Carlos Loures
A mesma sala assume dimensões diversas consoante a apreciamos na infância ou na idade adulta – às crianças as coisas parecem sempre maiores, por razões óbvias de diferença de escala. Quantas desilusões temos ao regressar em adultos a locais «grandiosos» da nossa infância e os encontramos pequenos, acanhados, insignificantes… Tinha os meus quinze ou dezasseis anos quando li «Montanha Mágica», de Thomas Mann. Li-o numas férias de Verão na Biblioteca Nacional que funcionava ainda no velho edifício do Largo da Biblioteca, junto à Rua Vítor Córdon, pegado com a Escola Superior de Belas Artes.
Fiquei maravilhado e não descansei enquanto não arranjei dinheiro para o comprar e poder ler quantas vezes quisesse. Tal foi a pedrada, que, no meu círculo de amigos, durante semanas, quando eu abria a boca, havia quem dissesse - «Lá vamos nós apanhar com a montanha…». E, quase sempre era verdade. Transformou-se, para mim, num paradigma da arte de bem escrever. E fiz campanha por Mann, com a mesma convicção com que, depois, lutei por Humberto Delgado. Os amigos foram lendo e, arranjei adeptos, embora houvesse uma facção que entendia que o livro não era assim tão bom (ninguém se atreveu a dizer que era chato) – nem enredo tinha, diziam os mais viciados na efabulação cinéfila – o que, em parte, até é verdade.
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domingo, 18 de julho de 2010
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