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terça-feira, 21 de dezembro de 2010





Celtas, Mouros, Judeus ...

Carlos Loures

José Pedro Machado, meu amigo e grande filólogo de que já vos tenho falado, legou-nos dois importantes livros sobre a influência do árabe na língua portuguesa «Vocabulário Português de Origem Árabe» (1991) e «Ensaios Arábico-Portugueses» (1997). Por eles, podemo-nos aperceber da grande quantidade de vocábulos que, do árabe, foram emprestados ao português. Muitos são palavras de uso comum e quotidiano: alarido, alarde, albufeira, alcaide, aldrabão, alface, alfândega, algazarra, alicate, alpergata, alvoroço, argola, armazém, arsenal, baldio, bazar, bolota, cabide, chafariz, cifra, debalde, divã, enxaqueca, enxovia, falua, fateixa, fato, forro, fulano, garrafa, gazela, jarra, javali, lacrau, laranja, marfim, matraca, múmia, nora, oxalá, quintal, recife, sucata, tagarela, tarefa, tremoço, xadrez, zagaia… São milhares, incluindo muitas centenas de topónimos

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um autarca na ópera

Carla Romualdo


Havia meses que a cambada de sarnentos do costume gania a plenos pulmões que a autarquia não tinha política cultural. Claro que poderia varrê-los das ruas, mandar detê-los por alguma infracção menor, mais para que se assustassem do que para retirá-los de circulação, mas haveria sempre alguma retaliação, alguma chatice para resolver, a necessitar de uma entrevista de auto-promoção, de novos cartazes… enfim, mais tempo perdido.

De forma que, para calar esses bandalhos e dar uma alegria ao povo, mandou chamar, certa manhã, o vereador, ditou-lhe um par de ideias com piada e em duas semanas estavam a encher a praça de carrosséis dourados, onde se erguiam, à vez, cavalos com focinhos sorridentes e crinas de plástico brilhante, carruagens da Cinderela, unicórnios de cabelo louro, todos a rodopiar ao som do “It’s a small world after all” uma e outra vez, sem parar, numa algazarra de sininhos, campainhas e notas dissonantes.

Montaram-se também as barracas de cachorros e farturas, e ainda outra de jogos, onde a boa pontaria era brindada com um peluche gigante.
Esteve presente na inauguração, num simbólico gesto de apreço e respeito pela cultura, e deixou-se fotografar sorridente ao lado da mãe de todos os saltimbancos, a Micas Mamuda, octogenária ainda no activo, e matriarca de uma dinastia de animadores culturais.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Norberto Ávila - Algum Teatro


António Gomes Marques

Recentemente, recebi um «e-mail» do meu amigo Norberto Ávila, que conheci na Divisão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura há cerca de 33/34 anos, sendo eu então Presidente da Direcção da APTA - Associação Portuguesa do Teatro de Amadores, ao qual respondi, pela mesma via, com um comentário. Eis o conteúdo de um e outro:

---------- Mensagem encaminhada ----------

De: Norberto Ávila
Data: 8 de maio de 2010 17:08
Assunto: Norberto Ávila / ALGUM TEATRO
Para: agomesmarques@gmail.com

– Se lhe parece que os teatros deste País (Nacionais, Municipais, Independentes ou Amadores que sejam) deveriam, mais frequentemente, incluir nos seus repertórios obras de autores portugueses,
– se reconhece que, em tempos difíceis, é menos recomendável o recurso a direitos de autor estrangeiros,
– se considera que Norberto Ávila é um dos autores teatrais que merecem ser mais representados em Portugal (depois de 50 anos de trabalho dramatúrgico e uma ampla carreira internacional),
– se concorda que a ficção teatral poderá ser de tão agradável leitura quanto a ficção narrativa,
– participe na divulgação da seguinte notícia:


De: António Gomes Marques [mailto:agomesmarques@gmail.com]
Enviada: domingo, 9 de Maio de 2010 22:22
Para: oficinadescrita@gmail.com
Assunto: Norberto Ávila / ALGUM TEATRO

Meu Caro Norberto

Vi com muita alegria a publicação da tua obra teatral pela Imprensa Nacional; infelizmente, a editora, pelo preço que fixa, não parece muito interessada na venda dos mesmos. Eu próprio, que não posso dizer que vivo mal, tive de esperar pela Feira do Livro para adquirir um ou dois volumes (na próxima semana) da tua obra teatral, embora já tenha alguns dos livros que foste publicando, como sabes, podendo mesmo dizer que, enquanto Presidente da Direcção da Associação Portuguesa do Teatro de Amadores promovi a publicação da tua obra mais representada em Portugal e no Estrangeiro, As Histórias de Hakim, em Fevereiro de 1978, quando as editoras não se mostravam dispostas a publicar teatro, como hoje também não se mostram. É o país que temos e tu conhece-lo bem.

