
Acaba de realizar-se em Porto Alegre um importante seminário de avaliação dos dez anos do Fórum Social Mundial (FSM) e de debate sobre o seu futuro. Paralelamente ocorreram centenas de iniciativas nas cidades da região metropolitana que reuniram 30.000 pessoas. Os grandes media decidiram não noticiar este acontecimento e, em contrapartida, encheram-nos de detalhes sobre a reunião do Fórum Económico Mundial (FEM) realizado em Davos. Não deixa de ser estranho, sobretudo se tivermos em conta que, ao longo da última década, as análises e previsões feitas no FSM se revelaram muito mais certeiras que as feitas no FEM. Em 2001, o neoliberalismo (as privatizações, o livre comércio e a desregulamentação económica e financeira) era para o FEM a solução definitiva das crises cíclicas do capitalismo e assim foi considerado até à crise financeira de Agosto de 2008 que o FEM não previu. Pelo contrário, o FSM defendeu que o neoliberalismo não era a única solução, que, de todas, era a mais injusta e que as crises que vinha provocando em vários países acabariam por chegar ao coração do capitalismo global, o que aconteceu. À luz disto, seria de bom senso ter em conta os temas que vão dominar o FSM nos próximos anos.

