Carlos Loures
É com uma sensação de volúpia que pessoas pertencentes às gerações mais antigas, como a minha, folheiam o livro, aspiram o seu odor, apreciam a textura e a gramagem do papel. Mas, esta relação afectiva, é uma questão geracional. Daqui por uns anos estes dinossáurios terão desaparecido. E com eles morrerá também a nostalgia do livro impresso. As novas gerações estarão preparadas para acolher novos suportes de leitura. Só é preciso que eles existam. E nada do que existe substitui satisfatoriamente o livro impresso.
Neste conjunto de notas soltas, continuo a reflectir sobre as múltiplas questões que configuram a crise do livro. A ameaça do livro electrónico substituir o livro impresso é apenas uma dessas questões e, por certo, nem será a mais importante. Mas é dela que me estou a ocupar por estes dias.
Muitos anunciam a morte do livro como hoje o conhecemos e a inevitabilidade do triunfo do livro digital. Pudemos ler a opinião de Umberto Eco, segundo a qual o livro é uma daquelas invenções que, como a roda, como a colher, como o machado, nunca serão substituídas – são invenções consolidadas. Acho que tem razão. Em 1489, portanto há quase 521 anos, foi impresso em Chaves o Tratado de Confissom, o primeiro, ou um dos primeiros, incunábulos em português. Trata-se de um manual destinado aos membros do clero, aconselhando-os na missão de ministrar aos fiéis o sacramento da confissão e da penitência. Aborda questões ainda hoje, mais de cinco séculos decorridos, delicadas e polémicas – o adultério, a violação ou estupro, a pedofilia, o incesto, o aborto, a homossexualidade. Descoberto em 1965 pelo Professor José Vitorino de Pina Martins (1920), foi publicado em 1973 em edição diplomática, com um estudo introdutório do investigador.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
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