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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dia do Porto: Chico Buarque, Álvaro de Campos e uma dobrada à moda do Porto



O cenário deste video é Lisboa, mas nem se pode dizer que isso seja despropositado, porque, como os tripeiros sabem, só os lisboetas chamam às tripas "dobrada".


Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Poemas de Álvaro de Campos

domingo, 14 de novembro de 2010

Notas soltas, por Carlos Godinho

"Leite Derramado", de Chico Buarque



Coloquei em 19 e 24 de Julho de 2009 duas entradas sobre "Leite Derramado" de Chico Buarque, e na altura disse que tinha adorado o livro. Agora, no Brasil, a PT decidiu atribuir-lhe o seu prémio, em cerimónia a que presidiu Zeinal Bava. Conheci Chico Buarque num jogo das estrelas organizado pelo Luís Figo, em Alvalade, salvo erro em 2007. Aliás aquele banco estava cheio de estrelas, verdadeiras, porque para além dele também por lá passou Eros Ramazzotti. Scolari era o treinador e curiosamente Paulo Bento era um dos treinadores da equipa adversária, penso com Humberto Coelho. Foi um momento divertido e que fica para a história de quem participou.



Blanc mais blanc não há

Laurent Blanc, Seleccionador francês, em entrevista, declarou que deveriam haver mais jogos de selecções nacionais durante o ano. Tenho lido e ouvido tantas propostas sobre este tema sem que se chegue a alguma conclusão. Desde a criação de um espaço temporal para as qualificações com a realização de jogos particulares durante o ano somente com jogadores não envolvidos nas competições europeias, à criação de duas divisões europeias com grupos mais fortes na primeira divisão ou até a outras propostas, mais ou menos maximalistas, conforme os seus autores, clubes ou federações. Qualquer destas propostas esbarra sempre com uma questão fundamental: "Quem paga aos jogadores?". E este é de facto o problema fulcral. Parece também que a UEFA e a FIFA, não têm conseguido chegar a um consenso alargado, mantendo-se sempre na retaguarda dos grandes clubes e indo quase sempre a seu reboque, desde que estes não invertam as suas posições sobre a Champions League, os Euros e os Mundiais. Por muitos e belos discursos que os seus principais dirigentes vêm fazendo sobre a matéria, a realidade é que as selecções têm vindo a perder terreno, como se verificou agora com a proposta dos jogos às 6ªs e 3ªs feiras, quando haveria naturalmente outras soluções não penalizadoras dos clubes. Repare-se, na situação verdadeiramente curiosa, de no próximo campeonato da europa sub/21, 2011/13, os jogos destas equipas, caso não exista acordo entre elas, terem também lugar, segundo o regulamento já divulgado pela UEFA, nos mesmos dias que os jogos dos "AA". Ou seja, se já é difícil mobilizar público às sextas-feiras para os jogos principais, dado que os adeptos de selecção têm características diferentes dos habituais frequentadores dos jogos dos clubes, com dois jogos no mesmo dia, nem na televisão vêm os dos sub/21. Assuntos que estão a penalizar as selecções nacionais e que merecem revisão.



(in Todos Somos Portugal)
 
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