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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Arquitectura e Música


Arquitectura e Música

José de Brito Guerreiro

«A relação da Arquitectura com a Música remonta aos primórdios do pensamento humano. (...)
Concretamente a Arquitectura e a Música partilham muitas características: ritmo, harmonia, ordem, proporção, repetição, contraste, tons, frases compositivas, estruturas matemáticas. (...)
Os métodos utilizados para conceber e manifestar ambas as artes possuem um núcleo compositivo similar.
A Arquitectura e a Música situam-se no domínio da abstracção, alheias a qualquer representação figurativa, transcendendo as aparências exteriores da realidade. Diferem das artes plásticas e visuais porquanto não procuram a imitação de objectos reais. Exprimem-se mediante conceitos e formas próprios.
As obras arquitectónicas, como as musicais, são fruídas por meio da quarta dimensão, o tempo, o que reforça o vínculo entre estas duas artes. A Música manifesta-se pela relação entre som e tempo. A Arquitectura exprime-se pela conexão entre espaço-luz e tempo. Luz que revela a conformação da matéria, e tempo que o contemplador precisa no percurso para captar e perceber as harmonias espaciais.
O 'som' da Música corresponde ao 'cheio' da Arquitectura. O 'silêncio' da Música é o 'vazio' da Arquitectura. E o som não se propaga onde não existe matéria.»

José de Brito Guerreiro
Arquitectura e Música: Correspondências · Tangências · Aproximações
Janeiro de 2008

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Filme - O Concerto





VERBARTE

Luís Moreira





É verdade que o passado não regressa mas podem regressar factos desse mesmo passado e quanto perturbadores podem eles ser.

Estamos perante um filme entre a comédia e o drama, com cenas bem conseguidas e hilariantes mas, paralelamente, corre como o marfim, o talento aprisionado nos corpos de homens e mulheres que por razões políticas foram afastados da sua paixão. A música! E, quem os afastou, fê-lo também por uma paixão. O amor a um partido e a uma ideologia!

Chegou a altura da redenção e no ambiente fantástico da grande música, desenrolam-se factos há muito contidos que se vão elevando na arte esplêndida de exímios músicos.

Ficamos sentados muito para além do fim do filme, enquanto não termina o sonho, teimamos em ficar. Gostei muito, embora cenas hajam desnecessárias e que tiram alguma beleza e mistério ao filme!

sábado, 18 de dezembro de 2010









A minha música


Adão Cruz



Passei o dia a ouvir música sempre a mesma alternando Madredeus e Erik Satie.


Como foi possível parecerem-me tão semelhantes?


Que percebe de sons este monocórdico espírito?


Mas foi o mesmo o que produziram em mim a sensação amarga de ter atirado fora uma paveia de sentimentos.


Como vou misturar é quase certo que nada existe nada está perto nem eu estou triste com Embryons desséchés e Peccadilles importunes?


Eu próprio me sinto mistura de contradições e acasos harmonia de contrastes santidade e pecado.


Nada percebo de música mas quero que a música seja ar chuva ou vento olhos boca sustento febre delírio amor e tormento.


Não sei onde fica a música nem a terra onde ela conduz sei apenas que é de sol e de luz ar puro e perfume o caminho da música para o alto dos montes.


(Ilustração de Adão Cruz)

domingo, 14 de novembro de 2010

Notas soltas, por Carlos Godinho

"Leite Derramado", de Chico Buarque



Coloquei em 19 e 24 de Julho de 2009 duas entradas sobre "Leite Derramado" de Chico Buarque, e na altura disse que tinha adorado o livro. Agora, no Brasil, a PT decidiu atribuir-lhe o seu prémio, em cerimónia a que presidiu Zeinal Bava. Conheci Chico Buarque num jogo das estrelas organizado pelo Luís Figo, em Alvalade, salvo erro em 2007. Aliás aquele banco estava cheio de estrelas, verdadeiras, porque para além dele também por lá passou Eros Ramazzotti. Scolari era o treinador e curiosamente Paulo Bento era um dos treinadores da equipa adversária, penso com Humberto Coelho. Foi um momento divertido e que fica para a história de quem participou.



