No âmbito da nossa "Maratona Poética" a realizar durante as 24 horas de amanhã, dia 8 de Setembro, quarta-feira, temos estado a publicar tetxtos de algum modo relacionados com a poesia. O Professor Iturra, que já colaborou com textos sobre Pablo Neruda e Gabriela Mistral, envia-nos agora este texto impregnado de um intenso espírito poético.
As Três Graças, de Carle Van Loo (1763)
….para Graça Pimentel Lemos…
Todos sabemos que existem, na mitologia grega, três deusas chamadas Graças.
As Graças (Cárites na Mitologia Grega) são as deusas da dança, dos modos e da graça do amor, são seguidoras de Vênus e dançarinas do Olimpo.
Apesar de pouco relevantes na mitologia greco-romana, a partir do Renascimento as Graças se tornaram símbolo da idílica harmonia do mundo clássico.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Genealogia de Karl Marx e a sua disciplina de vida.
Raúl Iturra
Marx Levi foi rabino de Trier (a mais velha e mais sonolenta das cidades alemãs), tendo casado numa família onde os rabinos se destacavam desde o século XVI. O filho mais velho de Marx Levi sucedeu-o como rabino de Trier, e seu filho mais jovem, Herschel Marx, seguiu carreira de advogado, casando-se também numa família de rabinos, com Henriete Presborck. É desse casamento que nasce, em Trier, na Prússia do Reno, Karl Marx, em 5 de Maio de 1818, segundo filho que sobreviveu de pais burgueses e judeus.
Marx Levi foi rabino de Trier (a mais velha e mais sonolenta das cidades alemãs), tendo casado numa família onde os rabinos se destacavam desde o século XVI. O filho mais velho de Marx Levi sucedeu-o como rabino de Trier, e seu filho mais jovem, Herschel Marx, seguiu carreira de advogado, casando-se também numa família de rabinos, com Henriete Presborck. É desse casamento que nasce, em Trier, na Prússia do Reno, Karl Marx, em 5 de Maio de 1818, segundo filho que sobreviveu de pais burgueses e judeus.
Frequentemente, em reacção contra as humilhações que os judeus tinham de suportar (vindas da burguesia alemã, sobretudo na Prússia), assim como as exclusões injustas de que eram vítimas (as leis prussianas vedavam os não - cristãos o serviço público e as profissões liberais. Não podiam atingir o grau de oficiais no exército, nem ser admitidos na magistratura, nem na carreira diplomática), os israelitas alemães adoptavam as doutrinas socialistas. Herschel Marx considerava-se tanto alemão quanto judeu, e provavelmente muito mais um homem do iluminismo. Era discípulo de Lessing e Kant, e era conhecido por todos o seu saber sobre Voltaire e Rousseau. Para poder exercer a profissão de advogado, tinha que se adequar ao sistema, e para isso, era necessário escolher entre mudar de fé ou de profissão. Não pensou duas vezes: em 1817 adoptou o nome cristão de Heirinch e foi recebido na Igreja Evangélica do Reino da Prússia. A sua mulher, rejeitou o baptismo para si, o clima intelectual do ocidente nada significava para ela, mas não pôde recusá-lo para os seus filhos. Mesmo assim, a conversão recente ao cristianismo não era sempre suficiente para fazer esquecer a origem dos convertidos. Embora fossem vários os problemas, no geral, a família era feliz. Heirinch conseguiu ser socialmente aceite e gozar de um certo sucesso. A mãe era dedicada aos cuidados da casa, ao dos oito filhos, que se davam bem, principalmente Sophie e Karl, os mais velhos e os mais admirados pelos pais.
Quanto mais Karl Marx crescia, mais adquiria o gosto paterno pela literatura e filosofia. Aos doze anos, numa dissertação de exame sobre a escolha de uma profissão, podemos observar uma fagulha, um prenúncio do Marx adulto: “Mas nem sempre podemos seguir a profissão pela qual nos sentimos inclinados. As nossas relações na sociedade já são condicionadas parcialmente antes que possamos determiná-las.” Porém, quem mais o influenciou durante a infância, nem foi o seu pai nem foi a escola, mas sim o seu filósofo e amigo Freiherr Ludwig von Westphalen, cuja casa ficava na mesma rua em que Marx morava. Ludwig von Westphalen era um aristocrata de meia-idade que possuía gostos bem próximos dos de Marx, como o prazer de ler Homero e Shakespeare, ou conversar sobre a literatura de meia dúzia de línguas. Foi de Westphalen que Marx ouviu falar de Saint-Simon.
Aos dezassete anos, Marx sai do Ginásio de Trier para a Universidade de Bona, onde estudou oficialmente direito, mas dava preferência às aulas de Schelegel sobre Homero. As suas leituras eram constituídas principalmente por mitologia e poesia. Pouco trabalhou, gastou muito dinheiro, foi preso por distúrbios nocturnos e, para completar o seu comportamento burguês, travou um duelo onde foi ferido acima do olho. Aproveitou ao máximo e em quase todos os sentidos, o seu primeiro ano na universidade.
No verão, ao voltar para casa, surpreende quer a sua família, quer o seu amigo e quase pai, Freiherr Von Westphalen, sem saberem o que pensar, quando pede consentimento para casar-se com Jenny von Westphalen, filha de Freiherr (para Marx, ela era a moça mais bonita da cidade!). No entanto, enquanto Karl não tivesse concluído seu curso e iniciado a vida profissional numa carreira lucrativa, o casamento, pelo menos para Heinrich, era praticamente impossível. Mesmo com as dificuldades aparentes, Freiherr não hesitou muito em dar o consentimento. Heinrich Marx foi quem mais se preocupou: sabia que uma paixão de mais ou menos um ano não era bastante para preencher um casamento entre um rapaz com dezoito anos de idade, pertencente à classe média e neto de rabinos, e uma aristocrata de vinte e dois anos de idade, neta do conselheiro do Duque de Brunswick e filha de uma Wishart. O pai optou por mandá-lo para a Universidade de Berlim, longe de Trier. Cidade em que acabou por descobrir um mundo completamente novo: uma metrópole com 320.000 habitantes, cheia de luz e de vida. Marx alugou um quarto na Leipzig – strasse.
Só e impossibilitado de trabalhar o estudo de direito, começou a aborrecê-lo. Não é, pois, de estranhar, que o primeiro ano em Berlim decorresse entre leituras variadas incompletas, enquanto aos estudos dedicava tempos mínimos e obrigatórios.
A ausência de Jenny era superada por meio dos horríveis poemas que lhe escrevia. Denotava-se, que diariamente, a sua organização da habitação e da sua higiene pessoal, atingia o máximo caos. Esse era Karl Heinrich, jovem, sem mulher, sem família e numa cidade estrangeira: um ser humano.
O texto, da autoria de Francisco Alvares Filho de Deus, estudante de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Padre, é resultado de uma pesquisa sobre Karl Marx, realizada em Dezembro de 2000, e pode ser lido, com mais história, em: http://www.aversaoaoestado.hpg.com.br/destrocus/marx.htm
O texto, escrito em luso-brasileiro, foi transferido por mim para luso português.
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