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terça-feira, 21 de dezembro de 2010





Celtas, Mouros, Judeus ...

Carlos Loures

José Pedro Machado, meu amigo e grande filólogo de que já vos tenho falado, legou-nos dois importantes livros sobre a influência do árabe na língua portuguesa «Vocabulário Português de Origem Árabe» (1991) e «Ensaios Arábico-Portugueses» (1997). Por eles, podemo-nos aperceber da grande quantidade de vocábulos que, do árabe, foram emprestados ao português. Muitos são palavras de uso comum e quotidiano: alarido, alarde, albufeira, alcaide, aldrabão, alface, alfândega, algazarra, alicate, alpergata, alvoroço, argola, armazém, arsenal, baldio, bazar, bolota, cabide, chafariz, cifra, debalde, divã, enxaqueca, enxovia, falua, fateixa, fato, forro, fulano, garrafa, gazela, jarra, javali, lacrau, laranja, marfim, matraca, múmia, nora, oxalá, quintal, recife, sucata, tagarela, tarefa, tremoço, xadrez, zagaia… São milhares, incluindo muitas centenas de topónimos

domingo, 30 de maio de 2010

Menino do Bairro Negro, de José Afonso



Sublinhando as palavras do Luís Moreira, apresentamos uma interpretação de Menino do Bairro Negro, de José Afonso, interpretado pelo coro misto Ançãble, de Cabeceiras de Basto, num arranjo de Joaquim dos Santos. Zeca Afonso compôs esta canção inspirando-se na vida dos meninos de um bairro degradado – o Barredo, no Porto. Fruto do começo da Guerra Colonial e da emigração forçada, as maiores cidades do País iam vendo crescer nas suas periferias bairros de lata. Esta composição, tão bem interpretada por este coro, molestou particularmente as consciências. A intenção do Zeca não seria outra.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Morrer de sede



Navio de imigrantes - Lasar Segall (1939)

Fernando Correia da Silva


Estrangeiro que fui no meu país,
saltei fronteiras a tentar a sorte.
Estrangeiro que sou, perdi o norte,
corri o mundo, não deitei raiz.

É meu rasgado e velho passaporte
a sede antiga, esta cicatriz
queimadura que diz e contradiz
a pátria calcinada até à morte.

Mas torno sempre ao lar: fornalha, frágua,
cinzas e pedras sob cada ponte.
Orvalho, quando o há, é só de mágoa.

E quando exijo ao verde que desponte
e vem Abril abrir-se em olhos d'água,
vou eu morrer de sede ao pé da fonte.