Mostrar mensagens com a etiqueta umberto eco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta umberto eco. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de junho de 2010

O livro na era digital

Carlos Loures


É com uma sensação de volúpia que pessoas pertencentes às gerações mais antigas, como a minha, folheiam o livro, aspiram o seu odor, apreciam a textura e a gramagem do papel. Mas, esta relação afectiva, é uma questão geracional. Daqui por uns anos estes dinossáurios terão desaparecido. E com eles morrerá também a nostalgia do livro impresso. As novas gerações estarão preparadas para acolher novos suportes de leitura. Só é preciso que eles existam. E nada do que existe substitui satisfatoriamente o livro impresso.

Neste conjunto de notas soltas, continuo a reflectir sobre as múltiplas questões que configuram a crise do livro. A ameaça do livro electrónico substituir o livro impresso é apenas uma dessas questões e, por certo, nem será a mais importante. Mas é dela que me estou a ocupar por estes dias.

Muitos anunciam a morte do livro como hoje o conhecemos e a inevitabilidade do triunfo do livro digital. Pudemos ler a opinião de Umberto Eco, segundo a qual o livro é uma daquelas invenções que, como a roda, como a colher, como o machado, nunca serão substituídas – são invenções consolidadas. Acho que tem razão. Em 1489, portanto há quase 521 anos, foi impresso em Chaves o Tratado de Confissom, o primeiro, ou um dos primeiros, incunábulos em português. Trata-se de um manual destinado aos membros do clero, aconselhando-os na missão de ministrar aos fiéis o sacramento da confissão e da penitência. Aborda questões ainda hoje, mais de cinco séculos decorridos, delicadas e polémicas – o adultério, a violação ou estupro, a pedofilia, o incesto, o aborto, a homossexualidade. Descoberto em 1965 pelo Professor José Vitorino de Pina Martins (1920), foi publicado em 1973 em edição diplomática, com um estudo introdutório do investigador.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

'Não Contem com o Fim do Livro', - diz-nos Umberto Eco

Carlos Loures

Umberto Eco, o ensaísta e escritor italiano deu há dois meses atrás uma entrevista a um jornal brasileiro a propósito do lançamento de uma edição da sua nova obra Não contem com o fim do livro. O apego de Eco ao livro em papel – a sua biblioteca conta com cerca de 50 mil volumes – levaram-no a aceitar o desafio que, Jean-Claude Carrière lhe lançou – o de debaterem a perenidade do livro, com vista à publicação de… um livro Não Contem Com o Fim do Livro. ´(N'espérez pas vous débarrasser des livres).

De modo algum tenciono transcrever a entrevista que está disponível na Internet e foi publicada em numerosos jornais. Vou apenas salientar uma ou outra afirmação do escritor e semiólogo. Contestando a anunciada morte do livro afirmou que o desaparecimento desse suporte de escrita é uma obsessão de jornalistas que lhe fazem a pergunta há 15 anos. «Para mim, o livro é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objecto que, uma vez inventado, não muda. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os electrónicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos» (…) «quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler as antigas disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos?».