quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O Mistério da camioneta fantasma, de Hélder Costa -8

(Continuação)


Cena 7



O Dente de Ouro começa a falar

(Criada, com uma carta)

Criada – Também chegou correio, minha senhora.

Berta Maia – Uma carta de Coimbra, da penitenciária, do Abel Olímpio!...

(Lê e em simultâneo …)

Abel Olímpio ( escreve) - Senhora Dona Berta Maia.... eu não tenho culpa... (silencio)...eu tenho mais coisas a dizer...

Berta Maia - Ouve, Abel Olímpio, tu és um criminoso, mas o miserável que te mandou fazer aquilo e que se esconde deixando-te aqui, é mil vezes mais criminoso que tu.

Abel Olímpio - Mais glória para mim!

Berta Maia - Mais glória? Quer dizer que estás convencido que fizeste bem quando mataste o meu marido? Quem te mandou? Quem te mandou?

Abel Olímpio – Não conto nada, não sei nada.

Berta Maia – Os que te mandaram desejam a tua morte, porque tu, vivo, és uma ameaça para eles! Eu não, eu quero que tu vivas porque é da tua boca que eu hei-de ouvir a verdade que procuro!

Abel Olímpio – Não me dá novidade nenhuma! Eles hão-de vir aqui matar-me!

Berta Maia – Eles? Quem são eles?

Abel Olímpio – Pergunte ao Tenente Mergulhão, foi ele que me deu a camioneta.

Berta Maia – Abel Olímpio, peço-te por tudo, peço-te pela felicidade dos teus entes mais queridos... tu és um criminoso, mas também tens coração... peço-te, diz-me a verdade, diz-me o que eu preciso de saber...

Abel Olímpio – Não conte comigo para coisa nenhuma; esqueça-se de mim, não me procure mais, não conte comigo!

Berta Maia – Eu não consigo esquecer-te, eu vejo-te a toda a hora, eu estou sempre a ouvir as mentiras que disseste em minha casa antes de me roubares o meu marido...

Abel Olímpio – Quem matou o seu marido foi o sargento Benevides.

Berta Maia – Está bem. Agora, diz tudo. Quem mandou? Porque mentiste em minha casa?

Abel Olímpio – Ninguém mandou! Escusam de estar com isso, eu não sou criança nenhuma! Façam-me a revisão do processo!

Berta Maia – Bandido! Eu sei que tu não passas de um instrumento! Tenho a certeza! Por causa da tua acção violenta e má em minha casa é que eu aqui estou. Estou farta de sofrer!

Abel Olímpio – Ninguém mandou, não sou criança nenhuma!


(Continua)

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