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sábado, 30 de outubro de 2010

Encerramento do dia dedicado a Ricardo Carvalho Calero

Comemorámos hoje o centenário do nascimento de Ricardo Carvalho Calero. (Ferrol, 1910 — Compostela, 1990). Quase desconhecido em Portugal, é uma figura cimeira da intelectualidade galega do século XX, escritor e filólogo. Foi na Universidade de Santiago de Compostela, o primeiro Catedrático de Língua e Literatura Galegas.


Principal teórico da corrente reintegracionista, ou seja, dos que defendem que o galego e o português se devem voltar a unir, pois são duas formas dialectais do mesmo idioma, como defenderam Carolina Michaëlis e Manuel Rodrigues Lapa, entre outros.  Porém, apesar da grande importância que a sua obra assumiu, sobretudo na última fase da sua vida, Carvalho Calero não teve nem tem em Portugal a ampla divulgação que se justificava pela importância que a sua obra assumiu na hermenêutica das origens do nosso idioma.


Dissemos que em Portugal o Professor Carvalho Calero não teve até agora a divulgação merecida. Pois na sua pátria tampouco a teve. Com a devida vénia, transcrevenos do Portal Galego da Língua uma entrevista com Alexandre Banhos que conhecemos já por um texto admirável aqui publicado há tempos - "Ou reintegracionistas ou imbecis (com humor amoroso)" e cuja publicação repetimos hoje. Eis a entrevista com Alexandre Banhos Campo.


Entrevista com Alexandre Banhos

"há gente que nom quer esse monumento, que teme o formosíssimo bronze do busto de Carvalho Calero"

PGL - No vindouro 30 de outubro prevê-se inaugurar em Compostela umha estátua em homenagem a Carvalho Calero. O projeto, impulsionado pola Fundaçom Meendinho, está a topar entraves inesperados, e precisam-se com urgência mais de 10.000 euros. Alexandre Banhos, membro da Fundaçom, aclara-nos os porquês.

PGL: Quanto tempo leva a trabalhar a Meendinho para homenagear Carvalho Calero?

Alexandre Banhos: A Fundaçom Meendinho acordou em junho de 2009 apoiar difundir e participar, em todo tipo de iniciativas que ao longo de 2010 se realizarem para homenagear a esse galego exemplar. Membros do seu padroado têm participado em quanto ato tem sido convocado por organizações da Galiza em homenagem a Carvalho Calero, do qual se pode achar informaçom no PGL.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ou reintegracionistas ou imbecis (com humor amoroso)

Do Portal Galego da Língua, transcrevemos, com a devida vénia, este excelente texto de

 Alexandre Banhos Campo:


O título semelha um pouco forte, pois parece dizer-se que, quem não se afirmar reintegracionista, é parvo, e isso não é assim, e, além disso, refere-se ao momento mais ou menos contemporâneo que vivemos nos nossos dias.

Quando os nossos devanceiros galeguistas do século XIX, os recuperadores da nossa língua como algo que começava a deixar de ser "socializadamente" simples língua ágrafa, se põem a fazer obra, não se podia aguardar deles outra cousa senão usarem o modelo castelhano, como escreve algures Fernando V. Corredoira “Em meados do século XIX renasce para a literatura uma língua socialmente estigmatizada, funcionalmente minorada, banida das instituições oficiais e hostilizada pelo Estado. Popular e realmente falada, a língua galega começará a ser posta ao serviço dum movimento cultural e político que irá perfilando uma vocação que (com cautela, porém) poderíamos chamar nacional...Como previsível, o recurso ao modelo ortográfico castelhano foi inevitável. O ágrafo galego passou a escrever-se conforme a feição gráfica da língua oficial e única língua verdadeira — tal como ortografada desde finais do século XVIII. Este modelo tinha no mínimo duas vantagens invencíveis: era tecnicamente prestadio e era o único conhecido, o único aliás que podia conhecer-se”.

Que no século XVIII o Padre Sarmiento escrevesse: “la lengua portuguesa pura no es otra que la extensión de la gallega” (“Sobre el origen de la lengua gallega”, 1755, em Opúsculos Lingüísticos Gallegos del s. XVIII, J.L. Pensado, Editorial Galaxia, 1974, pág. 30), ou que o seu colega de ordem e sabedoria o Padre Feijó afirmasse: “el idioma Lusitano, y el Gallego son uno mismo” (Theatro Critico Universal, tomo I, discurso 14, 1726), isso nada mudara pois não fazia parte do conhecimento “socializado”.