Blanc mais blanc não há

Laurent Blanc, Seleccionador francês, em entrevista, declarou que deveriam haver mais jogos de selecções nacionais durante o ano. Tenho lido e ouvido tantas propostas sobre este tema sem que se chegue a alguma conclusão. Desde a criação de um espaço temporal para as qualificações com a realização de jogos particulares durante o ano somente com jogadores não envolvidos nas competições europeias, à criação de duas divisões europeias com grupos mais fortes na primeira divisão ou até a outras propostas, mais ou menos maximalistas, conforme os seus autores, clubes ou federações. Qualquer destas propostas esbarra sempre com uma questão fundamental: "Quem paga aos jogadores?". E este é de facto o problema fulcral. Parece também que a UEFA e a FIFA, não têm conseguido chegar a um consenso alargado, mantendo-se sempre na retaguarda dos grandes clubes e indo quase sempre a seu reboque, desde que estes não invertam as suas posições sobre a Champions League, os Euros e os Mundiais. Por muitos e belos discursos que os seus principais dirigentes vêm fazendo sobre a matéria, a realidade é que as selecções têm vindo a perder terreno, como se verificou agora com a proposta dos jogos às 6ªs e 3ªs feiras, quando haveria naturalmente outras soluções não penalizadoras dos clubes. Repare-se, na situação verdadeiramente curiosa, de no próximo campeonato da europa sub/21, 2011/13, os jogos destas equipas, caso não exista acordo entre elas, terem também lugar, segundo o regulamento já divulgado pela UEFA, nos mesmos dias que os jogos dos "AA". Ou seja, se já é difícil mobilizar público às sextas-feiras para os jogos principais, dado que os adeptos de selecção têm características diferentes dos habituais frequentadores dos jogos dos clubes, com dois jogos no mesmo dia, nem na televisão vêm os dos sub/21. Assuntos que estão a penalizar as selecções nacionais e que merecem revisão.



(in Todos Somos Portugal)
 
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domingo, 31 de outubro de 2010

Ainda Mahler

Augusta Clara de Matos

Mahler sempre me levou e leva pelos ares. Não há outra música com que eu acompanhe a escrita, de forma rápida e escorreita, como com a de Mahler. Com que a minha sensibilidade se sinta confortada.

Mal soam os metais e os violinos, com o toque de fundo de um dedilhar de harpa, qualquer coisa me eleva e arrasta, a tal asa metálica que eu reconheço na sua música, evocando os mitos germânicos de “O Anel” de Wagner com o qual, provavelmente não terá nada a ver.

Sei lá se isto é verdade. Que mo digam os músicos. Acho que não passa de divagações de quem não percebe nada de técnica dos sons. Mas é o que eu sinto. Apenas posso perceber que a sua vida atormentada o tenha feito criar esta agreste e arrebatadora beleza.

Há força, há violência, mas é uma potência de vida inultrapassável. Uma verdade que não é permitido a ninguém questionar. É livre e selvagem como a vida quando é genuinamente vivida.

Mahler é como as ondas do oceano, como as asas de uma águia, como a erupção dos vulcões, como a paixão que nos explode no peito. Não é possível fruir esta música sem paixão, ou é melhor não a ouvir.

Quando oiço Mahler, alguém me sussura ao ouvido palavras de amor, de terna e forte sensualidade que chegam não se sabe donde nem onde regressam. Independentes de mim, vão pelos ares, montadas nessa asa, retornam à origem com o acrescento que a música de Mahler em mim lhes deu.

Feliz de quem as receba porque levam o meu coração por inteiro.
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Ouçamos o 3º andamento da Sinfonia No. 1 "Titan" de Mahler. Claudio Abbado, o grande maestro milanês, dirige a Filarmónica de Berlim num concerto realizado em Dezembro de 1989.