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sábado, 11 de dezembro de 2010

VerbArte - O Cerco - Sobre as intenções do realizador Richard Brouillette*









Richard Brouillette


O CERCO - Sobre as intenções do realizador Richard Brouillette



Tal como aconteceu para o meu documentário anterior, Assez n’est pas trop (Muito não é suficiente), este filme nasceu de uma revolta.

Inicialmente, era uma revolta contra a derrota do pensamento, ou seja, face à desvalorização da vida com pensamento. A conversão do sistema de educação num sistema de formação profissional teve muito a ver com esta revolta, tal como o aparecimento de uma sociedade onde a informação se tornou rainha, enquanto o desenvolvimento do conhecimento era considerado fora de moda. Uma imagem me guiou, uma gravura de Goya intitulada O sono da razão produz monstros, obtida a partir da série Les caprices.

Depois, um editorial de Ignacio Ramonet, intitulado O pensamento único que apareceu no Le Monde Diplomatique de Janeiro de 1995, fez pouco a pouco o seu caminho na minha cabeça e o objecto da minha revolta alterou-se lentamente, fixando-se, sobretudo, na esclerose do pensamento político — sabendo que tudo é político. Ocupado por uma ideologia dogmática, este pensamento transformou-se em ideia fixa, em obsessão, a obsessão de privar o Estado de todos os seus poderes e, em seguida, de os entregar ao cuidado do mercado que, bem entendido, sabia fazer tudo muito melhor.