Este «e-mail» vai para uma quantidade enorme de amigos, lembrando-lhes que há um Teatro Português. Quanto às Companhias de Teatro, o problema é outro, ou melhor, os problemas são muitos. Quando a regras de atribuição de subsídios às Companhias se altera de modo a servir uma determinada pessoa, quando há um «lobby» que todos nós, os que ao teatro estão atentos, conhecemos, a esperança de ver mais teatro português vai desaparecendo. Por outro lado, é muito mais fácil ir ver algumas peças ao estrangeiro e depois encená-las em Portugal do que pegar numa peça que ainda ninguém encenou e apresentá-la ao público.

Não vou escrever mais, conheces-me e podes contar comigo para sessões de divulgação dos livros agora publicados, há associações abertas a esta colaboração.

Recebe o abraço amigo do

Gomes Marques
PS - Em Dezembro passado, estive de novo na tua Angra do Heroísmo e gostei muito de voltar, depois de cerca de 15 anos ou mais.

Mas quem é este autor?

NORBERTO ÁVILA nasceu numa das mais lindas cidades de Portugal, Angra do Heroísmo, Ilha Terceira - Açores, a 9 de Setembro de 1936. A sua paixão pelo teatro levou -o a frequentar, de 1963 a 1965, a Universidade do Teatro das Nações, em Paris. Criou e dirigiu a revista Teatro em Movimento (Lisboa, 1973-75). Chefiou a Divisão de Teatro da Secretaria de Estado da Cultura por um período de 4 anos, cargo que abandonou em 1978, trocando uma vida estável, com ordenado garantido pela aventura da escrita, a que, a partir de então, se tem dedicado com verdadeira paixão e grande qualidade, escrita essa mais dedicada ao teatro do que à prosa e à poesia.

A sua produção é notável, com cerca de 30 peças de teatro, a parte mais significativa da sua obra, 3 romances e um livro de poesia.
Traduziu obras de Jan Kott ( o polémico Shakespeare, nosso contemporâneo, uma edição da velha Portugália Editora, em 1968), Shakespeare, Tennessee Williams, Arthur Miller, Audiberti, Husson, Schiller, Kinoshita, Valle-Inclán, Fassbinder, Blanco-Amor, Zorrilla e L. Wouters.
Estendeu também a sua actividade à Televisão (Canal 1 da RTP), dirigindo uma série de programas quinzenais - Fila 1 - retratando a actividade tetaral em Portugal, na década de 80 do século passado.

Curiosamente, lembrando o velho ditado «santos da casa não fazem milagres», a obra teatral de Norberto Ávila é mais representada no estrangeiro, em países como Alemanha, Áustria, Bélgica, Coreia do Sul, Croácia, Eslovénia, Espanha, França, Holanda, Itália, República Checa, Roménia, Sérvia e Suíça., do que em Portugal. «As Histórias de Hakim», peça infantil editada pela APTA em 1978, é talvez ainda a peça de Norberto Ávila mais representada nos 4 cantos do Mundo, com traduções em alemão, francês e espanhol, e que, curiosamente, teve a sua primeira representação no velho Teatro Monumental (já desaparecido), na temporada de 1969-1970,.
Parece-nos oportuna esta edição da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, desejando nós que agora, já que não temos companhias de teatro e encenadores com coragem, os leitores se debrucem sobre este excelente autor, merecedor do reconhecimento dos portugueses.

António Gomes Marques

sábado, 28 de agosto de 2010

Cultura. Uma simples opinião.


Marcelo Rebelo de Sousa - culto ou inculto?
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Adão Cruz


Quando li um comentário de Carlos Loures, decorrente do seu próprio texto “A poesia. Para que serve a poesia?”, e em que ele diz “por exemplo, o Marcelo Rebelo de Sousa, de inculto nada tem”, senti uma certa comichão. Claro que seria uma tontice dizer que Marcelo Rebelo de Sousa não é um homem culto. Mas dizer que de inculto nada tem é, a meu ver, uma inverdade.

