terça-feira, 9 de novembro de 2010

Fotopoemas II - Nem rei nem lei


Texto de Luís Rocha, poema de Fernando Pessoa e
Fotografia de José Magalhães

Chegar e ir-se embora sem aviso

é a sua natureza
Abraça mais que subjuga
Mostra mais do que esconde
Quando chega é uma certeza

- e mais não digo, mas peço ajuda ao Fernando Pessoa
e ele não a recusa:





Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Numa o que é mal numa o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

(Fernando Pessoa in Mensagem)

2 comentários:

  1. Como toda a poesia bem de acordo com a situação actual. premonitória...

    ResponderEliminar