveja quando tem possibilidade de avaliar as pessoas verdadeiramente importantes. É a vingança dos imbecis, Oxalá no Porto não prevaleça a opinião dessa desprezível gentinha. A cidade não o merece.
O José Saramaro teve um grande azar à nascença, foi nascer entre mouros e não entre morcões.
ResponderEliminarSaramago só há esse, e a obra dele é de todos.
ResponderEliminardepois do que aconteceu no Porto (não sabia de Mafra) um dia destes temos aí um movimento de pais empenhados na educação dos filhos a pedir à Ministra da Educação que trave essa prática de se estudar Saramago nas escolas
ResponderEliminarmas ontem foi descerrada a placa de bronze em memória da visita de Bento xvi. Ali junto à Câmara do Porto e à estátua de Almeida Garrett o recado também foi dado pelo Bispo do Porto "Almeida Garrett foi determinante até no reatamento de relações de Portugal e Santa Sé depois do liberalismo, em meados do século xix ... sendo o escritor que melhor percebia o contributo da religião para uma sociedade livre e democrática”.
ResponderEliminarTambém foi inaugurada uma exposição (até outubro), nos Paços do Concelho, sobre a visita papal.
Com o nome desse presidente da Câmara há, em Mafra, pelo menos, um Parque Desportivo Municipal e um Pavilhão Desportivo Municipal (Parque Desportivo Municipal Eng.º Ministro dos Santos; Pavilhão Desportivo Municipal Eng.º Ministro dos Santos.
ResponderEliminarMas compreende-se, o homem é Engenheiro, Ministro e dos Santos!
Uma tríade assim não é para qualquer um.
E não levantou obstáculos a que uma das principais avenidas da vila se chame Francisco Sá Carneiro - que, como todos sabemos,´foi pessoa muito mais ilustre e importante do que um escritorzeco que ganhou um premiozito qualquer.
ResponderEliminarMas sendo em Mafra, o homenzinho pode colocar o nome quantas vezes quizer que Mafra será sempre "O Memorial do Convento" de Saramago! Azar...
ResponderEliminarÓ pá, agora o Porto é obrigado a pôr o nome do Saramago numa rua? Houve uma proposta, a câmara votou e reprovou. Amanhã vai para lá outra câmara, faz-se nova proposta, a câmara vota e aprova. Tá dado o nome a uma rua decente em vez de a darem agora a um beco só para chatear. A democracia é assim, raio!O povo da cidade não é ouvido nem achado noutras coisas quanto mais nestas.
ResponderEliminarÓ Sales!Então decisões destas, de orientar os critérios toponímicos pelas cartilhas partidárias, isto tem alguma coisa a ver com democracia? En Almada o nome Saramago até é capaz de substituir o da cidade; no Porto não lhe querem dar o nome a uma simples rua. Isto não faz sentido. Vivemos, não em democracia, mas em partidocracia. A maioria de direita do executivo camarário, não poderia assumir a atitude inteligente de valorizar a grandeza intelectual do homem e, pelo menos agora que ele morreu, esquecer a sua (legítima) orientação política? É uma atitude tacanha e que envergonha algumas pessoas de direita, estou certo. E sobretudo, envergonha muitos milhares de portuenses. A democracia não é assim, Sales.
ResponderEliminarOh, Carlos! O comentário do Sales pareceu-me irónico (ou será a costela dos anos que vivi em Torres Vedras a falar?).
ResponderEliminarÉ a grandeza do cidadão e do escritor Saramago que os incomoda, é a sua imortalidade que lhes faz nervoso, a eles, os autarcas que sacrificam a vida pela cidade do Porto e que, deixada a autarquia, ninguém mais se lembrará deles. Que injustiça, pensam eles!
Isso sei eu! Mas assim, pude dedicar mais uns mimos a essa gente mesquinha que põe interesses partidários, quando não mesmo outro tipo de interesses, acima da decência e da honradez. Saramago foi um grande escritor. Eles não são coisa nenhuma.
ResponderEliminarVês? A tua intervenção deu-me outra oportunidade.