Em minha opinião, a cultura faz parte integrante da estrutura do ser humano. Mas entre os diferentes graus de cultura, da sua solidez e profundidade, da sua autenticidade e verdade, da sua sábia natureza intrínseca, pode haver diferenças abismais. A cultura constitui-se através da vida como qualquer um dos mecanismos de adaptação, enriquecendo o conhecimento e o saber nos emaranhados mecanismos fisiológicos e neurobiológicos da criatividade.

A verdadeira cultura, a cultura do saber autêntico, a cultura do percurso, a cultura do ser, transparece, muitas vezes, no homem verdadeiramente culto, de forma natural, no olhar, no fácies, na postura, no ser, na primeira amostra de comunicação. Nada em Marcelo Rebelo de Sousa me faz sentir que ele não é vulgar e que a cultura é o cerne da sua estrutura.

Tudo isto é um pouco como a nossa língua, que, como todos sabemos, não deve ser considerada um mero instrumento de comunicação, mas uma parte inseparável do todo que somos e da riqueza anímica que construímos através da vida. Um bom perfume deve ser sentido como parte integrante da personalidade de uma mulher e não como um cheiro. Uma boa decoração deve ser sentida pelo bom ambiente, pelo conforto e bem-estar que cria e não dar nas vistas apenas pelo estilo, pela forma e configuração dos objectos. Ao contrário do que hoje se vê em todos os lados, a cultura não é um enfeite, uma cosmética, uma roupagem mais ou menos vistosa.

Esta cultura do saber, a verdadeira e profunda cultura, nada tem a ver com a cultura-espectáculo, com a cultura-folclore, com a mais que ridícula cultura política, com a cultura do enciclopedismo superficial dos tagarelas, onde, e esta é a minha opinião, incluo, parcialmente, o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. E por isso me dá uma certa comichão quando o amigo Carlos Loures diz que ele de inculto não tem nada.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Bom sinal! Aparecem os anónimos!

Quando um comentador se encobre com o anonimato é porque acertamos no alvo. E já começam a aparecer aqui no estrolábio, nós que raramente tomamos partido e não temos agenda,que somos gente que gostamos de escrever e de ler, trocar ideias, já chamamos a atenção a quem procura mostrar serviço.

Aparecem como não estejam interessados no assunto, de preferência quando o texto é dirigido a uma pessoa com poder,pegam numa frase mais contundente e fazem "malabarismo", mesmo que a frase seja a transcrição de um "aparte regimental" que ficou registado nas actas da AR , é esse o interesse, não tem nada a ver com o conhecimento da senhora. Mas há que mostrar serviço, só é anónimo no blogue, porque a quem interessa foi lá mostrar servil...

Por acaso, o que se costuma fazer é apagar comentários anónimos, são cobardes, escondem a verdadeira razão que os leva a palmilhar a blogoesfera à procura de ocasião para mostrar serviço, mas nós aqui somos generosos.Fica aí o comentário, para que se veja como o pobre não é capaz de ter um argumento sagaz, bem pelo contrário, agarra-se ao comentário de uma pessoa honesta que assina e que dá a cara, e até é da casa.

Mas não abuse, porque na próxima será apagado. Escreva o que quiser mas como um homenzinho. Assine!

domingo, 18 de julho de 2010

Ninguem lhe dá um piano?

Luís Moreira


Gabriela Canavilhas é um desastre, como ministra é um fantasma, não se sabe o que faz, nem o que quer, a primeira vez que abriu a boca, caíram-lhe em cima os próprios colegas do governo, afinal de dinheiro quem sabe é o ministro das finanças, toca a recuar...

Foi à Assembleia da República e o seu discurso esteve perto da humilhação, o Pacheco a gritar-lhe lá da última bancada de deputados que era Jorge Luís Borges e não José, a ministra da cultura a mostrar que toca muito bem piano mas que não devia querer ser ministra.

O nível vai descendo perigosamente, uma das razões pode ser que Sócrates e o seu "inner circle" não queira gente boa, competente, com medíocres é mais fácil o quero, posso e mando.

E a grande notícia, no que ao ministério da Cultura diz respeito, é que foi criada uma secção dedicada à tauromaquia...